
A história recente do concelho da Lagoa constrói-se tanto no seu território como além-Atlântico, através da sua diáspora organizada nos Estados Unidos da América. Os lagoenses emigrados na Nova Inglaterra têm desempenhado, ao longo de décadas, um papel determinante na preservação da identidade cultural, na promoção do concelho e no fortalecimento das relações institucionais entre a Lagoa e as comunidades norte-americanas.
Um dos momentos fundadores desta relação ocorreu a 11 de abril de 1990, quando Halsey Herroshof, administrador do concelho de Bristol, Rhode Island, se deslocou à Lagoa para assinar o protocolo de geminação com o Presidente da Câmara Municipal, Eng.º Luís Alberto Martins Mota. Durante essa visita oficial, Halsey Herroshof e o seu assistente ficaram hospedados na Caloura, na Vila de Água de Pau, em casa do Vice-Presidente da Câmara, Roberto Medeiros, num gesto simbólico de hospitalidade e proximidade institucional.
No âmbito desta geminação realizaram-se diversas visitas e iniciativas culturais no concelho da Lagoa, nomeadamente à Cerâmica Vieira e aos museus da Tanoaria, do Alambique, da Tenda do Ferreiro-Ferrador, da Cestaria e da Tecelagem. O administrador de Bristol participou ainda, juntamente com os autarcas lagoenses, na Procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres, em Ponta Delgada, e em atividades culturais com o Grupo de Teatro e de Folclore Jovem Pauense.
Em julho de 1990, o Presidente e o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Eng.º Luís Martins Mota e Roberto Medeiros, deslocaram-se aos EUA para participar, na vila irmã de Bristol, na histórica Parada do 4th of July, comemoração maior da Independência dos Estados Unidos. Estas deslocações e receções oficiais motivaram os imigrantes lagoenses radicados na Nova Inglaterra a organizarem-se, sentindo a necessidade de criar uma estrutura representativa que dignificasse o concelho e a comunidade emigrante no país que os acolheu. Esse objetivo viria a concretizar-se em 1996, com a criação da Associação dos Amigos da Lagoa da Nova Inglaterra, também conhecida como “União do Concelho da Lagoa”.
Presidida inicialmente por José Francisco Pires, natural do Rosário, e mais tarde por Maria Tomásia, da Ribeira Chã, a associação assumiu-se como uma verdadeira ligação entre o Município da Lagoa e a sua diáspora, acolhendo autarcas, empresários, filarmónicas, ranchos folclóricos, grupos corais, artesãos e promovendo intercâmbios culturais e escolares. Destacou-se igualmente a valorização de tradições identitárias, como a arte do presépio lagoense, cuja produção remonta a 1862.
Um dos símbolos mais marcantes desta cooperação foi a inauguração, a 10 de junho de 1997, do “Mosaico Park”, em Bristol, uma praça em pedra basalto, executada em calçada portuguesa, desenhada pelo artista imigrante José Manuel Soares, antigo funcionário da Cerâmica Vieira. Para a sua concretização, a Câmara Municipal de Lagoa enviou o calceteiro João Luís Cabral, que executou exemplarmente o trabalho no cruzamento da Frank com a Wood Street, num projecto coordenado por Roberto Medeiros, pela Lagoa, e Frederico Pacheco, pela Bristol Town Hall.
Ao longo dos anos realizaram-se vários convívios dos Amigos da Lagoa, com a presença de autarcas e empresários do concelho. O último teve lugar em 2009, quando, a propósito de um pedido de apoio para o novo carrilhão de sinos da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Roberto Medeiros mobilizou a comunidade emigrante, resultando na oferta de 16 000 euros pelo empresário James de Melo, de New Bedford, cujo nome ficou perpetuado na torre da igreja.
Após esse período, a atividade da associação entrou em pausa. Contudo, a 17 de janeiro de 2026, surgiu um novo impulso para a sua retoma, com uma nova direção e uma visão estratégica renovada. José António Pires foi indicado como novo presidente, reunindo já mais de uma dúzia de imigrantes lagoenses e outros a serem mobilizados.
