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“Espero que a Ouvidoria dê pequenos passos para que se faça uma caminhada capaz de perdurar”

Nos 40 anos da Ouvidoria da Lagoa, o novo Ouvidor, o padre Gil da Silva, fala dos desafios e do futuro das várias paróquias sem esquecer a questão da pobreza

Padre Gil da Silva tem 42 anos e é Ouvidor pela primeira vez © CLIFE BOTELHO

Aos 42 anos assume pela primeira vez a função de Ouvidor, sendo responsável pelas sete paróquias da Ouvidoria da Lagoa. Gil da Silva é padre nas freguesias do Livramento e mais recentemente no Cabouco. Nasceu no Canadá, filho de pais emigrantes, e depois de passar pelo continente, através da Congregação da Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus, mais conhecidos por Dehonianos, regressou aos Açores e esteve à conversa com o Diário da Lagoa.

DL: É a primeira vez que é ouvidor. O que é que é ser Ouvidor?
Ser ouvidor, como o próprio nome indica, é ser aquele que escuta, aquele que escuta os seus colegas padres, aquele que de certa forma também recebe muito da ajuda dos colegas padres. Termos um olhar, um horizonte, um pouco mais abrangente e olharmos para o lado, para que todas as paróquias olhem umas para as outras com este olhar, como Cristo também nos olhava, com um olhar de amor, com um olhar capaz de sermos capazes de construir uma coisa simples, que é uma comunidade consciente de que é batizada.

DL: Que significado têm estes 40 anos da Ouvidoria da Lagoa?
Um significado profundo de comunhão, de reconhecer que temos paróquias, temos comunidades cristãs que vivem de modo particular num ritmo normal de vida cristã e que são capazes de pensar uma Igreja cada vez mais abrangente. Quase numa tentativa de pensar-se numa Igreja que não é só a minha casa, não é só a minha paróquia ou comunidade, mas que há outras comunidades que vivem a mesma fé. 

DL: E que desafios é que a Ouvidoria enfrenta?
O desafio de pensar que não vive só para si própria. O desafio de pensar-se como uma comunidade cristã, o desafio de nos desinstalarmos. E isso pode começar — e começa sempre — quando nós saímos de casa. Desinstalarmo-nos do conforto da nossa casa e irmos à igreja, este templo, esta casa onde se pretende viver a fé. É este desafio de nos desinstalarmos e irmos a outras comunidades celebrar a mesma fé. Porque às vezes é tão difícil  mas o Evangelho interpela-nos sempre a nos desinstalarmos e a não olharmos só o nosso cantinho. 

DL: Na sua homilia, o Bispo de Angra abordou a questão da pobreza. É um tema que merece ainda mais atenção na Lagoa?
Em toda a parte. Contudo, todos nós reconhecemos que a Lagoa tem situações de pobreza que até são gritantes e que necessitam da nossa atenção, sem dúvida nenhuma.
E quando digo pobreza, não digo só a económica, a financeira, a habitacional. Falo também desta pobreza a que o Papa faz referência na sua mensagem, que é o não reconhecer a presença de Deus, que também é um tipo de pobreza. Digo isto no sentido de que quem tem Deus na sua vida deveria ter esse olhar distinto e diferente para qualquer pessoa. E, provavelmente, um olhar um pouco mais próximo, um olhar mais atencioso, e é desta riqueza que falo, que é quem tem Deus.
Há que olhar também para esta situação. E todas as comunidades devem ter em atenção estas situações, porque também o Papa diz que os pobres não deviam ser olhados como objetos da nossa ação, mas como sujeitos ativos, porque também são nossos irmãos.

