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O erro não é falta de multas

José Estêvão de Melo
Engenheiro Informático

Os números da operação Páscoa 2026 são desoladores: 20 mortos, 53 feridos graves e 845 feridos ligeiros, distribuídos por um total de 2.602 acidentes. Em termos de fiscalização, foram controlados mais de 52.000 condutores.

Analisando os dados dos últimos cinco anos, a partir de 2022 e excluindo o período anterior marcado pela distorção da pandemia, o número médio de mortos por operação é de 9,4, enquanto os feridos graves se situam nos 39 e os acidentes nos 1.915.

Apesar da subida gradual em praticamente todos os indicadores, 2026 não é apenas mais um ano pior. É um ano fora da escala. E isso exige mais do que uma reação imediata. Exige análise. Não deve ser descartado como um simples outlier, nem usado como pretexto para respostas automáticas de eficácia duvidosa, como o aumento indiscriminado de multas.

A primeira conclusão é desconfortável. O aumento da fiscalização não apresenta um impacto direto e mensurável na redução de acidentes, mortos ou feridos. Mas isso não significa que a fiscalização não funcione. Significa que pode não estar a ser aplicada onde mais importa.

Entre as estradas com maior sinistralidade em Portugal, o padrão repete-se com consistência. A A5, que liga Lisboa a Cascais, e o IC19, entre Lisboa e Sintra, surgem regularmente entre as vias com mais acidentes e concentram também uma parte significativa da fiscalização, pela densidade de tráfego e facilidade logística. Ainda assim, apesar do elevado número de ocorrências, trata-se sobretudo de acidentes menos letais. Já em estradas nacionais como a EN125, no Algarve, o cenário é diferente. Há menor presença de fiscalização contínua e maior gravidade nos acidentes. Os dados globais ajudam a clarificar esta diferença. As estradas nacionais representam cerca de 20% dos acidentes, mas concentram mais de 30% das vítimas mortais. O resultado é um desalinhamento difícil de ignorar. Fiscaliza-se com maior intensidade onde há mais circulação, mas é fora desses eixos que os acidentes tendem a ser mais fatais.

Se cruzarmos volume de tráfego com sinistralidade, o contraste torna-se ainda mais evidente. Em vias como o IC19, com tráfego médio diário acima dos 90.000 veículos, ou a A5, que frequentemente ultrapassa os 60.000, o número absoluto de acidentes é elevado, mas a letalidade relativa mantém-se baixa. Já em estradas nacionais como a EN125, com volumes tipicamente entre 10.000 e 30.000 veículos por dia, a proporção de acidentes graves e mortais é significativamente superior. Os dados agregados confirmam este padrão. As estradas nacionais concentram cerca de 20% dos acidentes, mas mais de 30% das mortes, enquanto as autoestradas, apesar de suportarem a maior fatia do tráfego, apresentam uma taxa de mortalidade bastante inferior. Traduzindo isto num indicador simples, mortes por mil milhões de veículos, o risco em estradas nacionais pode ser duas a três vezes superior ao das autoestradas. O problema não está apenas onde se conduz mais, mas onde cada quilómetro percorrido tem maior probabilidade de terminar mal.

Esta leitura é necessariamente superficial. Cruza dados disponíveis, mas não esgota a complexidade do problema. Ainda assim, é suficiente para pôr em causa uma conclusão cómoda. A de que mais multas ou mais fiscalização, em termos absolutos, são por si só a solução. Os números sugerem o contrário. Fiscaliza-se mais, sanciona-se mais, e nem por isso o risco diminui onde mais importa. O problema não parece estar na quantidade, mas na forma. Não é apenas fiscalizar mais, é fiscalizar melhor, onde o risco é efetivamente maior e com critérios que tenham impacto real no comportamento. E é, sobretudo, intervir nas condições em que se conduz. Melhor sinalização, desenho de vias mais consistente e gestão de tráfego mais inteligente. Sem isso, continuaremos a medir esforço, mas não necessariamente resultados.

Distribuídos 660 cabazes de Páscoa pelos beneficiários do Cartão Lagoa + Saúde

Iniciativa abrangeu todas as freguesias do concelho e privilegiou a aquisição de produtos no comércio local

© DIÁRIO DA LAGOA

À semelhança do que tem sucedido em anos anteriores, a Câmara Municipal da Lagoa procedeu à entrega de 660 cabazes de Páscoa destinados aos munícipes abrangidos pelo Cartão Lagoa + Saúde. De acordo com a nota de imprensa enviada pela autarquia lagoense, a medida chegou a todas as freguesias do concelho.