José António Pires, David Loureiro, Maria Tomasia, John Ferreira, José Amaral (Amaral Buses), Fernando Benevides (Portugalia Marketplace) e outros lagoenses e amigos comunitários, continuaram desde 2010 até a atualidade a dar apoio a Roberto Medeiros, que após a sua atividade autárquica assinou protocolos de colaboração, no dia 5 de novembro de 2009, no Salão Nobre da New Bedford City Hall, com 54 instituições luso e americanas, continuando assim a realizar por iniciativa própria intercâmbios culturais e escolares entre escolas, professores e grupos de cantares que o acompanharam dos Açores e da Lagoa aos EUA.
Dito isto, o objetivo desta nova fase é claro: unir de forma estruturada o Município da Lagoa, a diáspora organizada nos EUA e as sete cidades irmãs — Bristol, Dartmouth, New Bedford, Fall River, Rehoboth, Taunton e Fairhaven — promovendo cooperação institucional, cultural e comunitária. Pretende-se, nesse âmbito, convidar uma delegação oficial da Câmara Municipal de Lagoa, liderada pelo seu Presidente, Frederico Sousa, para o próximo Convívio dos Amigos da Lagoa e para um novo ciclo de iniciativas conjuntas.
Com esta retoma, os Amigos da Lagoa reafirmam-se como uma ponte viva entre continentes, honrando o passado, reforçando o presente e projetando o futuro do concelho no espaço internacional.
Importa ainda recordar que Roberto Medeiros, graças ao patrocínio da família de Fernando Benevides, mantém desde 2014 uma ação cultural contínua e de elevado valor identitário nos Estados Unidos, promovendo a arte bonecreira e a tradição secular dos Presépios da Lagoa. Esta iniciativa concretiza-se através das exposições anuais “Vilas Presépios”, realizadas no estabelecimento Portugalia Marketplace, na cidade de Fall River, reunindo centenas de figuras em barro moldadas por bonecreiros lagoenses, com especial destaque para António Morais, de quem foi adquirida a maior coleção de bonecos por si criados. Estes eventos tornaram-se uma referência cultural junto das comunidades lagoenses e luso-americanas, afirmando a Lagoa como território de património artístico vivo. Neste percurso, os lagoenses José António Pires, Teresa Baganha e David Loureiro têm sido verdadeiros baluartes no apoio logístico e comunitário, contribuindo de forma decisiva para a concretização dos projetos coordenados por Roberto Medeiros e para a contínua valorização da identidade lagoense além-fronteiras.

No âmbito do primeiro Encontro Nacional de Casas dos Açores, realizado no sábado, dia 24, na Casa dos Açores de Lisboa, o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, reiterou o compromisso do governo regional com as Casas dos Açores sediadas em território nacional, sublinhando a importância do reforço da cooperação e da criação de sinergias entre estas entidades.
A iniciativa, promovida pelo governo açoriano, contou igualmente com a presença do secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, e do diretor regional das Comunidades, José Andrade, que mencionou à nossa reportagem que o encontro reuniu, pela primeira vez, as quatro associações atualmente existentes: Casa dos Açores de Lisboa (1927), Casa dos Açores do Norte (1980), Casa dos Açores da Madeira (2019) e Casa dos Açores da Região Centro (2024), bem como duas outras que se encontram em fase de constituição: a Casa dos Açores do Algarve e a Casa dos Açores do Alentejo.
“A iniciativa visa dois objetivos concretos e imediatos: por um lado, criar uma rede nacional de Casas dos Açores, que facilite a realização de iniciativas conjuntas e a implementação de atividades em itinerância (por exemplo, uma exposição sucessivamente apresentada em todas elas); por outro lado, aproveitar a localização estratégica das Casas dos Açores, que já preenchem quase todo o território português, para uma verdadeira promoção nacional dos produtos regionais que se encontram certificados com a Marca Açores”, explicou José Andrade, que sublinhou ainda que, “desta forma, as Casas dos Açores em território português reforçam a sua vocação estratégica de promover e valorizar a identidade cultural e a capacidade económica das nossas ilhas no nosso país”.
Por sua vez, e durante a sua intervenção, Paulo Estêvão destacou que “a criação e potenciação de encontros da rede nacional das Casas dos Açores permitirá fomentar sinergias e ampliar a capacidade de projeção e execução das ações que cada uma das casas desenvolve ao longo do ano”, defendendo uma atuação mais articulada e estratégica entre as diferentes entidades.
