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Futuro da agricultura em debate em colóquio sobre Acordo UE-Mercosul e Apoios Europeus

Iniciativa reúne, no Recinto da Feira em Santana, especialistas e eurodeputados para discutir o impacto dos novos cenários macroeconómicos no setor agrícola açoriano

Sessão de abertura será conduzida pelo presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita © CLIFE BOTELHO

A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) promove na próxima sexta-feira, 6 de março, às 10h30, um colóquio dedicado ao tema “O Acordo UE-Mercosul e o Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034”. O evento, que terá lugar nas instalações da própria associação, situadas no Recinto da Feira, em Santana, na Ribeira Grande.

A sessão de abertura será conduzida pelo presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, e pelo secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura. O debate contará com as intervenções de Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Eduardo Diniz, diretor do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP), e dos deputados ao Parlamento Europeu, Paulo Nascimento Cabral e André Franqueira Rodrigues.

O encontro visa promover uma reflexão profunda sobre os desafios e impactos que o tratado comercial entre a União Europeia e o Mercosul poderá representar para a produção regional, analisando simultaneamente o desenho do novo Quadro Financeiro Plurianual para o período de 2028 a 2034.

Em nota enviada pela AASM, a associação destaca a importância estratégica deste evento para a comunidade agrícola local, convidando todos os interessados a participarem nesta sessão de esclarecimento e análise sobre o futuro dos apoios e da competitividade do setor.

Governo regional e Conselho de Ilha alinham futuro do Hospital do Divino Espírito Santo

Executivo propõe reorganização profunda no atual perímetro do hospital, aproveitando as estruturas modulares para garantir a continuidade dos cuidados de saúde em São Miguel

© MIGUEL MACHADO

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, reuniu-se esta segunda-feira, 9 de fevereiro, no Palácio da Conceição, em Ponta Delgada, com a Mesa do Conselho de Ilha de São Miguel para discutir o plano de recuperação e modernização do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES). O encontro, que contou com a presença da secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, serviu para apresentar as linhas mestras de uma solução que passa pela reorganização do atual perímetro hospitalar, em vez de uma construção de raiz noutro local.

Segundo a nota de imprensa enviada pela Presidência do Governo, o líder do executivo sublinhou que a estratégia passa por “tirar partido da capacidade já instalada”, integrando a atual estrutura modular, implementada após o incêndio de maio de 2024, numa resposta hospitalar mais robusta. José Manuel Bolieiro defendeu uma intervenção concentrada e profunda, afirmando que “o objetivo é garantir que São Miguel disponha de uma resposta hospitalar moderna, funcional e preparada para o futuro, aprendendo também com a experiência recente”.

De acordo com os trabalhos técnicos em curso, o futuro hospital terá um reforço expressivo na componente ambulatória, seguindo os modelos assistenciais mais atuais. Os planos funcionais preveem igualmente o alargamento de áreas críticas como a cirurgia, o internamento, a urgência e os cuidados intensivos. O governante sublinhou que a estrutura modular continuará a ter um papel relevante durante as fases de intervenção, funcionando como suporte à atividade assistencial, pois “é fundamental assegurar estabilidade no serviço prestado à população enquanto se constrói uma solução duradoura”.

Por sua vez, o presidente do Conselho de Ilha de São Miguel, Jorge Rita, considerou que o processo deve ser conduzido com prudência. O representante defendeu uma abordagem faseada e financeiramente sustentável, sublinhando a importância de reforçar, em paralelo, a rede de cuidados de saúde primários na ilha. O projeto final para o HDES será oportunamente apreciado em Conselho do Governo, não existindo ainda um calendário fechado para a sua apresentação pública.

Federação Agrícola dos Açores contesta redução no preço do leite e avisa que matéria-prima poderá escassear

Federação afirma que a falta de bom-senso da indústria poderá levar à escassez de leite no mercado nos próximos tempos

© DL

A Federação Agrícola dos Açores (FAA) manifestou a sua forte oposição à decisão unilateral da UNICOL de reduzir em três cêntimos por litro o preço do leite pago aos produtores das ilhas Terceira e Graciosa. Em nota enviada à comunicação social, a estrutura liderada por Jorge Rita classifica a medida como uma “agressão económica e psicológica” e alerta que a estratégia de defesa dos produtores poderá levar à falta de leite no mercado.