DL: Segundo o site da agência de notícias Igreja Açores, a Ouvidoria da Lagoa “regista grandes bolsas de pobreza”. Como é que nós podemos fazer com que essas bolsas de pobreza diminuam?
Uma das coisas que nós devemos é investir na Educação, começa por aí. Olhar para as nossas crianças e jovens e termos esse cuidado constante na Educação. Não é fácil, porque isto é uma questão que às vezes passa de geração em geração.
Começava por aí e pela capacidade de nós ajudarmos e, depois, consequentemente, porque não implica só as crianças e os jovens, implica também os pais a fazer este caminho.
Depois, se vamos falar de uma parte um pouco mais concreta da vida das pessoas: condições de trabalho, que, aparentemente, parece que não falta trabalho, mas há falta de trabalhadores. Mas, lá está, é preciso também esta parte educativa para capacitar para esses trabalhos.
Depois, a questão da Habitação, que realmente é permanente e não é só no continente, mas aqui também, com a Habitação como está, é impensável uma família, mesmo com os dois a trabalhar, pedir empréstimo para uma casa pelo valor atual. Eu apostava mais e mais na Educação.

DL: Para terminar, o que é que espera para o futuro da Ouvidoria da Lagoa?
Espero que seja um momento para estarmos juntos, para refletirmos sobre a Ouvidoria, sobre as nossas comunidades cristãs e para nos desafiarmos a dar esperança a quem não tem, alento a quem nos pede, um olhar positivo das coisas.
Porque uma das coisas que se nota muitas vezes é não valorizarmos as pequenas coisas que fazemos. Por isso mesmo, vislumbro e espero que a Ouvidoria dê pequenos passos para que se faça uma caminhada capaz de perdurar e de responder aos desafios que todos nós vivemos e que também queremos lançar com uma esperança para todos, que é esta presença de Cristo e esta alegria de sermos positivos nas coisas que nós fazemos.

Celebração dos 40 Anos da Ouvidoria da Lagoa foca-se em desafios atuais e na questão da pobreza

Bispo de Angra presidiu à celebração evocativa na igreja Matriz da Lagoa e desafiou os fiéis a olhar os pobres “olhos nos olhos”

© CLIFE BOTELHO

O Bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, presidiu no passado dia 16 de novembro, a uma missa na igreja Matriz, em Santa Cruz, para comemorar os 40 anos da Ouvidoria da Lagoa, coincidindo com o Dia Mundial dos Pobres.

Na sua intervenção, o Bispo incentivou a comunidade a ir além da simples manutenção das tradições, pedindo coragem para encarar os desafios de hoje, ajudar os mais vulneráveis e colaborar de forma mais ampla. O prelado destacou também que a pobreza é fundamental na missão da Igreja, afirmando que os mais pobres estão no centro de todo o trabalho pastoral. Citando referências da Igreja, reforçou que a pobreza não é apenas uma questão social, mas sim “uma questão familiar”. Sublinhou que a falta de apoio espiritual é a pior forma de discriminação contra os pobres, defendendo que eles devem ser vistos individualmente, “olhos nos olhos”.

“A pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual”, disse.

O bispo alertou ainda para a proliferação de falsos profetas que exploram medos e conflitos, pedindo discernimento num tempo onde importa escolher “evangelho ou ideologia, integração ou exclusão, amor ou indiferença”. E recordou que, no Evangelho, cada tragédia anunciada é acompanhada por um ponto de viragem: “Tudo muda sempre que cuido de um pedacinho da minha terra e das suas feridas”.

O prelado advertiu para o fascínio contemporâneo por tecnologias, conquistas humanas e figuras de sucesso, lembrando, porém, a sua transitoriedade: “Só o homem, imagem de Deus, é eterno. É melhor que tudo desmorone, incluindo as igrejas mais bonitas, do que desmorone um único homem”.

O alerta contra falsas promessas e a importância da fé

© CLIFE BOTELHO

No âmbito do atual ano pastoral, o Bispo de Angra desafiou os presentes a refletirem sobre a coerência do seu testemunho de fé, tanto nas celebrações como no apoio direto aos pobres. Perguntou se as paróquias estavam preparadas para caminhos mais participativos e para incluir quem está à margem, tanto a nível social como espiritual.

Ao felicitar a Ouvidoria, o Bispo destacou o papel da paróquia como um local de convívio e comunhão. Reforçou a importância dos leigos na missão da Igreja, dizendo que são eles que devem levar a mensagem do Evangelho para os seus locais de trabalho, para a política, a economia e para o mundo digital. Anunciou ainda que os Conselhos Pastorais passarão a ser obrigatórios em todas as paróquias e que a formação deve continuar para além da catequese e da confirmação.