Ainda no seu discurso, Paulo Estêvão voltou a apelar à colaboração das Casas dos Açores na preparação e planificação das comemorações dos 600 anos da descoberta dos Açores, cuja organização está a ser desenvolvida pela Secretaria Regional desde 2024 e que serão assinaladas em 2027.
O responsável governamental valorizou ainda o “enorme apoio” que os Açores estão a receber de entidades nacionais, da diáspora e de países e regiões com forte presença açoriana, sublinhando que esse envolvimento resulta do prestígio da Região e das suas comunidades.
Durante o primeiro Encontro Nacional de Casas dos Açores, foi também realizada uma ação de formação sobre a Marca Açores, com o objetivo de “capacitar as Casas para a promoção nacional dos produtos regionais, permitindo aos participantes conhecer as estratégias associadas à marca e refletir sobre formas de valorização e divulgação dos produtos açorianos”.
“A este primeiro encontro poderão seguir-se outros em Portugal e este modelo poderá mesmo ser aplicado também a outros países, como, por exemplo, o Brasil, onde existe o maior número atual de Casas dos Açores: Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Maranhão, Espírito Santo e Minas Gerais”, finalizou José Andrade.

O Governo regional dos Açores formalizou a criação da Casa dos Açores do Havai, reforçando a rede global destas instituições e reconhecendo oficialmente a presença de uma comunidade que liga o Atlântico ao Pacífico. O ato oficial concretizou-se através da assinatura de um protocolo de cooperação no passado dia 19 de dezembro, em Hilo, na Big Island, tornando esta a vigésima Casa dos Açores no mundo e a terceira a operar nos Estados Unidos da América, após as fundações na Califórnia e na Nova Inglaterra.
Segundo nota de imprensa do Governo regional dos Açores, a nova instituição nasce da iniciativa de um grupo de açordescendentes das ilhas de Hawai’i, Maui, O’ahu e Kaua’i, liderado pela professora Marlene Andrade Hapai. O projeto resulta de diligências da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades desenvolvidas ao longo do último ano, respondendo a uma aspiração da comunidade que remontava à década de 1980.
O secretário regional com a tutela das Comunidades, Paulo Estêvão, afirma que este passo traduz uma visão de futuro ancorada na identidade e na capacidade de projeção global do arquipélago. O governante destaca a afinidade profunda entre os dois territórios, ambos de génese vulcânica e moldados pela resiliência e centralidade do oceano, sublinhando que esta ligação cria oportunidades de cooperação em áreas como o desenvolvimento sustentável, a ciência e a cultura.
O protocolo foi assinado pelo secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, em representação do presidente do Governo, José Manuel Bolieiro, num evento que contou com a presença do diretor regional das Comunidades, José Andrade.
A base histórica desta ligação remonta ao período entre 1878 e 1913, quando mais de 14.000 açorianos emigraram para o Havai para trabalhar na cana-de-açúcar, transportando tradições que ainda hoje persistem, como as Festas do Espírito Santo.
Para o futuro próximo, a comunidade açordescendente planeia a construção, a expensas próprias, do Centro Cultural Saudades. A obra representa um investimento estimado em dois milhões de dólares e tem inauguração prevista para 2026, onde ficará instalada a sede da Casa dos Açores do Havai. Nos últimos quatro anos, o Governo regional apoiou a criação de quatro novas Casas dos Açores, consolidando uma rede que integra agora comunidades em Portugal, Brasil e Estados Unidos.

O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, destacou o papel central dos açorianos na diáspora, afirmando que os emigrantes açorianos estão presentes em várias partes do mundo, sempre motivados pelo desejo de proporcionar um futuro melhor às suas famílias, segundo comunicado do Governo regional.
O governante açoriano foi recebido este sábado pela Governadora da Bermuda, Rena Lalgie, em Hamilton, onde participou como convidado de honra na gala comemorativa dos 175 anos da contribuição portuguesa para a história da Bermuda.
O evento reuniu diversas personalidades e membros da comunidade açoriana e portuguesa na Bermuda, numa celebração que destacou a influência açoriana e a sua ligação duradoura com o arquipélago britânico, lê-se.
