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Lagoa apresenta livro que imortaliza a história da cultura desportiva do concelho

Obra da autoria de Marcelo Borges, editada pela Câmara Municipal, será lançada esta sexta-feira no Cineteatro Lagoense e resulta de uma investigação profunda sobre o percurso do desporto local

© CM LAGOA

O Cineteatro Lagoense Francisco D’Amaral Almeida prepara-se para acolher, na próxima sexta-feira,13 de março, pelas 20h30, a sessão de apresentação do livro «Breve História da Cultura Desportiva na Lagoa». Segundo a nota de imprensa enviada pela Câmara Municipal da Lagoa, esta edição surge através da Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira e conta com a investigação do lagoense Marcelo Borges. A génese deste projeto remonta a um convite endereçado pela autarquia ao autor para colaborar na obra comemorativa «Os 500 Anos do Concelho da Lagoa – Álbum de Memórias», publicada em abril de 2025. Contudo, perante a extensão do trabalho de pesquisa apresentado, a autarquia propôs que a investigação fosse aprofundada e ganhasse uma autonomia própria, resultando agora numa publicação que abrange diversos momentos históricos e modalidades que moldaram a identidade desportiva do concelho.

De acordo com a autarquia lagoense, a obra não se limita a um registo estatístico, procurando antes um olhar mais sensível sobre as personalidades que construíram este legado. Sobre o processo de escrita, Marcelo Borges revela que o grande objetivo passou por “criar um trabalho que humanizasse as diferentes fontes de informação reunidas e que não se limitasse a datas e números, mas que nele fosse elevado o nome daqueles que, em diferentes funções, contribuíram para a promoção do desporto e da atividade física no concelho”. Este foco na vertente humana e no esforço coletivo da comunidade lagoense é um dos pontos centrais da publicação, que pretende servir como um documento de memória futura para as próximas gerações de atletas e dirigentes locais.

O livro conta com os prefácios de José Carlos Mota, professor na Universidade de Aveiro e coordenador do Laboratório de Planeamento de Políticas Públicas, e de José Raimundo, vice-presidente da Federação Portuguesa de Patinagem e embaixador para a ética no Desporto. Através desta contextualização académica e institucional, a «Breve História da Cultura Desportiva na Lagoa» procura afirmar-se como um contributo relevante para o património cultural da ilha, celebrando o desporto enquanto pilar de coesão social. O lançamento na sexta-feira marca, assim, a entrega oficial deste trabalho de investigação à comunidade, registando em livro o percurso histórico da Lagoa no panorama desportivo regional e nacional.

Lagoa homenageia profissionais do apoio domiciliário e promove saúde no Dia da Mulher

Iniciativa da autarquia reuniu mais de uma centena de participantes numa manhã que aliou o reconhecimento social à prática desportiva e ao bem-estar

© CM LAGOA

O Dia Internacional da Mulher foi assinalado na cidade da Lagoa este domingo, 8 de março, pela Câmara Municipal. De acordo com nota de imprensa enviada às redações pela autarquia lagoense, tratou-se de um programa que combinou a homenagem ao trabalho feminino com o incentivo a estilos de vida saudáveis. O evento, realizado pelo segundo ano consecutivo, contou com a participação de mais de uma centena de pessoas provenientes de todas as freguesias do concelho e de fora dele para participar numa caminhada e em aulas de atividade física.

Segundo a nota da autarquia, a manhã começou com um momento de forte carga simbólica nos Paços do Concelho: o reconhecimento público de nove colaboradoras do Centro Sócio Cultural de São Pedro. Estas profissionais, que integram o serviço de apoio domiciliário, foram destacadas pelo impacto direto e muitas vezes silencioso que o seu trabalho diário tem no conforto e na dignidade das famílias lagoenses.