O Bispo terminou a homilia com uma nota de esperança, afirmando que o futuro não é o caos, mas sim “o abraço definitivo do amor” de Deus.

A Ouvidoria da Lagoa, criada em 1984, engloba sete paróquias e, segundo a agência Igreja Açores, é uma das ouvidorias da diocese que regista “grandes bolsas de pobreza”.

Abertas pré-inscrições na Escola Diocesana de Formação

© DIREITOS RESERVADOS

Estão abertas as pré-inscrições para os diferentes cursos da Escola Diocesana de Formação da mais nova instância formativa do Seminário Episcopal de Angra e do Serviço de Coordenação da Formação Diocesana.

O organismo foi criado com a missão de proporcionar aos fiéis uma formação cristã sólida e aprofundada, que os capacite a compreender, viver e testemunhar a fé de modo consciente e esclarecido.

Existem três modalidades de formação. O Curso Básico de Teologia – dirigido a todos os que desejam aprofundar o conhecimento da fé cristã de forma estruturada e pastoralmente enraizada. Destina-se, de modo particular, a leigos comprometidos nas comunidades, catequistas, agentes pastorais e membros de movimentos e serviços da Igreja. Este curso oferece uma formação integral que alia o saber teológico à experiência espiritual e comunitária;

A Formação para Ministérios Instituídos – destinada aos fiéis chamados ao serviço como Leitores e Acólitos, e em breve também para os ministérios do Catequista e da Caridade. Esta formação visa preparar os candidatos para o exercício responsável e espiritual dos seus ministérios, cultivando uma autêntica espiritualidade do serviço e do compromisso eclesial;

E, por fim, os Cursos Livres – uma modalidade flexível e personalizada, aberta a todos os que desejem aprofundar a fé de forma gradual e adaptada aos seus interesses. O aluno pode escolher entre diversas áreas, como Sagrada Escritura, Liturgia, Teologia Moral, História da Igreja, Doutrina Social da Igreja e Espiritualidade, sem obrigação de seguir um percurso fixo.

As pré-inscrições e informações detalhadas sobre cada curso já se encontram disponíveis no sítio online da escola.

Novo Centro de Atividades de Tempos Livres da Lagoa reforça apoio às famílias

Estrutura, inaugurada no Centro Pastoral da Paróquia de Santa Cruz, vai receber diariamente 60 crianças do pré-escolar ao 2.º ciclo

© CM LAGOA

O Centro Pastoral da Paróquia de Santa Cruz, na cidade da Lagoa, iniciou as atividades do seu novo Centro de Atividades de Tempos Livres (CATL) esta semana.

Com instalações modernas e adaptadas às necessidades das crianças, o CATL oferece atividades diversificadas que combinam apoio escolar, oficinas criativas, atividades lúdicas e desportivas.

De acordo com uma nota de imprensa enviada pela autarquia lagoense, o objetivo é “complementar a formação das crianças, promovendo não apenas o sucesso académico, mas também o desenvolvimento pessoal e social”.

Uma equipa composta por cinco colaboradores da Câmara da Lagoa irá receber diariamente 60 crianças, do pré-escolar ao 2.º ciclo. O apoio é direcionado às escolas EB1/JI Dr. José Pereira Botelho e EB1/JI Tavares Canário, ambas localizadas na freguesia de Santa Cruz.

O presidente da Câmara Municipal, Frederico Sousa, esteve presente na abertura do CATL e destacou que “a criação deste novo equipamento camarário é a prova do nosso compromisso em dar resposta à grande procura existente no concelho. Temos consciência da importância que estes espaços têm no apoio às famílias e no desenvolvimento das nossas crianças. Com mais esta infraestrutura, garantimos melhores condições e mais oportunidades para todos e suprimos uma necessidade que é, de facto, vista pela Câmara Municipal de Lagoa como uma prioridade para o bem-estar das nossas crianças e suas famílias”.

