Log in

Parque da Matinha reforça oferta de lazer na Lagoa

© CM LAGOA

O município da Lagoa inaugurou o novo Parque da Matinha, localizado na Alameda do Conhecimento, na zona do Tecnoparque, criando um espaço público dedicado ao lazer, à atividade física para os mais novos e ao convívio familiar.

O projeto resultou da requalificação de um espaço arborizado existente, transformado num parque multifuncional ao ar livre, concebido para valorizar a paisagem natural e proporcionar novas experiências de recreio e bem-estar à população, reforçado por um quiosque com esplanada.

O Parque da Matinha distingue-se pelo seu conceito natural e sustentável, com utilização predominante de madeira e elementos orgânicos integrados na envolvente. O espaço inclui estruturas em troncos, cordas e percursos de equilíbrio destinados às crianças, promovendo a atividade física, a coordenação motora e a interação com a natureza, num ambiente seguro e estimulante.

Um dos elementos centrais do projeto é o percurso pedonal contínuo que percorre todo o parque, permitindo uma circulação fluída entre as diferentes áreas. Ao longo deste circuito encontram-se várias estações de atividade física com equipamentos de alongamento, equilíbrio, resistência e treino funcional, adequados a diferentes idades e níveis de utilização.

O projeto contemplou igualmente a valorização do mirante existente, transformado num ponto de permanência e contemplação da paisagem. Complementando esta componente, foi instalado um baloiço panorâmico em troncos de madeira natural, implantado num local privilegiado com vistas sobre o parque, a cidade e o mar.

A iluminação do parque foi concebida de forma a integrar-se harmoniosamente na paisagem arborizada, através de elementos verticais em madeira inspirados na verticalidade dos eucaliptos existentes no local.

O espaço dispõe ainda de uma estrutura de apoio, integrando bar, instalações sanitárias e áreas de arrumos destinadas à manutenção do parque. No prolongamento desta estrutura foi criada uma esplanada aberta, pensada como zona de convívio e contemplação da envolvente natural.

Associação Agrícola de São Miguel assinala Dia Nacional da Agricultura com mais de 3000 crianças

Iniciativa vai reunir, na próxima quarta-feira, alunos de diversas escolas da ilha de São Miguel para um dia de atividades pedagógicas e contacto direto com o setor agropecuário

© DIREITOS RESERVADOS

A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) vai assinalar, no próximo dia 27 de maio, o Dia Nacional da Agricultura com uma iniciativa de grande escala inteiramente dedicada às crianças. De acordo com a nota de imprensa enviada pela organização, o evento vai reunir mais de 3.000 alunos de diversas escolas da ilha de São Miguel, proporcionando-lhes uma experiência enriquecedora de aproximação ao mundo rural fora do contexto tradicional da sala de aula.

Esta ação é promovida em parceria com o Governo dos Açores e com a Confederação dos Agricultores de Portugal. O evento conta ainda com a colaboração de várias entidades públicas, privadas e cooperativas da região, unidas no propósito de sensibilizar os mais novos para a relevância estratégica do setor primário.

O principal objetivo da iniciativa é dar a conhecer às novas gerações a importância crucial que a atividade agrícola desempenha na economia regional dos Açores, bem como o seu papel determinante na sustentabilidade e na preservação do território e da paisagem açoriana. Ao longo de todo o dia, os milhares de alunos do ensino básico terão a oportunidade de participar em diversas atividades educativas, interativas e lúdicas, concebidas especificamente para a sua faixa etária, que incluem ainda o contacto direto com animais da quinta.

Com a organização deste dia festivo e pedagógico, a AASM refere em comunicado que reitera o seu compromisso na promoção e valorização da agricultura junto dos cidadãos do futuro. A associação sublinha ainda que este evento pretende não só quebrar barreiras entre o meio urbano e o meio rural, mas também incentivar uma maior proximidade e empatia entre a comunidade escolar e o quotidiano dos produtores agrícolas da região.

Daniela Amaral Ferreira vence gala Caravela d’Ouro

© CM POVOAÇÃO

Daniela Amaral Ferreira, de 9 anos de idade, foi a vencedora da 32.ª edição da Gala dos Pequenos Cantores Caravela d’Ouro, evento que decorreu no pavilhão multiusos da vila da Povoação.

