
No coração do Atlântico, onde o verde das criptomérias toca o cinzento das rochas vulcânicas, um grupo de cidadãos belgas percorre trilhos que são, simultaneamente, caminhos físicos e rotas de introspecção. O que os traz aos Açores não é o turismo convencional de contemplação, mas sim um projeto científico e terapêutico pioneiro que une a Universidade dos Açores ao hospital belga AZ Monica. Sob o conceito de Forest Mind (Floresta Consciente), este programa de terapias da natureza está a transformar a forma como pacientes com lesões cerebrais, burnout e traumas graves encaram o seu processo de recuperação.
O mentor desta iniciativa, o professor Eduardo Marques, da Universidade dos Açores descreve a semana como muito mais do que um intercâmbio académico. “Nós temos um momento de conexão humana, de interculturalidade”, afirma. “Temos aqui um grupo de doentes que vieram de um hospital belga aos Açores para um programa de reconexão com a natureza e terapias para encontrarem caminhos e estratégias para aumentar o seu bem-estar psicológico”.

A escolha dos Açores não foi um acaso geográfico, mas uma decisão clínica. Greet Dierckx, neuropsicóloga belga que trabalha com doentes com lesões cerebrais, explica a importância de tirar os pacientes do ambiente hospitalar. “É muito importante para eles aprenderem ferramentas para manter o cérebro o mais saudável e forte possível. A terapia baseada na natureza é um método muito forte para manter o corpo e o cérebro saudáveis”, refere a especialista.
Greet sublinha ainda que o mau tempo que assolou o arquipélago durante a semana acabou por ser uma ferramenta terapêutica inesperada: “A vida é desafiante. E esta semana foi muito desafiante em relação ao tempo. Mas aprendemos muito. Quando se faz em grupo, é ainda mais forte porque trocamos experiências e conhecimentos”, afirma.
Para os participantes, os exercícios serviram como espelhos das suas próprias vidas. Ann Willems, que se juntou ao projeto inspirada por uma amiga, utilizou elementos naturais para desenhar a sua “linha da vida”. Para ela, a natureza trouxe uma clareza necessária: “Isto representa-me. São lembretes para mim própria de que, na vida, temos de vir primeiro. Tens de estar saudável, forte e aterrada. Se estiveres segura, tudo o resto interage e a vida torna-se uma harmonia”, considera.
Essa mesma busca por harmonia é partilhada por Nadia Makrache, uma empresária que enfrentou dois episódios de burnout. Para Nadia, a surpresa foi a eficácia das dinâmicas: “tornou-nos criativos, tornou-nos calmos. Estávamos conscientes. Foi bom conectar com os locais e outras pessoas novas, sinto-me leve por partilhar”.”

Para aqueles que lidam com sequelas físicas e neurológicas graves, a floresta ofereceu uma nova perspetiva sobre as suas capacidades. Romelia Schwarzkechel viajou como guia de uma amiga que sofreu um acidente de carro com danos cerebrais, mas acabou por se envolver profundamente no processo. “É uma jornada, claro. Tivemos a natureza bela e todo o tipo de novos exercícios como usar binóculos para testemunhar a natureza de uma forma diferente e ver como o cérebro responde ao olhar fisicamente de uma maneira distinta”, explica.
Helene Van Der Linden sofreu uma hemorragia cerebral há um ano e meio. Admite que inicialmente hesitou em participar por não querer estar num “grupo de doentes”. Contudo, a experiência mudou a sua visão: “como podem ver, não somos realmente um grupo de doentes. São apenas pessoas a encontrar uma nova forma de viver depois do que aconteceu.” Helene confessa preferir as atividades físicas: “a surpresa da natureza aqui é algo que gosto muito. Sinto que não temos apenas as quatro estações num dia, mas todos os tipos de natureza do mundo num só lugar. Parece a Escócia depois parece o Havai”, diz, referindo-se aos Açores.
A eficácia da terapia mede-se pelo que os pacientes levam na bagagem de volta para a Bélgica. Peter Plusquin, que sofre de sintomas como “nevoeiro cerebral” e falta de concentração, encontrou nos Açores uma forma de ressignificar a sua condição. “A natureza desta ilha ajuda-nos a relacionarmo-nos connosco próprios. É como uma selva, mas uma selva fresca”, descreve. Peter leva consigo âncoras mentais dos exercícios realizados: “encontrei quatro ou cinco recursos que posso usar para me sentir melhor, são elementos-chave que nunca esquecerei. Ainda tenho os mesmos sintomas, mas acho que tenho mais formas de me relacionar com eles”.

