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Contentores parados, setor bloqueado

Patrícia Miranda
Deputada do PS na ALRAA

Mais de 700 cabeças de gado retidas nos Açores. Falta de contentores, rotas incertas, mercadoria perecível sem escoamento.

Esta realidade, por mais recorrente que seja, não pode ser normalizada. Aliás, o que hoje vemos é apenas mais um episódio que revela o verdadeiro bloqueio da nossa agricultura, não por falta de qualidade, nem por ausência de esforço dos produtores, mas por falta de estratégia governativa e de operacionalização eficaz das soluções.

O Governo Regional apresenta como conquista a homologação dos contentores de transporte de gado, agora feita nos Açores. E sim, é um avanço. Mas de pouco serve celebrar esta medida se os contentores homologados não saem do porto.

A homologação só é útil se estiver integrada num sistema logístico que funcione: com contentores disponíveis, navios a operar com regularidade e uma cadeia de transporte pensada para servir a produção agrícola. A verdade é que o problema está longe de ser técnico, é político. E é estratégico.

A ausência de planeamento, a descoordenação entre setores e a incapacidade de antecipar constrangimentos logísticos demonstram que este Governo continua a tratar os transportes como um detalhe, quando deveriam ser uma prioridade.

Casos como os da Graciosa, do Pico, das Flores ou de Santa Maria não são pontuais: são sintomas de uma estrutura de transportes desajustada às necessidades da produção agrícola dos Açores. E este desajuste tem um custo real: retém rendimento, penaliza o investimento e frustra os agricultores que, de boa-fé, acreditaram nas promessas feitas de que a reconversão do setor leiteiro para a carne seria uma solução de futuro.

Mas essa reconversão exigia, no mínimo, garantir as condições de escoamento. Impuseram-se mudanças sem criar as condições para que fossem sustentáveis. E quando o gado não sai da ilha, o prejuízo instala-se.

O Partido Socialista defende que a agricultura é, e continuará a ser, um dos principais motores do desenvolvimento regional. E para que esse motor funcione, não basta dizer que se apoia a produção. É preciso garantir que o que se produz chega aos mercados em tempo útil, com previsibilidade e competitividade.

Tem sido uma reivindicação constante do Partido Socialista a implementação de um modelo de transportes marítimos moderno, eficiente e justo, que assegure não só o menor custo no acesso ao exterior, mas também a coesão interna entre as ilhas. Essa visão está também refletida na moção “Um Novo Futuro”, onde se reafirma a necessidade de um sistema que integre fluxos contentorizados, rotas fiáveis, ligação com outros modos de transporte e forte investimento público nas ligações inter-ilhas.

O objetivo é claro: garantir que nenhuma ilha fica para trás e que os produtores têm condições para competir e prosperar.

É preciso pôr fim a esta política de improvisos, que vai apagando fogos com baldes vazios.

O que se exige é capacidade e vontade política para implementar uma estratégia integrada e funcional para os transportes, uma estratégia que sirva os agricultores e a economia regional.

Quem governa não pode apenas aplaudir contentores parados. Tem de garantir que eles andam, e que andam ao serviço de quem trabalha todos os dias para fazer da agricultura um pilar sólido do nosso presente e um compromisso com o futuro.

Açores registam 4.409 desempregados em junho

© D.R.

Os Açores registaram 4.409 desempregados inscritos no Centro de Qualificação e Emprego da região, no final do mês de junho, anunciou esta quinta-feira, 26 de junho, o Governo regional dos Açores, através através da Secretaria Regional da Juventude, Habitação e Emprego.

Segundo a nota de imprensa enviada às redações, verifica-se uma descida de 0,72 por cento em relação ao mês anterior e de 10,88 por cento em relação ao mês homólogo.

No mês de junho, foram satisfeitas mais 109 ofertas, que se refletiram na colocação de 120 açorianos no mercado de trabalho.   

Dos desempregados que se encontravam à procura de novo emprego, 74,09 por cento enquadravam-se no setor de serviços e correspondiam a 89,45 por cento da totalidade dos desempregados inscritos.

Relativamente à distribuição por ilha, São Miguel registava 70,83% dos desempregados na região, a ilha Terceira, 13,74%, Pico, 4,29 por cento, Faial, 3,72%, São Jorge, 2,18%, Graciosa, 2,04%, Flores, 1,50%, Santa Maria, 1,68 % e Corvo 0,02%.

Quanto aos concelhos da região, Ponta Delgada, Ribeira Grande e Angra do Heroísmo representavam 58,70 por cento da totalidade dos desempregados registados nos Açores.

No que concerne aos programas de inserção socioprofissional existiam, em junho de 2024, 1.697 ocupados na região, sendo 915 homens e 782 mulheres.  

Relativamente às medidas de promoção de emprego jovem, foram observados 1.595 jovens a desenvolver projetos em contexto real de trabalho, com destaque para o Estagiar L e T, e 167 açorianos em formação.