A jovem natural da Povoação conquistou o primeiro lugar com a canção “O Balanço do Mar”, com letra e música de Amândio Garcia Magalhães. Para além do prémio monetário no valor de trezentos euros, a vencedora vai representar o Caravela d’Ouro no Festival da Canção Infantil da Madeira, em 2027. A canção “O Balanço do Mar” ganhou também na categoria da “Melhor Música”. O compositor arrecadou uma noite para duas pessoas no Terra Nostra Garden Hotel e a intérprete voltou a ganhar mais cem euros em prémio.

Em segundo lugar ficou Clara Leite Amaral, de 10 anos, também natural da Povoação, com a canção “O meu Cantinho de Sonho”, com letra de Lídia Oliveira e música de César Carvalho. Ganhou um prémio no valor de duzentos euros e vai poder visitar a ilha do Pico para participar, como convidada especial, no Festival da Canção Infantil Baleia de Marfim, das Lajes do Pico.

Na terceira posição ficou Leonor Condinho Câmara, de 10 anos, também da Povoação, com a música “A Magia das Fadas”, com letra e música de Samuel Pacheco. A terceira classificada ganhou cento e cinquenta euros em prémio e duas noites, para duas pessoas, no Octant Hotel.

A “Melhor Letra” foi atribuída a Ana Paula Leite com o título “O meu Barco de Brincar”. Esta canção foi interpretada por Leonor de Melo Pereira, de 8 anos, da Água Retorta, que arrecadou um prémio no valor de cem euros. A autora da letra recebeu uma noite, para duas pessoas, no Terra Nostra Garden Hotel.

Finalmente, o galardão da “Canção Recomendada para Crianças” foi para Ester Nascimento Freire, de 7 anos, também da Povoação, que venceu com a canção “Achas que é Mentira?”, com letra e música de Ana Paula Andrade. Ganhou um prémio no valor monetário de cem euros e duas noites para duas pessoas no Hotel do Mar.

Quando o corpo não desliga: o impacto do tempo de ecrã nas crianças

Mafalda Melo
Psicomotricista
CDIJA

Os ecrãs tornaram-se inseparáveis do quotidiano, informando, entretendo e aproximando pessoas, espalhando-se por todo o lado — no bolso que carregamos, na sala onde nos encontramos e nas ruas por onde caminhamos. A infância cresce, também, neste cenário tecnológico e com ela surgem novos desafios que pedem um olhar atento para o corpo e para o desenvolvimento das crianças.

Na consulta de Psicomotricidade, surgem cada vez mais preocupações como estas: “Porque é que ele está sempre agitado?”, “Como é que consegue estar tão quieto diante de um telemóvel, mas depois fica tão irrequieto?”, “Porque é que ela parece desligada?”, “Porque é que custa tanto concentrar-se, acalmar ou dormir?” A resposta raramente é simples, mas, em muitos casos, o corpo está a dar sinais claros de sobrecarga.

Quando uma criança está diante de um ecrã, o corpo pode parecer quieto, mas o sistema nervoso está longe de estar em repouso. Luzes intensas, cores vibrantes, sons constantes, recompensas rápidas e estímulos sucessivos colocam o organismo num estado de alerta permanente. O corpo aprende a estar sempre pronto para reagir. Com o tempo, este estado de excitação constante pode traduzir-se em irritabilidade, impaciência, dificuldade em relaxar, menor tolerância à frustração e uma necessidade contínua de estímulos. Paralelamente, o sedentarismo prolongado e as posturas pouco funcionais interferem diretamente com o tónus muscular, podendo gerar tensão, fadiga, agitação sem propósito e uma menor consciência corporal.

Neste contexto, a psicomotricidade assume um papel fundamental na valorização do corpo em movimento, da exploração do espaço, do brincar livre e da interação real, promovendo o desenvolvimento motor, cognitivo e emocional de forma integrada. O corpo da criança precisa de correr, saltar, cair, explorar, experimentar e até aborrecer-se. É através do movimento livre, dos sentidos e da ação corporal que a criança organiza emoções, constrói a atenção, estrutura o pensamento e conhece limites. Uma intervenção técnica especializada com um psicomotricista pode fazer a diferença, pois este fornece estratégias adequadas e direcionadas à família e à criança, de modo a promover habilidades essenciais para o seu desenvolvimento, sejam elas pegar corretamente num lápis para escrever, distinguir a esquerda e a direita, usar uma tesoura, equilibrar-se sem cair, lançar ou apanhar uma bola, começar e terminar uma tarefa, organizar e planear ações e outras aquisições motoras e cognitivas importantes. Desta forma, complementa o desenvolvimento, fortalecendo a confiança, a autonomia e a segurança da criança.

