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Mini-tornado provoca estragos em estufas e habitações em Vila Franca do Campo

O fenómeno meteorológico registado na tarde do passado domingo causou danos em veículos e na produção de ananases, sem registo de feridos

© A CRENÇA

A freguesia de São Miguel, em Vila Franca do Campo, foi surpreendida na tarde de domingo passado, 1 de março, pela passagem de um mini-tornado que causou estragos, particularmente na zona de Santo Amaro. O fenómeno meteorológico, embora breve, revelou-se de intensidade suficiente para projetar vidros de estufas de ananases para a via pública e danificar os beirais de moradias nas imediações.

No setor agrícola, os prejuízos são visíveis em diversas estufas que se encontravam em plena fase de produção, com as estruturas de vidro a sofrerem danos severos. Além do impacto nas explorações, o fenómeno atingiu igualmente vários veículos com vidros partidos devido ao impacto de detritos projetados.

Apesar da violência do evento e da projeção de materiais para as ruas, não houve relato de danos pessoais a registar. As autoridades e os proprietários afetados encontram-se agora a proceder ao levantamento total dos prejuízos, que ainda estão por apurar. A autarquia vilafranquense garantiu os trabalhos de limpeza e segurança nas zonas mais atingidas.

Natacha Candé: “ela é, neste momento, a melhor do país no seu escalão”

Atleta lagoense já ganhou 263 medalhas em sete anos de atletismo. O Diário da Lagoa foi acompanhar dois treinos enquanto conversou com Natacha Candé e com o treinador José Neves

Atleta tem 18 anos e não tem dúvidas que o número de medalhas conquistadas vai subir © ACÁCIO MATEUS

Já perdeu a conta às medalhas que ganhou e que guarda em casa. Só mais tarde, é que nos soube dar um número. Natacha Candé, 18 anos, ganhou 263 medalhas em sete anos de atletismo. É isso mesmo, conquistou mais de duas centenas de medalhas em menos de uma década e o número vai subir, não tem dúvidas. 

A conversa com o Diário da Lagoa (DL) acontece antes do seu treino diário, no Complexo Desportivo das Laranjeiras, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel. 

Ao DL conta como tudo começou. “Eu fazia desporto escolar e um professor de Educação Física viu que eu era muito boa a fazer desporto, então contactei o Clube Juventude Ilha Verde. Fiz os meus primeiros treinos e confesso que no início não estava a ser grande coisa mas depois havia os saltos, as barreiras e gostei mais, então decidi ficar porque é um desporto diferente”. 

Barreiras é aquilo que Natacha mais gosta dentro do leque de modalidades que existem no atletismo. E gosta sobretudo de provas combinadas que incluem, por exemplo, saltos, lançamentos, velocidade e resistência.

O currículo de Natacha Candé é longo e soma muitos primeiros lugares. Só este ano já conquistou quatro medalhas de ouro e uma de prata em provas nacionais de heptatlo, salto em altura e pentatlo, esta última num torneio ibérico de provas combinadas. 

No ano passado, a atleta natural da Lagoa, conquistou seis medalhas de ouro e em 2023, conseguiu também conquistar outras seis medalhas, todas de ouro.  

Treina seis dias por semana

Natacha diz que o seu sucesso se deve à persistência e ao facto de “treinar bastante” © ACÁCIO MATEUS

A lagoense revela o segredo do seu sucesso: “muita persistência e treinar bastante”. Ela treina todos os dias duas horas, seis dias por semana. E há meses, antes das provas, em que os treinos são bi-diários, ou seja, acontecem duas vezes por dia. Natacha Candé diz mesmo que o mais difícil é “conciliar os estudos com os treinos”. 

O seu maior sonho é “ir aos olímpicos em 2028”. “Estou a trabalhar para isso”, assegura. Mas antes disso, tem os europeus de atletismo, este verão, estando já qualificada para a competição.

Para José Neves, o treinador, Natacha “é uma atleta muito empenhada e devido ao seu empenho tem os resultados que tem, que são extraordinários”. O técnico diz que é fácil trabalhar com Natacha porque “ela sabe gerir bem os treinos”. Destaca um defeito, que também pode ser uma qualidade: “é muito teimosa”. José Neves não tem dúvidas: “na modalidade, ela é, neste momento, a melhor do país no seu escalão”. E para Natacha, “ter aquela adrenalina dos saltos, da competição” é o que mais a fascina. 

Treinador José Neves na companhia de Natacha Candé © SARA SOUSA OLIVEIRA

Mas a atleta lamenta que não haja uma pista coberta em São Miguel onde os desportistas possam treinar durante o inverno e sobretudo nos dias em que chove — e nos Açores são muitos. Dá o exemplo do treino a que assistimos: “hoje, por exemplo, não vou fazer altura, vou fazer barreiras por causa do vento”. Para a lagoense, a inexistência de uma pista coberta” limita muito a evolução dos atletas que podiam ir ainda mais longe”.

O treinador, José Neves, corrobora as palavras da sua atleta e alerta: “se chove, o ginásio fica cheio e não se consegue treinar em condições. Para quem está no alto rendimento é prejudicial porque fica com o treino condicionado”.

Atleta lamenta não haja uma pista coberta em São Miguel © ACÁCIO MATEUS

Para além disso, o técnico também explica que nas Laranjeiras “quando há futebol, durante a época, não se pode lançar martelo e disco. Temos atletas no top cinco que se treinassem o ano inteiro podiam estar no top três, mas infelizmente não”. 

Perguntámos a Natacha o que mais gosta de fazer nos tempos livres. A atleta respondeu que não lhe sobra muito tempo livre, para além dos treinos e dos estudos. Mas não tem dúvidas de que quer continuar a perseguir o sonho de seguir o atletismo no futuro de forma exclusiva. E não restam muitas dúvidas de que é um sonho que facilmente se tornará realidade.