
Armando Rodrigues, 38 anos, gestor de profissão, com formação técnica em marketing, natural da Fajã Grande, na ilha das Flores, e residente nas Lajes das Flores, ambas nos Açores, exerce atualmente funções como vice-presidente do município de Lajes das Flores, cargo que assumiu em 2024, depois de ter atuado como vereador nas autárquicas em agosto de 2023.
Num momento em que o concelho procura reforçar a sua capacidade de atrair investimento, gerar emprego, diversificar a economia local e consolidar a sua afirmação cultural e turística no contexto regional, a autarquia tem vindo a apostar em instrumentos de apoio direto aos empreendedores, na dinamização de eventos de projeção externa, na qualificação dos serviços locais e na criação de oportunidades para fixar população jovem.
Em entrevista exclusiva à nossa reportagem, Armando Rodrigues detalhou as principais políticas municipais implementadas nas áreas do comércio, indústria, empreendedorismo, cultura, juventude, desporto, emprego e turismo, explicando de que forma Lajes das Flores tem procurado afirmar-se como um território competitivo, atrativo para investir e capaz de gerar novas oportunidades económicas e sociais num território insular situado no extremo ocidental da Europa.
DL: Quais foram os principais resultados alcançados nas áreas do comércio e da indústria no concelho de Lajes das Flores nos últimos anos, e que medidas concretas foram implementadas para atrair investimento e dinamizar o tecido empresarial local?
Nos últimos anos, o município de Lajes das Flores tem orientado a sua estratégia de desenvolvimento económico para a valorização e apoio ao microempresário, reconhecendo que o tecido empresarial da ilha, e em particular do município, é composto essencialmente por microempresários. Esta realidade tem norteado as opções políticas e os instrumentos de apoio disponibilizados à comunidade. Um dos pilares centrais desta política é o apoio consolidado aos futuros empreendedores através da Incubadora de Empresas das Lajes, estrutura que presta um serviço completo e integrado a quem pretende criar ou desenvolver o seu negócio, acompanhando os empreendedores desde a fase de conceção até à alavancagem efetiva das suas atividades. Com o objetivo de promover a fixação de empresas no concelho e tirar partido da localização estratégica do porto da ilha, o município tem investido na criação de zonas industriais, gerando condições de instalação e operação adequadas para diferentes tipologias de atividade económica. No domínio da atração de investimento, o município tem procurado construir uma rede de apoio acessível a todos os potenciais investidores, assegurando as condições necessárias para que possam concretizar os seus projetos. Em paralelo, a manutenção dos impostos municipais no valor mínimo legalmente permitido constitui uma medida deliberada e estrutural de incentivo à fixação de pessoas e empresas no território.
DL: De que forma a autarquia tem estruturado a política cultural do concelho, e que impacto têm tido as iniciativas promovidas na valorização da identidade local e na atração de visitantes?
A cultura tem sido, para este executivo, um instrumento privilegiado de abertura de horizontes, em particular para as gerações mais jovens. Tendo em conta a realidade geográfica e as limitações naturais no acesso a experiências culturais diversificadas, quando comparadas com outros territórios do país, o município de Lajes das Flores tem procurado criar oportunidades que compensem essa distância e enriqueçam o quotidiano da comunidade. A política cultural do concelho assenta igualmente num forte compromisso com a integração social, num território que acolhe residentes de várias nacionalidades. A promoção de iniciativas culturais inclusivas tem funcionado como fator de coesão, aproximando comunidades e reforçando o sentido de pertença ao lugar. Entre os exemplos mais concretos desta aposta, destaca-se a residência artística, um evento que decorre habitualmente durante as férias da Páscoa e que convoca dois formadores especializados para trabalhar, ao longo de uma semana, as diferentes expressões artísticas com as crianças da ilha. O processo culmina na apresentação de um espetáculo criado pelos próprios participantes, tornando cada edição numa experiência única de criação e partilha. Outro marco incontornável da agenda cultural municipal é a Festa do Emigrante, que chega à sua 39.ª edição com um papel cada vez mais consolidado na vida da ilha. Este evento tem permitido trazer à Ilha das Flores artistas de renome nacional e internacional, promovendo a cultura e a identidade local, mas gerando igualmente um impacto económico significativo para o concelho, ao dinamizar o comércio, o alojamento e os serviços durante o período da sua realização.
DL: Que estratégias têm sido adotadas nas áreas da juventude e do desporto para promover a fixação de jovens no concelho e incentivar estilos de vida ativos e participativos?
No domínio da juventude, o município tem desenvolvido um conjunto de iniciativas pensadas especificamente para os mais jovens, com o objetivo de lhes proporcionar experiências enriquecedoras e diversificadas. O ATL municipal constitui um dos pilares desta aposta, disponibilizando cinco oficinas abertas não apenas às crianças inscritas no serviço, mas também a outras que pretendam participar. Entre as áreas trabalhadas, destacam-se as oficinas de percussão musical, canto, pintura e gestão das emoções, todas dinamizadas semanalmente por formadores especializados. Estas atividades representam muito mais do que ocupação dos tempos livres, são momentos de descoberta, expressão e desenvolvimento pessoal num território onde o acesso a este tipo de experiências é, por natureza, mais limitado. No que respeita ao desporto, a autarquia tem apostado numa oferta variada, acessível e regular, capaz de incentivar estilos de vida ativos em diferentes faixas etárias. As caminhadas organizadas mensalmente pelo concelho promovem o contacto com a natureza e a convivência entre a comunidade, enquanto a aula gratuita de ioga, também com periodicidade mensal, coloca à disposição de todos uma prática de bem-estar sem qualquer barreira financeira. Anualmente, o torneio de voleibol de praia anima a época estival e os Jogos Desportivos Escolares reforçam o papel do desporto no percurso educativo dos jovens do concelho. Num plano de maior ambição e projeção externa, o município foi capaz de criar um dos maiores eventos de trail dos Açores: o “Farol Adventure Trail”, que, em 2027, chegará à sua quarta edição. Desenvolvido em parceria com os outros dois concelhos do Grupo Ocidental, este evento transcende a promoção de hábitos saudáveis para se afirmar também como um poderoso instrumento de promoção do destino e da ilha, com especial relevância por decorrer em abril, em plena época baixa, contribuindo assim para a diversificação e distribuição da atividade turística ao longo do ano.
