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O regresso às aulas: rotinas e preocupações

Patrícia Gaspar Silva
Especialista em Pediatria no Hospital CUF Açores

Com o fim das férias de verão, impera a necessidade de recuperar a rotina e os horários da época escolar. De forma a facilitar esta transição, exploramos algumas medidas que podem ser aplicadas nesta fase do ano.

Em primeiro lugar, é fundamental regularizar os horários de sono. O sono é fundamental para as crianças e, durante o verão, é natural que se deitem mais tarde ou em horários mais irregulares. Recomenda-se reajustar, de forma gradual, os horários de uma a duas semanas antes do início das aulas, criando uma nova rotina adaptada à escola. Nas crianças que ainda fazem sesta, esta, idealmente, não deve ocorrer muito tarde, de forma a não comprometer o sono durante a noite. A rotina da noite também deverá voltar ao normal, por exemplo, com a leitura de uma história ou com uma música suave e sem ecrãs. Durante as férias, é frequente que as crianças façam uma maior utilização de ecrãs. Porém, o seu uso excessivo pode ter efeitos no comportamento, na capacidade de concentração e no sono. Por esse motivo, na preparação para o início das aulas, esta utilização deve ser mais criteriosa, recomendando-se a limitação da utilização de dispositivos eletrónicos no quarto, uma a duas horas antes da hora de deitar. Os limites diários de utilização deverão ser inferiores a 30 minutos por dia entre os três e os seis anos, uma hora entre os sete e os 11 anos e, idealmente, inferior a duas horas a partir dos 12 anos, como recomendado pela Sociedade Portuguesa de Neuropediatria. Devem, ainda, ser promovidos conteúdos adequados e com particular atenção às redes sociais. A postura quando sentado também deve ser corrigida, de forma a evitar problemas futuros.

Recomenda-se que a criança aproveite ao máximo o bom tempo e o ar livre, com atividades durante o dia, movimento e interação com outras crianças e com a família, pois além de promotor do desenvolvimento, este tempo de qualidade ao ar livre ajuda a regular o sono e a rotina, pelo que deve ser sempre privilegiado. Nestes momentos, é importante não esquecer a devida proteção solar!

O regresso às aulas pode também causar alguma ansiedade, por esse motivo, a existência de rotinas estáveis e previsíveis podem ajudar a criança a sentir-se mais segura, sendo importante a sua participação em algumas escolhas e tarefas – tais como preparar o pequeno-almoço, escolher a roupa, preparar a mochila ou comprar material escolar, permitindo desenvolver a sua autonomia e dar a sensação de controlo no meio da mudança. É importante, ainda, conversar com a criança ou com o adolescente e dar-lhe um espaço seguro para partilhar as suas preocupações. Temas como o alcoolismo, tabagismo, toxicodependência, bullying, consentimento, puberdade, entre outros, podem e devem ser abordados de forma adequada à idade, com a família ou, em caso de necessidade, em articulação com os cuidados de saúde.

Antes do regresso às aulas é importante garantir que a vigilância da saúde do seu filho está atualizada, nomeadamente em termos do crescimento, do desenvolvimento, da visão, da audição, de eventuais doenças crónicas e da vacinação. Um adequado seguimento permite detetar e tratar situações que podem condicionar o sucesso escolar ou o bem-estar psicológico das crianças, de forma a que não existam oportunidades perdidas para atingir o potencial máximo de cada uma.

Desligar nas férias: pausa ou desafio?

Filipa Brum Cabral
Psicóloga Clínica no Hospital CUF Açores

As férias são, por definição, um convite ao descanso. Projetamos dias mais leves, longos e prazerosos. É uma oportunidade para abrandar o ritmo, especialmente aquele ligado ao trabalho, e recuperar do cansaço e do stress acumulados.

Mas nem sempre é assim. Por vezes, o humor não se sincroniza com o descanso. O que esperamos das férias não se realiza e os pensamentos oscilam entre o que ficou por fazer e o que está por vir. A intenção de parar existe, mas desligar nem sempre acontece.

