
O presidente da Associação Agrícola de São Miguel (AASM), Jorge Rita, considerou “extremamente positivo” o balanço do X Concurso Holstein Frísia, que se que se realizou de 29 de novembro a 1 de dezembro no Parque de exposições na AASM. “Estamos a falar do melhor concurso que se faz a nível nacional, pela dimensão que tem, pela paixão evidenciada pelos produtores, pela envolvência das pessoas, pela qualidade da organização e pelas condições do pavilhão”, realçou, de acordo com nota enviada pela Associação.
Jorge Rita, que falava após a entrega dos troféus às vacas, novilhas e vitelas vencedoras do concurso, destacou a “grande adesão” dos produtores e a “excelente dinâmica que o concurso teve, com presença do público que encheu o pavilhão, principalmente, durante o sábado, dia de apuramento das vacas campeãs”, diz ainda a nota.
“As pessoas não se deslocaram para ver algo diferente. Vieram ver especificamente o concurso. Isto é extremamente positivo. Houve uma envolvência significativa da nossa sociedade e dos agricultores”, disse.
“Estamos a falar de dois concursos num ano que não são fáceis de fazer. É extremamente difícil. E conseguimos sempre ultrapassar as dificuldades com o trabalho dos produtores que são muito resistentes e resilientes,” explicou.
Jorge Rita sublinhou “a extraordinária qualidade dos animais” a concurso, “a diversificação dos prémios, sabendo-se que existem algumas explorações mais dominantes,” acrescentando que “além dos produtores tradicionais há novos produtores que começam a aparecer no concurso com animais geneticamente muito bons e que também ganham prémios.”
No entender do presidente da AASM, esta é a prova de que há “cada vez mais produtores a investir em boa genética e há jovens que incentivam os pais a participar e que se deve aos cursos de preparação de animais, que têm muita adesão junto da nossa juventude. Também existem intercâmbios com outros países muitos bons nesta área, que estimulam a participação dos produtores nestes concursos,” completou. Em seu entender, “grande parte desta nova vaga de produtores também se começa a afirmar” nos concursos “com a extraordinária qualidade dos seus animais.”
Jorge Rita, a concluir, deixou um alerta: “É muito importante que haja uma envolvência total à volta deste sector, principalmente daqueles que estão na fileira do leite, desde a produção, à transformação, à comercialização e, ao governo regional e à própria sociedade.
“Cada vez mais a sociedade percebe e sabe da importância que o nosso sector tem para a região. Até mesmo aqueles que estão em sectores de atividade que são emergentes na região, como é o caso do turismo, sabem que se a agricultura começa a ter muitos problemas económicos e sociais nas várias ilhas, a coesão territorial desaparece e deixa de existir o grande trabalho desenvolvido pelos agricultores na manutenção da grande beleza das nossas paisagens e do nosso ambiente. E ninguém quer que isto
aconteça”, acrescenta ainda Jorge Rita, citado na mesma nota.
“O que quero dizer é que uma agricultura forte, uma agricultura a crescer, em todas as suas dinâmicas, nos sectores do leite, da carne, e na diversificação agrícola, será sempre muito importante para o turismo que nos visita, por aquilo que nós potenciamos, quer em termos da oferta gastronómica, quer em termos das belezas naturais,” completou.
Por sua vez, António Ventura, secretário da Agricultura e Alimentação, de acordo com o mesmo comunicado, considerou que o concurso “afirma-se como um evento de grande prestígio para os Açores.” “Este concurso está a ganhar uma projeção não só regional, o que já tinha conseguido, como também uma projeção nacional e internacional,” realçou o governante.
Chama-se ‘Maravilha’ a vaca ‘Grande Campeã’ do X Concurso Micaelense Holstein Frísia de outono e é propriedade do produtor da freguesia das Furnas, António José Ferreira Pacheco.
É o segundo ano consecutivo que ‘Maravilha’ é ‘Grande Campeã’ em concurso com juízes diferentes e, este ano, foi também a vaca Campeã Adulta.
O produtor considerou ‘extremamente difícil’ chegar a este nível. “É uma luta constante e o trabalho de uma vida”, completou.
António Pacheco acredita “perfeitamente na aposta nas novas tecnologias. É possível ter robots nas explorações, ter equipamentos modernos e ter a gestão informatizada,” afirmou.