“A nossa diáspora é prestigiada e ajuda a prestigiar os Açores. A imigração não é um abandono da nossa origem, porque temos sempre o coração ligado aos Açores e a Portugal”, sublinhou José Manuel Bolieiro, citado na mesma nota.
Para o presidente do Governo dos Açores, a açorianidade é um valor intrínseco que representa uma ligação profunda à cultura e identidade açoriana, mesmo quando se vive longe da terra natal, pode ler-se, no mesmo comunicado.
José Manuel Bolieiro considerou a diáspora um reflexo da resiliência e do humanismo açoriano, “que enriquece tanto os Açores como as comunidades que acolhem estes emigrantes”.
“Este valor açoriano enche-me de orgulho. Queremos amar a nossa terra, e, ao mesmo tempo, por amor às nossas famílias, somos capazes de partir para alcançar o sucesso e contribuir para o prestígio dos Açores,” afirmou.
José Manuel Bolieiro apontou a importância de reforçar os laços entre os Açores e a Bermuda em torno de objetivos partilhados, nomeadamente a preservação do oceano e a promoção de práticas sustentáveis, diz ainda a nota.
“Partilhamos a vontade de defender os nossos ecossistemas e de valorizar o oceano, tornando-nos um exemplo para o mundo de como cuidar da natureza”, frisou o líder açoriano.
O governante sublinhou que, ao longo da sua história, os Açores têm sido uma referência de respeito e proteção ambiental.
José Manuel Bolieiro destacou que o Governo dos Açores já está a trabalhar para fortalecer a liderança da região na proteção dos oceanos, reconhecendo o papel central que o Atlântico desempenha para o arquipélago.
“A grandeza do oceano acrescenta muito valor à exiguidade territorial das nossas ilhas. Precisamos de valorizar geoestrategicamente o nosso mar”, referiu, reforçando o reconhecimento internacional que os Açores têm vindo a conquistar pela sua liderança em práticas ambientais e gestão sustentável dos recursos marinhos.
José Manuel Bolieiro aproveitou a oportunidade para mencionar a importância do projeto de ligação digital transatlântica através do novo cabo submarino de fibra ótica da Google, denominado “Nuvem”, que vai conectar a Europa aos Estados Unidos, passando pela Bermuda e pelos Açores.
Com uma extensão aproximada de 6.900 quilómetros, o cabo vai ligar a cidade de Myrtle Beach, nos Estados Unidos, à ilha de São Miguel e à cidade portuguesa de Sines, “colocando os Açores no centro de um importante eixo de comunicações globais”, explica o comunicado.
Para José Manuel Bolieiro, este projeto representa “um momento histórico da vida transatlântica” e reforça a centralidade geoestratégica dos Açores no Atlântico.
O governante expressou a sua confiança no futuro das relações entre os Açores e a Bermuda, destacando que ambos podem inspirar o mundo com os seus exemplos de respeito pelo ambiente e de identidade cultural, sublinhando ainda a relevância da colaboração entre os dois arquipélagos em áreas que vão da preservação ambiental às novas tecnologias e às comunicações digitais.
“Orgulho-me da nossa história e sinto-me ambicioso quanto ao nosso futuro comum. Açores e Bermuda darão bons exemplos ao mundo sobre como olhar a nossa natureza, preservar o nosso mar e assegurar uma identidade de um povo que tem uma cultura comum,” concluiu.

O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, presidiu, ontem, 13 de outubro, à cerimónia de encerramento da XXVI Assembleia Geral do Conselho Mundial das Casas dos Açores (CMCA), realizada na ilha de São Jorge, onde destacou a importância da diáspora açoriana na valorização da identidade cultural dos Açores, segundo nota do governo regional.
O encontro, que decorreu ao longo desta semana, sublinhou o papel vital das Casas dos Açores na manutenção de laços culturais e sociais entre o arquipélago e as comunidades açorianas espalhadas pelo mundo.
Com representantes de várias regiões, incluindo Canadá, Estados Unidos, Brasil e Portugal continental, o encontro celebrou a força da diáspora açoriana e a sua contribuição contínua para o prestígio dos Açores a nível internacional.
