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AMRAA e Governo regional reforçam articulação para acelerar investimentos do Açores 2030

O presidente da associação, Carlos Ferreira, defende que a boa execução dos fundos comunitários exige cooperação permanente para criar soluções e responder às expetativas das populações

© AMRAA

A Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores (AMRAA) reuniu com o secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas, e com a Direção Regional do Planeamento e Fundos Estruturais. Conforme avançado pela associação em nota de imprensa enviada à nossa redação, o encontro foi dedicado ao acompanhamento da execução do Programa Açores 2030 e ao reforço da articulação institucional entre os municípios açorianos e as entidades gestoras dos fundos comunitários.

A reunião permitiu analisar detalhadamente o ponto de situação da execução do programa, bem como partilhar informações relativas aos investimentos municipais previstos para os próximos anos, numa lógica de cooperação e acompanhamento permanente entre os diversos intervenientes.

O presidente do Conselho de Administração da AMRAA, Carlos Ferreira, destacou a importância deste trabalho de proximidade institucional. O responsável sublinhou que “a boa execução dos fundos comunitários exige uma articulação permanente entre os Municípios, o Governo regional e a Autoridade de Gestão. Mais do que identificar constrangimentos, importa criar soluções e mecanismos de cooperação que permitam acelerar a concretização dos investimentos que as nossas populações aguardam”.

A sessão constituiu igualmente uma oportunidade para aprofundar o diálogo entre o Governo regional e os municípios, identificando áreas onde uma maior coordenação poderá contribuir para potenciar a execução dos fundos disponíveis para o arquipélago. Carlos Ferreira salientou ainda que “a AMRAA continuará a assumir o seu papel de plataforma de concertação e de diálogo entre os Municípios e o Governo Regional, contribuindo para que exista uma visão partilhada sobre os desafios da execução dos fundos europeus e sobre as medidas necessárias para os ultrapassar”.

No final do encontro, foi reconhecida por ambas as partes a importância de assegurar uma monitorização contínua da execução do Programa Açores 2030, reforçando os mecanismos de cooperação e o trabalho conjunto, com vista à maximização do aproveitamento dos fundos europeus e à concretização dos investimentos estruturantes previstos pelos concelhos açorianos.

Governo regional liberta 69 mil euros para apoiar recuperação em Água de Pau

O deputado social-democrata Rúben Cabral enalteceu a rapidez do executivo na aprovação de compensações financeiras destinadas a famílias e entidades afetadas pelo mau tempo de outubro passado

© PSD AÇORES

O deputado do PSD/Açores, Rúben Cabral, destacou hoje a ação do Governo Regional no apoio direto à população da Vila de Água de Pau, após o Executivo ter aprovado as compensações financeiras destinadas a mitigar os prejuízos causados pelo mau tempo que assolou a localidade a 25 de outubro de 2025.

De acordo com uma nota de imprensa enviada pelo parlamentar, a decisão foi oficialmente selada através de uma resolução publicada no Jornal Oficial. O documento assegura um apoio financeiro na ordem dos 69 mil euros, verba que será canalizada para cobrir os danos identificados por famílias, entidades e infraestruturas públicas que foram afetadas por aquele fenómeno meteorológico extremo.

Rúben Cabral considera a medida “justa e necessária”, sublinhando que esta verba representa “uma resposta eficaz e responsável do Governo dos Açores, garantindo que os meios públicos chegam de forma eficaz a quem mais precisa”. Para o deputado, a celeridade do processo é fundamental para que a comunidade local possa retomar a sua rotina com a maior brevidade possível.

O parlamentar social-democrata destaca ainda que este apoio constitui um contributo decisivo para o processo de recuperação na Vila de Água de Pau. Segundo refere, o investimento do Executivo reforça a capacidade de resposta às necessidades urgentes que emergiram imediatamente após a intempérie, permitindo a reparação de bens essenciais e estruturas comunitárias.