Na ocasião, a vereadora com o pelouro da Ação Social e da Saúde, Graça Costa, aproveitou para sublinhar que esta data simboliza “a luta, a coragem e as conquistas das mulheres ao longo da história”, recordando todas aquelas que “desafiaram barreiras e reivindicaram direitos fundamentais como o acesso à educação, ao voto, ao trabalho digno e à igualdade de oportunidades”. A autarca destacou ainda que, além das figuras que transformaram o mundo na ciência ou na política, importa celebrar as mulheres que, de forma anónima, como mães, trabalhadoras e cuidadoras, “constroem diariamente o futuro com resiliência, sensibilidade e força”. Num agradecimento direto às nove homenageadas — Etelvina Coelho, Cidália Baganha, Diana Andrade, Cátia Matos, Graça Silva, Carolina Andrade, Adriana Tavares, Neuza Oliveira e Débora Coelho — Graça Costa afirmou, de acordo com a fonte municipal, que estas profissionais “fazem, diariamente e de forma silenciosa, a diferença na vida de tantas famílias lagoenses”.

© CM LAGOA

Após este momento de homenagem, os participantes seguiram em caminhada de Santa Cruz em direção ao polidesportivo da Atalhada, na freguesia de Nossa Senhora do Rosário. O percurso culminou num lanche-convívio que reforçou os laços de proximidade entre a comunidade, seguido de dois momentos de exercício: uma aula de atividade física orientada pela professora Fátima Peixoto e uma sessão de ioga dinamizada pela professora Carolina Dourado.

Veteranos do Operário Desportivo celebram 15 anos com inauguração de sala de convívio

Espaço no Campo Municipal João Gualberto Borges Arruda servirá para encontros intergeracionais e atividades da comunidade

© DL

A Associação de Veteranos do Clube Operário Desportivo assinalou na passada sexta-feira, 27 de fevereiro, o seu 15.º aniversário com a inauguração de uma nova sala de convívio no Campo Municipal João Gualberto Borges Arruda, na cidade da Lagoa.

O novo espaço, resultante de uma colaboração entre a autarquia local e a associação, surge com o propósito de servir não apenas os associados, mas também a comunidade em geral, funcionando como um ponto de encontro e dinamização de atividades sociais.

A cerimónia oficial contou com a presença de dirigentes dos Veteranos do Operário e de representantes do município. De acordo com os responsáveis, a infraestrutura visa fomentar o espírito de equipa e a valorização do associativismo, reforçando o papel do desporto como ferramenta de integração e fortalecimento dos laços comunitários na região. Para marcar a data e a abertura do espaço, foi realizado um jogo amigável entre a equipa de veteranos e uma formação composta por funcionários da Câmara da Lagoa.

Fundada a 28 de fevereiro de 2011, a associação lagoense tem-se dedicado à prática de futebol de 11 no escalão de veteranos. Ao longo de mais de uma década, a associação tem promovido diversos intercâmbios desportivos e culturais, organizando jogos com clubes da ilha de São Miguel, bem como com equipas de Portugal Continental, Madeira e do estrangeiro, projetando o nome do concelho da Lagoa através do desporto.

Santa Clara conquista Supertaça e Taça de Portugal em Futsal Adaptado

Câmara Municipal de Ponta Delgada aprovou voto de congratulação pela hegemonia da formação açoriana no panorama desportivo nacional

© CM PONTA DELGADA

A equipa de Futsal Adaptado do Clube Desportivo Santa Clara continua a somar sucessos na história do desporto regional e nacional. Recentemente, a formação encarnada assegurou a conquista de dois dos troféus mais importantes do calendário competitivo: a Supertaça e a Taça de Portugal. Estes feitos motivaram a Câmara Municipal de Ponta Delgada a aprovar, por unanimidade, um voto de congratulação que enaltece o mérito dos atletas e da respetiva estrutura técnica.

O primeiro grande triunfo desta temporada aconteceu no Pavilhão Rota dos Móveis, em Lordelo, onde o Santa Clara ergueu a Supertaça. Num jogo de elevada intensidade contra o Clube Gaia, os açorianos levaram a melhor com uma vitória por 7-5. A equipa voltou a celebrar poucos dias depois, a 17 de fevereiro, ao conquistar a 32.ª edição da Taça de Portugal ANDDI. Em São João da Madeira, o adversário voltou a ser o Clube Gaia, mas desta vez o resultado foi mais dilatado, com um triunfo de 4-1 a favor da equipa de Ponta Delgada.

