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Faial acolhe final do Desafio Kahoot

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A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, na ilha do Faial, vai acolher a final regional do Desafio Kahoot Cultura Geral dos Açores, que este ano assinala a sua oitava edição e tem como tema central a comemoração dos 50 anos da autonomia regional. O evento terá início pelas 10h00.

Na final vão estar presentes os três primeiros classificados de cada ciclo de ensino – 1.º, 2.º e 3.º ciclos – e ainda a categoria Azores Quiz, disputada em inglês e destinada aos alunos do ensino secundário das nove ilhas do arquipélago. Ao todo serão cerca de trinta concorrentes, acompanhados pelos professores que dinamizam a iniciativa em cada uma das ilhas.

O Desafio Kahoot Cultura Geral dos Açores tem-se afirmado como um marco dos planos de atividades das escolas e uma atividade atrativa para os alunos que, ano após ano, procuram repetir a experiência, enquanto aprofundam o conhecimento da sua terra.

Este concurso consiste numa competição digital, disputada através da plataforma ????????ℎ????????????, e incide sobretudo nas temáticas de História, Geografia, Cultura, Literatura, Botânica, Biologia e Etnografia das nove ilhas dos Açores.

Festival de Cantorias ao Desafio celebrou 20 anos como baluarte da cultura popular nos Remédios

© CM LAGOA

O Pavilhão Multiusos dos Remédios, na freguesia de Santa Cruz, na Lagoa, foi palco da 20.ª edição do Festival de Cantorias ao Desafio, um evento que, ao longo de três dias, reafirmou a vitalidade do improviso açoriano. O certame, organizado pela Associação Cultural e Recreativa dos Remédios, consolidou-se como um espaço de encontro intergeracional, aliando a música à gastronomia tradicional.

Segundo uma nota enviada pela autarquia da Lagoa, o evento contou com o apoio financeiro e logístico da Câmara Municipal e a colaboração da Junta de Freguesia de Santa Cruz, marcando duas décadas de resistência cultural na localidade. Durante a sessão de encerramento, o presidente da autarquia, Frederico Sousa, enalteceu o papel do festival, sublinhando que este “é um marco cultural no concelho, assumindo-se como um espaço privilegiado de encontro entre gerações e de valorização da cultura popular açoriana”.

O autarca defendeu que estas celebrações são essenciais para manter viva a memória coletiva dos Açores, servindo como um elo de ligação fundamental entre o passado e as novas gerações. O discurso de encerramento enfatizou ainda que o reforço do associativismo local é uma das pedras basilares para a coesão social da freguesia e do concelho, reconhecendo o esforço dos envolvidos na organização ao longo destes 20 anos.

Paralelamente, diversas barracas de iguarias típicas serviram de ponto de encontro para os muitos visitantes que, durante os três dias de certame, procuraram não só o espetáculo das cantorias, mas também os sabores tradicionais açorianos. O balanço final, reforçado pela nota da autarquia, aponta para um sucesso renovado, consolidando o festival como um dos momentos altos do calendário cultural da freguesia de Santa Cruz e do município de Lagoa.

O desafio silencioso dos Açores

André Silveira

A escassez de mão de obra é um fantasma que assombra economias por todo o mundo, mas em regiões arquipelágicas como nos Açores, este espectro assume contornos particularmente dramáticos. Longe dos grandes centros urbanos, a Região Autónoma enfrenta uma crise laboral que ameaça não só o seu crescimento, mas a própria capacidade de concretizar um futuro mais próspero.

A realidade é inegável: um inquérito recente da Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo confirmou que 81% das empresas nas ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa procuram ativamente pessoal qualificado, metade delas com urgência. Setores vitais como a construção civil, hotelaria e restauração clamam por trabalhadores, desde engenheiros a serventes, passando por empregados de mesa. Esta carência não é uma mera inconveniência; é um entrave direto à execução de investimentos cruciais, como os do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), cuja taxa de execução nos Açores se arrasta. Concursos públicos ficam desertos, obras estratégicas atrasam, e a promessa de modernização esvai-se na falta de braços e mentes. Ao mesmo tempo, a iniciativa privada vê-se forçada a adiar investimentos, não só pela falta de profissionais para executar as obras, mas também pela dificuldade em encontrar quem possa operar e gerir no futuro.

As causas são multifacetadas e profundamente enraizadas na condição insular. O envelhecimento da população, em linha com as tendências nacionais e europeias, é agravado pela contínua emigração de jovens qualificados que procuram melhores oportunidades no continente ou no estrangeiro, uma verdadeira “fuga de cérebros” que sangra o arquipélago. A natureza dispersa e isolada das ilhas dificulta os transportes e restringe a mobilidade, tornando o preenchimento de vagas em ilhas um desafio hercúleo. Além disso, grande parte do território Açoriano não é atrativo para a fixação de pessoas, seja pela falta de acessibilidade, seja pela carência de bens e serviços essenciais, o que limita ainda mais a capacidade de atrair e manter população ativa. Soma-se a isto um desajustamento crónico entre a oferta educativa e as necessidades do mercado de trabalho, resultando numa mão de obra com qualificações desadequadas.

