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Escola de Água de Pau consolida aposta na formação de adultos

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 A Escola Básica/Integrada de Água de Pau continua a consolidar a aposta na formação de jovens e adultos através dos cursos de educação e formação, opção educativa que tem vindo a transformar percursos de vida e a gerar impacto positivo junto da comunidade.

Desde o ano letivo 2020/2021, a escola já certificou cerca de setenta formandos, proporcionando a muitos jovens e adultos a oportunidade de concluir etapas essenciais do seu percurso escolar e abrir novas perspetivas pessoais e profissionais. Ao longo destes anos, onze formandos concluíram o 2.º ciclo, trinta obtiveram certificação do 3.º ciclo e vinte e nove finalizaram o ensino secundário.

Embora a maioria dos formandos seja proveniente do concelho da Lagoa, a escola tem recebido também participantes da Ribeira Grande, de Ponta Delgada e das Furnas, sinal do interesse que esta resposta educativa tem vindo a despertar em diferentes localidades da ilha.

O órgão executivo da escola considera que esta oferta formativa tem contribuído para criar oportunidades de qualificação e valorização pessoal junto de jovens e adultos da comunidade, conciliando educação, vida profissional e desenvolvimento pessoal.

Para muitos dos formandos, voltar à escola significou muito mais do que obter um diploma: significou recuperar confiança, abrir novas portas e redescobrir capacidades. É esse impacto humano e social que a Escola Básica/Integrada de Água de Pau pretende continuar a reforçar no próximo ano letivo.

Na sequência deste trabalho, a escola volta a disponibilizar, no próximo ano letivo, os cursos de educação e formação de adultos, em regime noturno, no âmbito do Programa Reativar, encontrando-se as inscrições abertas até ao próximo dia 20 de junho de 2026.

Os cursos destinam-se a adultos que pretendam concluir o 2.º ciclo, o 3.º ciclo ou o ensino secundário. Os cursos de nível básico dirigem-se a candidatos com idade igual ou superior a 18 anos, enquanto o curso de ensino secundário – Tipo A –destina-se a formandos com idade mínima de 23 anos, admitindo-se excecionalmente candidatos que completem essa idade até três meses após o início da formação.

Equipas de Saúde Escolar dos Açores recebem formação em Ponta Delgada para apoiar alunos com necessidades especiais

A iniciativa, promovida pela Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social entre os dias 19 e 21 de maio, visa capacitar os profissionais da região para a deteção precoce e intervenção sistemática junto de crianças e jovens em contexto escolar

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As Equipas de Saúde Escolar da Região Autónoma dos Açores estão a participar, em Ponta Delgada, numa ação de formação focada no “Suporte a crianças e jovens com Necessidades de Saúde Especiais na escola”. A iniciativa, que decorre entre os dias 19 e 21 de maio, é promovida pela Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social, através do Programa Regional de Saúde Escolar, conforme informou o departamento governamental em nota de imprensa. Este investimento na qualificação dos profissionais visa estreitar a articulação entre a saúde e a educação nas ilhas, tendo como principal objetivo reforçar a capacitação técnica para a deteção precoce e para a intervenção sistemática junto dos alunos que enfrentam estes desafios no seu quotidiano escolar.

O encontro de trabalho conta com a participação de especialistas de reconhecido mérito e com experiência consolidada na área, promovendo a partilha de conhecimento científico e de boas práticas para robustecer a capacidade de resposta regional. O painel de formadores convidados integra Eva Menino, docente e investigadora na área da enfermagem comunitária; Maria do Céu Pires, docente e investigadora com atividade académica centrada na saúde infantil, comunitária e inclusão escolar; Leonel Lusquinhos de Sousa Oliveira, enfermeiro, docente e presidente da Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Escolar; e Ana Granadeiro, enfermeira especialista em saúde comunitária com intervenção direta nesta área.

Através deste programa formativo, a Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social refere, em comunicado, que reafirma o compromisso com a valorização do conhecimento científico aplicado à prática diária, procurando garantir decisões clínicas e organizacionais mais informadas que resultem em respostas integradas, inclusivas e equitativas para a comunidade escolar açoriana.