Sob a orientação técnica de Paulo Borges, o Santa Clara tem consolidado a sua posição como uma das forças dominantes da modalidade em Portugal. Recorde-se que, em 2023, os encarnados tornaram-se na primeira formação açoriana a sagrar-se campeã nacional de Futsal Adaptado. A consistência do projeto tem sido visível na presença habitual em finais e na capacidade de renovar títulos, como comprovado também pela vitória na Taça de Portugal de 2025, onde a equipa goleou o Boavista por 10-1.

Com a aprovação deste voto de congratulação, a autarquia de Ponta Delgada sublinha que estas vitórias são o reflexo de um pilar essencial do desenvolvimento desportivo do concelho. O município salienta, ainda, em comunicado que reafirma, assim, o seu compromisso com o apoio ao desporto adaptado, entendendo-o como um instrumento estratégico para a inclusão social e para a valorização do mérito desportivo de forma transversal na região.

Clube Operário Desportivo garante continuidade da equipa sénior

Operário recua na decisão de abandonar competições após onda de apoios e críticas ao Governo regional

© DIREITOS RESERVADOS

A direção do Clube Operário Desportivo (COD) confirmou esta sexta-feira, 20 de fevereiro, em comunicado, que a sua equipa sénior de futebol vai manter-se em prova no Campeonato de Futebol dos Açores e na Taça de São Miguel. A decisão surge após dias de incerteza em que o cenário de abandono imediato das competições esteve seriamente em cima da mesa, como medida drástica para estancar a crise financeira que assola o emblema lagoense.

A estrutura diretiva do clube admite que equacionou o encerramento da atividade da equipa sénior devido à “débil situação financeira” que se arrasta há vários anos. A esta realidade somam-se críticas severas à gestão desportiva da Região Autónoma dos Açores, com a direção a lamentar o “manto de incerteza” lançado pelo Governo regional e o que classifica como um “garrote financeiro” provocado pela diminuição dos apoios oficiais. Segundo o clube lagoense, a sobrevivência da instituição tem sido posta em causa por “cortes cegos e critérios discricionários”.

A reversão da decisão de desistência foi possível graças a um movimento de solidariedade e à mobilização de novos apoios nos últimos dias esclarece o COD. Embora a direção ressalve que os problemas financeiros não desapareceram, os recursos agora garantidos permitem que a equipa finalize a época 2025/2026 sem agravar o passivo do clube. Os fabris da Lagoa aproveitam ainda para deixar um reparo aos seus associados, mencionando que muitos não têm as quotas em dia, e lamentou as “portas que permaneceram fechadas” durante este processo crítico.

Com 78 anos de história e raízes profundas na Fábrica do Álcool, o Operário reafirma o seu papel de serviço público no concelho da Lagoa, apelando a uma reflexão profunda sobre a sustentabilidade do desporto nos Açores. Para a direção, o sistema atual sobrevive à custa da “resiliência de uns poucos” que substituem as obrigações constitucionais do Estado, garantindo que o clube continuará a lutar para honrar o seu historial e palmarés nas competições em que está inserido.

“Somos uma equipa pequenina mas há exigências de uma equipa como se fosse da Primeira Liga”

Associação Desportiva e Cultural de Santa Cruz tem três escalões de futsal e cerca de 50 inscritos. O presidente, Mário Luis Pereira, fala dos desafios que a associação enfrenta e da dificuldade que existe em arranjar treinadores para os vários escalões que têm

Mário Luís Pereira é o presidente da Associação Desportiva e Cultural de Santa Cruz desde a sua fundação em 2023 © DL

Com cerca de 50 atletas, todos de tenra idade, a Associação Desportiva e Cultural de Santa Cruz (ADCSC) da Lagoa, na ilha de São Miguel, tem motivos para sorrir. Fundada há apenas quase três anos, soma já várias conquistas. “Em setembro ganhamos o Futsal Cup da ilha de Santa Maria,  ficámos em primeiro lugar. Saímos com o melhor marcador, o melhor jogador e o melhor guarda-redes “, conta Ângela Amaral, presidente da mesa da Assembleia da ADCSC.

