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Ponta Delgada apoia lançamento de livro escrito e ilustrado por alunos do concelho

Obra “Abraços de Histórias” reúne 16 contos originais desenvolvidos ao longo do ano letivo e integra a estratégia municipal de promoção da literacia e do sucesso educativo

© CM PONTA DELGADA

A vereadora da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Cristina do Canto Tavares, marcou presença no lançamento do livro “Abraços de Histórias”, uma publicação cuja edição contou com o apoio financeiro e logístico da autarquia micaelense. Segundo a nota de imprensa enviada pela instituição à nossa redação, a obra reúne um total de 16 histórias escritas e ilustradas pelos próprios alunos, tendo sido desenvolvida sob a coordenação pedagógica das professoras Ana Isabel D’Arruda e Patrícia Domingues no decorrer do ano letivo.

Durante a sessão de apresentação do livro, editado pela Nova Gráfica, a representante do município sublinhou o impacto da iniciativa no desenvolvimento das competências dos jovens autores. “Desejo-vos um futuro muito promissor e brilhante”, afirmou Cristina do Canto Tavares, acrescentando que os alunos “nunca devem deixar de acreditar que tudo é possível, desde que haja vontade, dedicação e trabalho”. A vereadora manifestou o desígnio de continuar a apoiar projetos que estimulem a leitura, a escrita e a criatividade, instando a comunidade escolar a desafiar as instituições públicas para a concretização de atividades com impacto na formação infantojuvenil.

O apoio a esta publicação foi enquadrado pela autarquia na estratégia corrente para o setor da educação no concelho vizinho. Na ocasião, Cristina do Canto Tavares referiu ainda que, a par do investimento na beneficiação e construção de edifícios escolares, o município tem procedido ao reforço da Rede de Bibliotecas Escolares através da oferta de livros e de equipamentos informáticos às escolas públicas do primeiro ciclo.

Jornais regionais chegam a todas as escolas e IPSS dos Açores para reforçar acesso à informação

Medida de promoção da leitura e apoio à imprensa escrita garante assinaturas de todos os títulos açorianos em instituições de solidariedade e ensino, combatendo a desinformação no arquipélago

© SRAPC

A rede de escolas e Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) de todas as ilhas dos Açores passou a contar com a presença regular da imprensa escrita regional. A execução deste programa de aquisição e distribuição de jornais foi assinalada esta quinta-feira, 5 de março, na Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, como uma ferramenta estratégica para garantir o acesso a conteúdos fidedignos e apoiar a sustentabilidade dos órgãos de comunicação social locais.

Durante uma visita à Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande, o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, reforçou que a presença dos jornais nestas instituições é uma garantia de transparência. “Num mundo em que a informação está disponível através de diversos mecanismos, mas essa informação não é uma informação fidedigna, os órgãos de comunicação social produzem uma informação confiável”, afirmou o governante, destacando o papel do jornalismo no combate às notícias falsas.

O programa, que teve início na segunda metade de 2025 e mantém a sua continuidade este ano, assegura que as assinaturas de todos os jornais da Região Autónoma dos Açores sejam distribuídas de forma abrangente por todo o território. Paulo Estêvão sublinhou a eficácia do modelo face ao panorama nacional: “Estamos a fazer com que os nossos jornais cheguem a todo o lado, a todo o território da região”, contrastando com as dificuldades de distribuição que se registam atualmente em várias capitais de distrito no continente português.

© SRAPC

Esta distribuição direta constitui o primeiro de quatro eixos de um plano estratégico mais vasto para o setor. O segundo pilar assenta no Sistema de Incentivos aos Media (SIM), que em 2025 representou um investimento regional de cerca de um milhão de euros. O terceiro eixo foca-se na publicidade institucional, abrangendo agora de forma equitativa as rádios que, segundo o governante, eram anteriormente o “parente pobre” dos apoios regionais.

O quarto pilar do plano dedica-se à capacitação profissional, com formações agendadas para 2026 em áreas como inteligência artificial e jornalismo de investigação, em parceria com o CENJOR e o Sindicato dos Jornalistas. Ao balançar a implementação destas medidas, Paulo Estêvão afirmou que o conjunto de apoios à comunicação social “triplica aquilo que acontecia antes”, em governações socialistas, reiterando o compromisso com a independência e a modernização da imprensa em todas as ilhas.