Sucesso na segunda edição do Curso de Preparadores de Animais de Carne Reforça Competências na Associação Agrícola

Formação de 30 horas no Parque de Leilões de São Miguel capacitou dez jovens para os grandes palcos da pecuária açoriana, com destaque para o domínio dos formandos das Furnas na avaliação final

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O Parque de Leilões da Associação Agrícola de São Miguel foi o palco da segunda edição do Curso de Preparadores de Animais de Carne para Concursos, uma iniciativa que, entre os dias 27 e 30 de abril, reuniu dez formandos em torno da excelência no maneio e apresentação pecuária. Segundo nota enviada pela Associação Agrícola de São Miguel ao Diário da Lagoa, a formação, que totalizou 30 horas, surge de uma parceria estratégica com o Serviço de Desenvolvimento Agrário de São Miguel, visando dotar os participantes de competências técnicas cruciais para a valorização de exemplares de carne em mostras e concursos de elite.

Sob a orientação técnica de Luís Paninho — nome reconhecido pela vasta experiência na preparação de animais das raças Holstein Frísia e de carne — os alunos enfrentaram o desafio de trabalhar individualmente com um animal, aplicando na prática conceitos de higiene, tosquia, tratamento de pelo e a complexa arte da condução em pista.

O culminar desta formação ocorreu no último dia com uma simulação de concurso, onde o rigor da avaliação determinou os vencedores por categorias. No domínio da preparação estética, Noel Costa Vieira, das Furnas, conquistou o primeiro lugar, seguido por Paulo César Costa Rego, também das Furnas, e Hugo Miguel Medeiros Botelho, das Calhetas. Já na categoria de manejadores, que avalia a perícia na condução do animal perante o juiz, a freguesia das Furnas voltou a estar em evidência com Adriano Melo Teixeira a garantir o lugar mais alto do pódio, acompanhado novamente por Paulo César Costa Rego na segunda posição e Gonçalo Ernesto Rebelo Tavares, de Santa Bárbara, no terceiro posto.

Este evento não serviu apenas para entrega de prémios e convívio, mas funcionou como o derradeiro ensaio para a grande feira agrícola que se avizinha. Entre os dias 13 e 17 de maio de 2026, estes novos técnicos terão a oportunidade de demonstrar o valor da formação recebida durante os concursos pecuários integrados no certame, reforçando a competitividade e a qualidade que definem o setor agrícola micaelense.

Festa do andebol de formação no Faial

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A realizar pelo quinto ano consecutivo, o encontro açoriano de miniandebol será realizado na cidade da Horta, ilha do Faial, entre os dias 1 e 3 de maio. A festa do andebol de formação contará com uma participação recorde de nove equipas em representação de sete clubes oriundos de quatro ilhas.

Estes números demonstram a vivacidade da modalidade nos Açores pois, no Faial, estarão cerca de uma centena de crianças, com idades entre os 7 e 12 anos. No total dos três dias de encontro serão realizados mais de trinta jogos.

A organização está a cargo da União das Associações de Andebol dos Açores e conta com o apoio logístico da Associação de Andebol da Ilha do Faial. Estarão presentes árbitros das ilhas Terceira e Santa Maria e também da Guarda.

Para além da atividade desportiva, a organização preparou também uma vertente lúdica para os jovens, de modo que possam conviver, interagir entre si e construir novas amizades.

Parque de Santana acolhe desfile final do maior curso de sempre de preparadores de animais

O 18.º Curso de Preparadores e Manejadores de Animais para Concursos encerra esta quinta-feira com provas práticas em pista, reunindo um número recorde de 80 participantes que asseguram o futuro da raça Holstein-Frísia em São Miguel

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O Parque de Exposições de São Miguel, em Santana, na Ribeira Grande, será o palco, esta quinta-feira, 2 de abril, da sessão de encerramento do 18.º Curso de Preparadores e Manejadores de Animais para Concursos. Entre as 11h00 e as 13h00, os formandos serão submetidos a provas de avaliação onde demonstrarão os conhecimentos adquiridos através de um desfile de animais em pista, culminando com a cerimónia de entrega de prémios. Segundo a nota enviada pela organização, a cargo da Cooperativa União Agrícola e da Associação Agrícola de São Miguel, a edição deste ano destaca-se pelo sucesso histórico de adesão, contando com 80 participantes — o número mais elevado de sempre registado nesta formação.

