
Alexandra Manes
Apanhei a frase que serve de título a esta crónica pelas redes sociais a fora, e pareceu-me ser aquela que melhor descreve a atual rota de navegação da nossa, cada vez mais, frágil Humanidade.
Nas últimas semanas, muitas foram as pessoas que assistiram com espanto e choque ao regresso da política diplomática musculada que Trump gosta de promover. Ofenderam-se profundamente com a forma como o líder dos Estados Unidos tratou desumanamente o presidente ucraniano, sentado na Sala Oval – Casa Branca, alegado bastião da liberdade e democracia.
Houve até quem tenha rasgado vestes e batido no peito três vezes, com total estupefação, por não esperarem tal coisa dos ditos americanos, eternos aliados.
Não perderei muito tempo a desmontar a ridícula figura que fizeram essas pessoas, ultrapassada há décadas. Deixo apenas uma referência aos senhores liberais que recentemente traçaram longos elogios a Javier Milei, a Musk e ao seu lacaio Trump. Não vale de nada estarem agora muito indignados com os resultados que apoiaram. Guardem a hipocrisia para vocês. Cá fora, há trabalho real a fazer.
Com os resultados dessa tal política externa obscena, tudo indica que o mundo está em vésperas de uma guerra mundial. Aguardamos, com o coração preso, a utilização de armas de destruição maciça, mas temos já a certeza das novas movimentações militares em solo europeu, acrescendo a forte possibilidade de conflitos diretos no território americano e até na própria Gronelândia.
A Europa reuniu-se para declarar a militarização apressada. Estima-se mais 1.5% do PIB dos países, para a guerra e para o armamento, que será certamente comprado às grandes indústrias bélicas. Ganham-se bilionários. Perdem-se vidas. Proceda-se em conformidade. É o realizar de um antigo sonho da criação de um exército europeu.
A guerra é, neste momento, inevitável. Poderia ter sido minorada ou até mesmo totalmente bloqueada, noutra época, se os Estados Unidos e a União Europeia tivessem avançado com medidas diplomáticas verdadeiras e com outro tipo de políticas internacionais, de proximidade e pressão, junto da Rússia e dos seus satélites. Agora, com um aliado de Putin em Washington, é tarde.
Avança-se com um conjunto de ameaças e tarifas, contra tarifas, que só terão impacto nas carteiras das pessoas. Preparam-se retiradas estratégicas, despedimentos coletivos e reestruturação de pactos de regime. Dizem os bastidores que será provável a extinção do centenário consulado americano nos Açores. Só não nos levam a Base das Lajes porque lhes dá jeito a eles, e a nós só dá problemas, embora haja quem, subservientemente, recuse o corte umbilical com tal infraestrutura.
Cá dentro, a guerra é outra. Luís Montenegro trabalha para conseguir a proeza de ser o pior primeiro-ministro da história da democracia, congregando em si todas as piores caraterísticas de Cavaco, Santana, Sócrates e Coelho. Depois de ter sido descoberto o seu estatuto de trabalhador-estudante, onde durante o dia estudava política e de tarde jogava golfe com os patrões da Solverde, Montenegro deu uma conferência de imprensa para esclarecer o que se passava. Ladeado pelo executivo governamental, como se fosse Kim Jong-un a anunciar um novo corte de cabelo, o primeiro-ministro de Portugal baralhou-se todo, tendo confessado que havia conflito de interesses enquanto negava que havia conflito de interesses. Passou a tal empresa para o nome dos filhos, mas teve de assinar o papel, o que pareceu ser uma confissão para alegadas quebras no regime de exclusividade. Nem valerá a pena imaginar o tráfico de influências que existiu antes de ele ser primeiro-ministro, mas depois de já ser candidato a tal.
Tudo indica que, graças às trapalhadas do menino Luís, lá vamos nós outra vez a eleições. Mais duas este ano e já completamos o cartão de brinde. Para o ano deveria haver eleições de graça. Os partidos colocam-se já em bicos dos pés na casa de partida, mas constatamos que a realidade é bastante tenebrosa, ao nível de possibilidades de escolha. O regime está profundamente enfraquecido, e as pessoas cansadas de votar. Há brechas abertas para a ascensão de Ventura e do seu gangue. Precisamos, mais do que nunca, de fazer campanha contra a abstenção e a favor da democracia e da liberdade. Estas poderão ser as últimas eleições durante uns tempos valentes.
Foram guerras evitáveis. No mundo, como em Portugal. E nem tempo teremos para falar nos Açores. Isto porque o propósito deste texto era o de falar noutra guerra. Na verdadeira guerra de extermínio da Humanidade, e que já perdemos. Todos os observatórios ambientais dignos desse nome e de validade científica voltaram a registar números assustadores para o começo de 2025.
O mundo como o conhecemos está literalmente a acabar, e os nossos regimes estão mais preocupados em armar pessoas, empobrecer sociedades e abrutalhar a política. Esta sim, parece ser a guerra para terminar todas as guerras. Caminharemos para a alteração climática final, afogados em glifosato de marca branca, e entulhados em votos de abstenção e desinformação.
Há que ter esperança e não baixar os braços. Custa muito, mas é preciso continuar a acreditar na ciência. Pressionar os nossos líderes. Exigir mais dos movimentos de sindicância e libertação das massas. Obrigar-nos à massa crítica. Quebrar as grilhetas do patriarcado e do conservadorismo. Não sobreviveremos como antes, mas podemos continuar a viver num mundo novo. Há potencial de crescimento. Não podemos acreditar que acabou. Venham daí e tragam um amigo e uma amiga, também.

Para celebrar dez anos de edição impressa, o jornal Diário da Lagoa vai transmitir em direto na sua página de Facebook, no próximo dia 17 de outubro, pelas 11h00 locais, um Encontro, em jeito de tertúlia, intitulado “Dos Açores para o mundo”.
A iniciativa, além de celebrar uma década da publicação do jornal em papel, pretende homenagear a diáspora açoriana como público sempre presente e que acompanha o jornal através das plataformas online.
O Encontro conta com a participação de José Andrade, diretor regional das Comunidades do Governo dos Açores; Ígor Lopes, jornalista e escritor luso-brasileiro; Roberto Medeiros, antigo vereador da Cultura que mantém uma forte ligação junto da comunidade açoriana nos Estados Unidos da América; e será moderada por Clife Botelho, diretor do Diário da Lagoa.
A sessão terá lugar na sede da banda Filarmónica Estrela D’Alva, na freguesia de Santa Cruz, na cidade da Lagoa, entidade que apoia e se associa à iniciativa.
Durante a sessão haverá igualmente um momento musical pelo maestro e músico Luís Paulo Moniz.
“Dos Açores para o mundo”, trata-se do terceiro evento organizado pelo jornal com sede na mais jovem cidade açoriana, o primeiro vocacionado para o público online e, por isso, com direito a transmissão em direto.
É possível assistir e participar da sessão mediante inscrição para o e-mail jornal@noticiasquecontam.pt, que deverá ser feita até às 18h00, do próximo dia 15 de outubro.
O jornal Diário da Lagoa foi oficialmente fundado a 21 de fevereiro de 2014, inicialmente publicado unicamente online, mas em outubro desse mesmo ano, há dez anos, viu também a edição em papel ganhar vida.