No dia a dia, pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença. A criação de rotinas com menos ecrãs, sobretudo em momentos-chave como as refeições, antes de dormir ou durante a brincadeira, ajuda o corpo a abrandar. A troca de tempo passivo por tempo ativo, através de jogos de movimento, brincadeiras no chão, expressão corporal ou contacto com a natureza, devolve ao corpo aquilo de que ele precisa. Uma redução gradual do tempo de ecrã, mesmo que apenas de 10 a 15 minutos por dia, já representa um passo importante.

Os adultos têm um papel essencial, visto que as crianças aprendem pelo exemplo. A atenção plena, o olhar disponível, a presença sem distrações e o uso consciente do telemóvel transmitem mensagens poderosas às crianças. Quando os ecrãs são utilizados como resposta automática para acalmar ou silenciar emoções perde-se a oportunidade de ajudar a criança a desenvolver competências de autorregulação e de aprender a lidar com a frustração e o tédio.

Cada momento conta, sendo fundamental oferecer às crianças espaço para sentir o corpo, viver o movimento e descobrir a alegria simples de brincar. Que cada passo, cada salto, cada sorriso seja mais forte do que qualquer notificação. O mundo digital está à porta, mas o mundo real pulsa dentro delas — e é aí que o crescimento acontece.

Crianças do Nordeste refletem sobre igualdade e diversidade

© CM NORDESTE

O município do Nordeste voltou a associar-se à comemoração do Dia Municipal para a Igualdade, uma iniciativa promovida pela Animar – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local, em parceria com sete organizações da economia social que, entre outras entidades envolvidas, apela à participação ativa dos municípios no desenvolvimento de ações nas respetivas comunidades sobre temas prioritários como o combate aos discursos de ódio, a promoção da democracia, da diversidade e dos direitos humanos.

Para a assinalar a data, o município desenvolveu duas sessões sobre cidadania e igualdade direcionados a um público jovem, aproximadamente entre os 4 aos 11 anos de idade, dinamizadas pela biblioteca municipal do Nordeste, sendo que uma das sessões foi realizada nas instalações de um centro ocupacional de tempos livres.

De forma lúdica foi possível envolver as crianças em jogos, leituras, brincadeiras e trabalhos manuais, levando-as a refletir sobre o respeito pela diferença, desde a cor da pele às características físicas, a sensibilidade, os gostos e as emoções individuais. A recetividade das crianças aos temas abordados foi bastante notória pelo modo como se envolveram na dinâmica desenvolvida.

As sessões foram dinamizadas por dois centros ocupacionais de tempos livres, um da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste e outro da Associação Sol Nascente, da freguesia da Salga.

Academia Empreendedora – Escola de Líderes com mais de 750 crianças e jovens 

SRJHE

Mais de 750 crianças e jovens açorianos estão inscritos na edição 2025/2026 da Academia Empreendedora – Escola de Líderes, avançou esta terça-feira, 21 de outubro, no Centro Cultural da Ilha Graciosa, em Santa Cruz, a Secretária Regional da Juventude, Habitação e Emprego, Maria João Carreiro.

Na abertura da quinta edição deste programa de educação não formal de crianças e jovens em idade escolar para o empreendedorismo, promovido através da Direção Regional da Juventude, a governante explicou que entre os inscritos estão alunos de todos os ciclos de ensino, incluindo ensino profissional, de mais de 40 entidades, tais como escolas, IPSS e o Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada.

O número de participantes poderá ainda aumentar, em virtude do arranque da edição universitária deste programa e da sua extensão aos jovens reclusos do Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo, cujo protocolo para a sua implementação deverá ser assinado em breve, adiantou.

“A Academia Empreendedora é um programa que acredita que as novas gerações serão capazes de fazer acontecer, em vez de ficarem à espera que as coisas aconteçam”, enalteceu Maria João Carreiro, sublinhando que “a circunstância pessoal e social de cada jovem não é nem pode ser uma fatalidade, mas antes uma oportunidade para a transformação, o crescimento e a integração”, defendeu.

Desde o ano letivo 2021/2022, integraram as quatro edições da Academia Empreendedora – Escola de Líderes mais de 6.000 jovens de todas as ilhas e 142 professores técnicos de inserção, “o que nos leva a acreditar que este programa é já um marco entre os jovens açorianos”, enalteceu.

