
No próximo domingo, 12 de abril, dia da Divina Misericórdia, a partir das 14h00, a paróquia de Sant’Ana, nas Furnas, realiza a procissão do Senhor aos Enfermos, uma manifestação de fé secular profundamente enraizada na comunidade.
Nesta ocasião, o Senhor Ressuscitado visita solenemente os doentes da freguesia, levando-lhes consolo espiritual e a bênção do Santíssimo Sacramento.
A procissão do Senhor aos Enfermos é uma das expressões religiosas mais antigas e emblemáticas da ilha de São Miguel, destacando-se, em particular, pelos tapetes de flores artisticamente elaborados que ornamentam as ruas, numa demonstração de fé e devoção.
Este ano, devido às suas condições de saúde, dez doentes vão receber a bênção do Santíssimo nas suas casas. Nesta freguesia, é também tradição que, neste dia, os símbolos do Divino Espírito Santo percorram as ruas, como sinal da alegria da ressurreição de Cristo.
Após a comunhão, cada doente vai receber, por meio dos escuteiros, uma lembrança oferecida por diversas instituições e particulares, num gesto de carinho. A procissão contará com o acompanhamento da filarmónica local, do coro paroquial e dos impérios do Divino Espírito Santo, que nesse dia coroarão na eucaristia, que será celebrada depois da procissão.

A secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, destacou os resultados do relatório do primeiro trimestre de 2026 do serviço de apoio ao doente deslocado em Lisboa, sublinhando o papel determinante deste serviço no apoio aos utentes dos Açores.
Entre 1 de janeiro e 31 de março de 2026, o serviço acompanhou um total de 253 processos, dos quais 87% resultaram de novos encaminhamentos efetuados pelos hospitais da região, evidenciando a crescente procura e a relevância deste serviço como resposta de primeira linha no apoio aos doentes deslocados.
Destaca-se ainda o reforço do alojamento protocolado, que passou a disponibilizar oito quartos, distribuídos por três apartamentos, aos quais se acrescenta um apartamento com um quarto adaptado para acolher doentes com mobilidade reduzida, equipado com cama articulada, cadeira amovível para banho e rampa de acesso à casa de banho.
O apartamento com quarto adaptado destina-se, prioritariamente, a utentes com limitações funcionais significativas, nomeadamente ao nível da mobilidade e autonomia, bem como a situações clínicas que exijam condições específicas de acessibilidade e segurança, sendo a sua atribuição efetuada com base em critérios clínicos, funcionais e sociais devidamente avaliados.
De acordo com Mónica Seidi, estes dados “demonstram o compromisso do Governo dos Açores em garantir uma resposta integrada, humanizada e eficaz aos doentes deslocados, assegurando não apenas o acesso aos cuidados de saúde, mas também o apoio social, emocional e logístico necessário durante todo o processo”.

No coração do Atlântico, onde o verde das criptomérias toca o cinzento das rochas vulcânicas, um grupo de cidadãos belgas percorre trilhos que são, simultaneamente, caminhos físicos e rotas de introspecção. O que os traz aos Açores não é o turismo convencional de contemplação, mas sim um projeto científico e terapêutico pioneiro que une a Universidade dos Açores ao hospital belga AZ Monica. Sob o conceito de Forest Mind (Floresta Consciente), este programa de terapias da natureza está a transformar a forma como pacientes com lesões cerebrais, burnout e traumas graves encaram o seu processo de recuperação.
O mentor desta iniciativa, o professor Eduardo Marques, da Universidade dos Açores descreve a semana como muito mais do que um intercâmbio académico. “Nós temos um momento de conexão humana, de interculturalidade”, afirma. “Temos aqui um grupo de doentes que vieram de um hospital belga aos Açores para um programa de reconexão com a natureza e terapias para encontrarem caminhos e estratégias para aumentar o seu bem-estar psicológico”.

A escolha dos Açores não foi um acaso geográfico, mas uma decisão clínica. Greet Dierckx, neuropsicóloga belga que trabalha com doentes com lesões cerebrais, explica a importância de tirar os pacientes do ambiente hospitalar. “É muito importante para eles aprenderem ferramentas para manter o cérebro o mais saudável e forte possível. A terapia baseada na natureza é um método muito forte para manter o corpo e o cérebro saudáveis”, refere a especialista.
Greet sublinha ainda que o mau tempo que assolou o arquipélago durante a semana acabou por ser uma ferramenta terapêutica inesperada: “A vida é desafiante. E esta semana foi muito desafiante em relação ao tempo. Mas aprendemos muito. Quando se faz em grupo, é ainda mais forte porque trocamos experiências e conhecimentos”, afirma.
Para os participantes, os exercícios serviram como espelhos das suas próprias vidas. Ann Willems, que se juntou ao projeto inspirada por uma amiga, utilizou elementos naturais para desenhar a sua “linha da vida”. Para ela, a natureza trouxe uma clareza necessária: “Isto representa-me. São lembretes para mim própria de que, na vida, temos de vir primeiro. Tens de estar saudável, forte e aterrada. Se estiveres segura, tudo o resto interage e a vida torna-se uma harmonia”, considera.
Essa mesma busca por harmonia é partilhada por Nadia Makrache, uma empresária que enfrentou dois episódios de burnout. Para Nadia, a surpresa foi a eficácia das dinâmicas: “tornou-nos criativos, tornou-nos calmos. Estávamos conscientes. Foi bom conectar com os locais e outras pessoas novas, sinto-me leve por partilhar”.”

