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Núncio Apostólico leva mensagem de esperança aos doentes do Hospital do Divino Espírito Santo

D. Andrés Carrascosa Coso presidiu à celebração eucarística e à procissão pelas alas de internamento do HDES, sublinhando a importância do humanismo cristão no cuidado aos mais frágeis durante as festividades do Senhor Santo Cristo dos Milagres

© HDES

O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, recebeu este sábado, 9 de maio, uma visita de elevada importância institucional e espiritual no âmbito das celebrações em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Segundo notícia veiculada pela agência Igreja Açores, a Eucaristia realizada na capela do terceiro piso foi presidida pelo Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, representante do Papa, que visita os Açores pela primeira vez após ter sido nomeado em dezembro passado.

O momento, que marca a passagem das maiores festividades religiosas da região pela unidade de saúde, não se limitou ao altar, estendendo-se numa procissão pelas alas de internamento e pela Ala Poente. O objetivo central desta iniciativa, organizada pela Capelania do Hospital com o apoio de voluntários, foi levar o conforto, a bênção e a imagem do “Ecce Homo” diretamente aos utentes e aos profissionais do Serviço Regional de Saúde que asseguram a missão de cuidar mesmo em dias de festa.

Durante a celebração, o prelado destacou a profunda ligação entre o humanismo e a prestação de cuidados de saúde, reforçando que instituições públicas e religiosas “estão ao serviço das mesmas pessoas”. D. Andrés Carrascosa Coso, que recordou os seus 41 anos de missão e o contacto prévio com a devoção açoriana no Canadá, enfatizou o papel da fé como luz em contextos de fragilidade e incerteza. “A fé em Deus não elimina a dor nem a doença, mas ilumina-as”, afirmou o Núncio Apostólico, sublinhando que o maior milagre reside na compaixão e na certeza de que ninguém está sozinho no sofrimento.

“O objetivo é levar o conforto, a esperança e a bênção diretamente aos nossos utentes e aos profissionais do Serviço Regional de Saúde que, mesmo em dias de festa, mantêm a sua missão de cuidar”, reiterou, consolidando a tradição de proximidade que define a identidade do hospital de Ponta Delgada neste feriado regional.

Inetese sensibiliza comunidade escolar na Lagoa no Dia Mundial do Cancro

Através da decoração de laços e da partilha de mensagens inspiradoras, a iniciativa envolveu a comunidade escolar numa homenagem simbólica à coragem e resiliência de quem enfrenta a doença

© INETESE

O polo da Lagoa do Inetese – Instituto de Educação Técnica assinalou, no passado dia 4 de fevereiro, o Dia Mundial do Cancro, através de uma iniciativa de sensibilização promovida pelos alunos do curso de Comunicação-Marketing, Relações Públicas e Publicidade. A atividade, que uniu criatividade e solidariedade, consistiu na pintura e decoração de laços, acompanhados por frases inspiradoras, como forma simbólica de homenagem a todos os que enfrentam ou já enfrentaram esta doença.

Durante a jornada, os alunos organizadores percorreram as diferentes turmas da instituição para explicar o significado da efeméride e convidar toda a comunidade escolar a participar na decoração dos laços. A ação visou reforçar a importância da informação, da empatia e do apoio mútuo no combate ao cancro, destacando que a escola deve ser também um espaço de consciência social.

Segundo comunicado enviado pela escola profissional, para os promotores da iniciativa, este dia serve para recordar que, para além da luta clínica contra a doença, existem histórias de coragem, resiliência e esperança que merecem ser celebradas. O Inetese na Lagoa sublinha, com este evento, que pequenos gestos podem fazer a diferença na vida de quem atravessa momentos difíceis, reafirmando o princípio de que a união e a solidariedade tornam a comunidade mais forte.