Durante o ano letivo, os participantes na Academia Empreendedora – Escola de Líderes desenvolvem um programa de formação em competências para o empreendedorismo adequado ao seu nível de ensino e alinhados com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). 

Entre as atividades desenvolvidas estão iniciativas como “Empreendedor Por Um Dia”, “Mercadinhos de Natal” e o “Concurso Local de Ideias”, que carimba o passaporte das equipas vencedoras para o I9.Açores – Academia Jovem de Ideias Inovadoras.

“Diz-nos o percurso desta Academia que cada um dos participantes carrega uma ideia, um sonho, uma vontade de fazer qualquer coisa nova. É isso que o empreendedorismo procura despertar: a confiança de que é possível criar um caminho próprio, mesmo com incertezas”, enalteceu.

Maria João Carreiro expressou, por isso, confiança em “mais uma edição de sucesso que irá deixar sementes, inquietudes e uma atitude confiante entre os participantes”, lembrando que este programa foi criado para estimular o protagonismo das crianças e jovens, oferecer ferramentas práticas e desenvolver competências essenciais como liderança, trabalho em equipa, gestão de projetos e inovação.

Participaram na sessão de abertura da edição 2025/2026 da Academia Empreendedora – Escola de Líderes, o Presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, António Reis, o deputado à Assembleia Legislativa dos Açores, Adolfo Vasconcelos, e o Diretor Regional da Juventude (DRJ), Eládio Braga.

A sessão, que arrancou com dois momentos musicais com os alunos de Ensino Artístico da Escola Secundária da Graciosa, Afonso Albuquerque e Íris Olaio, contou ainda com uma conversa, moderada pelo DRJ, com as ex-participantes da Academia Empreendedora – Escola de Líderes Rita Gil, Íris Olaio e Luana Veiga.

O programa Academia Empreendedora, no qual a Região investe anualmente cerca de 150 mil euros, inclui dois subprogramas.

A Academia Empreendedora – Escola de Líderes percorre todos os ciclos de ensino, desde o 1.º ciclo até ao Ensino Secundário, passando pelo Ensino Profissional, IPSS e Ensino Superior, com uma edição universitária, sendo o programa adequado a cada nível de ensino e alinhado com 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Já a Academia Empreendedora – Ativa o Teu Potencial destina-se à população jovem reclusa dos Estabelecimentos Prisionais de Ponta Delgada e de Angra do Heroísmo.

Mundo dos elétricos chega ao transporte de crianças “Os Bambinos”

Após 15 anos da sua fundação, a empresa de transportes aposta numa carrinha elétrica: “O meu grande objetivo é transformar tudo em elétrico”, diz Sónia Câmara. As cinco carrinhas d’Os Bambinos cobrem atualmente escolas da Lagoa e de Ponta Delgada

Sónia Câmara é a sócia-gerente da empresa «Os Bambinos – Transportes Personalizados» © DL

Nascida em 2010 pelas mãos da sócia-gerente Sónia Câmara, que morou na Lagoa durante 20 anos, a empresa “Os Bambinos” transporta crianças de vários pontos da ilha em época escolar e conta com cinco carrinhas – uma delas elétrica. “Já transportei centenas de crianças e posso contar pelos dedos de uma mão alguma que tivesse ficado insatisfeita com os nossos serviços”, destaca ao Diário da Lagoa.

O que começou por ser uma forma de deslocamento para crianças com necessidades especiais estende-se hoje a todos os mais novos que frequentem as escolas da Lagoa, menos a secundária, e de Ponta Delgada, nomeadamente a Escola Secundária Domingos Rebelo, a Escola Secundária Antero de Quental, a Escola Secundária das Laranjeiras e a Escola Canto da Maia, à exceção da Escola Básica Integrada Roberto Ivens.

“Pensámos em algo que fosse útil para nós e para a sociedade”, uma vez que “haveria essa lacuna” na época em São Miguel, conta Sónia Câmara. Mas o gosto pelas crianças também a motivou a aliar o útil ao agradável. Aliás, desde o início que quer “facilitar a vida das famílias e mesmo das escolas e da Direção Regional da Educação”, explica, também dado o aumento da necessidade de carrinhas com nove lugares para transportar as crianças com necessidades especiais.

Também as crianças cujas escolas foram fechadas, como é o exemplo da Escola dos Remédios e a Escola da Atalhada, passaram a ter direito a transporte devido à distância – altura em que entram em cena Os Bambinos. Segundo Sónia Câmara, os autocarros desistiram de fazer esse tipo de transporte, na medida em que as carrinhas “conseguem chegar a mais sítios”.