DL: No domínio do empreendedorismo, que apoios ou programas têm sido disponibilizados para estimular a criação de novos negócios e que áreas identifica como prioritárias para investir em Lajes das Flores?
O empreendedorismo será, com toda a certeza, um pilar na estratégia de desenvolvimento do município de Lajes das Flores, onde temos procurado criar condições concretas e acessíveis para todos os que pretendam criar ou desenvolver um negócio no concelho. O principal instrumento de apoio é a Incubadora de Empresas das Lajes, que disponibiliza aos empreendedores não apenas espaço físico de trabalho, mas também um conjunto alargado de serviços de suporte nas áreas do marketing, da contabilidade, da gestão e de outras áreas igualmente sensíveis ao sucesso de qualquer projeto empresarial. Este acompanhamento integrado permite que os novos empresários se concentrem no desenvolvimento do seu negócio, com o apoio técnico necessário a cada etapa do processo.
A par do apoio em serviços, o município disponibiliza também apoio financeiro direto, comparticipando 50% do investimento total realizado pelos empreendedores, até um máximo de seis mil euros. Este instrumento assume particular relevância num território insular onde o acesso a capital e a financiamento tende a ser mais limitado, reduzindo o risco associado à criação de novos negócios e tornando a decisão de empreender mais sustentável. Para aqueles que se encontram ainda numa fase embrionária, com uma ideia, mas sem um projeto estruturado, o município coloca à disposição uma equipa multidisciplinar que acompanha o futuro empreendedor no processo de transformar essa ideia numa realidade empresarial viável. Este apoio permanente e personalizado demonstra o compromisso da autarquia em não deixar nenhum potencial de desenvolvimento por explorar. Lajes das Flores está, assim, preparada para receber e apoiar quem queira investir e construir o seu futuro no concelho – com estrutura, recursos e vontade de crescer em conjunto.
DL: Relativamente ao emprego, quais são hoje os principais desafios do concelho e que ações têm sido implementadas para criar oportunidades de trabalho e qualificar a população local?
O emprego é um dos domínios em que o município de Lajes das Flores tem intervindo de forma mais ativa e consistente, procurando responder aos desafios de um território insular com um mercado de trabalho naturalmente mais limitado. De forma direta, a autarquia tem sido um agente importante na criação de oportunidades de emprego, abrindo vagas em diversas áreas e promovendo estágios profissionais com uma taxa de contratação bastante positiva. Esta intervenção direta tem permitido integrar no mercado de trabalho um número significativo de pessoas, contribuindo para a estabilidade e qualificação da população local. Numa vertente mais indireta, mas igualmente estruturante, o município tem articulado as suas políticas de emprego com os instrumentos de apoio ao empreendedorismo. O apoio financeiro disponibilizado aos empreendedores inclui, como contrapartida, o compromisso de criação de pelo menos um posto de trabalho no concelho, gerando assim um efeito multiplicador que vai além do próprio projeto empresarial. Complementarmente, a criação de espaços comerciais tem atraído novas empresas ao território, que contribuem por sua vez para a geração de mais oportunidades de emprego local. O incentivo à criação de novas microempresas assume também um papel relevante neste contexto, na medida em que cada novo negócio representa, desde logo, uma oportunidade de autoemprego para o seu criador e, progressivamente, a possibilidade de gerar postos de trabalho adicionais à medida que a atividade se consolida. O conjunto destas medidas procura criar uma abordagem integrada ao emprego, que combina a intervenção direta da autarquia com o estímulo a um tecido empresarial local mais dinâmico, diversificado e capaz de criar as suas próprias oportunidades de crescimento.
DL: No setor do turismo, que ações de promoção têm sido levadas a cabo para posicionar Lajes das Flores como destino, e quais são, na sua perspetiva, as principais potencialidades ainda por explorar no concelho?
O turismo ocupa um lugar central na estratégia de desenvolvimento do concelho, não apenas pela sua dimensão própria, mas pelo efeito alavancador que exerce sobre todos os restantes setores da economia local – das pescas à agricultura, passando pelo comércio e pelos serviços. Numa ilha, é impossível dissociar as diferentes atividades económicas entre si, e uma política de turismo bem estruturada e ambiciosa é, inevitavelmente, uma política transversal a todo o território. A promoção do destino tem assentado em três momentos essenciais e complementares. O primeiro é a presença na BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa, a maior feira de turismo nacional -, onde o município participa em conjunto com Santa Cruz das Flores e o Corvo numa estratégia de promoção conjunta e alinhada, destacando os atributos partilhados pelo Grupo Ocidental e reforçando a identidade do arquipélago como destino de excelência. O segundo momento é o “Farol Adventure Trail”, prova de trail que acontece em abril e que traz mais de quatrocentas pessoas à ilha numa fase em que a atividade turística é ainda moderada. Para além do impacto direto em termos de visitantes, este evento é uma plataforma privilegiada de promoção do que de mais valioso o destino tem a oferecer: uma natureza única e de rara beleza. O terceiro momento é a “Festa do Emigrante”, um dos eventos mais duradouros e reconhecidos dos Açores, que marca a agenda regional e posiciona Lajes das Flores como referência cultural e de animação no arquipélago. Paralelamente a estes momentos de promoção, o município tem procurado manter uma agenda cultural ativa ao longo do ano, consciente de que a diversidade de experiências disponíveis é um fator determinante para prolongar a estadia de quem visita a ilha. Este é, aliás, um dos maiores desafios do setor: aumentar o número de noites por visita, transformando estadias curtas em experiências mais longas e economicamente mais relevantes para o conjunto da economia local. A sazonalidade é outro desafio que tem merecido atenção, tendo o município procurado incentivar a visita fora da época alta, distribuindo o fluxo turístico de forma mais equilibrada ao longo do ano. No que respeita às potencialidades ainda por explorar, o concelho tem margem de crescimento em diversas áreas, embora parte desse desenvolvimento dependa também do investimento privado, que será determinante para criar uma oferta mais diversificada, capaz de atrair diferentes perfis de visitantes e abrir novos mercados. Na minha opinião, a conjugação entre o esforço público de promoção e dinamização e a capacidade de resposta do setor privado será, em última análise, o fator decisivo para consolidar Lajes das Flores como um destino turístico de referência no contexto açoriano e nacional.