Cessação tabágica: resolução de Ano Novo?

Maria João Pereira
Farmacêutica

O tabagismo é o principal risco evitável para inúmeras doenças e a principal causa de morte prematura. Mesmo com toda a evidência científica disponível, continua a fazer parte do estilo de vida de muitas pessoas. E porquê? Porque provoca dependência física e psicológica. Os responsáveis por essa dependência são, entre outros, a nicotina e as nitrosaminas, componentes tóxicos e cancerígenos.

O consumo de tabaco é, assim, um hábito nocivo que não só prejudica a nossa saúde em diversos aspetos – físicos, emocionais e sociais – como a saúde daqueles que nos rodeiam, uma vez que a inalação do fumo do cigarro exalado afeta também os fumadores passivos.

O tabaco é um fator de risco para inúmeras doenças, nomeadamente:

Para além disso, o consumo de tabaco provoca alterações do paladar e do olfato, tosse e dificuldade respiratória, diminuição da capacidade de oxigenação, aumento do cansaço, úlceras gástricas, envelhecimento precoce e pele seca, entre muitos outros efeitos.

No foro psicológico, o consumo de tabaco intensifica a necessidade de fumar como forma de acalmar a ansiedade, criando um ciclo de falso alívio, breve e repetidamente seguido pela vontade de fumar.

Os benefícios? São desconhecidos.

Curiosamente, por ser considerado um ato social, faz com que os fumadores se sintam integrados num grupo. Chega mesmo a ser irónico como fazer uma pausa para fumar é, muitas vezes, mais aceite do que fazer uma pausa para respirar e organizar as ideias.

Uma boa resolução de Ano Novo seria, seriamente, a cessação tabágica, que traz consigo inúmeros benefícios: maior nível de energia, melhor capacidade de oxigenação, melhoria do bem-estar geral, mais saúde e vitalidade, melhoria do sistema imunitário, recuperação do paladar e olfato e entre muitos outros.

Apesar de ser um processo exigente, existem várias estratégias para deixar de fumar: consultas de cessação tabágica, fármacos, apoio psicológico, terapia comportamental e alteração do estilo de vida. A cessação pode ser abrupta ou gradual – o mais importante é tomar a decisão e mantê-la. A ajuda médica personalizada pode ser determinante no percurso.

Uma das estratégias existentes passa por definir o dia em que vai deixar de fumar, informar as pessoas próximas e cumprir – repetindo o ciclo as vezes que forem necessárias.
Le ambiente em que nos encontramos também pode facilitar ou dificultar a mudança de comportamento. Evitar espaços com fumo, locais associados ao consumo ou situações que o incentivem pode ser particularmente útil numa fase inicial.

Deixar de fumar não é uma questão de falta de força de vontade, mas sim de enfrentar uma dependência real. Cada tentativa conta, mesmo as que parecem falhar. O mais importante é não desistir de si. Com apoio, informação e tempo, é possível quebrar este ciclo e recuperar saúde, liberdade e qualidade de vida. Nunca é tarde para recomeçar. Nunca é tarde para cuidarmos da nossa saúde.

O que pensam leitores e jornalistas sobre a literacia mediática

Leitores e jornalistas consideram que a fronteira entre jornalismo e redes sociais é cada vez mais ténue. Ao Diário da Lagoa, Sofia Branco realça ainda que o jornalismo “dá todas as ferramentas para que a pessoa pense e tire as suas conclusões”

Leitores defendem a criação de mais iniciativas para promover a literacia mediática © CM LAGOA

Numa edição que trata o jornalismo, o Diário da Lagoa (DL) deu voz a leitores e jornalistas que, em conjunto, definiram literacia mediática. “É analisar e avaliar aquilo que [os media] nos colocam à frente”, começa o leitor Octávio Lima, ao que Adriana Rebelo, também leitora, acrescenta: “Inclui questionar, comparar fontes e distinguir entre factos, opiniões e possíveis manipulações.” O jornalista Vitor Tomé esclarece que são “competências que nos permitem analisar os conteúdos dos media de forma crítica e não um consumo passivo”. 