A iniciativa focou-se na população mais vulnerável e na valorização do tecido económico da região. Este apoio indireto à economia local reflete-se na composição dos cabazes, cujos produtos alimentares foram adquiridos diretamente nos estabelecimentos comerciais do concelho.

O presidente da Câmara, Frederico Sousa, sublinha o simbolismo da ação, afirmando que “a Páscoa é um momento especial de partilha e proximidade, e quisemos, mais uma vez, estar presentes na vida dos nossos munícipes, em particular dos mais idosos”.

O autarca realça ainda o cariz humano desta política social, notando que “este é um gesto simples, mas feito com muito carinho, que procura levar algum conforto e mostrar que não estão sozinhos. É também uma forma de agradecer tudo aquilo que deram ao nosso concelho ao longo da vida”.

Esta medida está integrada num programa de apoio mais abrangente, suportado pelo Cartão Lagoa + Saúde. Em vigor desde 2017, este mecanismo destina-se a residentes com idade igual ou superior a 65 anos ou cidadãos a partir dos 45 anos com um grau de incapacidade superior a 60%.

Para além da distribuição de cabazes nas épocas festivas da Páscoa e do Natal, o cartão assegura benefícios contínuos. Entre estes destacam-se o apoio mensal de 15 euros para medicamentos, descontos nas tarifas de água e saneamento, e a realização de pequenas obras de manutenção habitacional.

Segundo a Câmara Municipal, o Cartão Lagoa + Saúde constitui uma ferramenta central na estratégia municipal de promoção do bem-estar e da qualidade de vida da população mais fragilizada do concelho.

Vila Franca do Campo acolhe prova de desportos motorizados no Parque Industrial

Autarquia anuncia que “Vila Franca Motores 2026” promete um domingo de emoções fortes com provas de Super Enduro, Trial TT e Autocross integradas no programa festivo da Páscoa

© CM VILA FRANCA DO CAMPO

O Parque Industrial de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, transforma-se, no próximo dia 29 de março, na capital do desporto motorizado da ilha com a realização da prova “Vila Franca Motores 2026”. Integrado no programa oficial de Páscoa da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, o evento promete atrair entusiastas e curiosos para um dia marcado pela perícia técnica e pelo espetáculo visual.

De acordo com a nota de imprensa enviada pela autarquia às redações, a iniciativa visa não só o entretenimento, mas também a dinamização económica do concelho e a valorização do espaço industrial através de uma “forma vibrante e envolvente de animação local”.

O programa desportivo arranca cedo, com a primeira prova de Super Enduro agendada para as 9h30, seguindo-se o desafio de Trial TT pelas 10h30. O meio-dia ficará reservado para as provas de Sprint, que colocarão à prova a velocidade de Motos, Quads e Automóveis. Já o período da tarde será dominado pela competição de Autocross, com início marcado para as 15h00, culminando o dia com a cerimónia de entrega de prémios às 16h30. A organização sublinha que este tipo de desporto se destaca pelas “intensas emoções de adrenalina que proporciona, tanto a participantes como a espectadores”, aliando a concentração dos pilotos ao entusiasmo do público.

Para além da vertente competitiva, segundo a autarquia vilafranquense, o “Vila Franca Motores 2026” pretende ser como um polo de atração de visitantes para o concelho durante o período pascal, promovendo o contacto direto com o universo motorizado num ambiente de convívio. A autarquia destaca ainda que o evento é uma peça fundamental na estratégia de diversificação da oferta de lazer, aproveitando as infraestruturas locais para gerar momentos de forte impacto social e desportivo. A entrada no recinto permite acompanhar de perto a evolução das máquinas e a destreza dos pilotos açorianos.

Reflexão após a Páscoa

Ricardo Pinto de Castro e César
Sociólogo – ISCTE-IUL

Após a celebração da Páscoa, fica em nós uma reflexão profunda sobre o seu significado, que vai para além do seu aspeto religioso. Este momento convida-nos a pensar na fé, nos valores e na ética que orientam a nossa vida e a sociedade em que vivemos.