O professor Eduardo Marques acredita que este é apenas o início de um caminho que pode transformar a região num destino de Turismo de Saúde e Bem-Estar. “Podemos utilizar a natureza, um recurso que temos espalhado por todas as ilhas, como um ativo importante em providenciar novas estratégias ao nível da saúde”, defende.
Mais do que isso, o projeto redefine o papel do assistente social moderno: “o assistente social pode assumir também uma função de terapeuta. Eu dispo-me do meu papel enquanto professor e assumo enquanto assistente social terapeuta, conduzindo sessões indutoras de renascimento individual”.
Embora o caminho seja novo e possa gerar desconfiança, Eduardo Marques é categórico: “os resultados provam que esta experiência está a ser extremamente positiva e gratificante”. Nos Açores, entre a névoa e o verde absoluto, provou-se que a natureza não é apenas um cenário, mas poderá ser uma parte essencial da cura humana.

Luysa Pereira nasceu na ilha Terceira, no seio de uma família açoriana, e desde cedo nutriu uma ligação profunda à natureza e ao mar. Foi essa paixão que fez com que, aos 18 anos, embarcasse para Lisboa onde iniciou o percurso académico e onde concluiu a primeira licenciatura em Medicina Osteopática.
Mais tarde, alargou a formação académica à área da Engenharia do Ambiente e da Saúde, procurando “sempre compreender o ser humano numa perspetiva onde corpo, mente e ambiente se interligam”, explicou, procurando, ao longo do percurso profissional, “aliar a prática à investigação, à formação e à valorização do património termal dos Açores”.
Paralelamente, criou e implementou nos Açores dois projetos pioneiros a nível mundial: o baby spa termal, dedicado ao uso da água termal adaptada para o tratamento da pele e para a promoção do relaxamento; e o spa termal capilar, que utiliza os constituintes minerais da água com indicações específicas para a saúde capilar, ambos nas Termas da Ribeira Grande.
Para além disso, atualmente encontra-se em “fase de conclusão um terceiro projeto inovador, em curso nas Termas do Carapacho, que se distingue pela utilização de três águas termais diferentes no mesmo balneário, explorando a diversidade e complementaridade das suas propriedades”.
O termalismo, como facilmente se conclui, mais do que um negócio, é a paixão de Luysa Pereira. “O termalismo é uma paixão que me move todos os dias. É o reflexo de tudo aquilo em que acredito: a prevenção, o tratamento, a valorização do ambiente, o turismo sustentável, a transversalidade entre áreas científicas e culturais, a história, a identidade e as potencialidades únicas das nossas águas. Cada fonte termal conta uma história, cada água é única. E é essa narrativa, que junta ciência e cultura, que me apaixona e me inspira a investir nesta área com tanta dedicação”, disse.
É esta paixão que a faz percorrer várias ilhas dos Açores, desde São Miguel ao Faial, passando pela Graciosa, ilhas onde tem vindo a reabilitar termas e a devolver-lhes à sua essência do ponto de vista termal, associando-as também ao turismo. E é aqui que entra outra questão: por que motivos as termas foram caindo em desuso?
“O termalismo, tal como muitos outros setores, viveu ciclos de auge e de esquecimento. No passado, os espaços termais eram pontos de encontro social, locais de tratamento e até símbolos de prestígio. Com o avanço da medicina convencional e a mudança dos hábitos sociais, muitos desses espaços foram caindo em desuso, perdendo a vitalidade que outrora tiveram. E Portugal tem um dos maiores legados históricos termais, muitas vezes pioneiro, como é exemplo o hospital termal, o balneário das Caldas da Rainha. Nos Açores, e a par da nossa vasta história termal, temos assistido a um crescimento assinalável nos últimos anos, sobretudo pelo modelo de balneoterapia simples ao ar livre, que atrai visitantes que procuram experiências autênticas e ligadas à natureza. Acredito que o segredo para a revitalização do termalismo passa por reinventá-lo, integrando-o nas novas tendências mundiais de wellbeing e turismo de saúde, sem nunca esquecer a tradição e a autenticidade das nossas águas. O termalismo clássico, com as suas utilidades terapêuticas comprovadas, consegue ser perfeitamente integrado nestes novos conceitos ligados à prevenção e ao bem-estar. Para isso, torna-se essencial um posicionamento de comunicação adequado, capaz de transmitir às pessoas o verdadeiro valor das nossas águas termais, tanto no plano científico como na experiência cultural e turística”, apontou.