O filho de Ângela, Afonso Ferreira, é um dos jogadores da ADCSC e uma das promessas da associação. “Foi chamado à Seleção Nacional, fez estágio no ano passado e há dois anos. Fez estágio para o escalão, que não é dele, de Sub-13”. Afonso Ferreira já conheceu de perto a cidade do futebol, em Oeiras, Grande Lisboa, e a mãe diz que não se fica por aqui: “também foi chamado aos Sub-15 e ele só tem 12 anos. E hoje, supostamente, vai ser chamado outra vez. Vai sair uma nova convocatória” diz, visivelmente feliz, ao Diário da Lagoa (DL).

É com orgulho que Mario Luís Pereira assiste à conversa, na sua loja, em Santa Cruz, na Lagoa. O presidente da ADCSC conta como tudo começou: “criámos esta associação ‘familiar’. Inicialmente, tivemos que ter alguns custos que nós tínhamos que suportar por nós próprios, depois fomos pedindo apoio à Câmara, à Junta. Atualmente temos cerca de 50 crianças, dos 5 aos 13 anos, do Livramento, Cabouco, Rosário e Santa Cruz”. Mário Luís Pereira explica ao DL que a frequência do futsal na ADCSC é totalmente “gratuito” mas as exigências são grandes. “Somos uma equipa pequenina mas há exigências de uma equipa como se fosse da Primeira Liga. Temos que ter a camisa do aquecimento, temos que ter dois equipamentos, porque pode haver outra equipa que tenha as mesmas cores. Temos que ter os coletes de cores diferentes, porque pode haver uma equipa que tenha o colete com a mesma cor. E claro, que todas essas alternativas têm o seu preço, têm o seu custo”, explica o responsável. E esse material, com a ajuda dos patrocinadores, e entidades públicas, é fornecido gratuitamente aos atletas da ADCSC. 

Ainda assim, Mário Luís Pereira garante que o financiamento não tem sido problema, graças às ajudas que têm tido e à angariação de fundos que têm conseguido, com a ajuda de todos. Mas para a Associação de Santa Cruz, o desafio é outro. “A maior dificuldade é ter pessoas certificadas para poder treinar e estar à frente, como diretores. Esta é a nossa grande dificuldade. Porque a gente precisa, para cada escalão, de um treinador, mas um treinador que tenha o curso. E está sendo muito difícil encontrar. Porquê? Porque os requisitos para ser treinador são um bocadinho exigentes ao nível da escolaridade. Temos grandes jogadores, temos grandes pessoas, pessoas que gostam, que sabem treinar, mas não podem ter o curso. Não podem ter o curso porque não têm a escolaridade obrigatória.”, lamenta o presidente. 

Atualmente, a ADCSC treina no pavilhão Professor Jorge Amaral, nos Remédios, em Santa Cruz, na Lagoa. E sonhos para o futuro? Lançámos a pergunta. “Que quando formos muito velhos, ainda haja esta associação aqui na região. E daqui a 20, 30 anos eu ia comemorar a Associação de Santa Cruz”, diz, satisfeito, Mário Luís Pereira.

Natacha Candé sagra-se Campeã Nacional de Pentatlo com novo recorde histórico

Jovem atleta lagoense alcançou recentemente a marca histórica e estabeleceu um novo recorde nacional das categorias de Sub-20 e Sub-23, superando a sua anterior marca pessoal

© ACÁCIO MATEUS

A atleta lagoense Natacha Candé, do Clube Desportivo e Cultural Juventude Ilha Verde de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, alcançou um feito histórico para o desporto nacional ao sagrar-se Campeã Nacional de Pentatlo, no escalão de Sub-20. A conquista ocorreu durante os Campeonatos Nacionais de Provas Combinadas, realizados no Fórum Braga, no passado dia 24 e 25 de janeiro, onde a jovem atleta demonstrou um domínio absoluto ao longo das cinco disciplinas que compõem a modalidade.