José Manuel Bolieiro salientou a importância do trabalho conjunto entre o Governo dos Açores e as Casas dos Açores, destacando o impacto positivo da diáspora na “afirmação” da cultura açoriana além-fronteiras.
“A nossa diáspora, por ser prestigiada, ajuda a prestigiar os Açores, ajuda a prestigiar a nossa autonomia política e a existência dos nossos órgãos de governo próprio”, afirmou José Manuel Bolieiro.
O governante expressou ainda o seu “orgulho” pelo papel da diáspora ao longo dos séculos, nas terras onde foram acolhidos, realçando o respeito conquistado pelos Açores no panorama internacional, lê-se ainda, no mesmo comunicado.
Durante o evento, foram atribuídas medalhas de mérito a três figuras açorianas que se destacam pela sua contribuição para a comunidade em Toronto: António “Tabico” Câmara (a título póstumo), Cidália de Sousa e Grinoalda Pavão. Além disso, o Queijo de São Jorge foi eleito produto açoriano de qualidade deste ano, reforçando o reconhecimento internacional dos produtos típicos do arquipélago.
A presidência anual do CMCA passou oficialmente da Casa dos Açores do Ontário, no Canadá, para a sua congénere da Nova Inglaterra, nos Estados Unidos, marcando uma nova fase de cooperação entre as Casas dos Açores e as suas respetivas regiões.
O CMCA, fundado em 1997, tem como missão promover iniciativas que fortaleçam as relações culturais, sociais e económicas entre os Açores e a sua diáspora.
José Manuel Bolieiro aproveitou a ocasião para expressar um agradecimento especial a Suzanne Cunha, presidente cessante do CMCA, pelo trabalho e dedicação demonstrados ao longo do seu mandato.
O governante felicitou ainda Francisco Viveiros, o novo presidente do CMCA, desejando-lhe sucesso na continuação desta missão, na consolidação de iniciativas que promovem a açorianidade e fortaleçam os laços das comunidades açorianas espalhadas pelo mundo.
A cerimónia contou ainda com a presença do secretário regional dos Assuntos Parlamentares e das Comunidades, Paulo Estêvão, e do presidente da Câmara Municipal das Velas, Luís Silveira, reforçando o apoio institucional e a relevância deste importante encontro.
O governante aproveitou o momento para destacar também o papel crucial da comunicação social açoriana, que tem ajudado a aproximar a diáspora dos Açores.
“A comunicação social tem sido fundamental não só na cobertura noticiosa, mas também através de programas criativos que promovem a literacia e o reconhecimento da nossa diáspora, espalhada pelo mundo”, afirmou.
“O evento, decorrido na ilha de São Jorge, simboliza a união e o orgulho açoriano, reforçando assim a importância de o Governo dos Açores, junto das Casas açorianas espalhadas pelo mundo, continuar a construir um futuro em que as raízes e a identidade açoriana se mantenham vivas e se projetem globalmente, através das novas gerações de açorianos pelo mundo”, conclui o comunicado do Governo regional.

O secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, anunciou esta semana, nos Estados Unidos da América, que o Governo dos Açores pretende organizar, em 2025, um primeiro Fórum Global do Espírito Santo.
Segundo comunicado do governo açoriano, Paulo Estêvão, que participava nas Grandes Festas do Espírito Santo da Nova Inglaterra, explicou que a iniciativa deverá promover o debate entre diferentes especialistas dos Açores e da diáspora açoriana sobre o culto popular em louvor da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.
Este Fórum Global poderá decorrer de forma tripartida por ocasião das Grandes Festas do Espírito Santo que se realizam em Ponta Delgada, nos Açores, em Nova Inglaterra, nos Estados Unidos, e em Santa Catarina, no Brasil, incluindo ainda uma possível extensão à vila de Alenquer, no continente português, que é considerada o berço do culto.
Para Paulo Estêvão, as festas em louvor do Divino Espírito Santo constituem “a manifestação cultural mais representativa da identidade açoriana no mundo” e, por isso, “merecem uma abordagem interdisciplinar e internacional que seja capaz de abordar o seu passado, presente e futuro”, lê-se ainda.
