
O Bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, defendeu esta manhã a urgência de uma comunicação ética e profundamente humanizada. O alerta surge num contexto de crescente preocupação com os perigos da desinformação e o uso descontrolado da inteligência artificial no espaço público.
Num encontro com profissionais da comunicação social, realizado no Centro Pastoral Pio XII e partilhado em nota de imprensa pela Diocese de Angra, o prelado assinalou antecipadamente o 60.º Dia Mundial das Comunicações Sociais. A efeméride celebra-se no próximo domingo, 17 de maio, sob o mote “Preservar vozes e rostos humanos”.
Durante a sua intervenção, o bispo diocesano destacou que, num tempo de incerteza, a responsabilidade dos profissionais do setor é fundamental para a promoção da dignidade humana. “Os jornalistas são fundamentais porque fazem uma interpretação autêntica da realidade”, afirmou D. Armando Esteves Domingues.
O prelado reiterou que o papel do jornalismo é, hoje mais do que nunca, um serviço público de literacia mediática. Esta missão torna-se crucial perante a crescente dificuldade que os cidadãos enfrentam em distinguir a verdade nos canais digitais e nas redes sociais.
Demonstrando preocupação com o aumento dos discursos de ódio e a polarização, o Bispo de Angra lamentou a falta de “protagonistas responsáveis” que atuem como descodificadores da verdade. Para D. Armando, a sociedade atual parece ainda incapaz de concretizar valores essenciais como a fraternidade.

Para o prelado, a tecnologia não deve ser absolutizada nem substituir o discernimento humano. “Não se pode confundir o homem com as ferramentas, nem permitir que estas o substituam”, sublinhou, apelando a que a comunicação promova o encontro e a esperança em vez de ser usada para condenar.
D. Armando apontou ainda o modelo cristão da encarnação como o exemplo máximo de uma mensagem que se faz proximidade e pessoa. O bispo desafiou os presentes a combaterem a velocidade impessoal da informação através do rigor e da valorização da presença humana.
O evento contou também com o contributo do jornalista Osvaldo Cabral, antigo diretor da RTP Açores. O profissional traçou um percurso histórico sobre a visão dos últimos seis pontificados acerca do progresso tecnológico e o seu impacto na sociedade.
Osvaldo Cabral recordou o conceito de Internet como o “Novo Areópago”, cunhado por João Paulo II em 2002. Contrastou esta visão com os alertas recentes do Papa Leão XIV sobre as “bolhas digitais” e a dependência de algoritmos que moldam relações artificiais e isoladas.
Segundo a análise do jornalista, a Igreja tem procurado humanizar as invenções técnicas, vendo os meios de comunicação como espaços estratégicos de diálogo. Esta visão converge com os objetivos do jornalismo de proximidade, focado na clareza e no compromisso com os mais frágeis.

A ilha de São Miguel prepara-se para acolher, a partir de amanhã, 18 de abril, a primeira visita pastoral de D. Armando Esteves Domingues desde o início do seu episcopado. O périplo arranca na ouvidoria de Vila Franca do Campo e prolonga-se até ao dia 26 de abril, marcando um momento que a Igreja local classifica como histórico. Sob o lema “Bendito o que vem em nome do Senhor”, a iniciativa pretende ser, acima de tudo, um espaço de comunhão e renovação espiritual para a comunidade cristã vilafranquense. Segundo nota de imprensa enviada pela Ouvidoria de Vila Franca do Campo, a agenda do bispo de Angra será intensa e descentralizada, com passagens previstas pelas paróquias de Água d’Alto, São Pedro, Ponta Garça e Matriz, incluindo contactos diretos com escolas, associações, movimentos de leigos e visitas a doentes.
O padre José Borges, ouvidor local, destaca a importância deste encontro que rompe com o protocolo institucional para se focar nas pessoas. “Não é apenas uma formalidade do calendário; é, acima de tudo, um encontro de família”, sublinha o sacerdote, descrevendo D. Armando Esteves Domingues como “um pastor com cheiro a ovelhas”, cuja presença reforça o sentimento de que a comunidade não caminha isolada. Para o responsável, a visita é uma oportunidade para o prelado conhecer de perto a realidade de uma ouvidoria que já trabalha há vários anos numa dinâmica de cooperação entre paróquias, facilitando a implementação das orientações diocesanas e o caminho sinodal proposto pelo Papa Francisco.
Contudo, a visita pastoral será também um momento de reflexão sobre as fragilidades que afetam a prática religiosa na região. Entre os temas que a ouvidoria pretende levar ao diálogo com o bispo figuram a diminuição da participação ativa dos fiéis e a premente escassez de vocações sacerdotais. O padre José Borges alerta ainda para a crescente sobrecarga do clero, notando que “hoje, um padre assume várias paróquias, com as mesmas exigências de sempre”, o que obriga a um olhar mais atento sobre a saúde e o bem-estar dos sacerdotes. Apesar destes desafios, a estrutura pastoral de Vila Franca do Campo mantém o otimismo, sustentando que a fé da população permanece viva, ainda que confrontada com as exigências de uma vida quotidiana mais complexa.
A preparação deste evento mobilizou conselhos pastorais e equipas de formação, culminando numa assembleia eclesial que reforçou o papel dos leigos na Igreja. O programa inclui momentos de particular simbolismo, como encontros com jovens e escuteiros, a celebração de crismas e a denominada “Festa da Fé”. O encerramento oficial da visita pastoral terá lugar no dia 26 de abril, na Igreja Matriz de Vila Franca do Campo, com uma celebração eucarística que deverá reunir representantes de todas as comunidades da ouvidoria. Conforme sintetiza o padre José Borges, o objetivo final desta passagem de D. Armando Esteves Domingues pela localidade é claro: “Queremos construir juntos um caminho de fraternidade e futuro”.