Com uma prestação marcada pela regularidade, Natacha Candé somou um total de 4.197 pontos. Este resultado permitiu-lhe não só garantir o lugar mais alto do pódio, como também estabelecer um novo recorde nacional nas categorias de Sub-20 e Sub-23. A marca agora alcançada supera o seu anterior recorde pessoal de 4.094 pontos, obtido em março de 2025, o que confirma uma trajetória de evolução sustentada e de afirmação no panorama do atletismo em Portugal.

O desempenho da campeã nacional foi pautado por resultados de elevado nível técnico em todas as frentes, registando 8,82 segundos nos 60 metros barreiras, 1,76 metros no salto em altura e 13,33 metros no lançamento do peso. A fechar a sua participação, Natacha registou ainda 5,87 metros no salto em comprimento e completou os 800 metros em 2 minutos, 24 segundos e 59 centésimas, números que espelham uma preparação física e mental de rigor. Este novo título vem reforçar o currículo de uma atleta que é já uma referência na região. 

Presidente do Atalhada FC diz que “falta sentir que jogamos em casa”

O clube com sede na cidade da Lagoa celebrou 23 anos de história em 31 de outubro passado e a presidente do clube, Sónia Câmara, fala em entrevista ao Diário da Lagoa sobre os desafios de liderar uma instituição que milita na III Divisão Nacional, mas que ainda luta pela dignidade de uma “casa” própria

Sónia Câmara termina o seu primeiro mandato no próximo mês de fevereiro © DL

Entre o orgulho de levar o nome da Lagoa aos palcos nacionais e o desgaste de um investimento pessoal “monumental”, Sónia revela que o futsal continua a ser o “parente pobre” e confessa que só o amor pelas crianças a mantém num cargo onde o cansaço e a paixão caminham lado a lado.
Antes da gestão atual, José Câmara sucedeu a Altino Pereira na presidência, reabrindo o clube após o seu encerramento. Manteve-se no cargo por três anos até passar o testemunho à esposa, Sónia Câmara, que termina o seu primeiro mandato no próximo mês de fevereiro, completando também um triénio.
Segundo a presidente, José Câmara nutre um “amor incondicional pelo clube”, preferindo tratar de toda a logística, enquanto Sónia assume o papel de porta-voz. O casal trabalha, assim, lado a lado em prol da instituição.

DL: Que balanço faz do mandato que está prestes a terminar?
Um balanço positivo, sobretudo ao nível da identidade. Acho que criamos uma identidade própria, mas falta, de facto, melhorar o recinto desportivo. É certo que temos disponível o Pavilhão no lugar dos Remédios, que cumpre muito bem a sua função, porém o meu sonho — e aquilo que me foi prometido pelo senhor presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro — era a construção de uma cobertura no recinto atual.
Entretanto, já falei sobre isso com o atual presidente da Câmara da Lagoa, Frederico Sousa, e ele concorda que isto possa acontecer, desde que seja o Governo regional a avançar, contando depois com o apoio da autarquia local. Por isso, estou muito esperançosa, porque acredito em ambos. Este é o meu sonho.

DL: Porquê esse sonho?
O Atalhada FC teria assim uma identidade mais vincada e ficaria mais próximo dos seus atletas, entre os quais as muitas crianças que jogam no clube. Era isso que eu queria, ou seja, sentir que jogamos em casa, em vez de sermos transportados para outros recintos. É um sonho que tenho e que acho tão fácil de concretizar. No entanto, parece-me que, por isto ou por aquilo, tem-se adiado. Sem cobertura, ficamos muito limitados porque há cada vez mais equipas. Nós merecemos aquele espaço. O Atalhada já tem uma história de 23 anos e é, neste momento, o clube de futsal com o nível mais alto na Lagoa, pois está na III Divisão Nacional.