A redução, que entrou em vigor esta quarta-feira, 4 de fevereiro, é justificada pela UNICOL com uma alegada “conjuntura adversa”, argumento que não convence os representantes dos agricultores. Na nota emitida, a FAA sublinha que este corte atinge um valor “de que não há memória” e lamenta que a medida surja num momento crítico, alegando que esta decisão “arrasa o esforço de investimento por parte dos agricultores e dos jovens agricultores, que estão a recorrer ao PEPAC”. Para a federação, a atitude da indústria demonstra uma falta de sensibilidade perante o esforço de modernização que o setor tem vindo a realizar.

A apreensão da FAA estende-se ao impacto sistémico que esta decisão pode ter no arquipélago, temendo que a postura da UNICOL acabe por “contaminar a restante indústria e lançando expetativas negativas sobre o sector” em todas as ilhas. Perante o que considera ser uma situação “complexa e muito difícil”, a federação anunciou que irá avançar junto do Governo regional dos Açores com uma proposta de reconversão para mais três mil direitos de vacas aleitantes. Esta medida, que visa a transferência da produção de leite para a carne, deverá abranger cerca de meia centena de produtores, sendo descrita como uma “saída, que não é desejada”, mas que se afigura como urgente e “provocada pela própria indústria”.

O comunicado termina com um aviso severo aos industriais. A FAA recorda que apelou ao bom-senso em tempo útil, mas perante a inflexibilidade da UNICOL, avisa que “a disponibilidade de matéria-prima poderá escassear, face à estratégia que a produção implementará nos próximos tempos”. Segundo a federação, os produtores serão forçados a adotar medidas de autodefesa contra aquela que consideram ser uma gestão que ignora a viabilidade de quem está na base da cadeia de valor.

Tribunal de Contas Europeu legitima reivindicações da Federação Agrícola dos Açores sobre o POSEI

Análise técnica vai ao encontro das preocupações manifestadas por Jorge Rita, que tem defendido o reforço e a manutenção do POSEI como um instrumento autónomo

© DL

Um novo relatório do Tribunal de Contas Europeu (TCE) veio reforçar a posição da Federação Agrícola dos Açores (FAA), apontando a necessidade urgente de avaliar e reforçar o programa POSEI para garantir a sustentabilidade e valorização dos produtos lácteos nas regiões ultraperiféricas.

A divulgação desta auditoria ao Programa de Opções Específicas para fazer Face ao Afastamento e à Insularidade (POSEI) confirma que, embora o setor do leite nos Açores se tenha mantido competitivo e com níveis estáveis de produção graças a estes apoios, a sua viabilidade a longo prazo enfrenta sérios riscos. O documento alerta para desafios ambientais, climáticos e demográficos que afetam particularmente o arquipélago, recomendando que a ajuda seja reforçada para contrariar resultados “globalmente modestos” na diversificação agrícola.

Esta conclusão vai ao encontro das preocupações manifestadas por Jorge Rita, presidente da FAA, que tem defendido o reforço e a manutenção do POSEI como um instrumento autónomo. Em nota de imprensa enviada às redações, a Federação repudia a intenção da Comissão Europeia de integrar estas verbas nos fundos nacionais no próximo Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034, alertando para os impactos negativos que tal mudança teria no rendimento dos agricultores açorianos, já fustigados pela instabilidade dos preços à produção.

Um novo relatório do Tribunal de Contas Europeu (TCE) veio reforçar a posição da Federação Agrícola dos Açores (FAA), apontando a necessidade urgente de avaliar e reforçar o programa POSEI para garantir a sustentabilidade e valorização dos produtos lácteos nas regiões ultraperiféricas.

A divulgação desta auditoria ao Programa de Opções Específicas para fazer Face ao Afastamento e à Insularidade (POSEI) confirmou que, embora o setor do leite nos Açores se tenha mantido competitivo e com níveis estáveis de produção graças a estes apoios, a sua viabilidade a longo prazo enfrenta sérios riscos. O documento alerta para desafios ambientais, climáticos e demográficos que afetam particularmente o arquipélago, recomendando que a ajuda seja reforçada para contrariar resultados que considera serem “globalmente modestos” na diversificação agrícola.