Dedicado à raça Holstein-Frísia, o curso decorre desde o passado dia 30 de março, abrangendo uma faixa etária alargada que vai dos quatro aos 45 anos. A iniciativa tem-se consolidado como uma referência regional na capacitação para concursos pecuários, oferecendo aos alunos, ao longo de quatro dias, uma aprendizagem completa que inclui desde a lavagem e tosquia até à alimentação e apresentação estética dos animais. Sob a orientação técnica de Pedro Campos Silva, formador com vasta experiência em certames nacionais e internacionais, os participantes têm a oportunidade de aprender com um dos nomes mais reconhecidos do setor.

A organização sublinha que a forte afluência de crianças e jovens é o principal motor desta aposta contínua. O curso tem atraído não só descendentes de famílias ligadas à lavoura, mas também participantes sem qualquer ligação prévia ao setor primário, funcionando como uma ponte de proximidade com o mundo agropecuário. O impacto da formação ultrapassa as fronteiras da ilha, contando este ano com um formando vindo de Portugal continental e com a participação ativa de alunos da Escola Profissional da Ribeira Grande, reforçando o espírito de convívio, a partilha de experiências e o respeito pelo bem-estar animal.

Setor da beleza e estética em destaque no Cineteatro Lagoense

Evento promovido pela associação regional reuniu profissionais na Lagoa para um dia de formação técnica e reconhecimento institucional. Frederico Sousa diz que setor tem impacto na economia local e na criação de emprego

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O Cineteatro Lagoense Francisco D’Amaral Almeida acolheu, este domingo, 29 de março, um encontro, organizado pela Associação de Cabeleireiros, Barbeiros e Esteticistas dos Açores, que serviu de palco para a partilha de conhecimentos e demonstrações práticas.

A abertura do evento ficou marcada pela entrega de prémios de reconhecimento institucional, distinguindo o presidente da Câmara da Lagoa, Frederico Sousa, e a presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Rosário, Lucrécia Rego. O galardão visou enaltecer o apoio público ao desenvolvimento deste setor na região. No campo empresarial, foram também distinguidas as firmas Oliveira Pneus, Amaral & Carocha – Cosméticos, Lda e Zodíaco Ecológico – Unipessoal Lda.

Durante a sua intervenção, o autarca Frederico Sousa destacou a relevância estratégica destas iniciativas. “Eventos como este são fundamentais para valorizar os profissionais, promover a qualificação contínua e reforçar a competitividade de um setor que tem um impacto direto na economia local e na criação de emprego”, afirmou o presidente da câmara, reiterando o compromisso do município em apoiar a inovação através de ferramentas como o “Lagoa Investe”, regulamento destinado ao estímulo do tecido económico e dos pequenos negócios do concelho.

A componente formativa esteve a cargo da formadora Hanna Vasko. Ao longo do dia, a especialista conduziu sessões práticas focadas na gestão de tempo e na qualificação do atendimento, partilhando estratégias para a otimização do trabalho diário em gabinete. O programa sublinhou a importância da diferenciação do serviço e o papel essencial que estes profissionais desempenham na promoção da qualidade de vida da comunidade lagoense.

Universidade e Ordem debatem justiça social e regulação profissional na Lagoa e Ponta Delgada

Dia Mundial do Serviço Social assinala-se a 17 de março com aula aberta na academia açoriana e descerramento de placa institucional na sede do concelho da Lagoa

© DIÁRIO DA LAGOA

A Universidade dos Açores e a Ordem dos Assistentes Sociais unem-se, no próximo dia 17 de março, para assinalar o Dia Mundial do Serviço Social com um programa dedicado à reflexão sobre a justiça social e o papel da regulação profissional. Segundo uma nota enviada pela organização, as comemorações arrancam pelas 14h00 no Auditório VIII da academia açoriana, em Ponta Delgada, com uma aula aberta sob o mote “Serviço Social nos Açores: Co-construir uma sociedade mais justa e o papel da regulação profissional”. A iniciativa pretende reunir estudantes e profissionais para debater os desafios da profissão na defesa dos direitos humanos e na coesão comunitária.