Em declarações ao Diário da Lagoa, no âmbito do 4.º Fórum das Migrações, realizado entre 8 e 10 de abril nas ilhas do Corvo e das Flores, Leoter Viegas considerou este Fórum uma “oportunidade essencial” para debater políticas migratórias de forma alargada e entre diferentes entidades, sublinhando que a sua participação teve como objetivo “apresentar uma proposta concreta de planeamento estratégico para o futuro das migrações na Região”.
O presidente da AIPA começou por enquadrar o papel da associação que lidera, destacando a sua missão centrada no apoio aos cidadãos estrangeiros que escolheram os Açores para viver.
“A AIPA é uma instituição representativa dos imigrantes nos Açores. Ela tem como objetivo a missão fundamental de contribuir para o acolhimento e integração dos imigrantes que escolheram os Açores para viver”, afirmou.
No contexto do Fórum das Migrações, este responsável salientou a importância do encontro enquanto espaço de debate entre diferentes intervenientes ligados ao fenómeno migratório.
“Este Fórum, que já vai na quarta edição, é importante porque é uma ocasião para vários atores que intervêm nas áreas das migrações, e não só, debaterem as questões relacionadas com as migrações em Portugal e particularmente nos Açores”, referiu.
Leoter Viegas revelou também que a intervenção da AIPA nesta edição teve um carácter propositivo, centrado na necessidade de construção de uma estratégia regional de longo prazo para as migrações, envolvendo o governo regional e os parceiros institucionais.
“A nossa intervenção neste quarto Fórum foi, acima de tudo, deixar aqui uma proposta em jeito de desafio ao governo dos Açores, no sentido de nós, juntos e em parceria, criarmos uma estratégia regional para as migrações”, declarou, explicando que essa estratégia deverá permitir definir uma visão estruturada para o futuro da sociedade açoriana.
“Temos o objetivo fundamental de apresentarmos um documento a médio e longo prazo para aquilo que nós efetivamente queremos para as migrações e como é que nós vemos a sociedade açoriana a médio e longo prazo”, acrescentou Leoter Viegas.
O dirigente alertou ainda para os dados demográficos recentes que evidenciam um envelhecimento significativo da população na Região. Segundo referiu, a população jovem tem vindo a diminuir de forma acentuada, enquanto a população idosa continua a aumentar.
“Os Açores perderam a população com menos de 14 anos em 25%. E a população com idade superior a 65 anos aumentou 33%”, afirmou Leoter Viegas, que acrescentou ainda que as projeções apontam para uma tendência de agravamento nas próximas décadas.
“Em 2060, a população maior de 65 anos aumentará cerca de 76%”, referiu, sublinhando a dimensão do desafio demográfico que a Região enfrenta.
Perante este cenário, defendeu a necessidade de políticas públicas estruturadas que permitam responder a estas transformações, destacando a imigração como uma solução relevante para o equilíbrio populacional. Na sua perspetiva, a integração de novos residentes pode contribuir de forma decisiva para a sustentabilidade da sociedade açoriana.
“A nossa opinião é que uma das formas de mitigar esse fenómeno de envelhecimento da população tem que ver exatamente com uma estratégia de acolhimento, de integração dos imigrantes que vieram viver para os Açores”, concluiu Leoter Viegas.

O diretor do Museu das Flores, na ilha das Flores, nos Açores, Luís Filipe Vieira, considera que a missão da instituição ultrapassa largamente a preservação de objetos e documentos históricos, assumindo-se como um espaço vivo ao serviço da comunidade e do desenvolvimento local. O responsável afirmou que o Museu das Flores é “essencialmente um museu da História da ilha e das suas gentes”, funcionando como instrumento de valorização identitária e também de atração de visitantes.
Em declarações ao Diário da Lagoa, Luís Filipe Vieira, diretor do museu desde 2001, refletiu sobre o papel da instituição, a evolução histórica da ilha açoriana, os desafios da insularidade e o futuro do território, deixando também um convite a quem ainda não conhece a ilha: visitar um lugar marcado pela paisagem, tranquilidade e hospitalidade.
Segundo explicou, o museu permite “fixar valores identitários e práticas históricas já caídas em desuso”, mas também usar esse património “em benefício do presente”, ajudando a captar turismo e a mostrar aquilo que distingue a ilha no contexto açoriano e europeu: “Nada melhor do que a nossa história e aquilo que nos difere dos outros”, sublinhou.
Para Luís Filipe Vieira, o conceito de comunidade deve ser entendido de forma ampla, abrangendo não apenas os residentes permanentes, mas também quem visita temporariamente a ilha.
“Temos a perspetiva do museu ao serviço da sua comunidade e aqui entendemos como comunidade os que cá estão e aqueles que temporariamente partilham a sua existência connosco”, afirmou.
Ao longo do ano, o museu promove iniciativas dirigidas a públicos muito diversos, desde crianças a adultos, numa estratégia de formação de novos públicos e de ligação ao território. O diretor destacou atividades para os mais novos, concertos, exposições de fotografia e pintura, conferências e visitas de campo, explicando que o museu só faz sentido se a população se rever no seu trabalho.
“Se eles não nos acharem nenhum préstimo, seremos apenas um armazém de coisas velhas e era isso que eu gostava que o museu não fosse”, declarou.