O relatório é incisivo ao apontar que a resposta atual do POSEI tem sido insuficiente perante as fragilidades estruturais das regiões ultraperiféricas. Segundo a auditoria, a sustentabilidade do setor está comprometida pela falta de uma estratégia eficaz de valorização dos produtos lácteos e pela incapacidade do programa em responder totalmente às metas de diversificação animal e vegetal. Estas conclusões expõem a fragilidade do modelo atual, que, apesar de manter a produção, não garante a segurança económica dos agricultores face às crescentes exigências europeias.

Esta análise técnica vai ao encontro das preocupações manifestadas por Jorge Rita, presidente da FAA, que tem defendido o reforço e a manutenção do POSEI como um instrumento autónomo.

Em nota de imprensa enviada às redações, a Federação repudia a intenção da Comissão Europeia de integrar estas verbas nos fundos nacionais no próximo Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034, alertando para os impactos negativos que tal mudança teria no rendimento dos produtores açorianos, já fustigados pela instabilidade dos preços à produção e pelo “fantasma” da descida dos valores pagos à porta da exploração.

Para a FAA, este documento do TCE serve de argumento decisivo junto da Comissão Europeia e das entidades nacionais e regionais. A organização espera agora que estas conclusões críticas sejam levadas em conta no momento em que se negoceiam os apoios fundamentais para garantir a estabilidade e a sobrevivência da agricultura açoriana nos próximos anos.

Jorge Rita exige previsibilidade financeira e Governo dos Açores responde com calendário de pagamentos para 2026

Presidente da Associação Agrícola de São Miguel alertou para os pagamentos em atraso e a necessidade de incentivos fiscais para jovens agricultores, ao que o presidente do Governo dos Açores respondeu com o anúncio de 24 milhões de euros em fundos comunitários e o compromisso de negociar um calendário de pagamentos para 2026

© CLIFE BOTELHO

A abertura oficial do Concurso Micaelense Holstein Frísia de Outono, no Recinto da Feira de Santana, concelho da Ribeira Grande, ficou marcado esta sexta-feira, 28 de novembro, pelos discursos do presidente da Associação Agrícola de São Miguel (AASM), Jorge Rita, e do presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, sobre a sustentabilidade do setor agrícola açoriano.

Jorge Rita exigiu o fim dos atrasos nos pagamentos de ajudas e uma política de incentivo fiscal para os jovens agricultores açorianos, ao que o presidente do Governo regional dos Açores respondeu com o anúncio de fundos comunitários e um compromisso de maior previsibilidade financeira para 2026.

O presidente da AASM iniciou o seu discurso elogiando a “extraordinária qualidade” da produção regional, que lidera todos os rankings da CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal. Contudo, realçou que este desempenho não se reflete de forma justa no rendimento dos agricultores, criticando a falta de agressividade comercial e a necessidade de se promover a marca Açores de forma mais consistente.

O líder associativo apontou o que considera ser um grave problema social, nomeadamente a dificuldade em atrair jovens para um setor que exige “dedicação 365 dias por ano”. Para reverter a situação, defendeu que, além do reforço das ajudas, é crucial “reduzir as questões fiscais” e eliminar a alegada discriminação nas ajudas nacionais. A reivindicação mais urgente centrou-se nos pagamentos em atraso, tendo Jorge Rita exigido a calendarização das ajudas para que os produtores tenham previsibilidade, enquanto sublinhou que cumprem “à risca” os seus compromissos fiscais e com a Segurança Social, enquanto esperam a mesma retidão por parte do Governo dos Açores.

© CLIFE BOTELHO

Já o presidente do Governo regional, José Manuel Bolieiro, no seu discurso, reconheceu que o atraso nos pagamentos o deixa “comovido e incomodado”, prometendo um esforço para cumprir os compromissos. O principal anúncio de investimento foi a abertura, a partir de dezembro, do PEPAC – Plano Estratégico da Política Agrícola Comum, com a disponibilização de 24 milhões de euros em investimentos distribuídos mensalmente ao longo de seis meses “para assegurar pagamentos a tempo e horas”.

