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Daniela Silveira nomeada pelo terceiro ano consecutivo para o Prémio Women in Music Industry

A gestora cultural açoriana integra o Top 10 nacional ao lado de nomes como Carolina Deslandes e Roberta Medina. A distinção será entregue em Lisboa, no âmbito do Talkfest – Music Summit

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A produtora e gestora cultural açoriana Daniela Silveira está nomeada, pelo terceiro ano consecutivo, para o Prémio Women in Music Industry. A distinção, promovida pela APORFEST – Associação Portuguesa de Festivais de Música, coloca a profissional natural de Angra do Heroísmo num restrito Top 10 de figuras femininas com maior impacto no setor musical e cultural em Portugal.

Nesta edição, Daniela Silveira surge ao lado de nomes cimeiros da indústria, como as artistas Carolina Deslandes e Ana Lua Caiano, ou Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio. O anúncio oficial da vencedora e a entrega do prémio terão lugar em Lisboa, durante o Talkfest – Music Summit, o principal fórum de debate e desenvolvimento da indústria da música no país.

Esta nova nomeação vem consolidar um percurso de mais de 15 anos dedicado ao setor cultural e criativo. Com formação em Direito, Gestão e Produção Cultural, Daniela Silveira tem contribuído para a profissionalização do setor nos Açores. Ao longo da sua carreira, fundou projetos como o Festival +Jazz e o Festival Lava, iniciativas que se destacaram pela promoção da diversidade artística e pela criação de novos palcos para talentos emergentes.

Atualmente, Daniela Silveira desempenha um papel ativo na estrutura associativa regional, ocupando o cargo de presidente da direção da Associação Regional para a Promoção e Gestão Cultural e integrando o MOVA – Movimento pela Cultura dos Açores. Além da sua vertente como empresária e consultora em gestão de projetos, mantém uma colaboração regular com a imprensa regional, onde exerce o pensamento crítico sobre a realidade cultural do arquipélago.

Daniela Silveira: uma década de arte e gestão cultural

Natural da ilha Terceira, é dona de vários projetos no âmbito cultural, área à qual escolheu dedicar-se há mais de dez anos. Considera-se uma pessoa “resiliente” e cresceu num ambiente onde a cultura sempre teve grande importância

Daniela Silveira é gestora, produtora cultural e fundadora da associação Get Art © DIREITOS RESERVADOS


Daniela Silveira cresceu na freguesia da Conceição, em Angra do Heroísmo, filha de mãe natural de Santa Bárbara e de pai da Praia da Vitória, passou grande parte da sua juventude num ambiente citadino.
“A família do meu pai é muito diferente da da minha mãe”, conta. A forte ligação da sua família paterna à Base das Lajes fez Daniela crescer com uma forte influência americana. “A minha avó era empregada doméstica dos americanos e a minha tia era babysitter dos seus filhos. Quando eu ia a casa da minha avó, era tudo americano, desde os alimentos aos eletrodomésticos”, diz. O contacto com o jazz, que viria a ser o tema do seu primeiro projeto, começou, precisamente, nos bailes que frequentava na Base das Lajes.
Inicialmente,

Inicialmente, Daniela Silveira começou por se formar “na área de Direito”, frequentando uma licenciatura de quatro anos no Porto, mas enveredou pela área de gestão de empresas. Começa profissionalmente na área da cultura em 2012, dando asas àquele que viria a ser o seu primeiro projeto, o “+Jazz”, que, mais tarde, se torna num festival internacional. Rapidamente, Daniela percebeu que queria fazer da cultura a sua vida profissional.

O +Jazz nasce com o objetivo de dar palco aos músicos locais esquecidos dos festivais internacionais de jazz realizados na ilha Terceira. “Eu queria criar um palco onde estes artistas pudessem apresentar os seus trabalhos”, explica. Uma das suas grandes intenções era também a de levar este estilo musical aos “bares e restauração local”. Daniela refere que, inicialmente, os apoios ao +Jazz foram “residuais”, mas ainda assim suficientes para manter o projeto de pé. O festival ganha “outra visibilidade” quando se muda para Angra do Heroísmo, levando o capitão Pedro Horta a sugerir o “revivalismo” dos bailes de jazz da Base das Lajes, como os que Daniela frequentava em criança.