A sessão de abertura do evento contará com a participação da representante da ordem dos assistentes sociais para os açores, da diretora da licenciatura em serviço social da universidade e da presidente do núcleo de estudantes da mesma área. O programa inclui uma conferência sobre a construção de sociedades plurais e um painel de reflexão focado na responsabilidade pública e na ética da intervenção social, contando com a presença de representantes regionais e nacionais da ordem. O tema deste ano, “Co-Construir Esperança e Harmonia”, sublinha a importância da ação coletiva e da solidariedade na resposta às necessidades das populações mais vulneráveis do arquipélago.

O programa comemorativo terá um momento de especial relevo na sede do concelho da Lagoa, pelas 17h30, com o descerramento da placa do núcleo territorial dos açores da ordem dos assistentes sociais. Este ato simbólico marca a afirmação institucional da profissão na região e o encerramento das atividades contará com um porto de honra oferecido pelo presidente da câmara municipal da lagoa. A participação em todas as atividades é livre e aberta ao público em geral, sendo particularmente dirigida a quem atua ou estuda na área social.

Abertas pré-inscrições na Escola Diocesana de Formação

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Estão abertas as pré-inscrições para os diferentes cursos da Escola Diocesana de Formação da mais nova instância formativa do Seminário Episcopal de Angra e do Serviço de Coordenação da Formação Diocesana.

O organismo foi criado com a missão de proporcionar aos fiéis uma formação cristã sólida e aprofundada, que os capacite a compreender, viver e testemunhar a fé de modo consciente e esclarecido.

Existem três modalidades de formação. O Curso Básico de Teologia – dirigido a todos os que desejam aprofundar o conhecimento da fé cristã de forma estruturada e pastoralmente enraizada. Destina-se, de modo particular, a leigos comprometidos nas comunidades, catequistas, agentes pastorais e membros de movimentos e serviços da Igreja. Este curso oferece uma formação integral que alia o saber teológico à experiência espiritual e comunitária;

A Formação para Ministérios Instituídos – destinada aos fiéis chamados ao serviço como Leitores e Acólitos, e em breve também para os ministérios do Catequista e da Caridade. Esta formação visa preparar os candidatos para o exercício responsável e espiritual dos seus ministérios, cultivando uma autêntica espiritualidade do serviço e do compromisso eclesial;

E, por fim, os Cursos Livres – uma modalidade flexível e personalizada, aberta a todos os que desejem aprofundar a fé de forma gradual e adaptada aos seus interesses. O aluno pode escolher entre diversas áreas, como Sagrada Escritura, Liturgia, Teologia Moral, História da Igreja, Doutrina Social da Igreja e Espiritualidade, sem obrigação de seguir um percurso fixo.

As pré-inscrições e informações detalhadas sobre cada curso já se encontram disponíveis no sítio online da escola.

Forest Mind: “Há um sentimento de pertença quando estamos na natureza, algo que não se explica”

Em São Miguel, nos Açores, a natureza pode ser sinónimo de terapia: o método Forest Mind ganhou novos guias entre estudantes do curso de Serviço Social que têm agora uma nova ferramenta para acalmar a mente e encontrar paz na ligação com o verde da ilha

© DL

O professor e investigador Eduardo Marques, da Universidade dos Açores (UAc), que apresentámos numa entrevista publicada na edição de janeiro do Diário da Lagoa (DL), tem trabalhado nas suas aulas uma corrente do Serviço Social designada de Eco Serviço Social. Paralelamente, tem escrito sobre “as terapias da natureza no combate à exclusão social e como estratégia para lidar com a saúde mental no contexto da intervenção em crise e com vítimas de desastres naturais”.

O professor, natural de Coimbra, mas residente em São Miguel desde 2018, trouxe este ano aos Açores a formação “Guias em Forest Mind”, que decorreu nos dias 31 de janeiro e 1 de fevereiro na UAc.
Para Eduardo Marques, este método é mais uma ferramenta no contexto dos estudos e, por isso, convidou a formadora Katriina Kilpi a visitar os Açores.