A concluir, Rúben Cabral realçou que esta medida demonstra o compromisso do Governo liderado por José Manuel Bolieiro com a proteção das populações. Para o deputado do PSD/Açores, a prioridade do Executivo tem sido garantir a segurança e a reposição da normalidade nas zonas fustigadas por catástrofes naturais, mantendo uma política de proximidade com os cidadãos da Lagoa.

Governo regional aprova requalificação da Escola Antero de Quental e apoios para Água de Pau

O Conselho do Governo deu luz verde a um investimento de sete milhões de euros na infraestrutura escolar e validou treze candidaturas para perdas e danos resultantes do mau tempo na Lagoa

© DIÁRIO DA LAGOA

O Governo regional dos Açores anunciou esta segunda-feira, 30 de março, um pacote de medidas de relevo para a coesão social e o investimento público na região. Entre as decisões mais significativas tomadas no Conselho do Governo de 30 de março, destaca-se a aprovação da empreitada de conceção-construção para a ampliação e requalificação da Escola Secundária Antero de Quental, em Ponta Delgada. O projeto tem um preço base de sete milhões de euros e um prazo de execução fixado em 540 dias, sendo o concurso lançado com publicidade no Jornal Oficial da União Europeia.

Com particular incidência no concelho da Lagoa, na ilha de São Miguel, o executivo aprovou a resolução que autoriza os apoios financeiros destinados a cobrir perdas e danos patrimoniais na Vila de Água de Pau. Estes apoios surgem ao abrigo do regime de emergência climática, na sequência de fenómenos meteorológicos extremos que afetaram a vila pauense. No total, foram aprovadas treze candidaturas, somando um montante global de 69.027,71 euros, visando dar resposta a situações de caráter “anormal e imprevisível” provocadas pela intempérie.

Na área social, o Governo aprovou o I Plano Regional para a Inclusão da Pessoa em Situação de Sem Abrigo (PRIPSSA 2026-2030), reforçando a estratégia de proteção dos cidadãos mais vulneráveis para os próximos quatro anos. Foi também autorizada a celebração de um contrato-programa com o IROA no valor de 4,04 milhões de euros para a execução do plano regional de 2026, bem como alterações ao PRR-Açores destinadas à reestruturação e transição digital de empresas do setor agrícola.

O Conselho decidiu ainda avançar com a construção da estação de tratamento de águas residuais do novo Matadouro de São Jorge, orçada em 705 mil euros, e com a abertura de concursos para a instalação de máquinas de venda automática em diversos centros ambientais e de interpretação nas ilhas do Pico, Graciosa, Terceira e São Miguel. Por último, foi aprovado um reforço financeiro à SATA Air Açores referente à operação do Cartão Interjovem de 2025.

Governo regional paga 1,4 milhões de euros em Complemento ao Abono de Família

Apoio relativo ao segundo semestre de 2025 chegou hoje a mais de 30 mil beneficiários em todas as ilhas do arquipélago

© MIGUEL MACHADO/GRA

O Governo regional dos Açores, através do Instituto de Segurança Social dos Açores (ISSA), procedeu hoje, 19 de janeiro, ao pagamento do Complemento Açoriano ao Abono de Família para crianças e jovens (CAAF), referente ao segundo semestre de 2025. De acordo com nota de imprensa enviada às redações, este pagamento abrangeu um total de 30.653 beneficiários, correspondendo a um montante global de 1.473.427,70 euros, reforçando o apoio direto às famílias com crianças a cargo em todo o arquipélago.

Este instrumento de política social, atribuído semestralmente aos titulares do Abono de Família residentes na região, tem registado um investimento crescente. Segundo a mesma nota, o valor investido no CAAF cresceu 54% desde 2019, sendo que, desde 2021, os governos da coligação PSD/CDS-PP/PPM já aplicaram cerca de 13,6 milhões de euros neste apoio específico.

A secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, sublinha no comunicado que este complemento representa um contributo direto para a melhoria das condições de vida das famílias, ajudando a fazer face a despesas de sustento e educação. Para a governante, a medida assume um papel relevante no combate à pobreza infantil e na redução das desigualdades regionais, servindo também como incentivo à natalidade nas nove ilhas.