Questionado sobre a identidade florentina, Luís Filipe Vieira descreveu a população da ilha como resultado de séculos de cruzamento de povos e culturas.
“Quem somos? Uma amálgama”, resumiu, recordando que às Flores chegaram gentes do território continental português, flamengos, italianos, espanhóis e também contingentes africanos escravizados nos primeiros tempos do povoamento.
Essa mistura, defende, ajudou a moldar uma cultura aberta ao exterior e marcada pela hospitalidade. Citando antigas referências históricas, lembrou que já no século XVI se reconhecia aos florentinos a capacidade de acolher quem aqui chegava em dificuldade:
“Uma das características que ele refere para este povo é que gostavam muito de agasalhar aqueles que aqui aportavam”, assinalou, numa alusão às descrições do cronista açoriano Gaspar Frutuoso.
O nosso entrevistado recordou ainda que a ilha das Flores foi durante séculos ponto de passagem de rotas marítimas entre a Europa, África, Oriente e Américas, acumulando uma herança náutica singular.
“As Flores são um santuário da Arqueologia Subaquática”, afirmou, defendendo que essa riqueza histórica representa uma valência com grande potencial futuro “quer para a história, quer para o turismo e para a própria comunidade”.
Sobre a modernização da ilha, Luís Filipe Vieira entende que o século XX chegou tardiamente às Flores, apontando o ano de 1966 como momento decisivo, com a instalação de uma estação francesa no âmbito de acordos internacionais. Segundo explicou, foi esse processo que trouxe melhorias estruturantes, como o aeroporto, novas estradas, hospital e reforço energético.
Apesar do atraso histórico, mostra-se confiante quanto à evolução recente da ilha, sobretudo em matéria de acessibilidades e telecomunicações.
“Eu sou um otimista. Eu acredito que as coisas avançam, podem não avançar à velocidade que nós queremos, mas as coisas têm melhorado”, referiu. Como exemplo, recordou que há quatro décadas existiam apenas dois ou três voos semanais, enquanto hoje existem “dois ou três diários, já nesta altura do ano”.
Também a chegada da fibra ótica e o acesso digital alteraram profundamente a realidade local.
“Hoje, nas Flores, quem quiser estará tão bem informado e terá uma noção tão objetiva quanto possível da realidade, como quem esteja noutro centro qualquer”, sustentou.
Ao descrever a vivência atual na ilha, o diretor destacou a serenidade social e a qualidade de vida como marcas distintivas.
“As Flores, as suas gentes, sempre foram características de gente calma, serena, ponderada”, disse, acrescentando com humor que tem “um amigo que diz que padece de stress por não ter stress nesta ilha”.
Para quem chega de fora, Luís Filipe Vieira acredita que a principal surpresa é encontrar um território seguro, acolhedor e de enorme valor natural.
“Encontram uma ilha com aquilo que eu acho que hoje em dia não tem preço, que ainda é uma segurança enormíssima. Você vai na rua e ninguém o vai roubar, ninguém vai fazer-lhe qualquer tipo de mal”, afirmou. A isso junta-se uma “paisagem fantástica”, que considera um dos maiores ativos florentinos.
Questionado sobre o futuro, preferiu prudência, reconhecendo que a velocidade da mudança tecnológica torna arriscadas previsões concretas. Ainda assim, deixou uma certeza.
“Tenho a certeza que daqui a 30 ou 40 anos, quando eu já cá não estiver, será de certeza melhor do que é hoje”, enfatizou.
No plano migratório, Luís Filipe Vieira mostrou-se convicto de que a tradição de acolhimento permanece intacta.
“Eu penso que essa gente será sempre bem-vinda nesta ilha”, afirmou.
O responsável recordou várias fases históricas de chegada de pessoas vindas do exterior, desde escravizados africanos aos franceses dos anos 1960, passando por trabalhadores oriundos de países africanos de expressão portuguesa nos anos 1980, afirmando que “uma boa parte deles casaram, estão perfeitamente integrados na comunidade e não se foram embora”.
Na mensagem final dirigida a quem pondera visitar a ilha, o diretor do Museu das Flores reconheceu que os custos de deslocação, alojamento e alimentação ainda constituem um obstáculo.
“Tenho plena consciência que vir às Flores não é uma tarefa barata”, admitiu.
Ainda assim, acredita que a experiência compensa largamente.
“Se encontrarem algumas dificuldades nos custos, outras coisas vão compensá-los, nomeadamente a segurança e a paisagem que é fabulosa”, sustentou.
Luís Filipe Vieira concluiu com um apelo simples e direto: “Nós também somos gente relativamente simpática e acolhedora, penso que valerá sempre a pena uma visita à ilha das Flores”, finalizou.

O novo serviço da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) no balcão da Rede Integrada de Apoio ao Cidadão (RIAC) foi inaugurado no último dia 10 de abril, em Santa Cruz das Flores, na ilha das Flores, Açores, à margem do quarto Fórum das Migrações, numa cerimónia com representantes do governo dos Açores, da AIMA, da RIAC e da autarquia local.
No discurso de lançamento do serviço, o diretor regional das Comunidades do governo dos Açores, José Andrade, destacou o alcance territorial da medida, sublinhando que, “pela primeira vez, vai chegar a Santa Cruz, à Ilha das Flores e ao Grupo Ocidental dos Açores, a possibilidade de os imigrantes aqui residentes, e são muitos, como vimos nos últimos dias, quer nas Flores, quer no Corvo, poderem tratar localmente dos seus assuntos de regularização administrativa, sem terem a necessidade, como até agora acontecia, de se deslocarem a outras ilhas dos Açores”.
José Andrade afirmou também que o novo balcão representa a oportunidade de “levarmos a descentralização ao extremo do arquipélago”, prestando, assim, “uma resposta de proximidade sem precedentes”.
Este responsável acrescentou ainda que, quando o serviço estiver disponível nas nove ilhas, os Açores poderão tornar-se “a região do país com melhor capacidade de resposta local aos cidadãos imigrados em Portugal”.