A Páscoa, enquanto celebração de renovação, esperança e ressurreição, deixa uma marca na nossa mentalidade, reforçando a importância de manter viva a fé, mesmo num mundo cada vez mais secularizado. Na sociedade atual, a mentalidade religiosa convive com um contexto onde os valores tradicionais enfrentam desafios de uma cultura mais individualista, tecnológica e globalizada. Ainda assim, muitos continuam a encontrar na fé uma fonte de força, esperança e sentido, mesmo que de forma mais pessoal ou menos institucionalizada.

Para além do seu aspeto religioso, a Páscoa é uma oportunidade para refletirmos sobre a renovação, a esperança e os valores que orientam a nossa vida e a sociedade. Mesmo num mundo cada vez mais secularizado, muitos encontram na fé uma fonte de força e esperança. Além disso, a celebração pode inspirar-nos a valorizar a solidariedade, a justiça e o amor ao próximo, contribuindo para uma sociedade mais justa, compassiva e consciente.

Adicionalmente, a Páscoa pode despertar o interesse pelos movimentos sociais que promovem a solidariedade, a justiça e a ética, reforçando a importância de valores como o amor ao próximo, a esperança e a responsabilidade social. Este período incentiva-nos a refletir sobre o que realmente importa e a cultivar esses princípios no nosso dia a dia, contribuindo para uma sociedade mais justa, compassiva e consciente. Assim, a Páscoa permanece como um símbolo de renovação interior e de compromisso com valores que fortalecem a nossa convivência coletiva, deixando em nós o desejo de construir um mundo melhor.

“Hossana, hossana ao Filho de Davi!”

Padre André Furtado

Hoje damos início à semana maior na vida do cristão: a Semana Santa. Hoje, com fé, recordamos a entrada de Jesus em Jerusalém. O povo estendia mantos e ramos, aclamando: “Hossana ao Filho de Davi!” Mas é o mesmo povo que gritará: “Crucifica-o!” Como é frágil a esperança baseada em triunfos humanos! Como é inconstante o coração humano quando não se ancora no amor verdadeiro!

No Evangelho da Paixão contrastam-se dois tipos de esperança: a esperança superficial — a dos homens que esperavam ver milagres fáceis, soluções rápidas, gestos espetaculares, uma vida facilitada (tão presente nos dias de hoje) — e a esperança silenciosa e fiel de José de Arimateia, que aguardava o Reino de Deus com humildade e coragem, oferecendo até o seu túmulo a Jesus.

Diante da Cruz, as falsas esperanças caem por terra, e só permanece a esperança que nasce do amor. Cristo não desceu da Cruz. Não Se salvou a Si mesmo para provar o Seu poder. Permaneceu firme, por amor a nós. Mostra-nos que a verdadeira esperança não evita a cruz — passa por ela e transforma-a. Por isso, a esperança verdadeira é aquela que se purifica na dor, se fortalece no sofrimento e se ancora no Coração trespassado de Jesus.

A narrativa da Paixão apresenta-nos um Cristo sereno, compassivo, que perdoa até mesmo na cruz: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” Jesus não perde a Sua identidade, mesmo diante da dor e da injustiça. Ensina-nos a permanecermos fiéis, mansos, humildes e firmes no amor, mesmo nas situações mais difíceis.

E há personagens na Paixão que também nos interpelam:

• Pedro, que O nega por medo, mas depois chora amargamente;

• Pilatos, que reconhece a inocência de Jesus, mas lava as mãos;

• Simão de Cirene, que ajuda a carregar a cruz;

• As mulheres de Jerusalém, que choram por Ele;

• O bom ladrão, que, na última hora, se entrega à misericórdia de Deus.

Todos nós estamos ali. A Paixão não é apenas um relato antigo: é o espelho da nossa atual humanidade.

Na vida, experimentamos continuamente tudo isto: momentos de exaltação e alegria, e outros de prostração e desalento. Por vezes, parecem predominar estes últimos.

Mas é então que intervém o ânimo da fé e a palavra de Jesus, que o sustenta: “Coragem! Eu venci o mundo.” (Jo 16, 33). Sim, a esperança é impossível de apagar, porque constitui a força que une o divino e o humano, a elevação do homem até Deus e a familiaridade de Deus com a pessoa.