Há dez anos ligadas ao ramo do termalismo, Luysa Pereira não tem dúvidas de que existe ainda um longo caminho a percorrer. “O termalismo faz parte da minha vida há mais de dez anos e tenho plena convicção de que continuará a ser uma das minhas maiores missões. O objetivo é revitalizar o nosso património termal regional, respeitando a sua história, mas também inovando com novas valências e produtos que acrescentem valor. Promovendo saúde, prevenindo doenças, e promovendo também bem-estar e lazer”. E fazer isto em ilhas diferentes obriga a um esforço redobrado e planeamento atempado, o que “nunca é tarefa fácil” porque “ser açoriano é carregar uma resiliência quase inata, moldada pela condição de ser ilhéu e pelos desafios que isso acarreta. O maior deles são, sem dúvida, as viagens, sobretudo no inverno, onde o clima instável muitas vezes condiciona os planos. Mas acredito que é precisamente esta adaptação constante que nos torna mais criativos e mais persistentes”, acrescentou.

Os Vigilantes da Natureza da Ilha do Pico receberam novos equipamentos e vestuário de montanhismo para apoiar a monitorização e vigilância do Trilho da Reserva Natural da Montanha do Pico.
A entrega ocorreu durante uma subida ao Piquinho, realizada na quarta-feira, 16 de julho, sendo assinalada pelo secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel.
Segundo Alonso Miguel, “foram adquiridos equipamentos e vestuário adequados para apetrechar os Vigilantes da Natureza do Pico para a missão de percorrer, com regularidade, o trilho da Montanha, designadamente andadores, mantas térmicas, capas impermeáveis, casacos, botas, óculos de neve, luvas, gorros, golas, calças de verão e inverno e camisas térmicas”.
“Mais do que o valor deste investimento, que rondou cinco mil euros, importa destacar a sua importância e utilidade, no sentido de garantir que os nossos Vigilantes da Natureza estão dotados dos meios necessários para percorrer regularmente aquela zona e assegurar a monitorização, vigilância e fiscalização do trilho, inserido numa área muito especial, classificada como Reserva Natural, no contexto do Parque Natural de Ilha do Pico”, referiu.
Na ocasião, Alonso Miguel disse que esta nova subida ao topo da Montanha do Pico, a terceira desde que assumiu a tutela do ambiente na região, em finais de 2020, teve também como propósito avaliar ‘in loco’ o estado de conservação e limpeza do trilho, bem como de diversas estruturas aí presentes, como os marcos e a sinalética, bem como as câmaras de vigilância e o marco geodésico do Piquinho, reconstruído em 2023.
Alonso Miguel recordou ainda que, “recentemente, foi celebrado, entre a Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática e a Universidade dos Açores, um contrato-programa destinado à modernização tecnológica do Observatório da Montanha do Pico, num investimento superior a 250 mil euros, para aquisição de novos equipamentos tecnológicos de suporte à atividade científica, que reflete a visão estratégica da Região em liderar iniciativas de ponta que fomentam a excelência científica e uma compreensão mais aprofundada das dinâmicas atmosféricas e climáticas, visando a proteção ambiental e a salvaguarda de pessoas e bens, aproveitando, para o efeito, a localização privilegiada do Observatório da Montanha do Pico, a 2225 metros de altitude”.

