
A Câmara Municipal da Ribeira Grande prepara-se para reforçar as políticas de proteção ambiental através de uma nova parceria estratégica com a Casermel – Cooperativa de Apicultores e Sericicultores de São Miguel, CRL. Num recente encontro de trabalho entre o executivo municipal e a direção da cooperativa, foram lançadas as bases para uma colaboração que visa não só a preservação das abelhas, mas também a valorização do mel enquanto produto de excelência da região. Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia, o presidente Jaime Vieira destacou o papel vital destes polinizadores no equilíbrio dos ecossistemas locais, sublinhando que “as abelhas são fundamentais para a polinização, um processo indispensável à reprodução de inúmeras espécies vegetais, incluindo culturas agrícolas essenciais à nossa alimentação”.
Face a este diagnóstico, o Município assumiu o compromisso de identificar áreas específicas no concelho com condições ideais para a polinização, prevendo-se ainda a plantação de espécies florais em espaços públicos para potenciar a biodiversidade. Esta estratégia estende-se à gestão dos espaços verdes municipais, que passará a ser feita com um foco acrescido na sustentabilidade e no suporte à vida apícola. Uma das medidas mais inovadoras em análise é a criação de um apiário comunitário, pensado para ser um centro de aprendizagem e literacia ambiental, onde a comunidade poderá compreender melhor o ciclo de vida das abelhas e a importância dos produtos derivados da colmeia.
Para além da vertente ecológica, a iniciativa pretende dar um impulso económico aos produtores locais, incentivando o consumo de mel como um alimento de elevado valor nutricional e medicinal. Jaime Vieira reforçou a necessidade de integrar este produto numa dieta equilibrada, garantindo que o município apoiará a divulgação de quem trabalha no setor. O autarca concluiu a reunião com um olhar sobre o futuro, afirmando que o apoio a estas causas é um imperativo geracional, pois “proteger as abelhas é garantir o futuro dos nossos ecossistemas e das gerações vindouras”.

O setor agrícola dos Açores registou, durante o ano de 2025, um volume de investimento que totaliza os 60 milhões de euros alocados pelo Orçamento Regional. Este montante, o maior de sempre na história do arquipélago açoriano, foi complementado por uma transferência de 16 milhões de euros do Orçamento do Estado para o programa POSEI, resultando num impulso produtivo que abrange diversas fileiras. Segundo o secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, este esforço financeiro extraordinário “resultou em crescimentos agroprodutivos significativos, reforçando as disponibilidades para a alimentação humana e animal”.
Os dados estatísticos relativos ao período entre 2020 e 2025 revelam aumentos expressivos em setores estratégicos para a autossuficiência da região, com a área dedicada à batata a crescer 170% e a da fruticultura a subir 40%. No que toca à produção animal e seus derivados, registaram-se incrementos de 34% na produção de ovos, 150% no Mel DOP e 160% no abate de ovinos, enquanto a produção de banana registou uma subida de 35%. No setor vitivinícola, a região ultrapassou as 60 marcas e as 100 referências comerciais, acompanhando um aumento sustentado no abate de carne bovina IGP. Para a alimentação animal, a área de milho atingiu um novo recorde de cerca de 14,5 mil hectares, reduzindo a dependência de importações externas.
Este dinamismo reflete-se igualmente no comércio externo, com as exportações de bens alimentares a atingirem, em 2024, o montante histórico de 433,2 milhões de euros. Paralelamente, o ano de 2025 fixou o maior número de jovens instalados na agricultura da última década, impulsionado pelo aumento do prémio à primeira instalação para 55 mil euros.
António Ventura destaca que este sucesso é fruto de uma política pública previsível e transparente, afirmando que “desde 2021 que não se corta nos apoios, como acontecia nos governos do PS, onde se anunciava um determinado valor financeiro e se pagava, por vezes, menos 50% do valor anunciado. Trata-se de uma nova confiança para os agricultores”. O governante reforça ainda que o investimento público no setor teve um retorno positivo que “assume um elemento fundamental de segurança para todos os açorianos”, fruto de uma colaboração estreita com a Federação Agrícola dos Açores e do compromisso dos produtores locais.

Foi assinado, no Serviço de Desenvolvimento Agrário de São Miguel, o protocolo para a Caracterização Molecular da Apis mellifera nos Açores, estabelecido entre a Federação Agrícola dos Açores e a empresa Biotech Synergy, Lda., ‘spin-off’ da Universidade dos Açores, com sede no TERINOV – Parque de Ciência e Tecnologia da Ilha Terceira.
Esta iniciativa visa identificar, com base em análises genéticas rigorosas, a possível existência de uma linhagem própria de abelha melífera na Região Autónoma dos Açores.
O documento foi formalizado na presença do secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, que sublinhou a importância do estudo.
“Este protocolo representa um marco relevante para o aprofundamento do conhecimento científico sobre as abelhas presentes nos Açores. Através da caracterização molecular, será possível verificar se existe uma linhagem genética específica, o que poderá ter implicações significativas na preservação e valorização deste recurso”, declarou.
A iniciativa reflete o esforço conjunto de diferentes entidades na valorização dos recursos naturais e na promoção da sustentabilidade agrícola.
“A apicultura é um pilar fundamental da nossa agricultura, não só pela produção de mel e derivados, mas pelo seu papel indispensável na polinização e na manutenção dos ecossistemas agrícolas saudáveis”, destacou ainda o secretário regional.
A Federação Agrícola dos Açores, enquanto representante dos produtores e desta vontade, reforça com esta colaboração o seu compromisso com a inovação, a sustentabilidade e o conhecimento científico aplicado ao setor agrícola.
Este projeto integra-se numa estratégia mais ampla de inovação e valorização dos recursos endógenos, com o intuito de apoiar práticas agrícolas sustentáveis e economicamente viáveis, alinhadas com os desafios ambientais e produtivos da região.

O Dia Mundial da abelha vai ser assinalado na Lagoa, no próximo dia 16 de maio, com uma visita dos alunos da Escola Secundária ao Apiário Margaridas, situado na freguesia de Santa Cruz.
Segundo nota de imprensa enviada pela Câmara da Lagoa às redações, a iniciativa intitulada “O Maravilhoso Mundo das Abelhas” tem como objetivo “chamar a atenção da população mais jovem, para a importância da preservação das abelhas” e, também, alertar “para as ameaças que as abelhas enfrentam”.
O Apiário Margaridas, com caráter pedagógico, está situado em Santa Cruz e é fruto de um projeto promovido pela apicultora Carolina Ferraz. A visita dos alunos começará com uma introdução inicial sobre o projeto em si, a biologia das abelhas, o seu ciclo de vida e o mundo das abelhas e das suas colmeias. Seguidamente, os jovens terão a oportunidade assistir à abertura de uma colmeia e de ver, em tempo real, as abelhas a trabalhar, a diferença entre o mel já pronto e o mel ainda aberto, e ainda ver a organização da colmeia, dos quadros, das larvas, dos ovos das abelhas e diferentes castas. A visita terminará com uma prova do mel produzido no apiário.
A atividade encontra-se inserida no plano anual de atividades do Centro de Educação e Formação Ambiental de Lagoa (CEFAL) e trabalha três Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, estabelecidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas: Educação de Qualidade; Ação Climática e Proteger a Vida Terrestre.
O Dia Mundial da abelha comemora-se anualmente a 20 de maio, tendo sido designado pela Assembleia Geral da ONU, em 2017. Visa incentivar a educação e as ações públicas para uma maior consciencialização sobre estes polinizadores e outros insetos, que apoiam a produção de alimentos para dois bilhões de pequenos agricultores em todo o mundo.