Olhamos para o nosso mundo e parece que só vemos o mal em estado puro: atrocidades, destruição de vidas e da natureza. Sem a esperança, o cenário é sombrio. O relato da Paixão do Senhor parece continuar a reescrever-se na história da humanidade: condenação de inocentes, prepotência dos poderosos, banalização ou normalização do mal, indiferença de tantos, o aparente silêncio de Deus, atentados contínuos contra a vida humana… Tudo parece condenar e fazer desaparecer a esperança, levando-nos à desistência. E muitas vezes o nosso silêncio, em situações que deveríamos condenar e contrariar, é uma arma que mata.

Mas não! Basta de vivermos constantemente agarrados às esperanças mundanas, que nos fazem procurar a Deus apenas quando o mundo nos cai aos pés. Ancoremo-nos na esperança que não se apaga: este Deus que está presente em todos os momentos da nossa vida. Não façamos de Deus um deus ocasional.

Ancoremo-nos na esperança que não se apaga. Ela é:

– a virtude das mulheres e dos homens que fazem projetos e participam na Criação,

– que sonham e plantam a novidade da graça;

– o estímulo para meter mãos à obra e transformar os rastos de destruição numa primavera de vida;

– o garante de que, da cruz ensanguentada, surgirão raios de luz, da ressurreição e vida nova que nenhum túmulo poderá encarcerar.

Ela, de facto, anima a fé nos tempos humanos e fortalece a caridade.

Na Cruz, tudo ganha novo sentido:

O medo transforma-se em confiança;

A escuridão, em luz;

A derrota, em vitória;

A morte, em vida.

Do alto da Cruz, Jesus diz a cada um de nós: “Hoje estarás comigo no Paraíso.”

É esta promessa que sustenta a nossa fé, mesmo quando tudo parece perdido. Porque quem espera em Cristo Crucificado nunca está só. Quem Se entrega a Ele encontra força, mesmo na fraqueza.

Por isso, irmãos: “ancoremo-nos e esperancemo-nos” — nas palavras, nos gestos, nas dores e nas alegrias.

A cruz é dura, mas a Páscoa vem!

Tal como a primavera chega depois do inverno, a alegria virá depois da cruz.

Ribeira Chã assinalou Dia da Mulher, promoveu workshop “Coelhinho da Páscoa” e este mês comemora o 25 de abril

© D.R.

A Freguesia da Ribeira Chã não deixou de assinalar o Dia da Mulher, a 8 de março, e ofereceu uma lembrança doce, uma fatia de bolo, a todas as mulheres da freguesia. Todos os anos é realizada uma atividade para comemorar a data. De acordo com Vitoria Arruda, presidente da junta de freguesia, no ano anterior foi oferecida uma sessão de relaxamento a todas as mulheres que se deslocaram à junta.

Para lembrar a Páscoa, a Junta de Freguesia da Ribeira Chã promoveu o workshop “Coelhinho da Páscoa,” no dia 24 de março, nas suas instalações, com a formadora Maria Arménia Melo. Com apenas um kit de costura e um garrafão de água reciclado, os participantes criaram artesanalmente uma cesta da páscoa, para colocar amêndoas, conta ainda a presidente. A atividade foi gratuita e contou com pelo menos 12 participantes.

Este mês, a junta vai convidar as famílias a elaborarem, em casa, um cravo original com materiais reciclados, para assinalar o feriado de 25 de abril. O vencedor receberá um prémio, de acordo com a sua idade.

Pás-coa

© D.R.

Jesus morreu para nos salvar! Porquê? – perguntou o mais novo dos meus sobrinhos! Realmente fiquei a pensar. Respondi então: Jesus morreu por amor aos Homens; para que o seu exemplo ecoasse nos corações humanos e todos aprendessem que só amando e ajudando os outros podem ter a felicidade na Terra e nos Céus.

Num diálogo a pergunta é fundamental e sempre mais importante. A resposta é relativa, mas para nós, cristãos, é sempre Jesus Cristo.

A Páscoa é a paz que procura tocar este mundo conturbado.
A Páscoa é a vida que ecoa em direção dos corações desumanizados.
A Ressurreição de Jesus é a maior prova da Misericórdia de Deus.