Por que é tão difícil desligar? Esta dificuldade reflete um modo de funcionamento altamente estimulado, marcado pela hiperdisponibilidade. Vivemos num estado de alerta quase contínuo, acelerados entre tarefas, com o sistema nervoso ativado para o modo de fazer. Quando este estado se prolonga no tempo, o organismo permanece em prontidão, preparado para reagir, mas sem oportunidade para recuperar.
A mudança de ritmo nas férias pode ser desconfortável. Corpo e mente mantêm-se alinhados com o ritmo do trabalho, mesmo estando fisicamente afastados. Nos primeiros dias, é comum descansarmos o corpo, mas a mente permanece ocupada. Além disso, surge a pressão de “aproveitar bem” as férias, como se até o descanso tivesse de ser produtivo.

Desligar exige treino. Não é automático e começa antes das férias. Sempre que possível, é importante planear a ausência com antecedência, delegar tarefas, comunicar com clareza que estará indisponível, ativar uma resposta automática no e-mail profissional e indicar um contacto alternativo para situações urgentes. Se puder, mantenha essa resposta ativa também no primeiro dia de regresso. Essa margem ajuda a retomar com calma e evita uma sobrecarga imediata.

Durante as férias, o convite é estar presente. Sem expetativas rígidas, culpas ou autocrítica. Seja qual for o destino, permita-se olhar com curiosidade e abertura. O essencial é desacelerar e ativar os sentidos. Observar, cheirar, saborear, escutar, tocar. Fazer menos para sentir mais. Criar margens entre atividades. Reservar tempo sem planos e permitir-se não responder de imediato. Se for mesmo necessário manter algum contacto com o trabalho, é importante definir um horário específico e proteger o restante tempo para estar verdadeiramente consigo e com os outros.

Recomeçar também implica gentileza. Nos primeiros dias de regresso, preencher o tempo com tarefas simples e administrar a energia de forma gradual pode ser uma forma de prolongar os efeitos do descanso.

E se há uma mensagem essencial, talvez seja esta: não espere pelas férias para descansar. O verdadeiro descanso nasce da capacidade de fazer pausas dentro da própria rotina. Micro-pausas, respiração consciente e práticas de autocuidado tornam mais fácil a transição para um estado de maior equilíbrio. São gestos pequenos, mas com impacto duradouro.

Ainda assim, se notar que o cansaço persiste, que a irritabilidade se torna frequente ou que a sensação de estar sempre em falta é permanente, mesmo nos dias de pausa, isso pode ser sinal de sobrecarga emocional. Nestes momentos, procurar apoio psicológico pode ser um passo importante.

Lembre-se, cuidar da saúde é um compromisso contínuo, que se constrói ao longo de todo o ano.

Campo de férias na Biblioteca da Lagoa nos meses de julho e agosto

© CM LAGOA

À semelhança do ano anterior, a Câmara Municipal de Lagoa vai promover o campo de férias, intitulado “Férias na Biblioteca”, de 1 de julho a 29 de agosto. O mesmo terá lugar no Convento de Santo António e destina-se a crianças e jovens, com idades compreendidas entre os 7 e os 12 anos.

Trata-se de uma iniciativa do serviço de Educação e Cultura da Câmara Municipal da Lagoa, que visa proporcionar uma oferta alternativa para a interrupção letiva de verão. Do plano de atividades constam diversas ações nas áreas da educação, cultura, ambiente, desporto e ciências.

A autarquia lagoense, em comunicado, diz que pretende, assim, proporcionar umas férias ativas e divertidas às crianças e jovens, com saídas e visitas a diversos espaços dentro e fora do concelho da Lagoa.

O campo de férias irá decorrer de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 17h30, estando limitado a 14 participantes, sendo que o valor é de 100 euros por mês, o que inclui seguro, visitas, passeios e lanche da tarde.