DL: Há uma cultura no Atalhada FC de investir nas camadas jovens?
Parece que são meus filhos. E tive a felicidade de abrir mais um escalão. Eles vão crescendo e eu tenho de os ir acompanhando, pensando sempre no futuro. É assim que tem de ser, isto é, de baixo para cima. Porque o topo é o status, mas é na base que se constroi tudo.

DL: Qual é a maior dificuldade que o clube tem enfrentado?
A financeira. São dificuldades monumentais. Temos de pagar arbitragens, seguranças, viagens, dormidas, alimentação e treinadores. Quanto aos jogadores seniores, é quase um tabu mas a verdade é que, se não se pagar, não temos atletas para jogar.
Por outro lado, tenho a felicidade de ter os “pequeninos” que têm o tal amor ao clube.
Depois, o combustível também é caríssimo. Temos duas carrinhas que são do clube, mas estão avariadas e não temos dinheiro para as arranjar. Como tenho uma empresa de transportes, acabo por as ceder ao clube. É um investimento pessoal. A Câmara Municipal também ajuda ao nível do transporte, mas é cada vez mais difícil porque a autarquia não consegue chegar a todas as entidades. E eu nem peço transporte para os seniores, apenas para os infantis e iniciados.

DL: Onde se vai buscar tempo e motivação?
É o tal “amor à camisola”, que hoje em dia existe cada vez menos. O meu tempo não é remunerado, nem o do José. São muitas horas e já sentimos o desgaste. Gostava muito de apelar ao bom senso dos empresários e da própria Câmara Municipal. Eles apoiam-nos, mas nunca é o suficiente, porque falta sempre qualquer coisa. No que toca às crianças, tentamos proporcionar-lhes sempre uma viagem. Os pais fazem o que podem e, às vezes, o que não podem. São projetos bonitos. No ano passado fomos à ilha da Madeira e a Câmara e os empresários apoiaram-nos. Trabalhámos imenso, fizemos tudo o que era possível e conseguimos levá-los lá. Este ano, o projeto é ainda mais ambicioso, mas ver a felicidade das crianças e perceber que fica na memória delas, não tem preço.

DL: Considera que, por exemplo, em relação ao futebol, o futsal é discriminado?
O futsal é o “parente pobre”. As entidades olham muito mais para o futebol como sendo o desporto que deve ser mais apoiado, por ser o mais visível e o que dá mais projeção. Mas enganam-se, pois o futsal está a crescer cada vez mais. Na Lagoa, há uma cultura de futsal muito forte, principalmente nos bairros sociais, e isso é muito interessante. O Atalhada está na III Divisão e seria importante continuar lá, porque dá visibilidade aos Açores. E vamos à Taça de Portugal também. Já é o segundo ano consecutivo e isso traz muito prestígio à nossa cidade e região.

DL: Pensa continuar como presidente?
Vai depender dos apoios. Numa equipa há sempre aqueles que trabalham mais do que os outros e temos de perceber que precisamos de ajuda. Têm-me ajudado muito, mas o cansaço é grande, portanto, é uma incógnita. Custa-me muito, muito mesmo. Continuo aqui principalmente pelas crianças, pois são elas que me fazem cá estar. Se não fosse por elas, já teria deixado o cargo. O que me interessa é vê-las felizes e fazer do clube uma verdadeira escola.

Maia quer “dar vida” ao campo professor Aurélio do Couto Botelho

© ACÁCIO MATEUS

A Junta de Freguesia da Maia, no concelho da Ribeira Grande, e o Clube Desportivo Santa Clara assinaram, recentemente, um protocolo de cooperação através do qual é cedido o campo professor Aurélio do Couto Botelho para a prática de futebol dos escalões de formação por parte do clube de Ponta Delgada.