A nota de imprensa recorda ainda que o executivo açoriano continua a promover o bem-estar infantil através do programa “Nascer Mais”, que providencia um incentivo financeiro de 1.500 euros para produtos de farmácia a crianças nascidas nos Açores. “No ano transato, esta medida abrangeu dois mil beneficiários únicos e, desde 2022, já foram investidos cerca de 5,4 milhões de euros neste programa”, concluiu a secretária regional.

Governo dos Açores pede mais tempo à Comissão Europeia para privatizar a SATA

© ISAAC STRUNA

No contexto das reuniões regulares do Governo dos Açores com a Comissão Europeia, o Executivo solicitou a prorrogação, até 31 de dezembro de 2026, da decisão relativa à reestruturação do Grupo SATA, tendo em conta a resposta do mercado e complexidade do processo. “Tal prorrogação permitirá garantir a conclusão das medidas previstas no Plano de Reestruturação e assegurar a estabilidade operacional e financeira do grupo” indica a nota de imprensa do Governo regional.

“Entretanto, foi entregue uma proposta formal para a aquisição da Azores Airlines, demonstrando o interesse de investidores privados na transportadora aérea açoriana e reforçando a confiança no trabalho desenvolvido no âmbito da sua reestruturação. Esta proposta encontra-se atualmente em fase de análise pelo júri” pode ler-se na mesma nota.

O Governo Regional assinala também que se encontra na fase final o processo de autonomização da área de handling, com a criação de uma nova empresa, a SATA Handling, possibilitando, deste modo, avançar para a alienação desta unidade de negócio prevista no Plano de Reestruturação aprovado.

“Estes acontecimentos são avanços decisivos na concretização do compromisso do Governo dos Açores de assegurar a sustentabilidade do Grupo SATA, proteger a sua missão de coesão e continuidade territorial e promover a competitividade do setor da aviação regional” sublinha o Governo regional.

O Governo dos Açores reafirma que continuará a trabalhar com transparência e determinação para garantir o cumprimento integral do Plano de Reestruturação, salvaguardando simultaneamente os interesses da Região Autónoma dos Açores e de todos os seus cidadãos.

SATA: Em Dívida Para Com os Açorianos

André Silveira

Num tempo em que a transparência e a boa governação deveriam ser princípios inquestionáveis da gestão pública e empresarial, a situação da SATA assume contornos inadmissíveis. Estamos em plena reta final do primeiro semestre de 2025 e, enquanto as principais companhias aéreas europeias apresentam já os resultados do primeiro trimestre deste ano, a SATA continua sem publicar as contas relativas a 2024. Na TAP, por exemplo, o ex-CEO da SATA já apresentou mais um trimestre de prejuízos. Esta omissão não é apenas um detalhe administrativo ou um ligeiro atraso burocrático. É uma afronta direta a todos os Açorianos, verdadeiros acionistas desta companhia.

A SATA, sendo uma empresa pública, pertence ao povo Açoriano. É com o dinheiro de todos nós que, durante décadas, se têm coberto prejuízos, suportado recapitalizações e financiado operações muitas vezes conduzidas com uma leveza irresponsável, como serão as gerações futuras a pagar a astronómica dívida deixada. A prestação de contas atempada não é um favor, mas uma obrigação elementar de quem gere recursos públicos. O silêncio da administração, como do governo, é, portanto, inaceitável e revelador de uma cultura de opacidade que deve ser definitivamente repudiada e erradicada.

Pior do que o atraso é a suspeição que este alimenta. A ausência de contas publicadas leva inevitavelmente a questionar se a razão para este silêncio reside na gravidade dos resultados ou, mais grave ainda, se deve-se ao facto de as contas estarem a ser discutidas nos bastidores entre intervenientes que não representam diretamente o interesse público. Seria inaceitável e escandaloso que o consórcio interessado na privatização da Azores Airlines já tivesse tido acesso às contas de 2024 ou, pior ainda, estivesse a participar no processo de fecho das mesmas, enquanto os verdadeiros acionistas, os cidadãos Açorianos, permanecem na ignorância.

