
A Escola Básica Integrada (EBI) de Ponta Garça, no concelho de Vila Franca do Campo, viveu durante os últimos dias, uma intensa Semana Cultural que transformou a rotina dos seus alunos e professores. O encerramento oficial aconteceu esta sexta-feira, 27 de março, com uma simbólica romaria escolar.
Organizada pela Associação de Pais e Encarregados de Educação, a iniciativa levou cerca de 200 alunos, acompanhados por docentes e assistentes operacionais, numa caminhada de fé e tradição até à igreja de Nossa Senhora da Piedade, onde se celebrou uma eucaristia. Segundo a nota enviada pela direção da escola ao Diário da Lagoa, o evento terminou com um encontro familiar no Polivalente da Casa do Povo, reforçando os laços entre a escola e a freguesia através desta herança secular dos romeiros açorianos.

Ao longo de toda a semana, o estabelecimento de ensino foi palco de um vasto leque de atividades que cruzaram o saber tradicional com as novas tecnologias. No campo da literatura, os destaques foram para o “Chá com letras” — onde as avós de Ponta Garça partilharam histórias de tempos passados com os mais novos — e para a apresentação do livro “Aqui nasceu Ponta Garça”, de Renato Nunes. A escola soube também adaptar-se aos tempos modernos com o concurso Booktoker (via TikTok) e as Olimpíadas da Língua Portuguesa através da plataforma Kahoot. No plano ambiental e científico, os alunos hastearam a bandeira Eco-Escolas, participaram em observações de cetáceos com a Terra Azul e exploraram a robótica e a astronomia com o apoio do OASA e do Expolab.

O desporto e o futuro profissional dos jovens não foram esquecidos nesta edição. Os alunos puderam ainda visitar o Complexo Desportivo Pedro Pauleta, onde foram recebidos pelo próprio antigo internacional português, e participaram em sessões de manutenção física e dança.
A vertente do artesanato e da economia local também esteve presente com bancas de guloseimas de Páscoa, venda de plantas e trabalhos em tecido. A técnica tradicional da espadana foi um dos pontos altos da programação, com a realização de um atelier onde os alunos produziram flores a partir desta planta.
A Semana Cultural incluiu ainda a II Edição da Feira de Empregabilidade, Formação e Educação, que contou com uma mesa-redonda de antigos alunos e a participação de diversas escolas profissionais e forças de segurança (PSP e GNR), servindo de contacto direto entre a comunidade escolar de Ponta Garça e as opções de formação e carreira disponíveis na região.

A Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, na cidade da Lagoa, em São Miguel, reafirma a sua aposta na promoção da literacia e no fortalecimento dos laços comunitários com a realização de mais uma edição do projeto “Sábado em Família”. Segundo a nota de imprensa enviada pela Câmara Municipal da Lagoa à nossa redação, o evento terá lugar no dia 28 de março, pelas 16h00, nas históricas instalações do Convento de Santo António.
Sob o mote “Uma sessão para rir, sonhar e viajar sem sair do lugar!”, o encontro desta vez conta com a participação especial do grupo «Histórias Requinhas», coletivo que se dedica à arte de contar histórias como ferramenta de aproximação entre pais, filhos e o objeto livro. O grupo convidado, que iniciou o seu percurso em 2011, traz à cidade da Lagoa uma bagagem sólida na mediação de leitura. Com foco no despertar lúdico para o universo literário, as «Histórias Requinhas» têm investido continuamente em novas técnicas de narração oral e expressividade, transformando cada sessão num momento de performance envolvente. Ao longo dos anos, o coletivo tem colaborado com diversas bibliotecas e espaços culturais, especializando-se em ciclos de contos que privilegiam a proximidade com o público e a estimulação da criatividade tanto em crianças como em adultos.
A iniciativa, promovida pela autarquia lagoense através da sua biblioteca municipal, é de participação aberta ao público e não requer inscrição prévia, convidando as famílias da freguesia de Santa Cruz e de todo o concelho a desfrutarem de uma tarde diferente.

A Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, na freguesia de Santa Cruz, cidade da Lagoa, volta a abrir as portas à comunidade para mais uma edição do programa “Sábado em Família”. O encontro está marcado para o próximo dia 21 de fevereiro, pelas 16h00.