Para mais informações, todos os interessados poderão contactar os serviços, através do telefone 296 960 600 e/ou do e-mail educacaoecultura@lagoa-acores.pt, sendo que a inscrição deverá ser realizada online, até ao próximo dia 20 de junho, nas redes sociais e no portal da autarquia, onde poderão, também, consultar as normas de funcionamento.

Abertas candidaturas ao OTLJ e novo subprograma para ocupação no verão

© GRA

Os jovens interessados em desenvolver um projeto de ocupação nos meses de julho e agosto no âmbito do OTLJ – Programa de Ocupação dos Tempos Livres dos Jovens devem apresentar a sua candidatura de 1 de março a 30 de abril, online, no portal da Juventude dos Açores.

Segundo comunicado da Secretaria Regional da Juventude, Habitação e Emprego (SRJHE), esta fase de candidaturas, que decorre em simultâneo para os jovens e para as entidades promotoras de projetos OTLJ – Verão 2025, destina-se aos subprogramas “Ocupação em Férias” e “Jovens Ativos”, bem como ao recém-criado subprograma “Verão em Ocupação”.

Podem candidatar-se ao “Ocupação em Férias” os jovens entre os 14 e os 24 anos, residentes nos Açores, que frequentem o nono ano de escolaridade, ou equiparado, ou o ensino secundário, enquanto ao “Jovens Ativos” podem candidatar-se os residentes nos Açores dos 15 aos 24 anos de idade integrados em projetos promovidos por IPSS.

Os projetos enquadrados em cada um destes dois subprogramas têm a duração de 20 dias úteis, nos meses de julho e agosto, não podendo ultrapassar as cinco horas diárias. 

Aos jovens é atribuída uma bolsa de três euros por hora, num total de até 207 mensais.

“Verão em Ocupação” é a novidade

“Verão em Ocupação” é um novo subprograma recém criado, no qual podem integrar os residentes nos Açores dos 16 aos 24 anos, que frequentem o ensino secundário, do ensino geral ou profissional, ou o ensino superior, em cursos de licenciatura ou mestrado. 

Os projetos decorrem entre julho e agosto, no total de 35 dias úteis, com início até ao quinto dia útil do mês de julho, num conjunto máximo de 20 horas semanais, não ultrapassando as cinco horas diárias.

Aos jovens é atribuída uma bolsa no valor de quatro euros por hora, o que poderá totalizar, se o jovem cumprir a totalidade da sua ocupação, uma bolsa no valor de 560 euros. 

“A criação deste subprograma permite integrar no OTLJ entidades promotoras que estavam excluídas do universo OTLJ, como as empresas privadas, do setor social, de comunicação social e cooperativas, o que promove uma maior diversidade e abrangência de projetos de ocupação”, disse, esta semana, a secretária regional da Juventude, Habitação e Emprego.

Durante a oficina de apresentação dos subprogramas às potenciais entidades promotoras do OTLJ, Maria João Carreiro destacou a importância do “Verão em Ocupação” para o despiste vocacional e académico dos jovens, desafiando as entidades a candidatarem “projetos alinhados com os objetivos do OTLJ”, que possam significar “mais-valias” para os jovens e “criar boas memórias”. 

De acordo com a SRJHE, o regulamento do OTLJ nos Açores não era revisto há sete anos.  

O novo regulamento, publicado em janeiro último em Jornal Oficial, além de criar o novo “Verão em Ocupação” fixou um reforço em 20 por cento das bolsas atribuídas aos jovens e a alargou o prazo de candidaturas de um para dois meses.  

Além dos “Ocupação em Férias”, “Verão em Ocupação” e “Jovens Ativos”, o OTLJ inclui, igualmente, o subprograma “Jovens Estudantes”, cujas candidaturas podem ser apresentadas de 1 de setembro a 15 de outubro e de 1 dezembro a 15 de janeiro. 

A duração dos projetos do “Jovens Estudantes” foi alargada de quatro para cinco meses, bem como o período de ocupação (de novembro a maio) e os destinatários, onde se incluem os estudantes do ensino secundário, ensino profissional e o ensino superior.