A autarquia recorda, em comunicado, que também criou condições para aumentar o número de vagas nos CATL em parceria com o Centro Social e Cultural do Cabouco; na escola EB1/JI Dr. Francisco Carreiro da Costa, na Vila de Água de Pau, e na Ribeira Chã, em parceria com o Centro Social e Cultural da Atalhada, totalizando cerca de 125 vagas extras.

Igreja de Santo André em Vila Franca do Campo aberta ao público

Será possível visitar este sábado as mais recentes descobertas arqueológicas, a exposição-oficina de arte sacra e o Museu Municipal com os acervos das escavações

© CM VILA FRANCA DO CAMPO

A Igreja de Santo André, em Vila Franca do Campo, vai estar aberta ao público no próximo sábado, 6 de setembro.

Em nota de imprensa enviada às redações, a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo “convida a comunidade e visitantes a redescobrir o espaço de grande valor histórico, cultural e religioso”.

Durante a iniciativa, que decorre nos horários 9h00 às 12h00 e das 13h00 às 16h00, será possível visitar a Igreja de Santo André, incluindo as mais recentes descobertas arqueológicas; a exposição-oficina de arte sacra, onde está patente o trabalho de conservação e restauro atualmente em curso e o Museu Municipal, com os acervos resultantes das anteriores escavações arqueológicas realizadas no Convento de Santo André.

O evento é de entrada livre, aberto a toda a comunidade, e integra a programação cultural municipal dedicada à valorização e fruição do património de Vila Franca do Campo.

Festas em honra de Sant’Ana arrancam este fim de semana nas Furnas

© DIREITOS RESERVADOS

As festas em honra de Sant’Ana e São Joaquim, no Vale das Furnas, têm data marcada para os dias 24 de julho e 9 de agosto e serão presididas por sacerdotes naturais da freguesia. O programa inclui vários momentos religiosos e cívicos que irão animar os diferentes dias das festividades. A informação foi avançada pela Paróquia de Sant´Ana.

No dia 24 de julho, pelas 21h00, terá lugar a tradicional arrematação de gado junto ao Centro Social e Paroquial das Furnas. Com a generosa colaboração dos lavradores da terra, será possível angariar fundos.

No dia 25, a partir das 19h00, haverá porco no espeto, a favor das igrejas.

De seguida, pelas 21h30, será inaugurada a iluminação exterior da Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Alegria, que este ano contará com aproximadamente cinco mil lâmpadas, sendo um dos momentos mais aguardados pelos participantes. A associação UnoJovens será responsável pela animação musical deste momento, descendo uma das ruas principais em direção à igreja e marcando a abertura oficial da quadra festiva. A noite continuará com atuações de “Trio de Deus” e “Quim Barbeiro”, com a possibilidade de degustar as típicas malassadas.

No sábado, dia 26 de julho, será celebrada uma missa na Igreja de Sant’Ana, pelas 20h00, seguida da procissão de mudança da imagem, acompanhada pela Sociedade Harmónica Furnense. A partir das 22h30, acontece o concerto do grupo “Banda Larga”.

No domingo, dia 27 de julho, celebra-se o grande dia das festas. Pelas 12h00, na Igreja Paroquial, terá lugar a Eucaristia Solene em honra de Sant’Ana, com a celebração da Profissão de Fé, animada pelo Coro Paroquial.

Pelas 17h00, as imagens de Sant’Ana e São Joaquim percorrerão as diversas artérias da freguesia das Furnas, com a participação da Sociedade Filarmónica Marcial Troféu, Eco Edificante da Vila do Nordeste e Sociedade Harmónica Furnense. A partir das 22h00, o típico arraial regressa, ao som artístico da “Harmonie La Renaissance”, grupo que se deslocará de Paris para os Açores.

Na segunda-feira, dia 28 de julho, celebra-se a missa em honra de São Joaquim, pelas 11h00 e, às 14h00, terá início o cortejo de oferendas com a imagem de São Joaquim.