Katriina Kilpi, residente na Bélgica há cerca de 19 anos, é finlandesa, tal como o método criado em 2014 por Sirpa Arvore.

Katriina Kilpi viajou da Bélgica até São Miguel para ministrar a formação na Universidade dos Açores © ANTÓNIOPATRÃO

Trata-se de um programa de treino de competências mentais. São “banhos de floresta” que aliviam o stress, mas também estimulam a parte cognitiva.
“O objetivo é colocar toda a atenção na experiência vivida na caminhada, para conectar e relaxar o corpo e a mente, de modo a atingir uma tranquilidade profunda que abra possibilidades de introspeção, atenção plena, autoconsciência e capacidade de refletir sobre as nossas próprias situações individuais”, conforme explica o folheto de apresentação da iniciativa.

O método conta já com mais de 500 instrutores qualificados, a maioria localizados na Finlândia, bem como na Bélgica, Países Baixos, República Checa e, agora, também em Portugal e Açores.

No primeiro dia de formação, os participantes tiveram um primeiro contacto com os conceitos. No segundo dia, com a presença do DL, houve lugar para debate em ambiente de aula, seguido de atividade ao ar livre. Nesse momento, surgiu a pergunta:

“O que faz dos Açores um dos melhores sítios para a prática do Forest Mind?”

© DL

A formadora finlandesa defende que o método pode ser praticado em qualquer lugar, mas que os Açores são um local perfeito pela natureza envolvente.

Ao DL, Katriina Kilpi revela que a vida dedicada ao Forest Mind é algo que “não escolheu”, foi o Forest Mind que a escolheu. E conta que, a certa altura da sua vida, percebeu que “queria trabalhar com pessoas” e que a sua paixão é simplesmente que “vejam o quão maravilhosa a natureza é, porque tem tudo o que precisamos”.

Acrescenta que, através da natureza, “se conseguirmos encontrar a paz em nós mesmos, também podemos tornar-nos mais pacientes para com os outros”. O Forest Mind “é realmente maravilhoso nesse ponto”, porque “somos parte da natureza e é, por isso, o melhor lugar para exercitar as nossas habilidades mentais, uma vez que a tranquilidade que encontramos na natureza tem a capacidade de nos acalmar”.

Os alunos passaram a tarde a realizar exercícios ao ar livre, apreciando pormenores que confessaram nunca ter observado, devido à aplicação da atenção e foco no momento presente. Em alguns exercícios, Katriina convidava-os a caminhar lentamente, a prestar atenção aos sons, aos elementos presentes e até a aceitar o ruído da azáfama citadina que não escapa ao ambiente universitário. No final de cada exercício, formavam um círculo para debater as ideias e partilhar a experiência de cada um.

Igualmente presente, conhecemos Leónia Nunes, de 44 anos. Natural da ilha da Madeira, deixou-a aos 18 anos para prosseguir os estudos em Coimbra, residindo agora em Lisboa. É formada em engenharia florestal, com mestrado e doutoramento pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Atualmente, trabalha no Instituto Superior de Agronomia (ISA), na Universidade de Lisboa, como investigadora no Centro de Ecologia Aplicada “Prof. Baeta Neves”.

Ao nosso jornal, clarifica como descobriu o Forest Mind. No âmbito de uma ida a um evento final de dois projetos europeus, em Bruxelas, em 2023, relacionados com a floresta urbana, uma das atividades exteriores consistia em praticar o método num parque.

“Eu já tinha tido bastante contacto com os banhos de floresta, inclusive tinha participado em conferências e em várias atividades, mas ainda não tinha tido contacto direto com o Forest Mind. Portanto, coincidentemente, neste evento científico, tive contacto através de um passeio guiado por Katriina Kilpi”, recorda.

Leónia Nunes foi a responsável por trazer o método Forest Mind para Portugal © ANTÓNIO PATRÃO

“Fiquei fascinada com a abordagem, muito mais integrativa, no meu ponto de vista, do que os banhos de floresta, porque vai buscar a parte sensorial dos banhos de floresta, mas, para além disso, introduz exercícios de presença e de reflexão que, de certa forma, nos possibilitam adquirir competências mentais com a natureza”.