Por sua vez, o presidente do Conselho Diretivo da AIMA, Pedro Portugal Gaspar, salientou a importância dos protocolos celebrados com o governo regional e com a RIAC, enquadrando a iniciativa numa estratégia de “descentralização efetiva de prestação do serviço de apoio ao migrante” e de regularização documental em todo o arquipélago.
Segundo Pedro Portugal Gaspar, a proximidade territorial traduz-se em melhores resultados, defendendo que “a proximidade e a capilaridade são dados importantes para um melhor acolhimento e uma melhor integração do próprio migrante”, acrescentando que os Açores registam já tempos médios de espera “três vezes inferiores à média nacional”, prevendo que o alargamento da rede permita otimizar ainda mais esse desempenho tanto nos Açores como para efeitos de cálculo da média nacional.
Já o presidente da RIAC nos Açores, Carlos Mateus, considerou tratar-se de “um dia marcante” para a entidade, tanto pelo novo serviço agora disponibilizado como pelo reforço da missão da rede pública açoriana.
Carlos Mateus recordou que a instituição tem vindo a adaptar-se aos novos tempos, descentralizando o contact center regional e criando projetos de proximidade, como o RIAC Móvel, destinado a cidadãos com mobilidade reduzida.
Este profissional, diante do olhar atento das duas assistentes técnicas que atuam no RIAC nas Flores, Eliana Sousa e Marta Castro, destacou ainda que a parceria com a AIMA responde a uma necessidade concreta de justiça territorial.
“Não era muito digno um cidadão que tivesse, em qualquer ilha, de ter de se deslocar a outra ilha para prestar um serviço”, afirmou, acrescentando a importância do crescimento da procura, uma vez que a RIAC atendeu 119 mil pessoas no primeiro trimestre de 2025, um número que subiu para “mais 30 mil atendimentos em loja” face ao período homólogo do ano passado.

Por sua vez, a presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores, Elisabete Noia, saudou a instalação da nova resposta pública, considerando que se trata de “um serviço muito importante aqui para a Ilha das Flores”.
A autarca lembrou que, até agora, a agência mais próxima se situava no Faial ou na Terceira, o que implicava custos acrescidos para quem necessitava tratar da sua situação documental.
“Só para terem uma ideia, para tratar de qualquer assunto, a agência mais próxima era no Faial ou na Terceira, e isso tinha custos acrescidos a quem queria tratar e legalizar a sua situação”, referiu, defendendo que a integração passa também pelo acesso simplificado aos serviços administrativos, sublinhando que o município de Santa Cruz das Flores está “de braços abertos para acolher e para ajudar”.
Para a presidente da autarquia, facilitar processos de legalização, saúde, escola e trabalho representa “um passo importante” para combater a perda demográfica e criar condições para fixar novos residentes nas Flores.
Antes da abertura desta nova valência, a AIMA contava com três lojas nos Açores, nomeadamente em Ponta Delgada, Terceira e Faial.

Entre os dias 7 e 14 de abril, o jornalista e escritor luso-brasileiro Ígor Lopes vai estar presente no arquipélago açoriano para apresentar a sua mais recente obra. Trata-se da segunda edição, revista e ampliada, de: “Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil”, que será lançado em três cenários distintos: Corvo, Flores e Ponta Delgada. Escrito no formato livro-reportagem, o livro oferece uma visão única sobre como as ilhas dos Açores são retratadas e mantidas vivas além-mar, com especial destaque para o papel das Casas dos Açores em vários Estados do Brasil, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Maranhão, Bahia, São Paulo, Espírito Santo e Santa Catarina. A novidade desta edição é a inclusão das informações, após entrevistas, da Casa dos Açores de Minas Gerais, recentemente criada.
Este projeto literário foi apoiado pelo Governo Regional dos Açores, através da Direção Regional das Comunidades, e editado pela Amazon.
“Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil”, segunda edição, revista e ampliada, conta com José Andrade, diretor Regional das Comunidades, e Adélio Amaro, escritor e responsável pela BibliRuralis, como prefacistas. Também José Manuel Bolieiro, presidente do governo regional dos Açores, participa com uma mensagem aos açordescendentes. Daniel Evangelho Gonçalves, historiador, assina o posfácio, por sua vez, a jornalista Paula Machado, da RDP Internacional, é autora de um texto sobre o escritor luso-brasileiro.
Ao longo de 138 páginas estão entrevistas aos presidentes das Casas dos Açores no Brasil, num período entre 2022 e 2026, com o intuito de revelar os contornos que levaram à criação dessas entidades açorianas no maior país da América do Sul. É também examinado o importante trabalho dessas instituições que, há décadas, preservam e promovem a cultura açoriana no Brasil, fortalecendo os laços históricos e culturais entre o arquipélago e a nação irmã de Portugal. Ao ler este livro, mergulhamos na rica história dessas casas, explorando as suas ações e contribuições para fortalecer os laços culturais entre os açorianos e os seus descendentes em solo brasileiro.
“A ideia é que seja um livro vivo, dinâmico, que ganhe novas páginas sempre que o movimento associativo açoriano no Brasil se desenvolve e crie raízes. Por outro lado, mantemos uma memória da criação de cada entidade, com os seus contornos, desafios e ações”, explicou Ígor Lopes
A apresentação de “Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil”, segundo edição revista e ampliada, estará integrada no âmbito do IV Fórum das Migrações 2026, organizado pelo Governo Açoriano.
Por desejo do autor, esta nova edição será apresentada nas ilhas do Corvo e das Flores, ambas pertencentes ao Grupo Ocidental do arquipélago, caracterizando-se pelo seu isolamento, beleza natural, paisagens vulcânicas exuberantes e uma forte ligação ao oceano. Enquanto o Corvo é a menor e mais isolada, marcada pela simplicidade, as Flores destacam-se pela abundância de água e vegetação.