Se tal se confirmar, não estaremos apenas perante um grave problema de governação, mas também perante uma violação ética inqualificável dos princípios mais básicos de gestão pública. Uma administração que age nas sombras, que oculta informação e que despreza a prestação de contas aos seus legítimos proprietários não é apenas incompetente, é desrespeitosa.

A responsabilidade última por esta situação é partilhada pelo Conselho de Administração da SATA e pelo próprio Governo Regional dos Açores, que estão a incorrer numa falha grosseira das suas obrigações estatutárias, éticas e morais. A sua função primeira deveria ser a de servir os interesses dos acionistas, assegurando uma gestão transparente, responsável e aberta. Ao protelar a publicação das contas e ao alimentar a perceção de que há algo a esconder, estão a comprometer não apenas a credibilidade da empresa, mas a confiança dos Açorianos nas suas instituições.

No caso particular da SATA, o imperativo de transparência e rigor na prestação de contas deveria ser absoluto, não apenas pela sua natureza pública, mas também pelo histórico carregado de decisões erradas, erros estratégicos e resultados financeiros desastrosos. Os Açorianos, que há décadas são chamados a cobrir os prejuízos da companhia, merecem e exigem saber, sem subterfúgios, o real estado financeiro da empresa. Mais do que nunca, era esperado deste governo, que prometeu fazer diferente, romper com a cultura de opacidade que tantas vezes protegeu interesses particulares em detrimento do interesse coletivo. A omissão prolongada das contas de 2024 não é apenas uma falha administrativa: é o reflexo de um sistema que insiste em não prestar contas aos seus legítimos proprietários? Onde anda o governo da transparência prometido por José Manuel Bolieiro.

Este é apenas mais um episódio de desrespeito institucional para com os Açorianos e um sinal inequívoco de incompetência a vários níveis. Não podemos aceitar que, em pleno século XXI e num contexto de escrutínio crescente sobre a gestão pública, continue a ser admissível este tipo de comportamento. Os Açorianos merecem saber a verdade sobre a SATA. Os Açores merecem mais e melhor.

Governo regional cria 154 vagas para creches gratuitas em Ponta Delgada

© MIGUEL MACHADO/GRA

O Governo regional dos Açores assinou, esta sexta-feira, 20 de setembro, um contrato de cooperação valor-cliente com a Ensinazor – Associação de Ensino Infantil dos Açores para a criação de 154 vagas, imediatas, no Colégio Gente de Palmo e Meio, em Ponta Delgada.

“Esta é mais uma medida que demonstra o empenho do Governo de coligação em abrir um maior número de vagas neste âmbito, tendo em conta as necessidades encontradas”, sublinha Mónica Seidi, secretária regional da Saúde e Segurança Social.

“Estamos empenhados em resolver esta situação. Aliás, todos sabemos que foi com o Governo de coligação que as creches passaram a ser gratuitas, desde o 7.º ao 16.º escalão, quando a nível nacional a realidade era muito diferente”, acrescentou a governante.

Na legislatura passada, o valor de investimento nesta resposta social tinha aumentado de forma considerável –o investimento tinha, em 2020, o valor anual de 12 milhões de euros, e chega aos 22 milhões em 2024.

A governante diz que este investimento “não se limita a trazer um maior número de vagas em creches”, sendo que “a sua gratuitidade é também um alívio financeiro no esforço das famílias açorianas”.

Após as medidas que já tinham sido implementadas na legislatura anterior, em 2023 a isenção já cobria todos os escalões, abrangendo mais de 4.000 crianças, o que significa uma poupança de quatro milhões para as famílias da região.

Mónica Seidi rematou a sua satisfação com a assinatura deste acordo lembrando que “o objetivo do Governo regional dos Açores, a sua maior preocupação, é sempre o de colocar as famílias em primeiro lugar”.