Em resposta às críticas de burocracia, o presidente do executivo açoriano anunciou medidas de simplificação, incluindo o aumento da taxa de comparticipação de 75% para 85%, a eliminação dos limites máximos de investimento e a eliminação da exigência de estudos económicos, visando melhorar a liquidez dos empresários. Adicionalmente, anunciou e destacou o reforço de dois milhões para candidaturas no programa VITIS, financiado pelo Fundo Europeu Agrícola de Garantia, incentivando a diversificação da vitivinicultura.

Face aos atrasos nos pagamentos, o governante assumiu o compromisso de negociar um calendário de pagamentos: “Nós vamos negociar um calendário de pagamentos para 2026, para que dê previsibilidade, estabilidade e regularidade nos pagamentos,” assegurou. O discurso terminou com o reconhecimento do papel essencial dos agricultores açorianos como “jardineiros do nosso ambiente” e um elogio ao “hoje Comendador Jorge Rita” pela sua capacidade de “diálogo e crítica construtiva”.

Jorge Rita condecorado pelo Presidente da República

© DIREITOS RESERVADOS

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou esta segunda-feira, 24 de novembro, Jorge Rita com o grau de Comendador da Ordem do Mérito Empresarial, na classe do Mérito Agrícola, numa cerimónia realizada no Palácio de Belém, em Lisboa.

A distinção reconhece o percurso e o contributo de Jorge Rita para o desenvolvimento do sector agrícola e do movimento associativo nos Açores e a nível nacional.

Recorde-se que Jorge Rita iniciou a sua atividade no setor associativo em 1999, como vice-presidente da direção da Associação Agrícola de São Miguel (AASM) e da Cooperativa União Agrícola.

Em 2002, foi eleito presidente de ambas as instituições, funções que exerce até ao presente. Desde 2008, preside igualmente à Federação Agrícola dos Açores. É ainda vice-presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP). Paralelamente, lidera o Centro de Estratégia Regional para a Carne dos Açores (CERCA) e desempenha vários cargos de relevo em entidades representativas do setor. É presidente da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Criadores da Raça Frísia desde 2003, da Associação para o Desenvolvimento e Promoção Rural (ASDEPR) desde 2008, e da Assembleia Geral da Associação Nacional de Engordadores de Bovinos desde 2013.

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) homenageou, esta terça-feira, dia 25 de novembro, Jorge Rita no jantar comemorativo dos 50 anos da CAP, realizado no Palácio de Xabregas, em Lisboa.

A distinção reconhece os 20 anos de dedicação do dirigente açoriano aos órgãos sociais da CAP e o seu “contributo determinante para a defesa e valorização da agricultura nos Açores e em Portugal” indica a nota de imprensa da AASM. 

José Manuel Bolieiro enaltece “50 anos de dedicação” da Associação Agrícola de São Miguel

© CLIFE BOTELHO

O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, participou esta sexta-feira, 5 de setembro, na cerimónia que assinalou o 50.º aniversário da Associação Agrícola de São Miguel, sublinhando a “relevância” histórica e o papel “determinante” da instituição no desenvolvimento do setor agrícola açoriano.

O governante destacou a visão dos fundadores e o trabalho contínuo de dirigentes, colaboradores e associados.

“Cinquenta anos de história são, sobretudo, cinquenta anos de dedicação e de resiliência em defesa da agricultura e dos agricultores de São Miguel. É justo reconhecer a todos os que ajudaram a construir este caminho”, lembrou.

O líder do executivo açoriano enalteceu ainda o papel do presidente da direção, Jorge Rita, e de todos os que, ao longo das décadas, serviram a instituição, afirmando que “o prestígio da Associação Agrícola de São Miguel resulta da missão de quem a fundou, mas também da liderança e do trabalho consistente que hoje a projetam a nível regional e nacional”.

Perante a presença do Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, José Manuel Bolieiro reafirmou a importância de políticas nacionais que tenham em conta a especificidade das Regiões Ultraperiféricas e o contributo açoriano para a segurança alimentar do país.

Sublinhando os desafios do setor, como o aumento da produção alimentar, a sustentabilidade ambiental e a inovação tecnológica, o Presidente do Governo dos Açores assegurou empenho contínuo na defesa dos agricultores açorianos.

“A Associação Agrícola de São Miguel é amiga da dignidade e do rendimento dos nossos agricultores, e com ela partilhamos a responsabilidade de preparar o futuro com confiança e determinação”, afirmou José Manuel Bolieiro.