“Por essas razões, decidi levar a visão dos brasileiros e açordescendentes às duas ilhas. Estou feliz por poder, primeiro, conhecer essas duas comunidades e, depois, levar cultura e um pouco de luso-brasilidade, com sabor a Açores, aos corvinos e florenses”, sublinhou Ígor Lopes.
A agenda está organizada da seguinte maneira:
08/04 – Corvo – Salão Nobre da Câmara Municipal do Corvo – 18h30 – Apresentação: Dr. José Andrade, Diretor Regional das Comunidades – Governo dos Açores;
09/04 – Flores – Salão Nobre da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores – 18h30 – Apresentação: Dr. José Andrade, Diretor Regional das Comunidades – Governo dos Açores;
13/04 – Ponta Delgada – Livraria Letras Lavadas – 18h – Apresentação: Dra. Andrea Moniz DeSouza – Presidente da Associação dos Emigrantes Açorianos (AEA).
A primeira edição deste livro passou por diversas ilhas açorianas e pelo Brasil. Esta nova edição teve um pré-lançamento junto da comunidade açoriana e açordescendente no Uruguai e na Argentina, nos últimos dias.
Segundo o autor, “ao escrever “Somos Açores”, senti-me com uma grande responsabilidade de dar voz à resiliência da cultura açoriana longe do seu território de origem”.
“As Casas dos Açores no Brasil são guardiãs de uma identidade coletiva que sobrevive ao tempo e à distância. Espero que este livro inspire um novo olhar sobre a importância dessa preservação cultural. “Somos Açores” faz o caminho inverso de “Açores em Cores”. Este último, lançado em diversas cidades, procurou mostrar o arquipélago para o mundo, com foco também nos lusodescendentes. Agora, “Somos Açores” cruza o oceano saindo do Brasil para desembarcar nos Açores com boas novas. Sim, a açorianidade está viva em outras muitas paragens”, afirmou Ígor Lopes.

As famílias açorianas vão poder candidatar-se, a partir da próxima quarta-feira, 18 de março, a um dos 144 lotes de terreno infraestruturados destinados à construção de habitação própria permanente. O anúncio foi feito pelo presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, em Ponta Delgada, durante uma visita ao loteamento do Biscoito, na freguesia das Feteiras. De acordo com uma nota enviada pela Presidência do Governo Regional às redações, este projeto específico nas Feteiras representou um investimento de 1,4 milhões de euros através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
A oferta agora disponibilizada distribui-se por quatro ilhas, com São Miguel a deter a maior fatia (114 lotes), seguida pelas Flores (14), São Jorge (10) e Santa Maria (6). Segundo a informação governamental, cerca de 80% destes terrenos resultam de um investimento total de 5,5 milhões de euros provenientes do PRR, enquanto os restantes foram financiados pelo Orçamento da Região (ORAA). Durante a visita, na qual esteve acompanhado pela secretária regional da Juventude, Habitação e Emprego, Maria João Carreiro, José Manuel Bolieiro afirmou que a iniciativa visa “reduzir obstáculos” e “dar previsibilidade aos investimentos”, lembrando que alguns destes terrenos estavam identificados há cerca de duas décadas sem nunca terem sido colocados à disposição das famílias.
Para além da cedência do solo, o programa prevê mecanismos de apoio financeiro que podem chegar aos 75 mil euros para a construção e cinco mil euros para projetos de arquitetura e especialidades. Com a recente revisão das condições de acesso no âmbito do ORAA 2026, o universo de beneficiários foi alargado, abrangendo agora agregados com rendimentos brutos mensais até 3.100 euros (no caso de casais com dois filhos). José Manuel Bolieiro sublinhou que o objetivo é responder às dificuldades de acesso ao mercado, sobretudo entre as camadas mais jovens. “Estamos a transformar sonhos em realidades. Queremos criar condições para que os jovens possam ter acesso à sua habitação, algo que hoje é particularmente difícil. O que estamos a fazer é tornar esse caminho menos difícil”, destacou o líder do executivo. Esta estratégia integra um esforço regional que prevê a criação de cerca de duas mil novas respostas habitacionais ao longo da próxima década.

A estação portuguesa TVI prepara-se para lançar “Terra Forte”, a nova grande produção da ficção nacional lusa, que promete unir paisagens deslumbrantes e emoções intensas entre os Açores e o Brasil. A trama, escrita por Maria João Costa, autora de sucessos como “Ouro Verde” e “Cacau”, conta com a coprodução da Plural Entertainment e da plataforma Prime Video.
Com gravações iniciadas em julho deste ano, a novela percorreu inicialmente o estado brasileiro de Santa Catarina, no Sul do país, seguindo depois para a ilha das Flores, nos Açores, onde decorrem cenas em locais como a Fajã Grande e Santa Cruz das Flores. É ali que se desenrolam os primeiros capítulos da história protagonizada por Flor (Benedita Pereira) e António (João Catarré), casal central desta narrativa marcada por reviravoltas dramáticas e encontros do passado.
A personagem de Flor, dada como morta no Brasil, regressa quase duas décadas depois aos Açores determinada a recuperar a sua história, confrontando verdades ocultas e traições antigas. Ao reencontrar Sammy, o homem que a amou, e descobrir que ele casou com a sua melhor amiga, Maria de Fátima, a protagonista mergulha num enredo de suspense emocional, com um passado que a liga a uma tentativa de homicídio em alto-mar. Ao seu lado está António, com quem mantém uma relação sólida, e que a apoia no regresso a Florianópolis para enfrentar as dores do passado.
O elenco conta com nomes como Rita Pereira, José Fidalgo, Custódia Gallego, Francisca Salgado, Gustavo Alves, Sofia Nicholson, entre outros. As gravações em estúdio tiveram início a 28 de julho, nas instalações da Plural, em Bucelas, Lisboa, e a estreia está prevista para breve.

Em entrevista ao Diário da Lagoa, a secretária de Estado do Turismo de Santa Catarina, Catiane Seif, explica como surgiu a parceria entre o Governo de Santa Catarina e a produção da novela “Terra Forte”.