Leónia Nunes justifica que foi algo que a “atraiu bastante”, porque considerou “que podia ser uma ferramenta bastante útil” para o mundo da investigação e da universidade, “em que o stress é elevado, e também para o mundo cooperativo”.

Foi assim que, depois, “quis imenso trazer a abordagem para Portugal e, através do centro de investigação onde trabalho e também da Sociedade Portuguesa de Ciências Florestais, da qual sou vice-presidente, organizei o primeiro evento para formar Guias em Portugal”.

A investigadora madeirense recorda que foi realizado na Tapada da Ajuda, onde está sediado o Instituto Superior de Agronomia, e que, nesse evento, foram formados 14 Guias em Forest Mind, sendo ela a primeira em Portugal.

Leónia conclui que se trata de “podermos estar na natureza e usá-la como veículo para chegarmos às nossas respostas”.

Segundo Leónia Nunes, na sequência de uma segunda edição, o professor Eduardo Marques ficou a saber que existia esta abordagem em Portugal e entrou em contacto para que fosse realizada a formação nos Açores.

“É a primeira vez que ela está a acontecer fora de Lisboa, nos Açores, e acho que é uma oportunidade extraordinária que estes jovens estão a ter de possuir uma ferramenta altamente valiosa, que podem aplicar não só para eles próprios, nas suas vidas, como também para as pessoas com quem vão lidar no futuro nas suas profissões”.

A investigadora do ISA explica ainda que, na perspetiva dos alunos de Serviço Social, “mais tarde poderão utilizar o método para trabalhar com famílias, crianças e com todas as pessoas no geral, ou aplicar a grupos específicos, seja num quintal, parque ou jardim”.

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Quanto aos Açores, realça que “é este verde contínuo”, enquanto acrescenta que “o verde é a cor que o olho humano mais tonalidades consegue detetar. E também nós, seres humanos, evoluímos através da natureza, então há um sentimento de pertença, quando nós estamos na natureza, algo que a gente não explica”. A investigadora salienta que a ideia de praticar no jardim da universidade foi de “mostrar aos jovens que em qualquer espaço é possível”. “Mesmo no campus, eles podem ir até ao pé de um espaço verde, de uma árvore e fazer um exercício para eles próprios”.

Trata-se de “observar os pensamentos, ver as coisas com outra perspetiva, porque quando estamos num estado de stress, a natureza permite-nos serenar um pouco e abrir a perspetiva para ver melhor a solução”.

Para Ana Domingues, 23 anos, uma das estudantes de Serviço Social, “a experiência na formação foi verdadeiramente transformadora. Mais do que um simples contacto com a natureza, cada momento tornou-se uma oportunidade para desacelerar, observar e sentir tudo o que nos rodeia, permitindo-me perceber o impacto positivo que a natureza tem na mente e no corpo”.

Por fim, o investigador Eduardo Marques conclui: “a minha avaliação da iniciativa é muito positiva, pois trouxemos para os Açores conhecimentos e competências que não existiam na região”.

Testemunhos

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Catarina Fróes Faria 21 anos, Maia, Ribeira Grande

“A experiência foi muito enriquecedora. A formação em Forest Mind proporcionou-me uma nova perspetiva sobre o tema, com conteúdos bem estruturados e aplicáveis à prática. Gostei especialmente da abordagem dinâmica e dos exemplos práticos, que ajudaram a consolidar o conhecimento. Foi, sem dúvida, uma oportunidade valiosa para adquirir novas competências e aprofundar a compreensão sobre o assunto.

Considero que o conhecimento adquirido nesta formação é extremamente útil e acrescentará valor à forma como poderei exercer a minha profissão de assistente social no futuro. A formação em Forest Mind proporcionou ferramentas e metodologias que podem ser aplicadas na intervenção social, ajudando na análise de situações complexas, na tomada de decisão e na resolução de problemas. Para além disto, esta formação deu-nos também determinadas estratégias que poderiam ajudar os nossos utentes a desenvolver capacidades de controlo de ansiedade através do recurso à natureza, o que pode contribuir positivamente para um melhor equilíbrio emocional e uma tomada de decisões mais assertiva.”