Esta mesma abordagem, segundo acrescentou, poderá alargar-se futuramente a um segundo Fórum Global, dessa vez dedicado ao culto do Senhor Santo Cristo dos Milagres, a decorrer por ocasião das suas festas mais representativas nos Açores, no Canadá e na Bermuda.
O secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades representou o Governo dos Açores na 38.ª edição anual das Grandes Festas do Espírito Santo da Nova Inglaterra, que decorreram na cidade de Fall River, de 23 a 26 de agosto, acompanhado pelo Diretor Regional das Comunidades, José Andrade.
Intervindo segunda-feira no banquete de encerramento das Grandes Festas, que reuniu cerca de 500 pessoas representativas dos Estados de Massachussets e Rhode Island, Paulo Estêvão, citado no comunicado, anunciou que o novo Governo dos Açores “pretende continuar o essencial da política de relacionamento com as comunidades açorianas desenvolvida pelos sucessivos governos anteriores, independentemente das legítimas diferenças ideológicas de cada um, mas vai inovar e aprofundar a sua atuação com iniciativas próprias”.
“A maior parte do povo dos Açores reside na América”, pelo que “devemos intensificar a nossa presença junto da diáspora açoriana”, afirmou, exemplificando com “a necessidade de reforço do apoio institucional ao movimento associativo e à comunicação social das nossas comunidades”.
Paulo Estêvão lembrou uma frase histórica do presidente norte-americano John Kennedy: “Não perguntes ao teu país o que é que ele pode fazer por ti; pergunta a ti próprio o que é que podes fazer pelo teu país”. E acrescentou: “os nossos emigrantes já fizeram muito pelos Açores, mas agora é hora de perguntarmos o que é que nós podemos fazer pelos nossos emigrantes”.
“Se há coisa que nos une nos Açores, é a defesa e a valorização da diáspora açoriana”, concluiu.
Na sua primeira visita oficial aos Estados Unidos, enquanto secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão reuniu-se com entidades representativas das comunidades açorianas de Massachussets e Rhode Island, participou nas Grandes Festas do Espírito Santo da Nova Inglaterra e visitou os órgãos de comunicação social de língua portuguesa em Fall River e New Bedford.
Terça-feira, no quinto e último dia do seu programa oficial, o governante deslocou-se à cidade de New Bedford para visitar o Museu da Baleação, que inclui uma importante galeria açoriana, e a Casa da Saudade, considerada a única biblioteca exclusivamente açoriana dos Estados Unidos da América.

A Casa dos Açores do Rio Grande do Sul, no Brasil, está a liderar um projeto humanitário que visa arrecadar brinquedos e livros infantis que estão a ser doados às crianças distribuídas por vários abrigos da região. Chama-se “Drive Thru do Brinquedo Solidário” e tem como objetivo possibilitar que os “mais jovens” envolvam-se com atividades lúdicas num período de caos após as fortes chuvas que atingiram o estado gaúcho nas últimas semanas. Uma iniciativa que segue os passos solidários de outro projeto da entidade, que foi a entrega de pequenos-almoços, promovido pelo Rancho Folclórico da Casa, que está localizada no município de Gravataí, a cerca de 20km da capital Porto Alegre.
“Gravataí foi atingida, tem população desabrigada, mas com uma menor proporção comparado a outros municípios. Diante de toda essa catástrofe, a Casa dos Açores, através da sua diretoria e do seu Rancho Folclórico, não poderia deixar passar tudo isso sem se solidarizar, tendo em vista que, como nós não fomos diretamente atingidos, temos de criar iniciativas para amparar essas pessoas que estão aqui, obrigadas, especialmente na nossa cidade. Então, por aproximadamente 20 dias, fizemos pequenos-almoços para alguns abrigos da nossa cidade. Desde as 5h30 da manhã, já começava a movimentação de preparo desses alimentos, levávamos sandes, pão com queijo e fiambre, manteiga, fruta, café com leite, e, em algumas ocasiões, sumos e bolos. Todos os dias, pela manhã, encontrávamo-nos, preparávamos o café e saíamos para a distribuição em abrigos fixos. As pessoas já nos esperavam para a entrega dos alimentos, para então distribuir aos abrigados dessa localidade”, explicou Viviane Peixoto Hunter, presidente da Casa dos Açores do Rio Grande do Sul, que conta com aproximadamente 150 associados e 21 anos de existência.
