
A ilha de São Miguel prepara-se para acolher, a partir de amanhã, 18 de abril, a primeira visita pastoral de D. Armando Esteves Domingues desde o início do seu episcopado. O périplo arranca na ouvidoria de Vila Franca do Campo e prolonga-se até ao dia 26 de abril, marcando um momento que a Igreja local classifica como histórico. Sob o lema “Bendito o que vem em nome do Senhor”, a iniciativa pretende ser, acima de tudo, um espaço de comunhão e renovação espiritual para a comunidade cristã vilafranquense. Segundo nota de imprensa enviada pela Ouvidoria de Vila Franca do Campo, a agenda do bispo de Angra será intensa e descentralizada, com passagens previstas pelas paróquias de Água d’Alto, São Pedro, Ponta Garça e Matriz, incluindo contactos diretos com escolas, associações, movimentos de leigos e visitas a doentes.
O padre José Borges, ouvidor local, destaca a importância deste encontro que rompe com o protocolo institucional para se focar nas pessoas. “Não é apenas uma formalidade do calendário; é, acima de tudo, um encontro de família”, sublinha o sacerdote, descrevendo D. Armando Esteves Domingues como “um pastor com cheiro a ovelhas”, cuja presença reforça o sentimento de que a comunidade não caminha isolada. Para o responsável, a visita é uma oportunidade para o prelado conhecer de perto a realidade de uma ouvidoria que já trabalha há vários anos numa dinâmica de cooperação entre paróquias, facilitando a implementação das orientações diocesanas e o caminho sinodal proposto pelo Papa Francisco.
Contudo, a visita pastoral será também um momento de reflexão sobre as fragilidades que afetam a prática religiosa na região. Entre os temas que a ouvidoria pretende levar ao diálogo com o bispo figuram a diminuição da participação ativa dos fiéis e a premente escassez de vocações sacerdotais. O padre José Borges alerta ainda para a crescente sobrecarga do clero, notando que “hoje, um padre assume várias paróquias, com as mesmas exigências de sempre”, o que obriga a um olhar mais atento sobre a saúde e o bem-estar dos sacerdotes. Apesar destes desafios, a estrutura pastoral de Vila Franca do Campo mantém o otimismo, sustentando que a fé da população permanece viva, ainda que confrontada com as exigências de uma vida quotidiana mais complexa.
A preparação deste evento mobilizou conselhos pastorais e equipas de formação, culminando numa assembleia eclesial que reforçou o papel dos leigos na Igreja. O programa inclui momentos de particular simbolismo, como encontros com jovens e escuteiros, a celebração de crismas e a denominada “Festa da Fé”. O encerramento oficial da visita pastoral terá lugar no dia 26 de abril, na Igreja Matriz de Vila Franca do Campo, com uma celebração eucarística que deverá reunir representantes de todas as comunidades da ouvidoria. Conforme sintetiza o padre José Borges, o objetivo final desta passagem de D. Armando Esteves Domingues pela localidade é claro: “Queremos construir juntos um caminho de fraternidade e futuro”.

O Santuário de Nossa Senhora da Paz, em Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, assinalou o primeiro aniversário da sua criação com uma celebração marcada pela gratidão e por um apelo profundo à espiritualidade no primeiro dia do ano. Sob o lema de que “nós e o mundo precisamos de paz como de pão para a boca”, o reitor e ouvidor, padre José Borges, conduziu a cerimónia que juntou a equipa sacerdotal e um coro de toda a ouvidoria de Vila Franca, celebrando o espaço como um lugar vivo de fé e encontro.
Durante a homilia, o reitor enfatizou que o valor do Santuário reside na presença humana e na oração, definindo a instituição como um “espaço vivo de fé e encontro”. “Não são as paredes que tornam este lugar sagrado; são as pessoas”, afirmou, reforçando que os mais de seis mil visitantes que sobem ao monte mensalmente constituem o coração da instituição. Para o sacerdote, a comunidade é o centro da experiência religiosa: “Temos, neste lugar, a possibilidade de fazer parte de algo maior que nós, mas isto, este santuário, não existe sem nós, sem a nossa presença… são as pessoas o tesouro da fé cristã; são os peregrinos e as peregrinas que são o verdadeiro milagre neste lugar”.
Neste primeiro ano, o Santuário tornou-se um porto de abrigo espiritual, recebendo centenas de mensagens com pedidos de oração, especialmente de doentes, emigrantes e pessoas privadas de liberdade. A celebração, que evocou o dogma de Maria como Theótokos (Mãe de Deus), serviu para reforçar a missão de acolhimento. Ao refletir sobre o Dia Mundial da Paz, o padre José Borges recorreu ao pensamento de Tomás Halík para definir a paz como um caminho de paciência: “A paciência connosco chama-se esperança; a paciência com os outros chama-se caridade”.
O aniversário foi apresentado não apenas como a comemoração de um espaço físico, mas como a afirmação de uma missão espiritual: “Este não é apenas o aniversário do espaço físico, mas da fé que nos move, da missão que nos une e da paz que aqui encontramos, uma paz para além do barulho do mundo”. Num contexto global de divisões, o reitor deixou um convite à maturidade e ao respeito mútuo, lembrando que “a paz não é apenas ausência de conflito; é uma opção que exige compromisso”.
A cerimónia terminou com um convite à oração contínua pela reconciliação do mundo, renovando o compromisso dos fiéis com a construção de uma paz quotidiana e duradoura.