A última noite de celebrações, a partir das 21h30, contará com a atuação do Grupo Folclórico das Camélias e da Sociedade Musical Harmónica Furnense. Às 24h00, terá início a procissão de mudança da imagem para a Igreja de Sant’Ana, encerrando as festividades com um espetáculo de fogo de artifício que atrai centenas de pessoas e jovens.

Após os dias principais das festas, a comissão organizadora prolongou a programação até ao dia 9 de agosto, quando, pelas 19h30, será realizada a tradicional festa do churrasco, no jardim da igreja paroquial, com a atuação das “Top Girls”.

O pároco das Furnas, Padre Francisco Zanon, refere que as festividades “atraem tanto os locais, as nossas comunidades emigrantes, como os turistas que pela freguesia passam e participam ativamente.” Para o sacerdote, a logística e a segurança são prioridades. “Devido à afluência de pessoas há que haver uma organização com o próprio trânsito para que não haja acidentes ou inconvenientes que venham a manchar esse momento festivo.”

Francisco Zanon retrata ainda a festividade como “mística, onde essa devoção popular une-se à espiritualidade que cada um traz consigo. Essa presença feminina traz uma resposta de conforto e dá alento nos momentos mais difíceis das pessoas.”

Neste ano, em que a Igreja Católica celebra o Jubileu da Esperança, o pároco das Furnas alerta que “deveríamos espelhar o exemplo de Sant’Ana, grande figura da Igreja, figura de oração, de esperança, que passou também os seus medos e que continuará até ao fim dos tempos marcando gerações. Num mundo tão fragilizado temos de confiar nessa esperança, embora que haja tantas guerras, discussões, ou desentendimentos entre comunidades. Mas sermos construtores de um mundo melhor e justo.”

Bispo de Angra preside a solene dedicação da igreja de Nossa Senhora do Rosário na Lagoa

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D. Armando Esteves Domingues, bispo de Angra, vai presidir à solene dedicação da igreja paroquial de Nossa Senhora do Rosário, no próximo dia 11 de maio, pelas 11 horas, informa o Conselho para os Assuntos Económicos da paróquia lagoense.

A celebração da dedicação decorre da conclusão da primeira fase das obras de restauro da capela-mor da igreja e no início das comemorações do centenário da atual imagem de Nossa Senhora do Rosário, a ser celebrado em outubro de 2026.

Participarão os diversos movimentos paroquiais, as autoridades civis da cidade da Lagoa e a filarmónica Lira do Rosário.

O templo, com 252 anos de construção, será dedicado a Nossa Senhora do Rosário, e consagrado o seu altar.

Em nota enviada, indica-se que “a dedicação de uma igreja é uma celebração solene e única, presidida pelo Bispo, toda ela profunda em ritos e sinais, que manifestam a presença e a santidade de Deus, do próprio lugar, sobretudo do altar da celebração da Missa, e de todo o povo santo que nele é Igreja viva e Templo do Senhor. Sobre o altar da celebração serão depositadas Relíquias da Mártir Beata Maria do Patrocínio de São José, carmelita, Virgem e Mártir, espanhola, nascida em 1903, e martirizada em 1936 quando defendia a sua virgindade de dois usurpadores. Recordam-nos o antigo costume dos primeiros cristãos de celebrar a Eucaristia sobre os túmulos dos mártires, aqueles que levaram ao máximo o exemplo de Cristo, que por nós deu a vida”.

Amou-os até ao fim

Padre André Furtado

Irmãos e irmãs,

hoje iniciamos o Tríduo Pascal, os três dias mais sagrados da nossa fé. A liturgia desta Quinta-feira Santa leva-nos ao Cenáculo, à última Ceia de Jesus com os seus discípulos. É uma noite de entrega, de amor profundo, de lições que nos devem transformar. Celebramos três realidades fundamentais: A instituição da Eucaristia – o alimento da nossa fé; O nascimento do sacerdócio ministerial – ao serviço do povo de Deus; E o mandamento novo do amor, vivido no gesto humilde do lava-pés.

Amou-os até ao fim

O Evangelho segundo São João não descreve a consagração do pão e do vinho como os outros evangelistas. Em vez disso, mostra-nos um gesto inesperado: Jesus ajoelha-se e lava os pés dos discípulos.