“O futuro é o elétrico”

Em maio deste ano, passou a integrar, do conjunto de veículos da empresa, uma carrinha elétrica, algo que ao início causava a Sónia Câmara algum receio. Mas a adaptação foi muito positiva e garante: “Não quero outra coisa.” Até as crianças repararam na mudança e apontaram a ausência de barulho em comparação aos carros movidos a combustíveis fósseis. “Sou uma pessoa de futuro e penso sempre naquilo que poderá melhorar”, acrescenta.

Uma das diferenças apontadas pela sócia-gerente d’Os Bambinos é a atenção redobrada às pessoas na rua, em consequência do barulho reduzido deste tipo de veículo na estrada. “É mais difícil porque as pessoas não ouvem”, como é o caso de quem anda com auriculares, em específico os jovens, exemplifica. À parte disso e de ter de usar mais vezes o apito, salienta, ainda não teve nenhum problema com a carrinha elétrica.

Muito pelo contrário: “O meu grande objetivo é transformar tudo em elétrico”, destaca ao DL, e, no próximo ano, pretende comprar outra carrinha elétrica. Além disso, no futuro, Sónia Câmara sonha que a empresa de nome inspirado na figura Bambi “transporte ainda mais crianças” e tenha, “pelo menos, 12 carrinhas elétricas a dar o seu melhor” nas ruas e escolas de São Miguel.

A empresa conta com o patrocínio da Oliveira Pneus, do Atalhada Futebol Clube e da Queijaria Furnense. “Apesar das dificuldades que é ter este tipo de empresa, tem estado sempre a crescer”, sublinha. Dois dos desafios apontados dizem respeito ao atraso no pagamento por parte do Governo regional e à duração do contrato (nove meses) que provoca alguma imprevisibilidade ao trabalho da empresa.

Novo Centro de Atividades de Tempos Livres da Lagoa reforça apoio às famílias

Estrutura, inaugurada no Centro Pastoral da Paróquia de Santa Cruz, vai receber diariamente 60 crianças do pré-escolar ao 2.º ciclo

© CM LAGOA

O Centro Pastoral da Paróquia de Santa Cruz, na cidade da Lagoa, iniciou as atividades do seu novo Centro de Atividades de Tempos Livres (CATL) esta semana.

Com instalações modernas e adaptadas às necessidades das crianças, o CATL oferece atividades diversificadas que combinam apoio escolar, oficinas criativas, atividades lúdicas e desportivas.

De acordo com uma nota de imprensa enviada pela autarquia lagoense, o objetivo é “complementar a formação das crianças, promovendo não apenas o sucesso académico, mas também o desenvolvimento pessoal e social”.

Uma equipa composta por cinco colaboradores da Câmara da Lagoa irá receber diariamente 60 crianças, do pré-escolar ao 2.º ciclo. O apoio é direcionado às escolas EB1/JI Dr. José Pereira Botelho e EB1/JI Tavares Canário, ambas localizadas na freguesia de Santa Cruz.

O presidente da Câmara Municipal, Frederico Sousa, esteve presente na abertura do CATL e destacou que “a criação deste novo equipamento camarário é a prova do nosso compromisso em dar resposta à grande procura existente no concelho. Temos consciência da importância que estes espaços têm no apoio às famílias e no desenvolvimento das nossas crianças. Com mais esta infraestrutura, garantimos melhores condições e mais oportunidades para todos e suprimos uma necessidade que é, de facto, vista pela Câmara Municipal de Lagoa como uma prioridade para o bem-estar das nossas crianças e suas famílias”.

A autarquia recorda, em comunicado, que também criou condições para aumentar o número de vagas nos CATL em parceria com o Centro Social e Cultural do Cabouco; na escola EB1/JI Dr. Francisco Carreiro da Costa, na Vila de Água de Pau, e na Ribeira Chã, em parceria com o Centro Social e Cultural da Atalhada, totalizando cerca de 125 vagas extras.

Lagoa recebe oficinas de criatividade através do autocarro da fundação “La Caixa”

© CM LAGOA

Este ano, o autocarro do projeto «Creactivity» estará no concelho da Lagoa, na Praça de Nossa Senhora da Graça, nos dias 17, 18 e 19 de setembro, e na rua da Carreira, junto ao Auditório Ferreira da Silva, na Vila de Água de Pau, nos dias 3 e 6 de outubro.