Sob o mote “Era uma vez… histórias e emoções em família!”, esta sessão pretende criar um ambiente de partilha e reflexão. Segundo a nota enviada pela Câmara da Lagoa às redações, o principal objetivo da iniciativa é a promoção da leitura, inserindo-se num projeto de cariz educativo e cultural que privilegia o convívio intergeracional entre pais, filhos, avós, netos, tios e sobrinhos.
Para conduzir esta tarde dedicada à imaginação, o município convidou duas especialistas com vasta experiência no território. Rita Silva, psicóloga escolar e mestre em Psicologia da Educação, desempenha funções na Escola Básica Integrada de Lagoa desde 2019. A profissional acredita que o segredo de uma convivência harmoniosa reside na empatia, defendendo que, “quando se escutam e compreendem as histórias por detrás dos comportamentos, tudo começa a fazer mais sentido”.
A acompanhar a sessão estará também Rosa Teixeira Santos, educadora de infância e professora do 1.º Ciclo com um percurso ligado à Escola da Relvinha (EB1/JI Tavares Canário). Residente no concelho desde 2000, a dinamizadora destaca o poder da narrativa oral como uma ferramenta fundamental para a aprendizagem e para o estreitar de laços entre as diferentes gerações de lagoenses.
A participação no evento é totalmente gratuita e aberta a toda a comunidade interessada. Para esclarecimentos adicionais, os munícipes podem contactar a Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira.

A Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, em Lagoa, inicia na próxima sexta-feira, dia 23 de janeiro, um novo clube de leitura intergeracional que visa promover o diálogo literário entre jovens e adultos. A iniciativa da Câmara Municipal nasce da fusão de duas propostas independentes apresentadas pela escritora Avelina da Silveira e pela estudante Matilde Subica Melo, que assumem agora a dinamização e moderação das sessões mensais.
O projeto decorre regularmente na terceira sexta-feira de cada mês, entre as 17h30 e as 19h00, com um calendário que alterna entre rodas de partilha livre e o debate sobre obras específicas. O programa arranca já no dia 23 com uma sessão de leitura livre, seguindo-se, a 20 de fevereiro, o debate sobre o livro «A Cicatriz», de Maria Francisca Gama. Até ao final do ano, o roteiro inclui ainda a análise de «Memorial do Convento», de José Saramago, em abril — obra integrada no currículo escolar do 12.º ano —, e uma sessão dedicada à obra da co-moderadora Avelina da Silveira, em outubro. O clube fará uma pausa entre os meses de junho e setembro.
A colaboração entre as duas dinamizadoras reflete o espírito de partilha de experiências que a biblioteca pretende fomentar. Matilde Subica Melo, aluna do 11.º ano na Escola Antero de Quental, desenvolveu a ideia após colaborar com a biblioteca através do programa OTL Jovem, focando-se na mobilização do público escolar. Por outro lado, Avelina da Silveira traz a experiência de uma carreira ligada ao ensino e à escrita, com formação académica em Psicologia, História e Sociologia obtida no Canadá, além de ser autora de sete livros publicados em português e inglês.
Com este novo espaço de educação não formal, o município refere em comunicado que pretende incentivar hábitos de leitura e transformar a biblioteca num local de encontro e lazer para a comunidade. As sessões são gratuitas, mas requerem inscrição prévia, que pode ser formalizada através dos contactos diretos da Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira ou dos canais digitais da autarquia.

Rui Tavares de Faria
Professor e investigador
Ao leitor habituado às minhas atualizações dos Caracteres, de Teofrasto, começo por pedir desculpa, porque, no presente número do Diário da Lagoa, comemorativo do seu 11.º aniversário, me permiti um “desvio”. No espetro das temáticas que dão corpo a esta nova edição, acolhi com muito bom grado o convite e sugestão do Sr. Diretor do DL, a quem agradeço, e decidi refletir sobre a leitura. Alguns pensarão – e até dirão –, “olha, mais do mesmo!…” Seja mais do mesmo ou não, a verdade é que ler é, ainda no meu entender, um dos melhores remédios para um número significativo de maleitas. Daí o título “Ler?! Isso (não) é para mim!”, que me permite uma explanação dúplice, procedimento que promove e estimula, espero que seguramente, a reflexão junto dos leitores.