“Com a abertura do voo da TAP, o destino Santa Catarina despertou o interesse da Europa. Além da forte ligação histórica entre cidades geminadas de Santa Catarina e Portugal, iniciamos uma aproximação com a TVI em março, durante a BTL (Bolsa de Turismo de Lisboa). Outro fator que ajudou muito é termos um governador visionário que acredita na internacionalização do Estado e apoia estratégias inovadoras e pioneiras que visam impulsionar o turismo, e assim, nossa economia”, diz.
E acrescenta: “Em vez de focar em cidades e locais específicos, decidimos destacar o Estado de Santa Catarina por inteiro. Dessa forma, conseguimos mostrar a diversidade e a qualidade das nossas paisagens, que vão desde as belas praias do litoral até as serras. A ideia é mostrar que Santa Catarina oferece múltiplas experiências num só lugar. A equipa de produção e o elenco ficaram entusiasmados e surpresos com as belezas naturais que encontraram. Eles expressaram o desejo de abordar mais a cultura e os lugares, pois consideram o Estado completo e com uma vasta diversidade. Mesmo com as filmagens tendo ocorrido no inverno, os atores conseguiram aproveitar os momentos ensolarados e os belos pores do sol”.
A novela, ainda em fase de gravações no arquipélago, estabelece uma forte ligação entre os Açores e o Brasil, especialmente com Santa Catarina, estado historicamente marcado por influências açorianas, pontos que, de acordo com Catiane Seif, foram valorizados durante os trabalhos em solo brasileiro.
“Conseguimos captar a forte ligação entre o nosso Estado e Portugal através de cenas que destacaram a gastronomia, a arquitetura similar e o modo de vida da nossa gente, preservando a herança cultural açoriana”, refere a secretária, que não esconde o desejo de conhecer o resultado desta iniciativa: “As nossas expetativas são altas.”
Por sua vez, o diretor regional das Comunidades do Governo dos Açores, José Andrade, adianta que “a gravação de uma novela portuguesa na ilha das Flores e na ilha de Santa Catarina demonstra que a cultura pode estar – e tem estado – ao serviço das históricas relações entre os Açores e o Brasil”.
“A “Terra Forte” começa no extremo ocidental dos Açores, de Portugal e da Europa, com filmagens na freguesia da Fajã Grande ou na vila de Santa Cruz, e chega até emblemáticos lugares catarinenses de povoamento açoriano, como Santo António de Lisboa ou Ribeirão da Ilha, ficcionando uma história de emigração que será vista em mais de 90 países durante 10 meses de exibição. Quase três séculos depois, revisitamos assim, ainda que simbolicamente, a saga heróica dos casais açorianos que foram povoar o Sul do Brasil a mando da coroa portuguesa, sucessivamente em Santa Catarina (1748), no Rio Grande do Sul (1752) e até no Uruguai (1763)”, adianta.
Para José Andrade, “esta produção televisiva tem fundamento no passado, mas tem, sobretudo, potencial para o futuro, na medida em que promove e valoriza a notoriedade e o relacionamento da Região Autónoma dos Açores e da sua décima ilha”.
Santa Catarina conta com uma Casa dos Açores, constituída por descendentes de açorianos que chegaram a Santa Catarina entre 1748 e 1753 e por simpatizantes da Açorianidade. A entidade, liderada por Sérgio Luiz Ferreira, é conhecida por ter um perfil diferente da maioria das Casas dos Açores, já que não é constituída por pessoas nascidas nos Açores, mas por descendentes de sexta, sétima, oitava e nona geração. Fundada em dezembro de 1999, a Casa promove o desenvolvimento social, económico e cultural das comunidades de raiz açoriana no Estado de Santa Catarina.

A primeira pedra da empreitada de construção do novo Porto das Lajes das Flores, nos Açores, foi lançada este domingo, 19 de maio. O Porto foi destruído em outubro de 2019 pelo furacão ‘Lorenzo’ e seriamente atingido, em dezembro de 2022, pela depressão ‘Efrain’.
A obra, orçada em mais de 200 milhões de euros e adjudicada pela Portos dos Açores, S.A., segundo disse a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, “não é o culminar do processo, mas um dos momentos mais marcantes dos últimos anos, que só foi possível atingir com muita resiliência e uma inabalável convicção de todos os florentinos e toda a estrutura do Governo”.
“Hoje, vira-se a página e inicia-se, finalmente, a construção daquela que foi explicitamente considerada a obra mais importante do Governo dos Açores. Desde a primeira hora, empenhámos todos os nossos esforços para assegurar a sua adequação técnica; para garantir o seu financiamento; e efetivar a sua construção tão depressa quanto o possível”, vincou.
Esta obra, prosseguiu, “é, também, o testemunho vivo da resiliência de um povo, da solidariedade regional e da abnegação governativa”.
Berta Cabral disse também que o investimento total na construção do novo Porto das Lajes das Flores “ascende a cerca de 230 milhões de euros, com um valor de adjudicação de 194,83 milhões de euros, acrescido de IVA – este é o maior investimento de sempre numa infraestrutura portuária dos Açores”.
Com conclusão agendada para 2030, a empreitada foi candidatada ao programa Sustentável 2030, com um valor elegível superior a 197 milhões de euros, garantindo um financiamento comunitário de 85%, no valor de cerca de 167,5 milhões de euros. No entanto, exigirá ao Orçamento regional um esforço superior a 30 milhões de euros, ao longo dos próximos cinco anos, para a sua efetivação.
Foram ainda investidos 50 milhões de euros em várias empreitadas estruturais no Porto das Lajes das Flores, incluindo a construção de uma nova ponte-cais e de uma proteção de emergência.
Segundo comunicado da Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, após a tempestade Efrain, projetou-se, contratou-se e concluiu-se um molhe de proteção de emergência para a nova ponte-cais, que permitiu uma melhoria substancial da operacionalidade do porto e retomar alguma normalidade do abastecimento.