A ouvidoria de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, recebe entre os dias 19 e 26 de abril, a visita pastoral do bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues. A iniciativa, que envolve paróquias, movimentos e instituições locais, é encarada pela comunidade vilafranquense como um momento de renovação espiritual e de reforço da comunhão eclesial. Segundo notícia da agência Igreja Açores, a preparação tem decorrido ao longo dos últimos meses através de encontros com os conselhos pastorais e económicos, com o objetivo de envolver todos os agentes neste processo de receção ao prelado.
Para o ouvidor, padre José Borges, esta visita transcende a formalidade do calendário episcopal. “Não se trata apenas de um ato administrativo ou de uma formalidade do calendário episcopal. Acima de tudo, é um encontro de família”, afirma o sacerdote, sublinhando que o propósito é permitir uma proximidade real entre o Bispo e os fiéis. A vinda do prelado acontece num contexto de caminho sinodal, onde D. Armando Esteves Domingues é reconhecido pela sua “grande capacidade de proximidade e uma escuta muito atenta”, características que o padre José Borges considera fundamentais para a missão da Igreja junto das populações.
Um dos eixos centrais desta visita é o aprofundamento do sacramento do batismo, inserido na caminhada para os 500 anos da Diocese de Angra. O ouvidor recorda que “é no batismo que começa o ser cristão”, esperando que esta passagem do Bispo ajude a reavivar essa identidade em cada fiel. Carlos Vieira, coordenador do Conselho Pastoral da ouvidoria, reforça que o programa incluirá visitas às instituições e forças vivas de cada freguesia, procurando também analisar desafios como a participação nas celebrações. Em paralelo, destaca o dinamismo de espaços como o Santuário de Nossa Senhora da Paz, que se tem afirmado como um centro de espiritualidade e acolhimento para peregrinos na região.

O Convento de Santo António, na cidade da Lagoa, é esta sexta-feira e sábado, o ponto de encontro para dezenas de casais do Setor Açores Oriental das Equipas de Nossa Senhora (ENS), que participam num retiro espiritual orientado pelo padre João Emanuel Pereira. O sacerdote da Diocese do Porto traz até à ilha de São Miguel uma reflexão profunda sobre a vivência do matrimónio cristão, num tempo em que a correria e o cansaço do quotidiano colocam desafios constantes à vida em família.
Partindo de uma abordagem original que cruza a espiritualidade com a literatura, o orientador socorre-se de passagens de “O Principezinho”, de Saint-Exupéry, e da poesia de Daniel Faria para abordar a importância do cuidado mútuo. Como refere o padre João Emanuel , “casamos e o sacramento do matrimónio vale por si, mas há um trabalho contínuo que precisa de ser feito. O cansaço e a rotina desmoralizam muitas vezes a relação, e parar para pensar como recativar é fundamental”.
Ao longo deste tempo de pausa e oração, o movimento das ENS apresenta-se como uma “alavanca” para os casais, promovendo dinâmicas como o “dever de sentar”, que convida ao diálogo e à escuta no seio do lar. Para o sacerdote, a família deve ser um lugar de “sinodalidade”, onde a identidade do batismo se traduz numa caminhada conjunta e não num isolamento individualista.
O presbítero alerta, contudo, para os riscos de um cristianismo meramente cultural ou de tradição, que nem sempre se traduz numa pertença efetiva à vida da Igreja. “O sentido do religioso está muito presente na nossa contemporaneidade. As pessoas procuram algo que as ligue ao transcendente”, explica, notando que a falta de paixão e conhecimento sobre a figura de Jesus Cristo leva muitas vezes ao afastamento da comunidade.
Nesse sentido, o retiro na Lagoa pretende ser mais do que um momento de isolamento, funcionando como um apelo à responsabilidade comunitária e ao acompanhamento espiritual. Segundo o orientador, “vivemos da comunidade e para a comunidade. Se alguém quiser viver a sua relação com Deus de forma totalmente individual, sem este vínculo comunitário, dificilmente encontra espaço na Igreja”. O encontro termina com o desafio de redescobrir o amor ao próximo vivido no dia a dia, reforçando que a fé exige uma entrega concreta e apaixonada.