“Ler?! Isso NÃO é para mim!” Quantas vezes já não ouvimos esta expressão? Quantos dos nossos alunos não a dizem, sem pruridos e convictos de que de facto o ato de ler não lhes traz quaisquer benefícios? Dispenso-me de dar a resposta, pois é do conhecimento de todos. O que temos vindo a assistir nas últimas três décadas, no que se refere ao uso e abuso das novas tecnologias, constitui, pelo menos na minha ótica, a causa primeira para que ouçamos amiúde que “isso de ler não é para mim…” O que tem substituído essa prática? As consolas, os videogames, as redes sociais, os telemóveis, a falta de atenção de pais e encarregados de educação, a ausência de hábitos de estudo e de interesses num futuro que não deve depender exclusivamente do universo da informática. Na verdade, entrar no quarto de uma criança, adolescente ou jovem adulto, nos dias de hoje, já não significa ver a cama do tipo de estúdio, com duas prateleiras com livros, já não é o mesmo que ver, num canto ao lado da janela, uma secretária ou escrivaninha com caderno e mais livros… Significa, isso sim, ver uns pufes bem almofadados diante de um mega ecrã, a que se juntam comandos de jogos; significa ver candeeiros que emitem jogos de luz que em pouco são saudáveis ao bem-estar ocular do miúdo ou da miúda. Perante esse cenário, é, portanto, perfeitamente aceitável e normal, ouvirmos, com convicção, “Ler?! Isso NÃO é para mim!”
É óbvio que, mesmo neste mundo dominado pelos avanços tecnológicos, que também nos são benéficos, alguém me diga para não ser mais um Velho do Restelo, que há e-books, que também se pode ler e escrever em gadgets sem papel, que muitos livros já foram e continuam a passar para a tela do cinema e, quase de imediato, para as plataformas de streaming, logo, para quê comprar livros? Para quê ter estantes em casa para livros? Mais duas questões cujas respostas estão na ponta da língua. Reconheço as potencialidades dos e-books e outras ‘coisas’ afins, mas deixo mais uma questão: por que razão os mais novos continuam a não ler? Não se trata, então, do meio através do qual se oferece a leitura, trata-se da falta de estímulo, da falta de exemplo… Os resultados da ausência de hábitos de leitura revelam-se prejudiciais, disso não tenhamos dúvidas. Quem diz que “Ler?! Isso NÃO é para mim!” é alguém que, normalmente, não se expressa bem, não escreve bem, não fala bem, não pensa bem… E ainda nos queixamos do estado em que se encontram certos estados democráticos?
“Ler?! Isso É para mim!”, afirmo-o aqui, sem medos e sem vergonhas. Essa prática, para muitos “da era dos dinossauros”, dá-me muitíssimo prazer, muito conhecimento, muita vontade de falar, de escrever e de partilhar com os outros, sejam eles alunos, sejam eles amigos, sejam eles colegas, sejam eles quem forem. Isso de ler é, na realidade, uma das minhas atividades favoritas e, neste sentido, tenho de deixar registados vários agradecimentos: o primeiro vai para os meus pais, que sempre me permitiram ler, sempre me incutiram o hábito de ir à biblioteca pública, nunca me tiraram os livros que eu tinha nas estantes do meu quarto, partilhado com o meu irmão que veio a seguir a mim, para pôr no seu lugar bibelots, medalhas e carrinhos em miniatura. O segundo vai para a minha irmã mais velha; era com quem eu ia à biblioteca, era com quem eu dividia as leituras, era com quem eu competia pelo número maior de livros lidos. O terceiro – e talvez o mais importante – vai para as minhas professoras e os meus professores, a começar pela minha professora do ensino primário.