Outro fator que contribui significativamente para esta realidade é o baixo salário médio praticado na região. Os rendimentos nos Açores continuam abaixo da média nacional, o que diminui a atratividade do mercado laboral local, tanto para residentes como para potenciais imigrantes. Esta desvantagem salarial, associada ao elevado custo de vida insular, onde bens essenciais e serviços tendem a ser mais caros devido à insularidade, compromete a capacidade de retenção de jovens e de fixação de profissionais qualificados, acentuando o ciclo de escassez de mão de obra.

Um fator cada vez mais premente, e particularmente sentido em São Miguel, é a falta e o custo da habitação. A crescente procura por imóveis, impulsionada em parte pelo investimento estrangeiro e continental, tem levado a um aumento significativo dos preços de casas e terrenos, tornando a fixação de novos trabalhadores e a retenção dos jovens locais um desafio acrescido. A Associação do Alojamento Local dos Açores (ALA) já apontou a falta de acessibilidades e mão de obra como “estrangulamentos” ao desenvolvimento do setor, e a questão da habitação está intrinsecamente ligada a esta dificuldade de atrair e manter pessoas na região. Sem habitação acessível, mesmo as oportunidades de emprego bem remuneradas perdem o seu atrativo, dificultando a manutenção dos jovens na ilha.

E depois, há o debate mais sensível: a alegada “subsídio-dependência”. Vozes na região argumentam que programas sociais como o Rendimento Social de Inserção (RSI) e o Subsídio de Desemprego, quando mal enquadrados, desincentivam o trabalho, contribuindo para a escassez em profissões que não exigem grande formação. Embora seja um tema complexo, que exige uma análise social aprofundada, não podemos ignorar a dimensão comportamental e de incentivo que pode estar a agravar o problema.

Para reverter este cenário, os Açores precisam de uma estratégia integrada e corajosa. Não basta esperar por soluções de Lisboa ou Bruxelas; é imperativo que as políticas sejam adaptadas à realidade ultraperiférica. Urge investir massivamente na formação profissional e na requalificação, alinhando os currículos com as necessidades dos setores em crescimento, como o turismo e as energias renováveis. A atração e retenção de talento, incluindo o regresso de Açorianos emigrados, deve ser uma prioridade, talvez com incentivos fiscais ou programas de fixação. A par disso, é fundamental desenvolver políticas de habitação que garantam o acesso a moradias a preços justos, especialmente em ilhas como São Miguel, para que os trabalhadores possam, de facto, fixar-se e contribuir para a economia local.

A imigração, já uma realidade na construção civil Açoriana, é uma peça fundamental do puzzle. Contudo, deve ser gerida de forma estratégica, com programas de integração robustos que evitem pressões sobre infraestruturas e tensões sociais. Paralelamente, deveriam ser implementadas políticas públicas regionais específicas de atração de imigrantes para os setores com maiores necessidades de mão de obra, garantindo não só o reforço da capacidade produtiva como a sustentabilidade social e económica dessa integração. Finalmente, é crucial reavaliar as políticas sociais, garantindo que funcionam como redes de segurança e não como desincentivos ao trabalho, promovendo a autonomia e a participação ativa no mercado.

A escassez de mão de obra nos Açores não é apenas um problema económico; é um grave entrave ao desenvolvimento da Região. A capacidade de superá-lo será fator chave para a resiliência, a inovação, a qualidade de vida dos Açorianos e para garantir a convergência económica e social dos Açores face ao país e à Europa. É tempo de agir, com visão e determinação, para que o arquipélago possa, de facto, construir o seu futuro. Os Açores merecem mais e melhor.

Festival de Cantorias ao Desafio atrai centenas de pessoas ao Lugar dos Remédios na Lagoa

Evento atraiu centenas de pessoas diariamente e a organização faz um balanço muito positivo

© MARIANA ROVOREDO/DL

O Pavilhão Professor Jorge Amaral, no Lugar dos Remédios, concelho de Lagoa, recebeu o 19.º Festival de Cantorias ao Desafio organizado pela Associação Cultural e Recreativa dos Remédios (ACRR), entre 21 e 23 de fevereiro.

José Raul Medeiros, presidente da ACRR, faz um balanço muito positivo desta edição, destacando a homenagem aos membros da associação. O dirigente da associação destaca também a afluência, com uma média de mais de 300 pessoas por dia, perfazendo um total de cerca de mil visitantes durante todo o festival.

Esta edição contou com a participação dos cantores Bruno Oliveira, de São Jorge, José Eliseu, Tiago Clara e Samuel Martins da ilha Terceira, Bruno Botelho e Paulo Miranda de São Miguel, e com os tocadores Fernando Silva e Marco Silva, e de Renato Cordeiro e Toni Silva.

© MARIANA ROVOREDO/DL

Para além da música, os participantes puderam também desfrutar de gastronomia tradicional açoriana, com sopas variadas, torresmos, inhame, enchidos, carne guisada, entre outros. Não faltou também as típicas sobremesas: malassadas e arroz-doce.

Na sexta-feira, dia 21, deu-se a abertura do Festival de Cantorias ao Desafio, pelas 19h30, seguindo-se a atuação do cantor Luís F, e as cantorias ao desafio. No sábado, foi a vez das Top Girls atuarem, e, de seguida, as cantorias ao desafio.

No último dia, domingo, 23 de fevereiro, para além das tradicionais cantorias, houve uma homenagem aos membros da associação, prosseguindo-se as cantorias ao desafio, e encerrando o festival pelas 24h00.