No âmbito das comemorações, foram igualmente prestadas várias homenagens.

Destacaram-se os sete sócios fundadores que, desde 1975, mantêm vínculo ininterrupto à Associação: António Manuel Cabral da Ponte, Armando Botelho Henrique, Armando Soares Cordeiro Jr., Gilberto Jacinto dos Santos, João do Rego Pavão, José Tavares Casaca e Maximino Sousa Galvão. Foram ainda atribuídas homenagens de Mérito Empresarial e Profissional, a título póstumo, a Dionísio Raposo Leite, Francisco Amâncio de Oliveira Macedo, Humberto Silva, Manuel Joaquim da Costa Leite, Mário da Silva Almeida e Miguel Alves Medeiros Diogo. O Prémio Carreira distinguiu Luís Nuno Ponte Neto de Viveiros, pelo percurso notável em prol da agricultura micaelense. A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) recebeu também uma homenagem institucional pela longa colaboração mantida.

Foram igualmente lembrados os antigos presidentes da direção da Associação, António Maria Correia do Carmo (a título póstumo), Paulo Alberto Moniz Teves, António de Oliveira Cymbron, José Francisco Almeida Barbosa e Manuel António Oliveira Martins e os antigos presidentes do Governo dos Açores, João Bosco Mota Amaral, Alberto Madruga da Costa (a título póstumo), Carlos César e Vasco Cordeiro. Por fim, a própria Associação Agrícola de São Miguel prestou uma homenagem especial ao atual presidente do Governo, José Manuel Bolieiro, reconhecendo a colaboração próxima, a visão estratégica e o compromisso com o fortalecimento da agricultura açoriana.

A cerimónia contou ainda com a presença do Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes; do presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, Luís Garcia; do presidente da direção da Associação Agrícola de São Miguel, Jorge Rita; do presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, Álvaro Mendonça e Moura; do presidente da Assembleia Geral da Associação Agrícola de São Miguel, Eugénio Câmara; bem como dos vogais da direção da Associação Agrícola de São Miguel, Jorge Sousa e Valter Melo.

Associação Agrícola de São Miguel celebra meio século de existência com gala comemorativa

Cerca de 1300 pessoas marcaram presença no evento que pretendeu ser um momento de reconhecimento e homenagem na valorização da agricultura açoriana

© CLIFE BOTELHO

A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) celebrou esta sexta-feira, 5 de setembro, o seu 50.º aniversário com uma gala comemorativa que reuniu cerca de 1.300 pessoas.

Realizado na sede da associação, no Parque de Exposições de Santana, em Rabo de Peixe, o evento foi apresentado pelo humorista Herman José e marcou meio século de trabalho em prol da agricultura açoriana.

O encontro revelou-se um momento de reconhecimento e homenagem, contando com a presença de associados, representantes de diversas entidades regionais e nacionais, e convidados ligados ao setor agropecuário. A gala destacou o contributo de várias personalidades e instituições.

No seu discurso, o presidente da AASM, Jorge Rita, realçou a resiliência e independência da instituição ao destacar que o evento representa “uma justa homenagem a estas pessoas que contribuíram para a afirmação da Associação Agrícola de São Miguel e para a valorização da agricultura açoriana”.

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Jorge Rita fez questão de sublinhar ainda a independência económica e financeira da associação, afirmando que a “reivindicação forte, consistente, de confiança e de segurança” só é possível quando não se está “dependente nem de nada nem de ninguém”. O responsável também recordou o papel essencial dos agricultores durante a pandemia, realçando que, enquanto “tudo parou”, continuaram a trabalhar, produzir e “dar vida à terra”.

Concluindo, Jorge Rita destacou a alimentação como a base da agricultura. “O princípio está sempre na base: a alimentação. E a alimentação faz-se, e far-se-á sempre, com os agricultores. Vocês são especiais”, disse o presidente da AASM, pedindo um forte aplauso para todos os agricultores. Por fim, deixou uma crítica à política europeia, alertando que o “desinvestimento na agricultura é desinvestimento na defesa”, defendendo que a melhor defesa que qualquer país pode ter é o investimento na alimentação.

A celebração dos 50 anos da instituição demonstrou o orgulho dos presentes no passado e a confiança no futuro, renovando o seu compromisso de continuar a trabalhar por uma agricultura moderna, sustentável e competitiva.