Por isso, quando não há em casa quem possa ou consiga oferecer o fabuloso hábito de pegar num livro impresso e lê-lo, a tarefa fica nas mãos – e no exemplo – de quem ensina. Como poderão os alunos da atualidade gostar de ler, se lhes são apresentados tantos instrumentos, com letras, imagens e cores, através de PowerPoint? Através de quadros interativos? Como terão vontade de ler alunos a quem se diz “não é preciso leres o livro, lê antes o resumo”? Como desenvolverão competências e capacidades diversas – o aclamados skills – os alunos com quem os professores não partilham livros e experiências de leitura? As respostas a estas questões, deixo à responsabilidade dos meus leitores, aqueles que dedicaram uns minutos do seu tempo a LER(-me)! A eles, o meu bem-haja!

Com partida dos Ginetes, Pedro Paulo Câmara veio ao nosso encontro na cidade da Lagoa. A disponibilidade reflete o seu compromisso com a preservação do património cultural, onde se dedica a resgatar o legado de autores esquecidos, como Armando Côrtes-Rodrigues. O escritor argumenta que é um trabalho para “fazer justiça” à história e para garantir que a memória seja preservada.
Ao Diário da Lagoa (DL) começa por revelar que o seu interesse pela leitura e escrita começou na infância, inspirado em revistas que a sua avó recebia em casa, como a Reader’s Digest, e, principalmente, num baú de papéis antigos que um dia encontrou no granel da família. Aprofundou o gosto pela escrita na adolescência e na universidade, mas só publicou o seu primeiro livro aos 31 anos, após um período que considerou essencial para o seu amadurecimento. “Não existe a necessidade de sermos precipitados. Tudo tem o seu tempo.”, afirma.
Através de sua tese de mestrado, Pedro Paulo Câmara dedicou-se a um estudo especializado sobre Armando Côrtes-Rodrigues, escritor do século XX que, segundo ele, estava “garantidamente escondido”. A investigação resultou na publicação da obra Violante de Cysneiros: o outro lado do espelho de Côrtes-Rodrigues.
A paixão é o que impulsiona a sua intensa rotina e, ao nosso jornal, confessa que dorme poucas horas, pois o seu cérebro está sempre a criar novas ideias. Costuma organizar a cabeça durante a sua viagem de 30 quilómetros para o trabalho e no regresso a casa, que considera “altamente terapêutica”.
Influenciado pela sua dedicação ao escutismo, confessa: “Não tenho muitos medos e gosto de novos desafios”.
DL: Como se apresenta quando está fora da ilha?
Quando me perguntam de onde é que eu venho, eu digo sempre que venho dos Açores, antes de dizer de Portugal. Eu sinto que isso alimenta a magia e a curiosidade das pessoas. Sou um açoriano de corpo e alma, em permanente construção. Tenho dentro de mim a tranquilidade da lagoa das Sete Cidades e a energia da Ferraria.
DL: Publicou o seu primeiro livro aos 31 anos. O amadurecimento é crucial para um escritor?
Eu acho que não existe a necessidade de sermos precipitados. Tudo tem o seu tempo. No meu caso, precisei de um período de amadurecimento e ainda preciso. Sou um autor em permanente construção. Se me perguntar se o meu primeiro livro é o meu melhor, claro que não é, mas foi o mais importante. Foi o que me deu a coragem de enfrentar o público e um possível “não” de um editor.
DL: Uma parte do seu trabalho centra-se na investigação de autores açorianos. Porquê?
É uma forma de fazer justiça. A única forma de sobreviver à morte é mantermo-nos vivos na memória dos outros. Autores como Armando Côrtes-Rodrigues estiveram, de facto, desaparecidos. O meu trabalho é trazer esse legado para a modernidade. Eu quis tirar a sua produção literária do obscurantismo e revelá-la ao público, como fiz com Violante Cysneiros: Obra reunida, ou, como ainda recentemente aconteceu com Armando Côrtes-Rodrigues, Obra Dramática Dispersa, que reúne textos dramáticos inéditos do autor.
DL: Já sabemos que tem uma rotina intensa. De onde vem toda essa energia?
A massa que produz tudo isso é a paixão. É a única possível. Sou profundamente apaixonado por tudo aquilo que eu faço. A única forma de eu conseguir descansar é anotando as ideias que surgem à noite, para que não fiquem a remoer na cabeça.
