
O Museu Carlos Machado inaugura, no próximo dia 15 de abril, às 18h00, no Núcleo de Santo André, a instalação artística “DAS CINZAS — Catástrofe e adaptação nos Açores”. A exposição é da autoria do artista norte-americano Champ Turner e resulta de um processo de investigação que cruza artes visuais, geografia humana e história ambiental, baseando-se em pesquisa de arquivo, coleções museológicas e práticas artísticas. Segundo a nota de imprensa enviada pelo Museu, o projeto propõe uma profunda reflexão sobre a memória das catástrofes naturais que marcaram o arquipélago e os subsequentes processos de adaptação das suas populações.
A exposição estrutura-se em seis momentos cruciais da história dos Açores, abrangendo eventos como sismos, erupções vulcânicas e crises agrícolas que, ao longo de cinco séculos, moldaram a paisagem física, social e cultural das ilhas. No centro de “DAS CINZAS” está um diálogo dinâmico entre peças do acervo do Museu Carlos Machado, incluindo objetos históricos, espécimes e fotografias da coleção, e obras originais criadas por Champ Turner, que exploram disciplinas como a escultura, o desenho, a cartografia artística e o vídeo. A instalação ficará patente no Núcleo de Santo André até ao mês de junho de 2026.
Integrada nas comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que este ano se foca no tema “Património vivo: resposta de emergência em contextos de conflitos e desastres”, realizar-se-á, no dia 18 de abril, às 14h30, uma visita guiada conduzida pelo próprio artista. Esta iniciativa é de entrada livre, mediante a aquisição do bilhete do museu. Champ Turner, nascido em Austin, Texas, em 2001, é artista visual e investigador, licenciado com distinção pela Brown University em Artes Visuais e Assuntos Internacionais e Públicos. É bolseiro da Fulbright Portugal e a sua prática artística foca-se nas relações entre paisagem, memória e transformação ambiental, tendo já apresentado o seu trabalho em exposições individuais e sido reconhecido com prémios e distinções.

O Núcleo da Autonomia dos Açores do Museu Carlos Machado, localizado no Palácio da Conceição, em Ponta Delgada, foi inaugurado no passado sábado, 7 de dezembro.
A cerimónia foi presidida pelo presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, segundo comunicado do Governo regional. “Este momento revestiu-se de profundo significado histórico e simbólico, uma vez que ocorreu na mesma data em que, em 1975, a Junta Governativa dos Açores apresentou o anteprojeto do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores”, pode ler-se, na mesma nota.
O Núcleo da Autonomia nasce como um espaço museológico dedicado à “preservação e valorização do percurso autonómico do arquipélago”, abordando a história das lutas e conquistas que marcaram a afirmação político-administrativa dos Açores enquanto região autónoma. “Este novo espaço integra a rede do Museu Carlos Machado e reforça o seu papel enquanto guardião da memória e identidade cultural açoriana”, explica o Governo regional.
José Manuel Bolieiro destacou o significado da autonomia política açoriana, sublinhando que esta não deve ser interpretada como um fechamento ou isolamento, mas antes como uma forma de participação ativa e integrada no projeto nacional e europeu.
“A nossa autonomia política não representa um fechamento em nós mesmos, bem pelo contrário, representa compreender a virtude da integração”, afirmou o governante, citado no mesmo comunicado, acrescentando que“uma região isolada não traz qualquer orgulho ao seu povo”.
O líder do executivo açoriano enalteceu ainda a importância deste novo núcleo, que “perpetua na memória coletiva os desafios e as conquistas históricas dos Açores”, e destacou que o espaço será essencial para promover a investigação científica e o conhecimento público sobre a trajetória autonómica da região.
“O nosso desiderato com este espaço museológico é simples. É o de que honremos a nossa história e património cultural imaterial, que possamos, com o acesso que aqui facilitamos à documentação, exposta com boa didática, contribuir para o desenvolvimento dos estudos científicos dos processos históricos que fizeram a construção das autonomias dos Açores”, frisou.
A inauguração do Núcleo da Autonomia insere-se no contexto das celebrações dos 50 anos da Revolução de Abril de 1974. O governante recordou que foi na sequência destas transformações políticas que, em 1976, a Constituição da República Portuguesa reconheceu as autonomias político-administrativas dos arquipélagos dos Açores e da Madeira.
O presidente do Governo sublinhou ainda o papel desempenhado pela Universidade dos Açores na investigação histórica e no estudo dos factos que moldaram o processo autonómico.
“A Universidade dos Açores tem sido fundamental no aprofundamento do conhecimento sobre este percurso histórico, que é basilar para compreender a nossa identidade enquanto povo autónomo”, afirmou José Manuel Bolieiro.
O Palácio da Conceição, local onde agora se encontra o Núcleo da Autonomia, é um edifício histórico que alberga o Conselho do Governo, os serviços da Secretaria-Geral da Presidência e, agora, este novo espaço museológico.
O Núcleo da Autonomia foi concebido para acolher exposições de cariz documental e histórico, apresentando conteúdos didáticos que permitem ao público compreender a evolução da autonomia dos Açores. Além disso, visa atrair investigadores, estudantes e interessados na história política do arquipélago, contribuindo para o fortalecimento do conhecimento sobre o papel dos Açores no contexto nacional e internacional.