Governo regional assume pagamento de 3,3 ME aos municípios açorianos

© MIGUEL MACHADO/GRA

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, assinou esta terça-feira, 17 de setembro, um protocolo com a Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores, representada pelo seu presidente, Alexandre Gaudêncio, relativo à transferência dos valores acumulados em favor dos municípios, na receita do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) cobrado, pelo Estado, nos setores de atividade ligado ao turismo, relativos aos anos de 2020, 2021 e 2022.

“Cumprimos agora uma divida antiga, que outros recusaram e nós assumimos o pagamento, relativamente à taxa variável do IRS e agora também aquela que é a receita resultante do IVA turístico e que passa a ser uma receita para os municípios”, lembrou José Manuel Bolieiro.

O governante acrescentou ainda que esta reposição “só é possível à custa do Orçamento Regional e não à custa do Orçamento de Estado”, sendo da responsabilidade do Estado o financiamento às autarquias, no entendimento do líder do executivo.

O montante global dos valores acumulados, a que o protocolo diz respeito, a transferir para os municípios da região é de 3,3 milhões de euros.

O governante destacou ainda a importância do poder local permanecer um parceiro do desenvolvimento dos Açores e que quanto mais robustez financeira e económica tiver mais capacidade os municípios registam para contribuir para a região.

“Como acredito que as nossas autarquias, municípios e freguesias são parceiros de desenvolvimento, somos solidários”, concluiu o presidente do Governo regional.

A falta da Educação

Alexandra Manes

O regresso às aulas é tempo de reflexão para pais e filhos, adultos e jovens. É altura de saudosismos dos que se recordam dos dias passados nos recreios, entre os livros, os apontamentos e a folia de não ter responsabilidades. E é também altura de relembrar as instalações antigas, insuficientes, onde passávamos frio de estremecer no Inverno e calor assolador no Verão.

É tempo de recordar a falta de professores, colmatada de forma perpetuamente insuficiente, e incapacitada. E a ausência de auxiliares de educação, nos corredores desertos de uma escola sobredimensionada, afastando as crianças das suas freguesias, de onde só restam corredores vazios e promessas vagas.

Terão sido essas memórias de outros tempos, agora que a atual secretária, que tutela a Educação, se revelou a salvadora da Educação nos Açores? Numa primeira análise, e conforme atestaram as últimas eleições regionais, poderia parecer que tudo navegava com bom vento nas escolas do nosso arquipélago. Muitas pessoas decidiram-se publicamente pelo anuir com as políticas deste governo, naquele setor. A imagem de marca pareceu positiva, e a secretaria fez por assim a manter.

Mas sempre chegará o mês de setembro, altura do ano em que nem a melhor máquina de propaganda poderá salvar a máscara que a senhora secretária colocou sobre a educação regional. Sucederam-se notícias em vários jornais locais, apregoando uma realidade escondida de muitas e de muitos, mas sabida por quem passa por ela. A Educação não foi salva. Foi apenas reabilitada, e adaptada ao novo normal deste aparelho político-partidário.

Comecemos por uma carência evidente, transversal às nove ilhas: faltam pessoas para trabalhar no auxílio escolar. Aquelas ocupações que agora se designam por assistentes operacionais, outrora batizadas com outros nomes, e que são fundamentais para o funcionamento de qualquer escola. São cerca de duzentas vagas em todo o arquipélago.

Duas centenas de postos de trabalho que correm o risco de ficar por preencher pela intransigência do modelo estratégico de Sofia Ribeiro, que afastou oportunidades nestas áreas, e permitiu a criação de graves deficiências. Correm atrás do prejuízo, anunciando que serão vagas a preencher com recurso aos programas de emprego e aos estágios.

Formam-se novas gerações de precários. O governo de Bolieiro recua, uma vez mais, na palavra que deu.

Outra realidade comum é a de falta de estruturas em condições. Edifícios que necessitam de intervenções, humidades e débeis alicerces, com piores recursos do que nunca e total falta de manutenção. Escolas instaladas em espaços históricos, abandonadas ao vento.

Complexos escolares novos, que já revelam incapacidade de dar resposta ao que lhes é pedido. Orçamentos, como o da escola na Lagoa, onde a verba total para tomar conta dos espaços é insignificante.