A típica pessoa «poucochinha»

"Somos grandes porque escolhemos caber nos mais pequenos; e não porque os mais pequenos escolhem caber em nós. Somos grandes, sim, porque, humildemente, tocamos os corações «apagados de cinzento» e acendemos ou reacendemos a esperança de quem revive para a (sua) esperança".

Júlio Tavares Oliveira
Professor de PLNM
Licenciado em Estudos Portugueses e Ingleses
Pós-Graduado em Português Língua Não Materna

A prova viva de um mundo sem sentido, «poucochinho», é termos de um lado Trump, do outro lado Putin e, entre ambos, umas forças imensas (algumas bem disfarçadas) que pretendem minar, a todo o custo, o que (nos) resta ainda de qualquer sanidade moral – é viver entre alguns Arrudas, convivendo com outros, seus semelhantes, entre iguais. E nós, bem no meio desses dois enigmas e outros similares problemas, somos, ainda, o que resta de um mundo, hoje, que não veja, em breve, o fim, da tolerância, do respeito e da dignidade humana.

Hoje em dia, a maioria das pessoas, nas suas relações interpessoais, até políticas, e sociais, são descartáveis umas para as outras – são úteis em tempo certo, no tempo certo e válido, e, na hora a seguir, são totalmente lixo, ou seja, tornam-se «inúteis» e prescritas.

Vivemos imersos e «banhados» em relações feitas (algumas mesmo artificializadas) de astúcia, de pouco altruísmo, de muito egoísmo, de muito pouco, que, líquidas, e sem sustento, se comovem, em prazeres efémeros, com pouco, e se revelam, a muitos milhares de desconhecidos, em troca de tão escassas migalhas nas redes sociais.

A utilidade das pessoas «poucochinhas» é a de fazer de conta que são grandes; de fazer com que as grandes pessoas caibam nelas para seu benefício pessoal, intelectual e social; mas a boa notícia é que as pessoas grandes percebem, um dia, que as pessoas «poucochinhas» são demasiado «poucochinhas» para a sua grandeza – para a sua liberdade. Afinal, a utilidade das pessoas «poucochinhas» é essa: o entendimento que nos dão acerca de nós próprios, que somos, e seremos, sempre, pessoas grandes e intelectualmente livres.

Definimos «grandes» não em estatuto e em riqueza material e financeira, mas em função da total comodidade absoluta relativamente à grandeza – a nossa e a dos outros; não a usurpando para a aumentar exponencialmente e maquiavelicamente, e usando a mesma somente para outros fins que não sejam, eles, senão a discrição, a humildade, o reinvestimento dela apenas nos outros, no bem-estar comum dos outros.

Somos grandes porque, imensos, nos espalhamos, em liberdade, nos demais – nos pequenos como nós somos, e só sabemos ser, na verdade, onde realmente cabemos e pertencemos, respeitando e alinhavando comodidades mútuas; somos grandes porque escolhemos caber nos mais pequenos; e não porque os mais pequenos escolhem caber em nós. Somos grandes, sim, porque, humildemente, tocamos os corações «apagados de cinzento» e acendemos ou reacendemos a esperança de quem revive para a (sua) esperança.

Sou da opinião de que há que haver um erro para haver um ganho; e de que há que haver um ganho, cheio de erros, para haver uma vitória. A necessidade que nós, seres humanos, temos de, para tudo, fazer «tudo depressa» é inimiga, total, da coerência na vida – e a necessidade, total, de nos encaixarmos em «todos muito rapidamente» é inimiga, total, da coesão connosco mesmos. Não é, de somenos, que as principais virtudes linguísticas de um texto – a manter – sejam, também, a coesão e a coerência: assim como nos homens, também é verdade que assim seja.

Sou da opinião, renovo, que temos de saber fazer; e mais, de saber sair derrotados – por cima – também para saborear a grandeza, assumindo que podemos tomar como nossos momentos, alguns, porventura, «poucochinhos», mas que jamais assumiremos uma postura de «poucochinhos» a vida toda.