Para aqueles que lidam com sequelas físicas e neurológicas graves, a floresta ofereceu uma nova perspetiva sobre as suas capacidades. Romelia Schwarzkechel viajou como guia de uma amiga que sofreu um acidente de carro com danos cerebrais, mas acabou por se envolver profundamente no processo. “É uma jornada, claro. Tivemos a natureza bela e todo o tipo de novos exercícios como usar binóculos para testemunhar a natureza de uma forma diferente e ver como o cérebro responde ao olhar fisicamente de uma maneira distinta”, explica.
Helene Van Der Linden sofreu uma hemorragia cerebral há um ano e meio. Admite que inicialmente hesitou em participar por não querer estar num “grupo de doentes”. Contudo, a experiência mudou a sua visão: “como podem ver, não somos realmente um grupo de doentes. São apenas pessoas a encontrar uma nova forma de viver depois do que aconteceu.” Helene confessa preferir as atividades físicas: “a surpresa da natureza aqui é algo que gosto muito. Sinto que não temos apenas as quatro estações num dia, mas todos os tipos de natureza do mundo num só lugar. Parece a Escócia depois parece o Havai”, diz, referindo-se aos Açores.
A eficácia da terapia mede-se pelo que os pacientes levam na bagagem de volta para a Bélgica. Peter Plusquin, que sofre de sintomas como “nevoeiro cerebral” e falta de concentração, encontrou nos Açores uma forma de ressignificar a sua condição. “A natureza desta ilha ajuda-nos a relacionarmo-nos connosco próprios. É como uma selva, mas uma selva fresca”, descreve. Peter leva consigo âncoras mentais dos exercícios realizados: “encontrei quatro ou cinco recursos que posso usar para me sentir melhor, são elementos-chave que nunca esquecerei. Ainda tenho os mesmos sintomas, mas acho que tenho mais formas de me relacionar com eles”.

O professor Eduardo Marques acredita que este é apenas o início de um caminho que pode transformar a região num destino de Turismo de Saúde e Bem-Estar. “Podemos utilizar a natureza, um recurso que temos espalhado por todas as ilhas, como um ativo importante em providenciar novas estratégias ao nível da saúde”, defende.
Mais do que isso, o projeto redefine o papel do assistente social moderno: “o assistente social pode assumir também uma função de terapeuta. Eu dispo-me do meu papel enquanto professor e assumo enquanto assistente social terapeuta, conduzindo sessões indutoras de renascimento individual”.
Embora o caminho seja novo e possa gerar desconfiança, Eduardo Marques é categórico: “os resultados provam que esta experiência está a ser extremamente positiva e gratificante”. Nos Açores, entre a névoa e o verde absoluto, provou-se que a natureza não é apenas um cenário, mas poderá ser uma parte essencial da cura humana.

Foi celebrado um novo protocolo que garante alojamento aos utentes deslocados a Lisboa em situação de doença, bem como aos seus acompanhantes. A informação foi avançada hoje pela Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social.
Segundo comunicado enviado às redações pelo Governo dos Açores, a secretária da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, diz que acredita que “esta será uma forma muito mais cómoda de alojar os doentes que têm de se deslocar a Lisboa, e criar um maior equilíbrio entre estas deslocações e as que se realizam à cidade do Porto, onde o alojamento já estava assegurado com estabilidade”.
“Nos últimos anos temos recebido queixas das enormes dificuldades que os nossos doentes deslocados sentem face ao aumento de custos com a estadia, sobretudo na cidade de Lisboa. Desenvolvemos inúmeros contactos, até conseguir encontrar está solução que não resolve a totalidade das situações, mas efetivamente é uma grande ajuda, pelas condições que os apartamentos apresentam”, realça.
Tanto em 2023 como em 2024, o valor das diárias no âmbito da deslocação de utentes ultrapassou os cinco milhões de euros, num total de 3,2 milhões em diárias ao longo de 2023, e de 2,3 milhões em 2024, sendo que os valores deste são apenas até setembro.
Com este protocolo, os utentes são responsáveis pelo pagamento até um montante máximo 34,42 euros por noite, correspondente aos 60 por cento do valor da comparticipação diária (sobre o escalão A), ficando então o remanescente a cargo da Direção Regional da Saúde.
O alojamento protocolado localiza-se na Rua dos Anjos. As marcações são efetuadas pelo Serviço de Apoio ao Doente Deslocado, mediante pedido dos Serviços Sociais do Hospital da área de referência do utente.
Consoante os termos protocolados, estão disponíveis a todo o tempo seis quartos, com possibilidade de alojar duas pessoas em cada quarto, designadamente o utente e acompanhante.
Mónica Seidi considera ainda que “a presença do acompanhante continua a ser um apoio fundamental, mesmo tendo em conta que este serviço é de proximidade e que os utentes são acompanhados de perto”.
Catarina Gonçalves Silva foi nomeada, em outubro de 2024, como Coordenadora do Serviço de Apoio ao Doente Deslocado por reunir “a experiência profissional exigida para o exercício das respetivas funções” e além disso, considera Mónica Seidi, “é uma profissional para quem o apoio psicossocial aos utentes é prioritário”.