Jorge Rita alerta para os entraves que persistem na economia açoriana

Presidente da Federação Agrícola dos Açores defende uma atualização do programa POSEI com base na inflação e um regime de ajudas para os transportes marítimos. A mecanização e a formação são apontadas como soluções para a falta de mão de obra

Jorge Rita deixa mensagem de incentivo aos jovens agricultores © CLIFE BOTELHO

DL: Tem marcado posição com várias ações ao longo do ano. Trata-se do que prometeu?
Sim. A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) e a Federação Agrícola dos Açores, como organizações de reivindicação, têm reivindicações muito fortes neste momento. E, também, estamos em cima dos acontecimentos europeus, que se relacionam com os quadros comunitários de apoio. Seja o que está a terminar ou o que ainda não começou, estamos sempre a trabalhar no que virá a seguir. Tudo isso requer muito trabalho, intensidade, e pressionar aqueles que têm depois a capacidade de negociar na União Europeia (U.E.).

DL: Participou no Fórum das Regiões Ultraperiféricas em Bruxelas. Como correu?
Participo muitas vezes na área da Comissão da Agricultura. Temos sempre que marcar a posição dos Açores de forma firme. Somos uma região ultraperiférica, e o que transmitimos é que os Açores dão mais a Portugal e muito mais à Europa.
A soma da população das regiões ultraperiféricas é de quase seis milhões de habitantes. Essas regiões têm mais habitantes do que alguns países da Europa.
Quando se trata das negociações a nível do programa POSEI, todos nós estamos alinhados, porque queremos uma atualização. O próprio Comissário reconhece que a nossa reivindicação é justa. Todos os programas de apoio para todos os países levam em consideração a inflação, mas o POSEI nunca foi contemplado. Houve um decréscimo que nos custou mais de 30 milhões de euros ao longo do tempo, valor que poderíamos ter recebido se houvesse uma atualização por meio da inflação. O que pretendemos é que, no mínimo, a inflação também seja tida em conta no POSEI. Além disso, queremos um claro reforço não só para o POSEI, mas também para as ajudas diretas a agricultores e pescadores. O que desejamos na Região Autónoma dos Açores é ser mais competitivos em relação aos transportes marítimos. Sem um auxílio do Estado ou da UE, a nossa economia fica completamente estrangulada nos Açores.

DL: De que forma o problema dos transportes marítimos continua a afetar a região?
É o maior problema que nós temos. O que explica o insucesso da nossa economia está muito relacionado com os transportes marítimos. Nós, que importamos e exportamos, sabemos o quanto custa e que isso reduz a nossa competitividade. O que devia ser criado é um regime estatal de ajudas compensatórias, semelhante ao que já existe para os transportes aéreos. Qualquer região ou país, principalmente nós que estamos rodeados pelo mar, depende dos transportes marítimos para praticamente tudo. Já que existe uma discriminação positiva através das ajudas compensatórias para os transportes aéreos, que funcionam plenamente, seria importante que também fossem contemplados com esse tipo de apoios os transportes marítimos. Aí sim, a nossa economia tornar-se-ia competitiva. E, obviamente, isso também se refletiria em tudo o que produzimos.

DL: A mecanização seria uma solução para a falta de mão de obra?
É o caminho, porque não só na área do leite, mas na das hortícolas também pode ajudar. Esse é um caminho que toda a gente já percebeu que vai ter que acontecer, já que a falta de mão de obra é brutal, e não só no nosso setor, é transversal. E isso faz com que o crescimento em algumas áreas não esteja a acentuar-se.

DL: E que balanço faz da transição para a produção de carne?
As pessoas que agora estão na carne estão muito seguras e confiantes. O mercado está favorável, podemos considerar que foi uma aposta ganha e o alerta que nós lançamos sempre aos industriais do leite é para que estejam atentos. Se a carne continuar neste patamar de crescimento, poucos vão querer continuar a produzir leite. Este ano nota-se bem o entusiasmo, porque os produtores têm um perfil diferente de ilha para ilha mas começa a haver alguma especialização na produção da carne. Este tipo de transferência vai ser muito rápida, mais rápida do que se pensa. É o caminho da valorização da carne e é mais uma opção. Isso é excelente.