Com o surgimento do +Jazz, os “projetos locais relacionados” a esta área passaram a ser promovidos pelo festival que, ao longo do tempo, foi transportado a “outras ilhas”. Com uma duração de dez anos, o +Jazz encontra-se atualmente “adormecido”.

Durante os dez anos do +Jazz, Daniela envolvia-se, paralelamente, em outras atividades. Foi colaboradora de diversas entidades ligadas à cultura. Passou pelo Cine Clube da Ilha Terceira, pelo Museu de Angra do Heroísmo e fez parte da direção do Instituto Açoriano da Cultura, mas desenvolvia, ao mesmo tempo, os seus “próprios projetos”. Sentia que não se “revia no perfil de funcionária pública”, preferindo a liberdade de “diversificar”, trabalhar “com equipas e projetos diversos” e fazer o seu “próprio horário”.

Em 2019 nasce a associação “Get Art”, por iniciativa de Daniela Silveira, com o objetivo de agregar e promover festivais musicais, como o festival “Lava que surge, também em 2019, na ilha do Pico. “A Get Art é o amadurecimento de sete anos de trabalho, quando eu já começava a perceber a dinâmica de gerir uma associação cultural”, afirma Daniela.

Daniela reconhece que o mais difícil de ter uma associação é “mantê-la” a funcionar. Sem funcionários fixos, a Get Art funciona com profissionais em “regime de prestação de serviços e a gestora cultural confessa que, “durante muito tempo”, se sentia sobrecarregada por estar “em todas as frentes”. Hoje, o trabalho é dividido por uma “pequena comunidade”, fundamental para o desempenho da associação. Ao tornar-se mãe em 2019, surgiu a necessidade de adaptar o seu horário de trabalho, contudo com a maternidade surgiu também a exploração de novas perspetivas profissionais.

Um dos projetos mais queridos a Daniela Silveira é o “Atitude”. Criado em conjunto com colegas, o Atitude começa por ser desenhado para uma candidatura para a fundação “Calouste Gulbenkian” no âmbito do programa “Parties & Art for Change”, envolvendo “a arte direcionada a um público com deficiência física cognitiva”, diz. O projeto, apesar de finalista, não recebeu o financiamento, mas foi levado pela Get Art a nível regional. Aprovado pela Direção Regional para a Promoção da Igualdade e Inclusão Social, o Atitude arranca com “duas residências artísticas” na ilha Terceira, em colaboração com a Associação Cristã da Mocidade (ACM) e com o Centro de Apoio à Deficiência (CAD).

Ganhando maior proporção, o projeto expandiu-se para São Miguel, com o apoio da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), bem como para a ilha do Pico. Com a elevada procura e a dificuldade em atender a toda esta, surge o Guia de Boas Práticas de Inclusão Através da Arte, com toda a “metodologia necessária para a organização de um projeto de inclusão social”. “Eu desenho um projeto, mas depois disso,  ele deixa de ser só meu. A ideia só se vai desenvolver com outras pessoas”, acrescenta Daniela.

Daniela Silveira finaliza a entrevista ao nosso jornal com a partilha de um dos projetos no qual tem vindo a trabalhar há alguns anos, mas de que nunca desistiu. Preocupada com o “desaparecimento de algumas estruturas”, a gestora cultural começa a desenvolver um mapeamento sobre os “Coretos dos Açores” em 2019, que só viu aprovada a sua candidatura em 2024. O objetivo final é salvaguardar este património cultural, através da recolha de informação com uma “forte componente científica”, diz.

A sua resiliência, otimismo e a vontade de se enquadrar em novas e diversas experiências, acompanham Daniela na sua vida profissional que é, há mais de dez anos, marcada pela dedicação à cultura.