A Campanha SOS Cagarro decorre entre 1 de outubro e 15 de novembro, período que coincide com a saída dos cagarros juvenis dos ninhos para o primeiro voo oceânico.
A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) associa-se novamente à campanha, promovendo brigadas de resgate em Vila Franca do Campo (VFC), Nordeste, Povoação e Faial da Terra, de 20 de outubro a 10 de novembro, segundo comunicado da SPEA, que convida a todos os que se queiram voluntariar a participar nas iniciativas.
Para as brigadas na marina e porto de Vila Franca do Campo, locais com maior número de quedas de cagarros do arquipélago, os interessados podem realizar a sua inscrição no site do Centro Ambiental do Priolo.
Em Vila Franca do Campo, as brigadas começaram a partir das 19h30 e das 20h00, podendo prolongar-se até de madrugada. Os locais de encontro são no Marina Bar (19h30), e no Clube Naval de VFC (20h00).
Nos feriados e aos fins de semana, ou seja, 26 e 27 de e outubro e 1, 2 e 3 de novembro, acontecem as libertações das aves resgatados, a partir das 10h00. O local de encontro é no Clube Naval, e o local de libertação vai ser no parque de lazer Poço Largo.
O cagarro (Calonectris borealis) é uma ave marinha que nidifica nos Açores (cerca de 75% da sua população mundial nidifica na região). Em outubro, estas aves iniciam a sua migração para o Sul, percorrendo milhares de quilómetros até chegar ao seu destino.
São aves muito ativas durante a noite, e a poluição luminosa provoca o encandeamento de muitos juvenis que saem dos seus ninhos, caindo por terra e ficando sujeitos a ser atropelados ou mortos por predadores.

O secretário regional da Agricultura e Alimentação disse hoje, em Ponta Delgada, que as reservas florestais de recreio constituem “o cartão-de-visita da floresta açoriana, pretendendo-se que sejam, cada vez mais, espaços versáteis, multifuncionais, emocionalmente reconfortantes e que deixem gratas recordações a quem as visita”, segundo comunicado do Governo regional.
António Ventura falava no âmbito de uma visita à Reserva Florestal de Recreio do Pinhal da Paz, onde adiantou que “estes espaços, sob a administração florestal, que ocupam um total de 570 hectares e constituem as 27 reservas florestais de recreio da região em oito das nove ilhas, recebem anualmente cerca de 500 mil visitantes, entre turistas e locais”.
“Para assegurar estas pretensões, é muito importante fazer uma aposta estratégica, efetiva e determinada no potencial do recreio florestal que passa pela valorização de espaços, pela requalificação de infraestruturas, que não conseguem dar resposta às novas necessidades e expetativas e inovar nas respostas aos desafios do tempo que aí vem”, defende, citado na mesma nota.
O governante frisou que nos últimos anos, “fruto das políticas florestais implementadas, tem sido possível criar condições para o usufruto popular destes espaços florestais através de diversas intervenções que visaram a criação e beneficiação de zonas de lazer, aprazíveis e com condições infraestruturais que permitem às populações usufruir das reservas de forma adequada, adulta, consciente e disciplinada, permitindo a valorização destes espaços pelos açorianos”, lê-se ainda.
O secretário regional salienta, assim, os investimentos que têm sido feitos nestes espaços, designadamente no melhoramento das instalações sanitárias e de zonas de lazer, nomeadamente de churrasqueiras, fornos, palheiros, mesas e bancos; a potencialização da flora endémica; a adaptação das reservas a indivíduos de mobilidade reduzida; a melhoria de acessos e instalações mais incorporativas, assim como de expositores de animais, “numa estimativa anual de 1,3 milhões de euros”.
Para além da promoção de múltiplos usos destinados ao lazer e ao recreio, como circuitos de manutenção física, equipamentos de recreio infantil e miradouros, têm sido desenvolvidas ao longo dos anos diversas atividades educativas, nomeadamente visitas guiadas e percursos didáticos, que “são a concretização de diferentes estratégias no âmbito da educação ambiental e da divulgação florestal”.
“O aumento do fluxo turístico na Região e da qualidade de vida das populações justificam a procura crescente e uma maior participação nas atividades de recreio ao ar livre”, acrescentou.
O responsável pela pasta dos recursos florestais disse ainda que, “sendo um instrumento potenciador na valorização do espaço público natural”, as reservas florestais de recreio dos Açores dão garantias de um crescimento integrado e sustentado da oferta turística, com a descentralização dos equipamentos de recreio florestal pelas ilhas.
Nos Açores, a floresta representa uma área de aproximadamente 30% da superfície do arquipélago, fazendo parte integrante da paisagem das ilhas. A utilização da paisagem florestal processa-se a partir de zonas muito localizadas, contidas, devidamente adaptadas e sujeitas a cuidados de manutenção e vigilância permanentes, devidamente preparados para proporcionar conforto, segurança e funcionalidade.

A Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, assinalou na passada quarta-feira, 31 de julho, o Dia Mundial do Vigilante da Natureza, com a realização do Encontro Regional de Vigilantes da Natureza, na ilha Terceira.
O encontro, que decorreu ao longo de dois dias, contemplou uma componente formativa, com uma formação ministrada pela Inspeção Regional do Ambiente, subordinada ao tema da “contraordenação ambiental e elaboração dos autos de notícia”, bem como um conjunto de atividades de campo, como a realização do trilho pedestre Algar do Carvão – Furnas do Enxofre, promovido e mantido pela Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, em área de Parque Natural de Ilha, e visitas a várias zonas de intervenção dos projetos LIFE a decorrer na Terceira, segundo comunicado do governo açoriano.
Este trilho resulta do trabalho efetuado pela equipa de operacionais da Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática e permite uma ligação pedestre entre os Monumentos Naturais do Algar do Carvão e das Furnas do Enxofre, oferecendo vistas panorâmicas sobre diversas formações geológicas e geossítios, como a Caldeira Guilherme Moniz, o Pico Alto ou a Caldeira de Santa Bárbara e Mistérios Negros, possibilitando caminhar ao longo de manchas de floresta Laurissilva e de flora autóctone e ainda visitar o Campo Fumarólico das Furnas do Enxofre, lê-se, na mesma nota.
O secretário regional com a pasta do ambiente, Alonso Miguel, enalteceu o papel fundamental dos vigilantes da natureza “para a proteção do extraordinário património natural dos Açores, representando a linha da frente para a defesa da qualidade ambiental, para a conservação e valorização do património natural, e, em última instância, para assegurar o próprio desenvolvimento sustentável da Região”.
“O Governo Regional, através desta Secretaria, tem assumido como prioritária a melhoria das condições do trabalho dos nossos Vigilantes da Natureza, ao longo destes últimos três anos, em reconhecimento da importância do papel do Vigilante da Natureza para esta exigente missão e da sua relevância ao nível da colaboração com diversos departamentos da Administração Pública Regional e Local, bem como para a sensibilização e educação ambiental”, sublinha Alonso Miguel.
Alonso Miguel destacou o reforço do corpo de vigilantes da natureza com a contratação de mais 12 efetivos e a aquisição de equipamentos fundamentais para uma adequada atuação dos vigilantes, designadamente viaturas pick-up, embarcações pneumáticas e maquinaria, num investimento de cerca de um milhão de euros.
“Foram também promovidas diversas formações e adquiridos drones para cada um dos nove Serviços de Ambiente e Alterações Climáticas, representando um investimento de cerca de 60 mil euros, e que estão ao dispor do corpo de Vigilantes da Natureza”, frisou o secretário, citado no comunicado.
O secretário regional referiu ainda que “o processo de aquisição global de fardamento dos Vigilantes da natureza se encontra concluído, com exceção apenas da aquisição do equipamento de montanha, para os Vigilantes do Pico, para que seja possível garantir uma presença mais regular no trilho da montanha”.
Alonso Miguel demonstrou “insatisfação e desilusão” por se ter verificado, no âmbito da valorização da carreira dos Vigilantes da Natureza, após a garantia deixada pelo anterior Governo da República, através do Senhor Secretário de Estado da Conservação da Natureza e Florestas, no âmbito do Encontro Mundial de Vigilantes da Natureza, realizado em outubro do ano passado, no Faial, de que até ao final de 2023 seria revista a carreira, o não cumprimento desse compromisso.
O governante salientou que “da parte do Governo Regional, dentro das competências próprias, foram promovidos 17 Vigilantes da Natureza, com efeitos a partir do dia 1 de agosto”.
No final da cerimónia, o secretário regional do Ambiente e Ação Climática agraciou os Vigilantes da Natureza mais antigos dos Açores com louvores, “como forma de um justo reconhecimento pelo trabalho prestado e pelo contributo dados para a preservação ambiental, ao longo de mais de 20 anos”.