De acordo com nota de imprensa enviada às redações pela Câmara da Lagoa, trata-se de uma iniciativa do BPI e da Fundação “La Caixa”, com o apoio da autarquia lagoense, que tem por objetivo fomentar a conceção de soluções originais para problemas simples. Os alunos participam em workshops com materiais do quotidiano e com ferramentas de baixa e alta tecnologia para dar vida às suas próprias ideias. Trata-se de um espaço concebido para despertar a engenhosidade, a destreza e a criatividade das crianças, “ajudando-as a sentirem-se confortáveis numa sociedade em mudança”.

O “Creactivity” ganha vida dentro de um autocarro que se converte numa unidade móvel totalmente adaptada, para facilitar o acesso e a participação das pessoas com mobilidade reduzida. O espaço dispõe de várias áreas para implementar diferentes habilidades: a zona da «Mecânica», com espaços de engrenagens, máquinas, berlindes e paintballs; a zona do «Vento», com tubos de vento; a zona da «Eletricidade», e a zona da «Luz», com o sistema stopmotion.

O projeto é caraterizado pela sua componente lúdica e colaborativa,  permitindo  a pesquisa, o planeamento, a criação de novos desenhos, o uso de materiais comuns de novas funções, através de propostas abertas e interdisciplinares que englobam a ciência, a tecnologia, a engenharia, a arte e a matemática. Outras competências mais transversais também estão a ser trabalhadas, como hábitos de aprendizagem cooperativa, o autoconhecimento para a aprendizagem e a criação e a realização de projetos.

O «Creactivity» dispõe ainda de workshops em grupo e visitas de exploração livre. O horário será das 9h00 às 13h00 e das 14h30 às 18h30. As marcações devem ser efetuadas através dos contactos: 933 258 627 ou portugal@creactivitybus.com.

Pressa para Crescer

Carlos Caetano Martins
Dirigente Iniciativa Liberal Açores

Já passaram quase três anos desde que o governo anunciou, com pompa e circunstância, a gratuitidade das creches. Uma medida que se aplaude, sem reservas. O problema é que, entretanto, as vagas não se multiplicaram por decreto — continuamos com creches sobrelotadas e listas de espera quilométricas. A solução agora encontrada? Empurrar crianças de dois anos, prestes a fazer três, diretamente para o pré-escolar.

Sim, leu bem: crianças condicionais (nascidas após 15 de setembro do ano civil), que apenas por opção dos pais deveriam entrar no mesmo ano escolar dos que nasceram em janeiro, estão a ser obrigadas a ir para a escola. No caso da transição da creche para o pré-escolar, podem ser crianças ainda de fralda, muitas vezes mal saídas da fase do biberão, ainda a necessitarem de dormir a sesta, e que de preferência, não façam chichi no tapete.

A ironia é que o pré-escolar nunca foi pensado para isso. As salas não estão preparadas para rotinas de muda de fraldas, para birras próprias de berçário ou para a logística que acompanha crianças tão pequenas. Mas o governo decidiu que, para resolver a falta de creches, nada como reinventar o pré-escolar como uma espécie de “creche 2.0”, sem perguntar a educadores, auxiliares ou pais se tal faria sentido.

Claro que o argumento oficial é bonito: “as crianças beneficiam de contacto precoce com educação pré-escolar”. Na prática, trata-se de libertar vagas — e de empurrar para a frente o problema estrutural da falta de investimento em novos equipamentos. Porque construir creches dá trabalho, custa dinheiro e não rende títulos imediatos nos jornais.

Entretanto, quem paga a fatura são as próprias crianças. Entram num espaço para o qual não têm maturidade psicológica, fisiológica ou social, com risco de comprometer o seu desenvolvimento natural. Mas isso é apenas um detalhe menor perante a estatística redonda da gratuitidade universal.

Não é culpa das crianças que o governo tenha lançado uma medida louvável sem preparar o terreno para a sua execução. O resultado é este: um remendo legislativo que trata os mais pequenos como peças móveis de um puzzle mal desenhado.

E depois admiram-se que os pais desconfiem, que os educadores se sintam sobrecarregados e que as próprias crianças fiquem para trás. Se queremos políticas educativas sérias, precisamos de mais do que números bonitos em comunicados de imprensa. Precisamos de investimento real, coerência e respeito pelo tempo de cada criança.

Porque convenhamos: o futuro não se constrói à pressa, nem à custa de crianças ainda de fralda.