Viviane, que é natural de Cachoeira do Sul, no estado gaúcho, e descendente de açorianos da sexta geração, vindos da Ilha do Faial, conta que o município de Gravataí está situado numa região “privilegiada no que toca à logística, tendo se tornado numa espécie de “Gravataí Solidária”, pois muitas das doações que chegam de outros estados do Brasil e de fora do país estão a chegar através de Gravataí, que tem acolhido as doações e redistribuído aos municípios mais gravemente atingidos”.
O facto de a própria Casa dos Açores ter sofrido alguns prejuízos, como infiltrações, deslocamento de telhas e muitas goteiras no prédio, não desmotivou a equipa.
“Em meio a todo esse processo, criamos uma campanha nova, uma espécie de “Drive Thru do Brinquedo Solidário”. Ficamos no final de semana na Casa dos Açores, com a casa aberta e de plantão, a recolher as doações de brinquedos, porque muitas dessas famílias são compostas por muitos filhos, há muitas crianças, então a gente pensou em levar minimamente alguma atividade lúdica para essas crianças, para se envolverem nesses abrigos, para tornar um pouco mais leve toda essa situação, se é que é possível. (…) As doações podem ser entregues sem sair do carro”, disse esta responsável.
Nos últimos dias foram entregues, aproximadamente, 300 brinquedos em abrigos espalhados por Gravataí e também na cidade de Canoas. No campo da alimentação, foram distribuídos cerca de mil pequenos-almoços para entrega durante todos esses dias nos abrigos.
“Então, a Casa dos Açores tem sim se movimentado”, destacou Viviane, que contou que “algumas das pessoas que estavam envolvidas nessa frente de preparo dos alimentos precisaram retornar aos seus trabalhos”.
“Nós ficamos praticamente 20 dias sem ninguém poder trabalhar. Tudo estava parado aqui no Rio Grande do Sul. Um estado de calamidade pública mesmo. Acreditamos que vem aí uma recessão económica muito cruel. Vai ser necessário um longo período de reconstrução, há muitas estradas bloqueadas, com queda de pontes e viadutos, barragens, enfim, uma destruição total e inimaginável”, afirmou a presidente da entidade.

O objetivo agora passa também por comprar materiais de higiene pessoal e de limpeza, pois será necessário limpar as casas alagadas para as pessoas poderem voltar aos seus lares, isso no caso das casas que resistiram à força das águas.
“Pensamos também em fazer kits de material escolar para as crianças. Temos muitas ideias, não vamos parar por aqui. Estamos solidários com as famílias que perderam as suas casas, os seus lares, as suas histórias, as suas memórias”, reforçou Viviane, que não descarta a hipótese de ter açorianos e açordescendentes afetados pela tragédia.
“Acredita-se que muitos açorianos ou descendentes de açorianos são também vítimas de toda essa tragédia, já que o Estado do Rio Grande do Sul é formado por muitos municípios de raiz açoriana, então, muitos descendentes encontram-se nas cidades atingidas. Temos aqui açorianos descendentes de quinta, sexta, sétima geração, tendo em vista que os açorianos chegaram aqui há 272 anos. Ou seja, acreditamos que muitos descendentes de açorianos foram atingidos pelas inundações, pois há municípios com forte presença e identidade açoriana”, comentou.

Apesar de todas as dificuldades, Viviane garante que “o nosso voluntariado continuará através de ações pontuais, com o intuito de contribuir, seja na aquisição de bens, seja no trabalho voluntário nas limpezas dos prédios, casas e afins”. Em virtude desse cenário, muitas das atividades culturais foram canceladas, com previsão de retorno no mês de junho.
“Estamos todos assustados aqui no Rio Grande do Sul, apreensivos com toda essa tragédia climática. É uma situação jamais vivenciada no nosso estado”, narrou Viviane, que disse ainda haver muitos municípios submersos e que as águas não baixam, é um processo muito lento, o que faz com que as pessoas não consigam voltar para as suas casas, resultando em “muita gente desabrigada”, finalizou Viviane Peixoto Hunter.