Ana Luísa Rodrigues 22 anos, São José, Ponta Delgada

“A experiência foi extremamente enriquecedora a nível das competências profissionais e pessoais, foi possível termos contacto com a natureza interligando aquilo que aprendemos na prática. É crucial conseguirmos ter a possibilidade de aplicar os conhecimentos, embora que em pouco tempo, o que faz que estejamos elucidados sobre o que falamos. Além disso, possibilitou uma melhor compreensão dos desafios e das exigências que temos ao longo da vida, onde quando nos “desligamos” do que está ao nosso redor, promovemos uma sensação de bem estar e um crescimento pessoal. A oportunidade de interagir com profissionais experientes permitiu com que a aprendizagem fosse mais dinâmica e concreta.

O conhecimento que adquirimos durante a formação foi fundamental para que no futuro, consiga colocar em prática na minha área profissional.

Em primeiro lugar, aprendi novas metodologias, técnicas e ferramentas que acabam por facilitar de alguma forma, a resolução de problemas, e a gestão emocional. Outro ponto importante foi o desenvolvimento de competências transversais, como trabalho em equipa, a questão da gestão do tempo para que as pessoas que participam nas atividades não se dispersem e se distraiam do objetivo principal que foi pedido. A questão de termos pensamento crítico, sabermos adaptar-nos a qualquer desafio que nos é colocado, é importante para o nosso futuro pois em qualquer profissão necessitamos do mesmo. Essa formação irá ser muito benéfica para o meu percurso profissional e pessoal pois sentirei-me mais segura e confiante.”

Ana Domingues 23 anos, Vila de Capelas, Ponta Delgada

“A experiência na formação de Forest Mind foi verdadeiramente transformadora. Mais do que um simples contacto com a natureza, cada momento envolvido na natureza tornou-se uma oportunidade para desacelerar, observar e sentir tudo o que nos rodeia, permitindo-me perceber o impacto positivo que a natureza tem na mente e no corpo. Através das técnicas orientadas, aprendi a cultivar um estado de presença plena, reduzindo assim o stress. Além disso, a partilha com os meus outros colegas enriqueceu ainda mais a experiência, reforçando a importância da ligação entre as pessoas e o ambiente natural. Portanto, saio desta formação não só com novas ferramentas para aplicar no meu dia a dia, mas também com uma nova perspetiva sobre a relação entre a natureza e o bem-estar humano e aconselho vivamente a formação de Forest Mind a quem procura reduzir o stress e fortalecer a ligação com a natureza.

O conhecimento adquirido na formação de Forest Mind será uma mais-valia no meu futuro como assistente social, pois oferece ferramentas que podem ser aplicadas para promover o bem-estar de indivíduos em situações de vulnerabilidade. A conexão com a natureza e as técnicas de mindfulness podem ser utilizadas como estratégias complementares para reduzir o stress, melhorar a regulação emocional e fortalecer a resiliência, que são aspetos essenciais no trabalho com diferentes públicos. Além disso, ao integrar abordagens baseadas na natureza pode tornar as intervenções mais holísticas e eficazes, proporcionando um impacto positivo na qualidade de vida das pessoas que irei acompanhar.”

Carolina Avelar 22 anos, Vila de Capelas, Ponta Delgada

“Esta experiência foi sem dúvida muito gratificante, pois consegui ter a oportunidade de perceber e de valorizar a ligação da natureza com a nossa paz de espírito, foi uma oportunidade única.
Sem dúvida que o conhecimento que adquiri foi útil e essencial tanto para a minha vida pessoal e profissional, pois um assistente social, nunca se pode esquecer que trabalha com pessoas, o que implica muito da nossa sensibilidade. O Forest Mind fez-me ver as coisas de uma forma menos materialista e a dar mais valor ao que sentia e ao que os outros sentem.”