A Páscoa é dom de Deus, porque Jesus sendo um de nós, saiu de si mesmo, apresentou-se livre, sem mancha diante de Deus, para dar a sua vida pela Humanidade. Por isso a Misericórdia surpreende a vingança. Deus não deixa o ser humano largado à destruição. Para Ele não há causas perdidas.

O drama da humanidade é o drama do Amor e da Misericórdia, porque, por um lado, é muito difícil perdoar e, por outro lado, não somos capazes de garantir a vida daqueles que amamos.

Exemplificando: um pai pode fazer tudo por um filho; contudo não pode é garantir a sua vida para sempre. Só Deus é que pode dar-nos a VIDA. Só Deus é o garante dela e essa é para sempre.

Parece que Jesus está na Cruz, mas realmente não está lá.
Parece que Jesus não está no Sacrário, mas verdadeiramente Ele está lá.

Podemos concluir que:
1. A Ressurreição de Jesus é a vitória da Misericórdia.
2. A Ressurreição de Jesus é o triunfo da Vida sobre a Morte.
3. A Ressurreição de Jesus é o sucesso do Bem sobre o Mal.
4. Jesus Cristo é a melhor oferta de Deus para a Humanidade.
5. Jesus Cristo é o presente de Deus que nos leva à Vida Plena.
6. Jesus Cristo salva sempre e para sempre, quando o ser humano assim o quer.
7. Deus é infinitamente paciente e usa a força terapêutica do tempo para se deixar conquistar.
8. A passagem pela cruz como não pode ser evitada, só pode encontrar sentido no Amor.
9. Deus está sempre à nossa espera e abre os seus braços para nos acolher.
10. É infinito o seu Amor e sua Misericórdia.

CRISTO RESSUSCITOU! ALELUIA! ALELUIA!

A Páscoa: caminho de vida e de esperança

© D.R.

Passados os dias da quaresma, onde durante 40 dias nos fomos preparando, deixando atitudes, gestos e palavras que não nos dignificam mas que apenas nos diminuem enquanto seres humanos e cristãos, eis que ressoa bem alto o anuncio da Páscoa do Senhor: O Senhor ressuscitou verdadeiramente! Aleluia, aleluia.

A Páscoa, centro de todo o ano e da vida cristã, é a festa da vida que faz brotar, em cada um, a alegria de quem é salvo por um Amor Maior. Este amor é demonstrado na maior prova que pode existir: Jesus deu a vida por nós.

Compadecemo-nos muito com a Sua Paixão e Morte. De facto, são episódios do caminho de Jesus ao encontro de cada um, são passos que Ele dá por amor de nós, que nos faz querer estar presentes. Tal como acontece quando morre um familiar e amigo. Marcamos presença na última despedida.

A vida não fica na Sexta-feira Santa, com a morte de Jesus. A Páscoa é vida. Nela celebramos a vitória da vida sobre a morte. Nela Jesus dá a sua vida humana, para que nós tenhamos a vida divina. Por Jesus, com Jesus e em Jesus, a vida não termina com o desaparecimento dos nossos corpos mortais. Para quem crê “a vida não acaba, apenas se transforma”. Passamos a estar com Deus e em Deus.

Jesus está vivo! É o que ressoa na Páscoa. Esta vida também simbolizada pelo comércio dos ovos e dos coelhos, tem o seu centro numa Cruz vazia, sinal da vida doada que brota do Amor generoso de Deus.

Desta vida nova, brota no coração de cada crente a esperança, em particular dos mais desprotegidos e dos que sofrem, que existe algo mais para além do sofrimento, da doença, das guerras e do abandono. Como nos diz o Papa Francisco “No meio das múltiplas dificuldades que estamos a atravessar, nunca esqueçamos que fomos curados pelas chagas de Cristo (cf. 1 Ped 2, 24). À luz do Ressuscitado, os nossos sofrimentos são transfigurados. Onde havia morte, agora há vida; onde havia luto, agora há consolação. Ao abraçar a Cruz, Jesus deu sentido aos nossos sofrimentos. E, agora, rezemos para que os efeitos benéficos daquela cura se espalhem por todo o mundo.”

Sem a ressurreição a Igreja nada mais é que uma multinacional e a fé um regulamento interno, que orienta as ações de cada cristão. Sem a ressurreição cada cristão é um repetidor oco de coisas passadas e de Jesus histórico que já não transforma a nossa vida nem nos convence a viver o Seu mandato: “Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu vos fiz, vós façais também” (Jo 13,15).

