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Diabetes: conhecer é o primeiro passo para cuidar

Maria João Pereira
Farmacêutica

A insulina é uma hormona naturalmente produzida pelo pâncreas e desempenha diversas funções essenciais no organismo: regula os níveis de glucose no sangue, promove o armazenamento de glicogénio nos músculos, estimula a produção de proteínas e lípidos e inibe a produção de glucose pelo fígado.

Na ausência de insulina ou quando esta não atua de forma eficaz, o indivíduo pode desenvolver Diabetes Mellitus (DM), uma doença metabólica crónica, caracterizada por níveis persistententemente elevados de glucose (açúcar) no sangue.

Existem, essencialmente, três tipos de DM:

A DM é frequentemente conhecida como a “doença dos 4 P’s”: poliúria (aumento do volume urinário), polidipsia (sede excessiva), polifagia (fome aumentada) e perda de peso involuntário. Para além destes sintomas, podem surgir visão turva e cansaço.

A longo prazo, podem desenvolver-se várias complicações, nomeadamente: retinopatia diabética, pé diabético, nefropatia diabética, doenças cardiovasculares (como AVC, problemas de circulação e enfarte), maior dificuldade em cicatrizar feridas, infeções recorrentes, disfunção sexual e problemas de saúde oral.

A DM tipo 2 pode, em muitos casos, ser prevenida através da adoção de um estilo de vida saudável, que inclua uma alimentação equilibrada, prática de exercício físico regular, manutenção de um peso adequado, evicção de substâncias nocivas (como o tabaco e o álcool) e vigilância dos níveis de pressão arterial e colesterol.

A DM tipo 1 não é prevenível, por se tratar de uma doença autoimune. Contudo, a adoção de medidas acima mencionadas contribui para um melhor controlo da doença. Neste caso, é necessária a administração de insulina, uma vez que o pâncreas deixou de a produzir.

Por sua vez, a DM tipo 2 pode, inicialmente, ser controlada com alterações de estilo de vida e, posteriormente, com medicação, muitas vezes oral. Em alguns casos, pode também ser necessária a utilização de insulina, dependendo da evolução da doença.

Viver com diabetes pode ser um desafio, mas não significa perder qualidade de vida. Com informação adequada, acompanhamento regular e adoção de hábitos saudáveis é possível manter a doença controlada e prevenir complicações, promovendo uma vida plena e equilibrada.

Cancro da Mama: uma doença em mudança!

Luís Bernardo
Especialista em Cirurgia Geral com competência em Senologia
no Hospital CUF Açores

Tradicionalmente, o cancro da mama era associado a mulheres no pós-menopausa. No entanto, uma tendência global e preocupante aponta para o aumento do número de casos em mulheres cada vez mais jovens, abaixo dos 40 ou 45 anos e ainda em idade pré-menopáusica. Estes diagnósticos representam um desafio único pelos aspetos biológicos, clínicos e psicossociais envolvidos.

Estudos em vários países, incluindo Portugal, revelam um aumento ligeiro mas constante da doença em idades abaixo dos 50 anos. As razões não são totalmente claras, mas ligam-se a fatores de risco modificáveis. Muitas vezes, estas mulheres são diagnosticadas em estádios mais avançados da doença, considerando que a mamografia só é recomendada a partir dos 45-50 anos, e que a densidade mamária pode mascarar lesões que, nesta faixa etária, tendem a ser mais agressivas.

Face a esta realidade, há aspetos fundamentais a reter quando falamos em deteção precoce, a começar pela consciencialização: a auto-palpação regular e a atenção a sinais como nódulos, alterações da pele ou do mamilo devem ser valorizadas, mesmo sem antecedentes familiares. Também a Imagiologia tem um importante papel na deteção precoce do cancro da mama, sobretudo em mulheres com forte história familiar ou mutação genética conhecida, uma vez que a ressonância magnética mamária é mais eficaz do que a mamografia ou a ecografia em mamas densas. É também aconselhada a realização de testes genéticos, cada vez mais comuns em doentes jovens, considerando o impacto que estes testes podem ter nas decisões terapêuticas e na prevenção familiar.

Importa também falar da prevenção desta doença oncológica. Reduzir o consumo de álcool, manter um peso saudável, praticar exercício físico regular e promover a amamentação são medidas protetoras. Para mulheres portadoras de mutações, podem ainda ser consideradas estratégias de redução de risco, como a mastectomia profilática, sempre avaliadas em consulta especializada.

Um fator que merece destaque é o tabagismo. Embora a relação entre fumar e cancro da mama tenha sido durante muito tempo discutida, a evidência atual mostra um aumento de risco entre 10% e 15%, sobretudo quando o hábito começa antes do primeiro parto. O tecido mamário jovem, ainda em diferenciação, é mais vulnerável aos agentes cancerígenos. Quanto maior o número de cigarros e o tempo de consumo, maior o risco. Mesmo o fumo passivo aumenta a probabilidade da doença em mulheres expostas desde cedo.

O papel dos cigarros eletrónicos e do tabaco aquecido ainda não está totalmente esclarecido, mas os líquidos usados contêm nicotina e outros químicos nocivos, levantando sérias preocupações quanto à saúde mamária. A recomendação é clara: evitar também estas formas de consumo, especialmente por mulheres jovens.

Embora o risco associado ao tabaco seja inferior ao que se verifica no cancro do pulmão, ele é real e relevante. Deixar de fumar – ou nunca começar -, é uma das medidas mais importantes para reduzir a probabilidade de desenvolver cancro da mama e para melhorar o prognóstico em caso de diagnóstico da doença. Os benefícios de parar de fumar iniciam-se de imediato e aumentam com o tempo.

Em conclusão, mudar aquilo que podemos mudar e vigiar aquilo que devemos vigiar é uma mensagem simples, mas que pode vir a salvar vidas.