Um gesto simples, mas profundamente revolucionário. O Mestre faz-se servo. Aquele que é Senhor de tudo, torna-se escravo de todos. Lava os pés dos seus amigos, até mesmo de Judas, que o iria trair.

E depois diz: “Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também.”

Um gesto para o nosso tempo

Este gesto de Jesus fala diretamente à realidade do mundo em que vivemos. Um mundo marcado por divisões, conflitos, individualismo, indiferença, orgulho e vaidades.

Vivemos numa sociedade em que lavar os pés dos outros parece absurdo. Muitos querem subir, dominar, aparecer… mas poucos querem servir.

Jesus, porém, ensina-nos que a grandeza está em abaixar-se. A Eucaristia que Ele nos deixa nesta noite não é apenas um rito bonito: é vida doada, amor que se torna pão, serviço que se torna concreto.

Comungar e servir: duas faces da mesma fé

São Paulo recorda-nos: “Sempre que comerdes este pão e beberdes deste cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha.” Ou seja: cada Missa é um envio. Somos enviados a continuar o que celebramos.

De nada serve comungar o Corpo de Cristo se não reconhecemos Cristo no irmão. A Eucaristia que não nos leva ao perdão, ao cuidado, ao compromisso com os mais frágeis… não cumpre o seu verdadeiro fim.

No mundo de hoje, Jesus continua a perguntar-nos: “Estás disposto a lavar os pés da humanidade ferida?”:  Daquele vizinho que te irrita… Do pobre que pediste que fosse “trabalhar” em vez de estender a mão… Do imigrante desprezado, do doente esquecido, do familiar com quem cortaste relações…

Sacerdócio: serviço, não privilégio

Hoje também é o dia do sacerdócio. Mas o modelo de sacerdote que Jesus nos mostra não é um homem distante, mas alguém que se aproxima, que serve, que ama com humildade.

E isso aplica-se a todos nós. Porque, pelo nosso Batismo, todos participamos deste sacerdócio do serviço. Todos somos chamados a ser Eucaristia para o mundo.

Amar até ao fim

Meus irmãos e irmãs, Jesus amou até ao fim. Não até onde dava jeito. Não até ser traído. Até ao fim.

E este amor é o que salva o mundo.

Peçamos hoje a graça de: voltarmos ao essencial da nossa fé; de deixarmos de lado divisões, orgulhos, medos e desconfianças; de nos tornarmos comunidades e famílias mais unidas, sociedades mais fraternas, capazes de amar como Jesus amou.

Que nesta Ceia do Senhor, Ele nos ensine a: comungar com o coração cheio; servir com humildade; amar com verdade.

Amém.

“Hossana, hossana ao Filho de Davi!”

Padre André Furtado

Hoje damos início à semana maior na vida do cristão: a Semana Santa. Hoje, com fé, recordamos a entrada de Jesus em Jerusalém. O povo estendia mantos e ramos, aclamando: “Hossana ao Filho de Davi!” Mas é o mesmo povo que gritará: “Crucifica-o!” Como é frágil a esperança baseada em triunfos humanos! Como é inconstante o coração humano quando não se ancora no amor verdadeiro!

No Evangelho da Paixão contrastam-se dois tipos de esperança: a esperança superficial — a dos homens que esperavam ver milagres fáceis, soluções rápidas, gestos espetaculares, uma vida facilitada (tão presente nos dias de hoje) — e a esperança silenciosa e fiel de José de Arimateia, que aguardava o Reino de Deus com humildade e coragem, oferecendo até o seu túmulo a Jesus.

Diante da Cruz, as falsas esperanças caem por terra, e só permanece a esperança que nasce do amor. Cristo não desceu da Cruz. Não Se salvou a Si mesmo para provar o Seu poder. Permaneceu firme, por amor a nós. Mostra-nos que a verdadeira esperança não evita a cruz — passa por ela e transforma-a. Por isso, a esperança verdadeira é aquela que se purifica na dor, se fortalece no sofrimento e se ancora no Coração trespassado de Jesus.