DL: Hoje em dia estamos ligados às novas tecnologias. De que forma afeta aquilo que é? Eu acho que tudo deve ser colocado em perspetiva. Na década de 80 e 90, o facto de não ter tecnologias não me afetou em nada. Hoje, para dar aulas, produzir livros, estar em contacto com o mundo e fazer investigação, o computador e o telemóvel são vitais. Uso-os como um aliado. Divulgo o meu trabalho através das redes sociais, que também são um bom instrumento. Tento não ser dependente, mas nem sempre é exequível. Muitas vezes, estamos de forma irrefletida a fazer scroll ou perdidos numa quantidade de reels. Lembro-me do meu primeiro telemóvel e do meu primeiro computador, mas, também, da minha máquina de escrever. A verdade é que só tive uma máquina de escrever quando fui para a universidade e o computador no segundo ano. Nos meus primeiros trabalhos do secundário usávamos decalques com papel vegetal. Atualmente, para os trabalhos do ensino básico, já se usam três mil estratégias distintas, desde um PowerPoint a um Prezi. Muitas coisas mudaram, mas gostei de ter vivido naquela altura sem estes acessos todos. Fez-me desenvolver competências importantes.
DL: E isso reflete-se na sua escrita, por exemplo?
Sim, sem margem para dúvidas. A minha escrita reflete a minha forma de ver o mundo.
DL: Escreve com caneta ou com teclado?
Prefiro escrever com caneta, num caderno, quando é prosa ou poesia. Para investigação, com muitas obras em PDF e bibliografia aberta, escrevo no teclado.
DL: Como vê a relação dos jovens com a leitura hoje em dia?
Uma grande parte dos meus alunos tem uma quase antipatia natural pela leitura e leem, apenas, as obras a que estão obrigados e que o Programa apresenta. Eu acredito que a responsabilidade de incentivar a leitura não é só da escola, mas da família. Muitas vezes, um aluno abandona a leitura porque o livro obrigatório não lhe interessa e ainda não descobriu o seu género ou o autor que o faça apaixonar pela leitura.
DL: Enquanto houver leitores há esperança? Qual a sua mensagem para quem se preocupa com a cultura?
Sim, “enquanto houver leitores, há esperança”. Os autores estão a fazer por isso e eu sou um deles.

No próximo sábado, 4 de outubro, às 16h00, a Biblioteca Tomaz Borba Vieira recebe mais uma edição do programa “Sábado em Família”, uma iniciativa promovida pela Câmara Municipal de Lagoa, pensada para “aproximar a comunidade da leitura e proporcionar momentos de partilha entre miúdos e graúdos”, indica a nota de imprensa da autarquia.
Nesta sessão, intitulada “Histórias no Claustro (faça sol ou faça chuva)”, as educadoras de infância, Marina Franco e Sofia Fragoso, ambas com gosto pela área da promoção da leitura na sua prática profissional, vão dar vida a personagens e narrativas que prometem encantar famílias e estimular o gosto pelos livros.
O encontro decorre no Claustro do Convento de Santo António, na Lagoa, “num ambiente acolhedor que convida à imaginação e ao convívio intergeracional. Com esta iniciativa, a Câmara Municipal de Lagoa dá seguimento a um projeto de índole educativa e cultural em família, destinada a pais, filhos, avós, netos, tios e sobrinhos, em que o principal objetivo será a promoção da leitura”, indica a nota de imprensa.
Sofia Fragoso é educadora de infância e mãe de três filhos. Com vários anos de experiência em creche e atualmente a exercer em pré-escolar, tem acompanhado de perto as diferentes etapas do desenvolvimento das crianças. Licenciada pela Universidade dos Açores e com pós-graduação em Filosofia para Crianças, destaca-se pelo uso das narrativas como ferramenta pedagógica, incentivando o gosto pela leitura e alimentando a imaginação dos mais pequenos. Participou, como oradora, no Seminário «literatura na infância», organizado pela Câmara Municipal da Lagoa.