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA Açores) vai promover, no próximo dia 25 de maio, uma visita guiada à Mata dos Bispos, na Povoação, zona que está a ser alvo de restauro ecológico.
Segundo comunicado da SPEA Açores, a iniciativa está inserida na atividade “Restaurar a Laurissilva” para comemorar o Dia Europeu da Rede Natura 2000 e o Dia Internacional da Biodiversidade.
A visita conta com transporte gratuito de Ponta Delgada até à Mata dos Bispos, localizada na costa sul de São Miguel, na Povoação. A atividade é gratuita, mas é obrigatório efetuar a inscrição, no website do Centro Ambiental do Priolo.
Os participantes vão ter a oportunidade de caminhar no interior de uma mancha de floresta Laurissilva restaurada, onde também lhes será explicado como é desenvolvido um projeto de conservação da natureza, os seus desafios e benefícios.
Como explica a mesma nota, a Mata dos Bispos, a exemplo de outras áreas intervencionadas pela SPEA, tem sido objeto de estudos e restauro ecológico de diferentes habitats da floresta Laurissilva (floresta nativa dos Açores e habitat prioritário para o Priolo), no âmbito dos projetos LIFE Laurissilva (2009-2013), LIFE Terras do Priolo (2014 a 2019) e, mais recentemente, LIFE IP Azores Natura (2019-2027).
“Os mais de 10 anos de trabalho nesta área fazem dela um excelente laboratório para observar diferentes técnicas e resultados do restauro ecológico levadas a cabo, como por exemplo, técnicas de engenharia natural. É a melhor forma de demonstrar que a conservação de áreas com estas características é possível”, afirma Rui Botelho, coordenador da SPEA nos Açores, citado no comunicado.
O ponto de encontro da atividade está marcado para as 8h45 na Escola Secundária Domingos Rebelo e o transporte acontece de autocarro até ao local da atividade. Na zona da Mata dos Bispos, será realizada uma caminhada de aproximadamente seis quilómetros para observar as diferentes áreas restauradas.
Devido à sua localização e caraterísticas, a Mata dos Bispos é fundamental para o abastecimento de água da Povoação, sendo o restauro dos habitats existentes nesta área importantes também para garantir a disponibilidade de água e a regulação hídrica evitando enchentes durante períodos de chuva torrencial.

No passado mês de abril, terminou a época de plantação de espaços florestais 2023-2024, tendo sido plantados um total de 152 hectares em áreas públicas e privadas de floresta de produção e de floresta de proteção, segundo comunicado do secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura.
Relativamente às florestas de produção, foram plantados cerca de 57 hectares de floresta de produção nas áreas privadas e 31 hectares nas áreas públicas, maioritariamente com espécies resinosas, lê-se, ainda, na nota.
No que diz respeito às florestas de proteção, foram plantados cerca de 44 hectares em áreas privadas e 20 hectares em áreas públicas, principalmente com espécies endémicas, autóctones e folhosas.
Citado no mesmo comunicado, o responsável pela pasta das florestas relembrou que este tipo de florestação “protege nascentes, controla a erosão do solo e garante a estabilidade de encostas”, sendo que “as políticas de proteção e fiscalização dos recursos florestais são implementadas para preservar esses importantes ecossistemas, combatendo a desflorestação e promovendo a recuperação de áreas degradadas”.
“Estas plantas foram produzidas nos viveiros dos Serviços Florestais, em virtude do investimento que tem sido realizado nos últimos anos para se aumentar a produção de espécies como o Louro, o Pau branco , o Cedro do mato, o Azevinho, a Faia da terra, a Uva da serra, a Ginga do mato, a Urze, o Sanguinho e o Folhado”, refere o governante.
O Secretário Regional diz ainda que com o encerramento da época de plantação, o trabalho que se segue “é monitorizar o crescimento das plantas e implementar medidas de gestão para garantir o sucesso das florestas, nomeadamente executar as limpezas necessárias para se combater as espécies invasoras de rápido crescimento, que pela sua sombra causam muita mortalidade nas jovens plantações”.
“Para se garantir o sucesso da época de plantação que agora terminou será necessário novo investimento em limpezas, a realizar na próxima época estival ou início do outono, consoante as condições do terreno e das plantas”, conclui.