Na emergência que se verificou em janeiro último, foi acionado o apoio logístico da SATA e da Força Aérea Portuguesa para assegurar o fornecimento de bens essenciais à população.
“Tudo isto foi feito com sentido de missão, reconhecendo que em cenários de crise as dificuldades são maiores e são sempre sentidas com mais impacto por quem vive as situações de perto. O transporte marítimo de mercadorias nos Açores é, e sempre será, um desafio estrutural”, disse Berta Cabral.
Para secretária regional, “o novo Porto das Lajes das Flores é, neste contexto, absolutamente vital, mas não é a única intervenção”.
“Nos últimos três anos, investimos mais de 168 milhões de euros em portos e equipamentos portuários em todas as ilhas. Adotámos soluções de curto prazo, lançámos estudos sobre o modelo logístico e contratual e criámos grupos de trabalho com os armadores, com vista à modernização do nosso sistema de abastecimento”, sustentou.
A empreitada em questão, adjudicada ao consórcio Tecnovia Açores, Etermar, Teixeira Duarte e Marques SA, compreende a reconstrução do molhe-cortina e respetivo prolongamento em cerca de 95 metros, além da construção de um novo cais com 170 metros de comprimento, com fundos de serviço de -9 metros (ZH) e plataforma de 40 metros de largura (aqui se inclui a construção do novo edifício da gare de passageiros e de apoio às operações portuárias), e da reabilitação de todas as redes técnicas gerais (água, energia elétrica, iluminação pública, CCTV e combustíveis).
Durante os trabalhos de construção, o Governo regional assegura que estará garantida a movimentação de mercadorias e passageiros por via marítima de e para aas Flores, precisamente devido às obras de proteção de emergência entretanto realizadas no local.
A mesma empreitada visa reconstruir as infraestruturas portuárias danificadas, adotando soluções que permitam dotar o Porto das Lajes das Flores de melhores condições de operacionalidade, segurança e resiliência, como melhorar as condições de abrigo na bacia portuária, aumentar os fundos de serviço do cais, criar redundâncias para garantir a permanente disponibilidade de cais e separar os diversos setores portuários, para melhorar o seu funcionamento e minimizar os riscos de acidente.

O radar meteorológico localizado no Morro Alto, na ilha das Flores, nos Açores, foi inaugurado esta segunda-feira, 24 de março, anunciou o Governo regional dos Açores.
O líder do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro, presente na ocasião, sublinhou que este investimento reforça o papel dos Açores como “uma região de oportunidades” e um ponto estratégico para a partilha de conhecimento científico no contexto transatlântico.
“Os Açores não são apenas uma fronteira geográfica, mas uma referência estratégica que fortalece a relevância de Portugal no cenário internacional”, afirmou.
De acordo com nota de imprensa enviada às redações, este radar representa um investimento global de cerca de 4,9 milhões de euros. Além do radar das Flores, foi também instalado um segundo radar meteorológico em São Miguel, no Pico dos Santos de Cima. O projeto incluiu ainda duas estações meteorológicas e dois detetores de descargas elétricas, localizados no aeroporto de Santa Cruz das Flores e no Nordeste.
Os novos radares utilizam tecnologia Doppler de polarização dupla, capaz de detetar precipitação, granizo e saraiva num raio de até 300 km. Esta capacidade permite monitorizar com precisão e em tempo real as condições atmosféricas, avaliar a intensidade das precipitações e prever o deslocamento de tempestades. As informações recolhidas são visualizadas em imagens atualizadas de 5 em 5 minutos, essenciais para meteorologistas e para a emissão de avisos tempestivos à população e aos serviços de proteção civil.
A conclusão destes radares nos Açores completa a rede nacional de radares meteorológicos, um projeto iniciado nos anos 80 do século XX.
“Esta rede é fundamental para a deteção e monitorização de fenómenos meteorológicos adversos, contribuindo para a segurança das populações e a proteção de bens materiais”, sublinhou José Manuel Boleiro.
Para além do valor científico e estratégico, o radar representa uma melhoria significativa na capacidade de previsão meteorológica, beneficiando setores como a navegação marítima e aérea, a agricultura e a proteção civil. A capacidade de ‘nowcasting’ — previsão de curto prazo até três horas — aumenta a capacidade de resposta a fenómenos extremos, proporcionando maior segurança à população e visitantes.
O governante destacou ainda que a instalação destes radares cumpre um direito dos Açores a uma vigilância meteorológica adequada.
“Estamos a investir na segurança das nossas populações. Os Açores valem muito mais, faremos por potenciar este investimento”, concluiu.

O Farol do Albarnaz é, a par do Farol da Ponta das Lajes, localizado a sul da ilha das Flores, responsável pelo assinalamento marítimo dos que navegam no grupo ocidental do arquipélago dos Açores e esta terça-feira, 28 de janeiro, o farol celebrou o seu centenário.
As comemorações contaram com a presença do chefe do departamento Marítimo dos Açores, comodoro Paulo Conceição Lopes. O diretor de Faróis, comandante Pedro Miranda de Castro, e representantes da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores, entre outras entidades locais, também marcaram presença.
Na ocasião, o chefe do departamento Marítimo dos Açores destacou que “este farol não é apenas uma luz física”, mas “também uma luz simbólica, que representa a força e a união de Portugal e, em particular, do povo açoriano”. O comodoro Paulo Conceição Lopes realçou ainda “as histórias que ele guarda, de faroleiros dedicados que, com coragem e determinação, garantiram que a luz nunca se apagasse”, tendo reconhecido o mérito dos três faroleiros que prestam serviço no farol mais ocidental da Europa.
A celebração enquadrou-se no centenário da direção de Faróis, organismo da Autoridade Marítima Nacional responsável pelos faróis e demais estruturas de assinalamento marítimo em Portugal, bem como pelo estabelecimento dos procedimentos de natureza técnica de assinalamento e posicionamento marítimo.