A todos desejo uma feliz e santa Páscoa, do Senhor vivo e ressuscitado.

A vida que vence a morte

© D.R.

“A morte e a vida travaram um admirável combate: depois de morto, vive e reina o Autor da vida.” Assim canta um hino litúrgico da Páscoa, a festa maior do calendário cristão e aquela que mais vai ao âmago da nossa fé. De uma vez só tratamos da paixão, da morte e da ressurreição de Jesus.

Albert Camus, em o Homem Revoltado, afirmava que Cristo resolveu dois problemas principais: o mal e a morte, dois problemas tão evidentes no nosso pequeno grande mundo. Por isso, a Páscoa que nos preparamos para celebrar, não é uma coisa de 20 séculos mas algo muito presente no nosso quotidiano.

A entrada de Jesus em Jerusalém, vindo de Betânia, assinala o ínicio do caminho de Jesus até à Cruz, momento alto do tempo que vamos viver até domingo.

Jesus chega a Jerusalém sentado num jumento, um burro, que nem cavalo é, aclamado como um rei e de, repente todos aqueles que faziam parte do grupo dos mais importantes começaram a ficar incomodados com este rei que dizia coisas que os punha em causa, a eles e às estruturas e costumes que representavam. Arranjar pretexto para o mandarem prender era tudo o que mais queriam e não seria difícil porque tinham poder, poder que nunca ou raramente transformaram em serviço. E na cidade, as vozes corriam tão velozes quanto naqueles tempos as redes funcionavam: de um lado estavam todos os que se entusiasmavam com Jesus, que fazia o bem por onde passava, como nos lembra o evangelista. Do outro, os que lhe queriam mal por inveja e ciúme do amor que dele e dos seus gestos transbordavam.

A história é sempre a mesma. Ou quase sempre. Esta, apenas é diferente no essencial: a confiança e o amor.

Enquanto os rumores circulavam, Jesus reuniu os seus e antecipando um último gesto, que queria que se perpetuasse para sempre, juntou-os à mesa lugar de toda a intimidade de uma família ou de gente que se quer bem; mas antes lavou-lhes os pés, num ato de humildade que ainda hoje é motivo de escândalo. O rei, viajava num jumento e lavava os pés aos discípulos, para que eles, tal como Ele lhes fez, o fizessem também a outros. É por demais evidente que os senhores do tempo não gostaram da inversão de valores e arranjaram maneira de o prender e de o silenciar, embora nem sequer os que pugnavam pela justiça dos homens encontrassem nele culpa. Diante das injúrias e das calúnias nunca levantou a voz nem foi sobranceiro. Aceitou tudo porque sabia que o seu reino não era deste mundo. E quando foi condenado, carregou a cruz diante daqueles que o tinham aclamado e agora o apedrejavam com palavras e impropérios. No caminho, até ao calvário, cruzou-se com várias pessoas, algumas delas que se compadeceram; outras ficaram indiferentes e outras houve que o ajudaram a levantar-se. A força maior que o acompanhava era a confiança no Pai, mesmo quando lhe pediu para afastar de si o cálice amargo de uma espécie de derrota, que Ele que se fez humano por amor aos homens experimentou ou quando deitou gritou aquele pensamento lancinante de abandono dirigido certeiramente ao Pai: “porque me abandonaste?”.

Foram apenas momentos, como a nossa fé é feita de momentos que juntos fazem um todo, um caminho de dúvidas e de contradições; de zangas e de amuos; de infidelidades e traições, mas sabendo que o amor Dele é sempre maior.

É esta confiança que alimenta a vida cristã; é ela que nos devolve a esperança porque nos sentimos muito amados por Deus. E, esta sexta-feira, a mais santa de todas, quando olharmos para a cruz e descobrimos nela este amor maior que é muito mais do que um aconchego ou um consolo, perceberemos que também nós temos a suprema graça de poder servir, de poder amar e de poder partilhar a nossa e as cruzes dos que nos são próximos levando-lhes esta esperança.

A Páscoa é isto. Hoje e sempre. A vitória da cruz, não como sofrimento mas como lugar de amor.

Não nos cansemos de chorar, de rir e de amar.

Santa Páscoa para todos.