Vanessa Frias 21 anos, São José, Ponta Delgada

“A experiência foi incrível e muito enriquecedora. Esta formação permitiu-me aprender a conectar com a natureza assim como as diversas técnicas que podem ser utilizadas na prática do Mindfulness, que podem ser aplicadas diariamente e que beneficiam a nossa saúde mental, que nos dias de hoje é afetada pela rotina que de forma inconsciente criamos. Queremos fazer tudo ao mesmo tempo e o Mindfulness ensinou-me a parar e a ”respirar”.
Considero que o conhecimento adquirido ao longo da formação foi útil. As técnicas do Mindfulness e a conexão com a natureza podem ajudar-me a gerir melhor o meu stress e consequentemente a aumentar a minha produtividade e bem-estar. Essas técnicas são muito valiosas tanto para profissionais como para os sujeitos que estes intervêm.”

Gonçalo Santos 20 anos, Santa Cruz da Graciosa

“Consoante a minha experiência, achei muito enriquecedora no âmbito de várias dimensões, principalmente a nível pessoal e profissional. Ao longo da nossa caminhada vamos adquirindo diversas abordagens e ferramentas que acredito serem fundamentais para o nosso desenvolvimento. Levo a experiência do Forest Mind, não apenas para o domínio pessoal, que certamente contribuirá para a minha auto-regulação, mas também a nível profissional, procurando oferecer intervenções mais enriquecedoras, de modo a promover o bem-estar em vários âmbitos.

Do meu ponto de vista, considero fundamental para o exercício da minha futura profissão, na qualidade de assistente social, visto que é necessário haver mudanças nas nossas metodologias e ferramentas também, respeitando os recursos que nos envolvem e os valores dos mesmos, tais como os recursos naturais, que constituem o Forest Mind.”

Abandono precoce da educação e formação desce nos Açores

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A Região Autónoma dos Açores regista uma descida em 2024 da taxa do abandono precoce da educação e formação, de 22,9% para 19,8%.

Em nota de imprensa enviada às redações pela Secretaria Regional da Educação, Cultura e Desporto, a secretária regional da Educação, Sofia Ribeiro, e a secretária regional da Juventude, Habitação e Emprego, Maria João Carreiro congratulam-se com a conquista.

De acordo com Sofia Ribeiro, quando o primeiro Governo da coligação tomou posse, “esta taxa era de 26,3%”, registando “valores estagnados durante os cinco anos anteriores a 2020”.

A governante lembra que, na Estratégia da Educação Açores 2030, “o Governo comprometeu-se com a elaboração de um Plano Integrado de Combate ao Abandono Precoce da Educação e da Formação”, substanciado em “três níveis de atuação” e que foi debatido na última reunião do Conselho Coordenador do Sistema Educativo Regional.

“Os valores agora registados resultam também do trabalho articulado do Governo dos Açores que, pela primeira vez, através dos departamentos da Educação e da Qualificação Profissional, passou a acompanhar individualmente cada aluno que se encontra em situação de abandono precoce”, acrescentou a titular da pasta da Educação.

O Governo regional dos Açores lembra, ainda, que através da Estratégia da Educação Açores 2030 e da Agenda Regional para a Qualificação Profissional, “estabeleceu atingir a meta de 15% até 2030, relativamente à taxa de abandono precoce da educação e formação”.

Face a este quadro, Maria João Carreiro explica, em comunicado, que a redução do abandono precoce da educação e formação desceu para um valor histórico na região e “confirma uma tendência que importa consolidar”.

A titular da pasta da Qualificação Profissional destaca, igualmente, o trabalho articulado que tem sido feito não só ao nível da prevenção de casos de abandono precoce, mas também na promoção de respostas diferenciadas para que os jovens regressem ao sistema de formação e de qualificação.

“Os jovens açorianos dispõem hoje de mais oportunidades de educação, formação e qualificação, incluindo formação profissional em contexto real de trabalho, com os benefícios que daí decorrerem para o reforço da sua escolaridade e para a sua aproximação ao mercado de trabalho”, refere Maria João Carreiro.

A taxa de abandono precoce da educação e formação identifica a percentagens de jovens dos 18 aos 24 anos que não concluiu o ensino secundário, nem frequenta qualquer modalidade de educação e formação.