Marina Franco é mãe de uma menina. Licenciada em Educação Básica e Mestre em Educação Pré-escolar e Ensino do 1.º ciclo do ensino básico. Trabalhou na Biblioteca Municipal e foi professora do 1.º ciclo, durante quatro anos, em Ponta Garça e na ilha do Pico. Trabalhou, também, como educadora de infância na creche «O Ninho», no Cabouco. Atualmente, trabalha na Escola Básica Integrada de Água de Pau.
A participação é gratuita e aberta a toda a comunidade.

A Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, com a colaboração das escolas do concelho da Lagoa, encontra-se a dinamizar um conjunto de iniciativas, no âmbito do Programa de Promoção da Leitura, assinalando a abertura do ano letivo 2025/2026, anunciou esta segunda-feira, 22 de setembro, a Câmara Municipal da Lagoa.
De acordo com nota de imprensa enviada às redações pela autarquia lagoense, o programa arrancou com os alunos da Escola Básica Integrada de Água de Pau, com a presença da vereadora da área da educação e cultura da Câmara Municipal, Albertina Oliveira, e decorreu no mesmo dia em que se assinalou o 13.º aniversário deste estabelecimento de ensino.
Na sessão de abertura, Albertina Oliveira, destacou “o simbolismo de iniciar este programa no dia do 13.º aniversário da Escola Básica Integrada de Água de Pau, uma instituição que acolheu com entusiasmo a proposta da autarquia e que tem sido um exemplo de proximidade e participação educativa”.
Um dos momentos centrais do programa é o projeto “Ler Ajuda a Crescer”, através do qual a Câmara da Lagoa oferece um livro a cada aluno do primeiro ano. “Este gesto, que pode parecer simples, traduz uma política educativa com significado: garantir que cada criança inicia o seu percurso escolar com um livro nas mãos, com um universo de possibilidades à sua frente e um estímulo concreto ao prazer de ler”, sublinhou Albertina Oliveira.
Deste programa, fazem ainda parte horas do conto, dinamizadas por Miguel Esteves, e ações intergeracionais, envolvendo alunos, famílias e a comunidade.
Outro ponto alto deste programa foi a reabertura do Polo de Leitura da Ribeira Chã, uma extensão da Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, e que contou com o apoio da Junta de Freguesia, na aquisição de alguns livros infantojuvenis, sendo que este polo de leitura foi instalado, anteriormente, pela Associação de Jovens da Ribeira Chã.
O espaço conta com cerca de mil livros e uma sala com materiais lúdicos e informáticos, “procurando aliar o educativo ao recreativo e criar um espaço inclusivo e multifuncional aberto à comunidade”, acrescentou a vereadora.
O programa prossegue, hoje e amanhã, com novas sessões do projeto “Ler Ajuda a Crescer” e atividades de promoção da leitura no CATL Borbas (Santa Cruz) e no Centro Social e Cultural do Cabouco.
Para Albertina Oliveira, segundo o comunicado, este é apenas o começo: “Esta não é apenas uma cerimónia de abertura. É o início de um percurso que pretende valorizar a leitura, levando-a onde ela é mais necessária e onde pode fazer a maior diferença”.
A autarquia conclui que o Programa de Promoção da Leitura “visa despertar o gosto pelos livros desde a infância e incentivar hábitos de leitura junto de todas as gerações”.

A Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, na freguesia de Santa Cruz, Lagoa, vai receber uma leitura comentada da obra «O Medo» de José Martins Garcia, estando a iniciativa a cargo de Roberto Jesus Reis, no próximo dia 7 de maio, pelas 10h30.
A iniciativa insere-se no âmbito das comemorações do Dia da Língua Portuguesa e da dinamização do fundo de José Martins Garcia. Trata-se de uma iniciativa aberta ao público em geral, embora dirigida preferencialmente a alunos e a instituições, de promoção da leitura e divulgação da obra em destaque.
Roberto Jesus Reis, nascido na ilha do Faial e residente em São Miguel, tem 57 anos, é licenciado em Educação e mestre em Estudos de Língua Portuguesa pela Universidade Aberta. Tem três livros de poesia editados e é editor das Chancelas Escritor Edições e Ilhas 9 Edições. É ator residente do grupo de teatro ETCENA da Associação Solidaried’arte (Associação de Educação e Integração pela Arte e Desenvolvimento Cultural Social e Local) e sócio fundador da mesma.