A presidente da direção da Associação Literacia para os Media e Jornalismo (ALPMJ), Sofia Branco, simplifica esta questão: “Precisamos de saber explicar a qualquer pessoa, tenha ela seis anos de idade ou noventa, o que é o jornalismo e como funciona, para que é que serve e qual a sua importância.” Apesar de achar que o progresso “pode ser lento” nesta área, mostra-se otimista. E prossegue: “Se ganharmos uma pessoa, para mim já é um sucesso.”

Em termos históricos, antes, “as pessoas só podiam consumir aquilo a que estavam autorizadas”, uma perspetiva que “não esconde uma forma de censura”, explica Vitor Tomé, também da ALPMJ. Depois, surgiu a ideia de que o importante seria preparar os cidadãos e não os proibir. Contudo, hoje, o jornalista considera que “a lógica de proibir está a voltar” no mundo. E, ainda, “com a inteligência artificial e o avanço exponencial da tecnologia, é muito difícil preparar todas as pessoas ao mesmo tempo e a todo o momento”, confessa.

João Freitas e Octávio Lima, que acompanham o DL há cerca de dez anos, defendem a criação de mais iniciativas, nas escolas e não só, para promover a literacia mediática. “Há 10 anos, usavam-se recortes de jornais nas aulas a propósito do tema que estava a ser abordado para os alunos debaterem”, recorda Octávio Lima sobre o tempo em que lecionava. Por sua vez, João Freitas reforça que “as pessoas têm de ser ensinadas a selecionar informação”, em vez de os media o fazerem por elas.

Redes sociais vs. jornalismo

Na ótica de João Freitas, hoje há mais tentativas de “criar informação falsa do que no passado”, pelo que a sua maneira de olhar para a informação é “sempre com alguma desconfiança”, diz ao DL. E especifica: “Até quem quer passar a informação de forma correta tem dificuldade.” No caso da Internet, os dados aparecem atualmente como verdade quando, antes, o que estava online era “à partida mentira”, opina.

Sofia Branco considera que sempre existiu manipulação de informação, mas que hoje ganhou “uma dimensão muito mais preocupante” com as redes sociais. E é precisamente nessas plataformas que se centra um dos problemas apontados pelos leitores e jornalistas: “O jornalismo está numa fase em que se deixa levar em demasia no ritmo das redes sociais e na forma como partilham conteúdos”, destaca. 

Mas há uma distinção que, segundo Sofia Branco, precisa de ser feita. Primeiro, que os jornalistas trabalham sob um código deontológico, ao contrário das redes sociais, que “não têm código ético de espécie alguma”, afirma. E continua a explicar: “Por mais críticas que tenham, todas legítimas e devem ser ouvidas, podem ter a certeza de que isto não é uma estrutura de engano, pelo contrário, é uma coisa que busca a verdade.”

“As redes sociais hoje dizem-nos como pensar. O jornalismo não é isso que deve fazer”, acrescenta. Por outro lado, o jornalismo “dá todas as ferramentas possíveis para que a pessoa pense e tire as suas conclusões”, sublinha a jornalista. Além disso, ainda que exista “mau jornalismo”, admite, realça que “as pessoas podem confiar numa estrutura acerca da qual se podem queixar, pedir correções, fazer direitos de resposta – toda uma série de garantias, enquanto cidadãos”.

O que torna uma notícia credível?

Quando uma órgão de comunicação social é o primeiro a publicar algo é ser recebido pelo público com alguma desconfiança © DIREITOS RESERVADOS

João Freitas acredita que o papel do jornalismo na formação de cidadãos informados é “determinante”. Homem da ciência, aplica um critério usado na sua área para avaliar se uma notícia é credível: a validação. “Para alguma coisa ser validada, ela tem de ser revista e reconhecida por várias entidades. Uma informação, para ser real, não pode aparecer só num jornal”, explica o leitor a sua perspetiva.

Noutro tópico, João Freitas considera que “há uma grande necessidade de pôr as notícias o mais depressa possível cá fora” mas que isso nunca deveria ser “à custa da validação da informação”. Em resposta, Vitor Tomé concorda com a afirmação, porém, diz ao DL que, “às vezes, o mais depressa não quer dizer que seja a notícia mais fiável”. 