Na sequência da assinatura do protocolo, ao Diário da Lagoa chegaram algumas denúncias relativamente aos moldes do mesmo, principalmente no que diz respeito à legalidade e contrapartidas financeiras. O nosso jornal entrou em contato com o presidente da junta de freguesia, Hélder Tavares, para esclarecer as dúvidas.

Hélder Tavares esclareceu que a cedência do campo professor Aurélio do Couto Botelho ao Clube Desportivo Santa Clara é “gratuita”, pelo que “não existe nenhuma contrapartida financeira”, acrescentando que o contrato tem uma “duração de doze meses, renovável por igual período”.

Relativamente à legalidade do contrato, o presidente da junta de freguesia deixou claro que “o campo de jogos é propriedade da junta de freguesia que mantém um espírito de cooperação, diálogo e boa-fé com entidades públicas e privadas”, vincando ainda que o documento foi “aprovado por unanimidade na Assembleia de Freguesia”.

O autarca acrescentou que o acordo firmado entre as partes foi “tratado após as eleições autárquicas” de outubro passado, confirmando a não existência de “conversações” com o anterior executivo relativamente a este assunto.

Quanto ao facto de haver clubes no concelho que carecem de mais espaço para os seus jovens jogarem/treinarem e ser dada primazia a um clube de fora do concelho da Ribeira Grande para a utilização do recinto desportivo da Maia, Hélder Tavares foi claro na resposta:

“Uma das grandes diferenças que a freguesia da Maia tem em relação às restantes é que é uma freguesia acolhedora, que sabe receber e que pensa a longo prazo, na medida em que vê nesta cooperação institucional uma mais-valia para o desenvolvimento, podendo até futuramente nascer novos talentos na nossa freguesia”.

Convento de Santo António acolhe lançamento de livro sobre Desporto na Lagoa

A «Breve História da Cultura Desportiva na Lagoa», de Marcelo Borges, aborda a evolução das modalidades e homenageia figuras que promoveram a atividade física no concelho

© CM LAGOA

O Convento de Santo António, na freguesia de Santa Cruz, Lagoa, irá acolher o lançamento do livro «Breve História da Cultura Desportiva na Lagoa», anunciou esta terça-feira, 16 dezembro, a Câmara Municipal. No entanto, a data inicial prevista foi desmarcada após divulgação da notícia, “uma vez que o lançamento da obra (…) foi adiada, por questões de produção, para data a anunciar oportunamente”. 

Trata-se de uma edição da autarquia da Lagoa, através da Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, com texto de investigação do lagoense Marcelo Borges.

De acordo com a nota de imprensa enviada inicialmente pela autarquia, a publicação resulta de um convite inicial feito pela Câmara ao autor para que realizasse um texto sobre a história do desporto local, com vista à inclusão na obra «Os 500 Anos do Concelho da Lagoa – Álbum de Memórias», a ser publicada pela Câmara Municipal no dia 11 de abril de 2025.

Contudo, o trabalho de Marcelo Borges revelou-se mais extenso do que o previsto, motivando a proposta para que o autor não apenas incluísse a investigação, mas que a aprofundasse, abrangendo diferentes momentos e modalidades da cultura desportiva do concelho. O resultado dessa pesquisa culminou na publicação que será, agora, apresentada à comunidade.

Marcelo Borges revelou ter aceitado o desafio com o objetivo de “criar um trabalho que humanizasse as diferentes fontes de informação reunidas e que não se limitasse a datas e números, mas que nele fosse elevado o nome daqueles que, em diferentes funções, contribuíram para a promoção do desporto e da atividade física no concelho”.

A obra conta com prefácios de José Carlos Mota, professor na Universidade de Aveiro e Coordenador do Laboratório de Planeamento de Políticas Públicas da mesma instituição, e de José Raimundo, vice-presidente da Federação Portuguesa de Patinagem e embaixador para a Ética no Desporto. Será José Raimundo o responsável por apresentar o livro, porém a nova data do lançamento ainda não é conhecida.