Segundo nota de imprensa enviada ao nosso jornal, a Biblioteca Municipal lançou-lhe o desafio pelo seu percurso no mundo dos livros e por ter abordado a obra de José Martins Garcia na sua dissertação de mestrado “A transcrição do medo: a abordagem de João de Melo e José Martins Garcia nas obras «Livro de Vozes e Sombras» e «O Medo»”. As duas obras tratam do tema da revolução de 25 de abril de 1974, abordando ambos os autores o período antes da revolução, o dia da revolução, o pós-revolução e a problemática da descolonização.
Esta ação visa divulgar a obra de José Martins Garcia, uma vez que a Biblioteca Municipal possui no seu acervo, fruto de uma doação concretizada por Pedro Queiroz, o fundo do escritor constituído por mais de 500 espécies bibliográficas da coleção particular de José Martins Garcia, com obras nas áreas da filosofia, psicologia e literatura. O fundo contempla, também, várias obras da sua autoria.

Eduarda Chora abriu as portas de sua casa ao nosso jornal, onde nos contou que nunca dispensa a leitura do Diário da Lagoa (DL), fazendo ainda questão que outros não deixem de o ler. Eduarda leva exemplares a quem já não consegue sair de casa para os levantar.
A leitora refere que, mesmo depois de reformada, leva uma vida “ativa” e que vive com grande vontade de “ajudar o próximo”, surgindo daí a entrega do jornal aos seus amigos. “Tenho algumas pessoas amigas e foi nesses relacionamentos que comecei a resolver a questão do jornal”, diz ao DL.
Desde os primeiros anos do Diário da Lagoa que Eduarda tem interesse na sua leitura. Conta que, de início, recolhia cerca de dois a três exemplares mensais, nos estabelecimentos mais próximos de sua casa, dando-os a algumas amigas que, rapidamente, começaram a demonstrar interesse em recebê-lo todos os meses. “O jornal fez-me adquirir muitas amizades novas e acaba por nos dar mais assunto de conversa”, revela.
Atualmente, Eduarda Chora levanta em torno de 13 jornais na loja “Pérola da Lagoa”. Faz questão de os ir buscar, coloca-os “dentro de um saco” e assim vai, de porta em porta, a casa daqueles que “demonstram curiosidade” na leitura, ficando com um exemplar para si. “Não vou dizer que não dá trabalho, mas eu gosto de fazer esse bem”, explica, mencionando que, no início de cada mês, já esperam encontrar no seu correio a nova edição do Diário da Lagoa. “Se eu não os conseguir ir buscar, ou se já não tiver exemplares disponíveis, essas pessoas começam a dar por falta a perguntar: “Afinal o jornal não vem?”.
As notícias do Diário da Lagoa são assunto de conversa entre Eduarda e aqueles a quem a leitora distribui o jornal, mas não só, porque chegam também ao Canadá. Eduarda Chora afirma que tem o costume de transmitir “para lá” as informações que acha mais importantes.
A leitora enfatiza que dá grande importância a “estar informada”, mas que gosta de se manter a par dos acontecimentos exclusivamente de forma tradicional. Eduarda não demonstra interesse em redes sociais e pouca vontade expressa em ver televisão. Para além dos jornais, sabe das novidades quando frequenta presencialmente certos eventos ou quando conversa com outros. “Eu gosto de ir presencialmente aos sítios, mas quando não estou presente, fico a par das coisas na mesma, através do Diário da Lagoa”, relata. O mesmo aconselha às amigas que demonstram tristeza por não conseguirem ir a eventos, porque embora não possam estar presentes, “têm a fotografia e a informação” que o DL proporciona.
Eduarda afirma adquirir muito “conhecimento” e “cultura” através da sua leitura e aprecia muito as notícias “locais” do nosso jornal. Ler, não apenas jornais, mas livros e revistas é algo que sempre apaixonou Eduarda. “O gosto pela leitura desde que era jovem fez nascer em mim o empenho pelos jornais”, conclui.
A nossa leitora termina a visita desejando que o Diário da Lagoa “continue por muitos mais anos” e que a ela também nunca falte saúde para nos acompanhar.