Condições profundamente indignas, onde não há papel higiénico, lâmpadas, projetos, materiais de laboratório ou simples marcadores. De tudo um pouco se encontrará, se se souber procurar. Talvez seja falta de pergunta por parte dos jornalistas, uma vez que tal parece ser a única maneira de resgatar algum comentário à Secretaria em questão.

Não podemos deixar de recordar as faltas de professores que agora são tornadas públicas. No Corvo, quatro vagas podem parecer pouco, mas numa ilha com responsabilidades pedagógicas muito específicas, rapidamente correm o risco de criar uma bola de neve capaz de afetar toda uma geração de alunas e alunos.

Na ilha vizinha, as Flores lidam com uma dura realidade. Para além do encerramento de turmas e outros problemas do passado que já referi, perpetuamente ignorados e empurrados para debaixo do tapete, o novo ano letivo trouxe um problema de cinquenta e seis vagas na sua Escola Básica e Secundária. Um número verdadeiramente apocalíptico, numa escola que deveria contar com oitenta e seis docentes, mas que na verdade nem sequer apresenta uma pessoa que seja para o agrupamento de biologia e geologia, ou apenas uma para português ou para história. Quem lá viver e desejar seguir essas áreas, pode ter a certeza de que a solução não virá de quem manda.

Trata-se de um problema de trampolim, como tão bem nos relatou Francisco Maciel de Freitas. Os professores inscrevem-se naquele estabelecimento, mas nem sequer são obrigados a lá lecionar um ano que seja, antes de poderem solicitar destacamento noutra ilha. E as Flores permanecem, esquecidas por Bolieiro e pela sua equipa, votadas à solução da Bolsa de Emprego Público, incapazes de admitir a dura realidade de que se trata de uma questão política, reflexo de um executivo que não deseja criar condições de atratividade para as ilhas pequenas, que almeja largar.

Nem tudo está bem na Educação. Diria, aliás, que muito mais é que o nos doí do que aquilo que nos une. Durante os primeiros anos da sua governação, foi evidente a tentativa de capitalizar as inseguranças e os descontentamentos de uma classe que se sentia abandonada. Só que agora revela-se claro qual terá sido o verdadeiro plano em ação. Centralismos, promessas por cumprir e elitismos estratégicos que deram muitos votos, só que prejudicam as escolas, atacam diretamente as periferias, e colocam em risco o futuro da unidade e da igualdade no nosso arquipélago.

Nem tudo vai bem no reino daquela área.

Termino este texto lembrando que a Educação não pode ser gerida unicamente do ponto de vista sindical, e, citando Sérgio Nascimento, aquando do encerramento do Congresso Insular Olhar o Futuro Educação, Cérebro e Mente realizado na ilha Terceira, que de forma assertiva afirmou: “Os agentes de mudança não são as organizações, são cada um de vós. São as pessoas.”. Seria bom que o Governo Regional entendesse o seu papel.

Presidente da autarquia da Lagoa enaltece investimentos no concelho e pressiona Governo regional em dia de feriado municipal

Lagoa assinala hoje o 502.º aniversário de elevação a vila e sede de concelho e o 12.º aniversário de elevação a cidade. Autarca lagoense alerta que ainda há algumas questões que “devem ser resolvidas com o Governo regional”

© CM LAGOA

No âmbito do feriado municipal da Lagoa, celebrado esta quinta-feira, 11 de abril, em nota de imprensa enviada às redações pela autarquia lagoense, a presidente da Câmara da Lagoa, Cristina Calisto, diz reconhecer a importância do momento e destaca alguns investimentos autárquicos, enquanto diz que ainda existem algumas questões que “devem ser resolvidas com o Governo Regional”.

Cristina Calisto aproveita o dia em que se assinala o 502.º aniversário de elevação da Lagoa a vila e sede de concelho e o 12.º aniversário de elevação a cidade, para fazer um balanço das ações realizadas pelo executivo lagoense.