A Esperança, a primeira que morre

Pois é na esperança que fomos salvos. Mas uma esperança que está à vista não é esperança. Alguém espera aquilo que vê? (Romanos, 8:24).

Júlio Tavares Oliveira

Fomos intimamente criados como seres de plena Esperança; para ter Esperança e para comungar Esperança; mas fomos também criados para julgarmos a Esperança, essa mesma, como um carimbo do nosso caminho, esse, a ser feito, nunca realmente terminado ou finalizado num termo; somenos a Esperança como a última Solução, ou a Solução Final, de qualquer parte ou conflito ou amor.

A Esperança é a primeira que morre em qualquer momento, num momento – não a última a morrer neste momento; portanto precisemos, tanto, que morra sempre uma Esperança, uma preciosa Esperança, na nossa vida de tantas e de tantas ânsias e de imensos sonhos, para que outras possam nascer e crescer em vida.

Nesse Caminho de abertura, de hoje, que não o vemos na solução do amanhã, não nos afeiçoemos nem nos acomodemos à estreiteza de o julgarmos mais ou menos errado ou certo; aperfeiçoemos os erros, limemos as arrestas e, dessa velha Esperança perdida, caducada, renasça uma nova, diferente, noutros e com outros sonhos e cores.

A vida é uma contínua plenitude e remada de Caminho – outrora feito de dissolução, outrora feito de conjunção –

«Bendizei o que vos perseguem, bendizei não amaldiçoei» (Romanos, 12:14).

Queria, também, deixar-vos essa passagem de Romanos (12:14) que nos ensina, profundamente, e cito novamente, e não pagarmos «a ninguém o mal com o mal, interessando-vos pelo que é bom diante todas as pessoas. Se for possível da vossa parte, vivei em paz com todas as pessoas» (Romanos, 12:17-18). Mais do que uma passagem bíblica, é uma lição de humanidade – do Bem pelo Mal e do Bem que vence, e suplanta, sempre, todo o Mal.

Uma vez que não devemos apagar o rasto de uma má ação do outro, nosso par, com uma má ação nossa, posto que isso não lhe apagaria, de novo, o rasto, só tornaria mais acesa a linhagem desse Mal do outro, a palavra bíblica da Carta aos Romanos, no Novo Testamento, ensina-nos que todo o Mal deve ser sublimado por um ato de Bem e que todo o Bem justifica-se sempre sobre todo o Mal, indepentemente da sua gravidade.

«Se Deus está por nós, quem está contra nós?».

Termino este artigo com uma reflexão, necessária, sobre o nosso falecido Papa Francisco:

O Papa Francisco foi um homem que se tornou simples; mas nunca, jamais, um simples que se tornou homem. Ele dedicou-se à simplicidade na túnica que vestia e nas sandálias; fidelizou-se à alegria, em Cristo, e à Juventude – humanizando-se à Sua Imagem e Semelhança, da mesma forma q’Ele se humanizou, em Cristo, à nossa Imagem e Semelhança. E não será, esse, o nosso mais genuíno papel, a nossa mais firme devoção e missão, nesta breve vida?

Num momento em que todo o Cristão-Católico – que sente a sua Fé pela Fé, à sua maneira, não ostentando, gratuitamente, o título honorífico de crente ou a sua senha de presença nas Missas de todo o ano -, todo aquele que descobre, que apalpa os seus erros, que calça e que descalça as suas sandálias, que caminha, em frente, e que abraça o pecado como parte da sua culpa e do seu caminho para a sua salvação na toma da sua Fé em Cristo; para todo aquele que, apascentando a sua remissão, e reconhecendo-se justamente um pecador, e que, neste momento, vê «Franciscus», deitado sob a mortalha, e se sente mais desabitado neste mundo:

para todos estes, deixo a seguinte passagem de Romanos: 9:31: «Se Deus está por nós, quem está contra nós?».

Até sempre, nosso Papa.