Aliás, o que pode acontecer quando uma órgão de comunicação social é o primeiro a publicar algo é ser recebido pelo público com alguma desconfiança, uma vez que “as pessoas têm a sensação de que as primeiras versões das notícias são ao calha”, ou seja, sem a devida verificação. Segundo Vitor Tomé, este fenómeno pode “contribuir para o que se chama de evitar notícias ou news avoidance”.

Adriana Rebelo também acompanha o Diário da Lagoa desde a sua criação e vê o jornalismo como “um pilar da democracia”. Costuma verificar se a notícia vem de uma “fonte reconhecida e de confiança”, se cita fontes oficiais ou especialistas, e se apresenta dados concretos e não só opiniões. Além disso, à semelhança de João Freitas, procura cruzar a informação com outros órgãos de comunicação social para “confirmar se é consistente”, partilha com o DL.

Por sua vez, Octávio Lima acredita que os títulos das notícias são outro aspeto importante, uma vez que são “meio caminho andado para uma pessoa ser atraída e ler”, mas que podem ser “enganadores quando não condizem com o texto”, o que, na sua opinião, tem de ser confirmado com uma “leitura rápida” do texto antes de uma leitura mais profunda.

Desafio da confiança nos media

O jornalista Vitor Tomé vai mais além e acredita que “também cabe ao leitor, se quer saber diferentes pontos de vista, em vez de esperar que um mesmo jornal exprima todos”, procurar ler um determinado assunto em diferentes órgãos de comunicação, que terão perspetivas distintas. E acrescenta: “É necessário criar condições para que haja uma grande diversidade ao nível dos media.”

Este último tópico surge em resposta a um pensamento de Octávio Lima, que diz respeito aos artigos de opinião. “Muitas vezes, o tipo de colaboradores chamados para painéis não cobrem o espectro total da sociedade portuguesa”, salienta. Por sua vez, Vitor Tomé reage: “Nos painéis não pode estar toda a gente representada, não cabe, aliás. Não podem intervir todos ao mesmo tempo.”

Já a perspetiva de Eduardo Marques, que acompanha o DL há dois anos, é diferente: “Em Portugal, o jornalismo não está bom e a população não compreende a sua função.” Para o leitor, os media estão “alinhados a agendas políticas neoliberais” e, por isso, “já não há um jornalismo livre”. Além disso, considera que hoje “a maior parte dos media tradicionais estão completamente reféns de interesses económicos”. A esta questão, Sofia Branco responde: “Não acho de todo que a maioria dos jornalistas em Portugal estejam nessa situação. Acho que tentam dar o seu melhor, embora, obviamente, haja falhas.”

A Associação Literacia para os Media e Jornalismo procura desde 2019 apoiar professores e outros públicos em Portugal, ao oferecer ferramentas, recursos e metodologias que possam ser aplicadas em práticas de literacia mediática dentro e fora da escola, incluindo nos Açores. Este projeto tem jornalistas e académicos especialistas da área do jornalismo responsáveis pela formação de docentes, em sessões com componentes teóricas e práticas.

Escolas do Faial e Pico recebem projeto sobre literacia para os média

© D.R.

O projeto Countering Disinformation, promovido pelo American Corner, da Universidade dos Açores (UAc), foi apresentado em duas escolas nas ilhas do Faial e do Pico, segundo nota de imprensa da academia açoriana.

No dia 26 de setembro, 16 alunos do 11.º ano da Escola Secundária Manuel de Arriaga, com a docente Marlene Bettencourt, participaram numa sessão dinamizada por Catarina Rodrigues, docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UAc e atual diretora do curso de licenciatura em Comunicação e Relações Públicas da UAc, responsável pelo projeto.

Após a exibição de uma reportagem sobre o uso de dispositivos móveis, os participantes debateram questões relacionadas com o uso dos ecrãs, o consumo de conteúdos mediáticos, a importância das fontes de informação e a verificação dos factos num contexto de abundância informativa, pode ler-se.

No dia 27 de setembro, a Escola Básica e Secundária das Lajes do Pico acolheu uma sessão similar no âmbito do projeto. A iniciativa contou com a participação de 34 alunos do 9.º ano acompanhados pelos docentes Anabela Rosa, Carlos André e Mário Rui Azevedo. Durante as sessões foram realizadas diferentes atividades relacionadas com a temática da desinformação, explica ainda a mesma nota.