“Não tenho dúvidas que, pelo trabalho que a Câmara Municipal de Lagoa tem executado será uma cidade ainda mais desenvolvida, próspera e promissora no futuro”, refere a autarca lagoense, acrescentando que “na última década, assistimos a um notório crescimento e desenvolvimento da Lagoa, que continua a ganhar contornos de cidade e de um concelho em pleno progresso, numa trajetória de execução de investimentos, de equilíbrio orçamental, sem esquecer nenhuma das cinco freguesias”.

A autarca afirma, no entanto, que “existem algumas questões que devem ser resolvidas com o Governo Regional”, tais como: “a reabilitação da antiga Fábrica do Álcool; a reorganização do Porto dos Carneiros; a ampliação da rede de creches e ATL’S do concelho; a criação de um pontão na Baía de Santa Cruz; o aumento da capacidade de utentes no Lar de Santo António; a criação de um Centro de Dia e Lar de Idosos na vila de Água de Pau; a construção de uma Residência de Cuidados Continuados; o alargamento da rede de serviços de apoio domiciliário; a abertura de um Centro de Dia na freguesia de Santa Cruz e a recuperação da falésia da Rocha Quebrada”.

Quando aos investimentos feitos pela autarquia na Lagoa, Cristina Calisto elenca que nos últimos dois anos de mandato, de 96 medidas propostas já se encontram concluídas 50, sendo que outras 23 já estão em curso, perfazendo um total de 72 por cento executadas ou em curso.

A presidente refere vários investimentos que têm sido executados em diferentes áreas, “como é o caso da requalificação da frente marítima da cidade” e realça os investimentos na área social, na educação e na habitação, enquanto salienta “o pacote aprovado de 16 medidas para mitigação dos efeitos da inflação.”

Cristina Calisto faz referência, também, à melhoria da rede viária do concelho, mais precisamente à criação de novas zonas de estacionamento e de novas vias rodoviárias, “em todas as freguesias”.

No que diz respeito à inovação, ciência e tecnologia, “a Câmara Municipal encontra-se a encetar todas as diligências que favoreça o crescimento do Tecnoparque, bem como criar as condições para atrair novas empresas de tecnologias e de inovação”, explica a autarca.

Em consórcio com o Núcleo de Empresários da Lagoa, no projeto “Lagoa Digital”, a autarca diz que foi “um dos poucos municípios aprovados a nível nacional à candidatura aos “Bairros Comerciais Digitais”, apoiado pelo PRR, que já corresponde ao ponto de partida para a implementação da segunda fase do Lagoa Smart City.”

Na área do turismo, fala no futuro, referindo que se pretende “melhorar a zona balnear do Cerco, na Caloura, o Complexo Municipal de Piscinas e prolongar o Passeio Marítimo até à Baía de Santa Cruz, onde foi finalizado o edifício de apoio à zona balnear”.

Em termos de investimentos privados na área do turismo, destaca a construção do Hotel Hilton, que “colocará a Lagoa perante um novo momento histórico em termos turísticos, a par de outras unidades hoteleiras de referência, que surgiram e que irão surgir em breve no concelho”.

No desporto, realça o investimento autárquico na construção do Pavilhão Professor Jorge Amaral, nos Remédios, bem como o Projeto Náutica 0, realizado em parceria com a Escola Secundária de Lagoa e o Clube Náutico de Lagoa.

Cristina Calisto lembra, ainda, os investimentos na cultura, nomeadamente na reformulação de todos os núcleos museológicos e na abertura do Auditório Ferreira da Silva, em Água de Pau, há muito reivindicado pela população, “para além do apoio financeiro do município às suas várias instituições culturais.”

A instalação da Assembleia Municipal Jovem, o lançamento do Cartão Jovem Municipal, assim como o Orçamento Participativo Jovem, são os exemplos mencionados na área da juventude.

Quanto ao futuro, a autarca sublinha a área do ambiente, em que o objetivo passa por “continuar a formar, incentivar e promover a sustentabilidade ambiental”, e salienta que o concelho da Lagoa é “o que mais recicla em São Miguel.”