
A gestão do Aquafit – Health & Fitness Club, equipamento público sob a alçada da Câmara Municipal da Lagoa, está a ser alvo de um coro de críticas que ultrapassa a recente contestação à subida dos preços. Um grupo de utentes e sócios formalizou duas exposições dirigidas à autarquia e à Assembleia Municipal, denunciando o que consideram ser um desvio aos princípios de transparência, ética e serviço público. No centro da polémica está a atuação da Direção Técnica, a cargo de Rui Melo.
De acordo com os subscritores da denúncia, verifica-se uma alegada “ausência sistemática” do responsável nas instalações, tornando-o “incontactável” para utentes e funcionários na maior parte das horas do dia. A exposição alega ainda que o Diretor Técnico acumula múltiplas funções remuneradas noutras entidades, o que comprometeria a dedicação e compromisso necessários ao cargo municipal. Os utentes sugerem que a gestão diária tem recaído sobre outros colaboradores, levantando suspeitas de que a nomeação para o cargo possa resultar de “favores políticos”.
A situação laboral dos trabalhadores do complexo é outro ponto crítico destacado na denúncia enviada ao nosso jornal. Enquanto o novo preçário para 2026 impõe agravamentos significativos — com o Cardiofitness a subir 37% —, a autarquia terá negado a atualização dos rendimentos dos funcionários face à subida do salário mínimo. Segundo a denúncia, existem profissionais a cumprir funções no complexo há mais de 11 anos sob o regime de recibos verdes, sem as garantias e a valorização que lhes são devidas.
No plano político, o PSD Lagoa já manifestou a sua oposição a este modelo de gestão, classificando-o como “concorrência desleal” perante o setor privado. O vereador Rúben Cabral apontou a falta de indicadores de desempenho no orçamento para 2026 e afirmou que a atualização de preços foi adiada por “conveniência política” para o período pós-eleitoral.
Ao Diário da Lagoa, a Câmara Municipal defendeu que os aumentos visam a “estabilidade da operação” e a manutenção de padrões de qualidade. Sobre o corte de 20% para 15% nos descontos para idosos e recomendações médicas, a autarquia justificou que a decisão procura um equilíbrio entre sensibilidade social e sustentabilidade, sugerindo aos cidadãos o programa gratuito “Saúde em Movimento” ao ar livre. Contudo, os utentes refutam esta visão, apontando sinais de “degradação continuada” nas infraestruturas e falta de manutenção adequada.
Questionada pelo nosso jornal, a Câmara Municipal reagiu às críticas, começando por desvalorizar as exposições enviadas pelo “Grupo de Sócios do Aquafit”. A autarquia classifica as comunicações como “anónimas” por falta de identificação dos subscritores, embora assegure que o teor foi analisado e que “não foi apurada qualquer situação que comprometa a segurança ou o funcionamento” do complexo.
Quanto à contestada atuação do Diretor Técnico, a autarquia lagoense esclarece que o responsável exerce funções desde 2022 em regime de tempo parcial. A autarquia confirma a acumulação de funções noutras entidades, mas garante que a mesma está “formalmente enquadrada e autorizada, nos termos legais, pelo serviço de origem”. No entanto, a resposta oficial não faz qualquer referência à alegada “incontactabilidade” ou falta de assiduidade física denunciada pelos utentes.
No que toca à situação laboral dos profissionais que asseguram as atividades, a Câmara da Lagoa nega a existência de vínculos laborais irregulares. Segundo o executivo lagoense, tratam-se de “prestações de serviços específicas e com necessidades variáveis”, justificando assim a manutenção do regime de recibos verdes (mesmo nos casos que se arrastam há mais de uma década) por considerar que este modelo não configura um contrato de trabalho subordinado.
Relativamente às queixas de degradação das instalações, a autarquia refuta a perceção dos sócios, enumerando investimentos recentes em “componentes estruturais e equipamentos de prática desportiva”. Entre as intervenções citadas, destacam-se a substituição de sistemas de ar condicionado, melhorias nos balneários e a renovação de material de apoio às atividades de plano de água, assegurando que a manutenção do Aquafit é “regular e programada”.