A narrativa da Paixão apresenta-nos um Cristo sereno, compassivo, que perdoa até mesmo na cruz: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” Jesus não perde a Sua identidade, mesmo diante da dor e da injustiça. Ensina-nos a permanecermos fiéis, mansos, humildes e firmes no amor, mesmo nas situações mais difíceis.

E há personagens na Paixão que também nos interpelam:

• Pedro, que O nega por medo, mas depois chora amargamente;

• Pilatos, que reconhece a inocência de Jesus, mas lava as mãos;

• Simão de Cirene, que ajuda a carregar a cruz;

• As mulheres de Jerusalém, que choram por Ele;

• O bom ladrão, que, na última hora, se entrega à misericórdia de Deus.

Todos nós estamos ali. A Paixão não é apenas um relato antigo: é o espelho da nossa atual humanidade.

Na vida, experimentamos continuamente tudo isto: momentos de exaltação e alegria, e outros de prostração e desalento. Por vezes, parecem predominar estes últimos.

Mas é então que intervém o ânimo da fé e a palavra de Jesus, que o sustenta: “Coragem! Eu venci o mundo.” (Jo 16, 33). Sim, a esperança é impossível de apagar, porque constitui a força que une o divino e o humano, a elevação do homem até Deus e a familiaridade de Deus com a pessoa.

Olhamos para o nosso mundo e parece que só vemos o mal em estado puro: atrocidades, destruição de vidas e da natureza. Sem a esperança, o cenário é sombrio. O relato da Paixão do Senhor parece continuar a reescrever-se na história da humanidade: condenação de inocentes, prepotência dos poderosos, banalização ou normalização do mal, indiferença de tantos, o aparente silêncio de Deus, atentados contínuos contra a vida humana… Tudo parece condenar e fazer desaparecer a esperança, levando-nos à desistência. E muitas vezes o nosso silêncio, em situações que deveríamos condenar e contrariar, é uma arma que mata.

Mas não! Basta de vivermos constantemente agarrados às esperanças mundanas, que nos fazem procurar a Deus apenas quando o mundo nos cai aos pés. Ancoremo-nos na esperança que não se apaga: este Deus que está presente em todos os momentos da nossa vida. Não façamos de Deus um deus ocasional.

Ancoremo-nos na esperança que não se apaga. Ela é:

– a virtude das mulheres e dos homens que fazem projetos e participam na Criação,

– que sonham e plantam a novidade da graça;

– o estímulo para meter mãos à obra e transformar os rastos de destruição numa primavera de vida;

– o garante de que, da cruz ensanguentada, surgirão raios de luz, da ressurreição e vida nova que nenhum túmulo poderá encarcerar.

Ela, de facto, anima a fé nos tempos humanos e fortalece a caridade.

Na Cruz, tudo ganha novo sentido:

O medo transforma-se em confiança;

A escuridão, em luz;

A derrota, em vitória;

A morte, em vida.

Do alto da Cruz, Jesus diz a cada um de nós: “Hoje estarás comigo no Paraíso.”

É esta promessa que sustenta a nossa fé, mesmo quando tudo parece perdido. Porque quem espera em Cristo Crucificado nunca está só. Quem Se entrega a Ele encontra força, mesmo na fraqueza.

Por isso, irmãos: “ancoremo-nos e esperancemo-nos” — nas palavras, nos gestos, nas dores e nas alegrias.

A cruz é dura, mas a Páscoa vem!

Tal como a primavera chega depois do inverno, a alegria virá depois da cruz.

Matriz de Lagoa recebe concerto de Natal

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A igreja Matriz de Lagoa, na freguesia de Santa Cruz, vai ser palco de um concerto de Natal intitulado “Em Canto de Natal” no próximo sábado, 28 de dezembro, pelas 20h30.

O concerto vai contar com a participação do Grupo Coral da Matriz de Lagoa e também com o Grupo Coral da Fajã de Baixo, ambos sob a orientação musical do maestro Odilardo Rodrigues.

O evento é de entrada livre e vai contar com um repertório tipicamente natalício interpretado por cerca de 40 elementos dos dois grupos corais.