DL: Fala-se também na importância da formação.
Estamos a fazer parcerias com as escolas de formação e agora temos um acordo com a Universidade dos Açores, que vai abrir um curso. Precisamos que se inscrevam.
Eu sei que há inscrições vindas de fora da região. O que nós pretendíamos também é que os nossos aproveitassem esta oportunidade. Estamos a sensibilizar os nossos associados para a importância que o curso pode ter na agroindústria, nas fabricações e mecanizações. Esta era uma reivindicação de muitos anos. Estamos com a agroindústria e toda a indústria a abraçar esse projeto, porque todos nós precisamos de mão de obra. Quem for formado nestas áreas, começa já a trabalhar.

DL: A AASM celebra 50 anos a 5 de setembro. Que incentivo deixa aos jovens para apostarem na agricultura?
O que eu posso dizer é que a agricultura está no nosso ADN, todas as famílias açorianas têm alguém ligado ao setor. Aos nossos jovens, o que precisamos é de transmitir confiança e segurança. Temos de acabar com o discurso de que esta vida de agricultor não presta, mas para isso é preciso que todos comecem, em conjunto, a ter um discurso positivo e a valorizar os nossos produtos. Se os jovens perceberem que podem ter uma vida confortável e com dignidade, eles avançam.
A modernização das explorações, a mecanização, a digitalização, todo o trabalho que é feito em prol dos jovens, dá-lhes ferramentas que eu não tive no meu tempo, e que os capacita para fazer algo diferente em relação ao que fizeram os pais. No entanto, a melhor ferramenta é fazer com que os jovens percebam que este setor de atividade é importante, que se sintam especiais e tenham orgulho.

Governo dos Açores reforça compromisso com agricultores e garante continuidade dos apoios

© MIGUEL MACHADO/GRA

O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, recebeu esta quinta-feira,  27 de março, em audiência os novos corpos sociais da Associação Agrícola de São Miguel (AASM) e da Cooperativa União Agrícola (CUA), liderados por Jorge Rita.

Em nota de imprensa, o líder do executivo açoriano destaca o papel estratégico destas instituições, enaltecendo o trabalho desenvolvido em prol da sustentabilidade e valorização da agricultura nos Açores.

“Deixo uma palavra de gratidão pela competência e o trabalho desenvolvido, que tem sido fundamental para a sustentabilidade dos nossos empresários agrícolas”, afirma, sublinhando ainda que “a afirmação da qualidade e da excelência da cadeia de valor resultante do produto agroalimentar tem a ver com a excelência do trabalho realizado”. 

José Manuel Bolieiro assegura que a agricultura vai continuar a ser uma prioridade no quadro orçamental do Governo dos Açores, garantindo que “os apoios são para manter” e que “não haverá novamente o regresso dos rateios” – uma referência às medidas adotadas por anteriores governos que levaram à redução dos subsídios agrícolas.

O governante reforça que a estabilidade e previsibilidade dos apoios financeiros são essenciais para garantir a continuidade e o desenvolvimento do setor. 

O executivo açoriano diz manter um diálogo permanente com a União Europeia para garantir o reforço dos fundos do POSEI, um programa de apoio à produção agrícola nas regiões ultraperiféricas.

“Estamos a trabalhar para que o POSEI disponha de meios suficientes para assegurar os apoios justos e devidos à economia produtiva regional”, explicou José Manuel Bolieiro, acrescentando que, para 2025, o Estado português assumirá um financiamento de aproximadamente 16 milhões de euros. 

No decorrer da reunião, ficou também estabelecido um compromisso para a realização de encontros regulares, de forma a garantir um acompanhamento próximo das necessidades do setor e a previsibilidade dos pagamentos dos apoios financeiros. 

Jorge Rita, que recentemente foi reeleito para o seu último mandato à frente da AASM e da CUA, considerou a reunião produtiva e mostrou-se satisfeito com as garantias dadas pelo Governo dos Açores.

“O Governo continua a ser um parceiro essencial dos agricultores”, afirmou, realçando a importância do diálogo entre as entidades representativas do setor e o executivo açoriano. 

O encontro reforçou a relação de cooperação entre o Governo dos Açores e os agricultores açorianos, num momento em que a estabilidade e o fortalecimento do setor são fundamentais para a economia da Região.