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A história do piloto-mecânico da Lagoa

Das madrugadas na oficina às curvas das estradas açorianas, Rúben Borges prova que o rali é um “vício” alimentado pelo próprio suor. E desde há vários anos que assim é e vai continuar a ser, espera este lagoense

 Rúben Borges segue de perto o mundo dos ralis desde muito novo © DL

Há paixões que não se explicam, herdam-se. Para o piloto natural de Lagoa, nascido em 1984, o cheiro a óleo queimado e o som dos motores de combustão nunca foram ruído, mas sim uma espécie de banda sonora. Criado no Cabouco, com passagens marcantes pela casa da avó paterna em Santa Cruz, este entusiasta personifica o espírito do piloto açoriano.

O seu “berço” foi a oficina do pai. “Esta área nasceu comigo. O meu pai estava a manter uma oficina mecânica e a primeira vez que me sento dentro de um carro e começo a conduzir é pelos sete ou oito anos”, confessa com nostalgia.

A escola do “Fisher”, na Lagoa, deu-lhe a educação formal, mas foi a garagem que lhe conferiu a “licença” para sonhar. Quando chegou a hora de decidir o futuro profissional, o destino parecia traçado: “na altura, quando decidi escolher, era muito difícil a gente entrar no ramo automóvel porque tinha um monte de fiscalizações”, recorda.

A paixão pelas provas de estrada surgiu como uma extensão natural da sua vida na oficina. Seguia os ralis com fervor, admirando figuras como Augusto Ponte, que descreve como uma pessoa especial que lhe deu o “clique” definitivo. Em 1994, o som dos carros a passar perto da casa da avó já lhe acelerava o coração. “Eu andava sempre ali perto dele, foi das pessoas que me deram o ‘clique’ nos ralis e isso nunca se esquece, porque foi aquela primeira pessoa que teve impacto”, afirma. 

Contudo, a transição para o banco do condutor só aconteceu oficialmente em 2021. O veículo escolhido reflete a sua identidade: um diesel com história, que pertenceu anteriormente a Ricardo e Paulo, os seus mentores na oficina Auto Central, onde trabalha há 24 anos. “Hoje em dia, se não é o Ricardo e o Paulo, acho que eu não consigo estar neste projeto sozinho nos ralis. São duas pessoas que me ajudam muito”, admite.

“Tiro muito tempo da minha vida pessoal”

Ser piloto amador nos Açores é um exercício que requer equilíbrio. Diferente das equipas profissionais, aqui é o próprio piloto quem prepara tudo. “Trabalho bastante e tiro muito tempo da minha vida pessoal, deixo muita coisa para trás para me dedicar aos ralis”, desabafa. Este espírito de sacrifício conta com a solidariedade de colegas. Em casa, o filho de 16 anos compreende a paixão do pai, embora prefira manter distância da oficina: “Ele não gosta, fica com medo”, brinca o piloto, aceitando que o seu verdadeiro legado será o exemplo de determinação.

Rúben Borges recorda o percurso de navegadores como Rúben Silva, até à parceria atual com Mateus e Emanuel Cabral. A relação é testada ao limite, como aconteceu no último rali, onde um entusiasmo excessivo resultou num toque num passeio e num furo logo a abrir. “Eu falhei na Super Especial. Estava entusiasmado e com o carro fiz alguma coisinha que não foi com jeito”, reconhece. 

Recentemente, o piloto e mecânico adicionou o kickboxing ao seu dia a dia. Praticante desde o verão passado, vê na modalidade uma ferramenta para a estrada. “O kickboxing ajuda muito nos ralis em termos de preparação física, de reflexos e de concentração. Então, imaginei que devia optar pelo kickboxing e gosto muito”, explica, revelando que já pondera entrar em competição também nesta área.

Olhando para o futuro, o sonho é ambicioso: “Eu gostava de fazer um campeonato inteiro. Gostava muito. Mas nove ralis durante o ano é muito complicado”, confessa. Por enquanto, continua a ser o piloto-mecânico que gere o azar com serenidade: “Quando faço os ralis, eu penso de rali a rali porque pode-se ter um azar e não conseguir”. Enquanto houver asfalto e vontade, este piloto continuará a alimentar uma paixão que nasceu cedo.

Pedro Câmara Jr. motivado para o II Rali Ponta Delgada

© DIREITOS RESERVADOS

O jovem piloto açoriano, Pedro Câmara Jr., prepara-se para marcar presença, nos próximos dias 1 e 2 de maio, no II Rali Ponta Delgada, naquela que será a sua estreia em competição na ilha de São Miguel.

Após a recente vitória no Rali Terras d’Aboboreira, o piloto chega a esta prova com motivação, encarando este início de época como um conjunto de indicadores muito positivos para o seu crescimento desportivo. “Estou bastante feliz e motivado com tudo aquilo que temos vindo a fazer. Este início de época tem sido muito positivo e dá-nos bons indicadores para o futuro”, disse.

A participação no rali micaelense assume um significado especial para o jovem piloto, não só pela importância da prova, mas também pelo fator emocional de competir na sua ilha. “Vai ser a minha estreia a correr em São Miguel, o que me deixa muito feliz e entusiasmado. Poder competir e aprender aqui na minha terra é algo muito especial para mim”.

Apesar dos resultados já alcançados, Pedro Câmara Jr. mantém uma abordagem focada na evolução contínua, consciente de que se encontra ainda numa fase de aprendizagem. “Os objetivos passam por continuar a aprender o máximo possível. Sendo esta a minha estreia aqui, quero fazer quilómetros, evoluir e, acima de tudo, desfrutar ao máximo deste sonho que estou a viver”.

O piloto destaca ainda a importância da estrutura que tem vindo a construir ao longo desta época, reconhecendo o papel fundamental de todos os que o apoiam. “Estou cada vez mais feliz com toda a equipa que estou a criar à minha volta, desde patrocinadores, amigos, família e entidades. São eles que fazem com que este projeto seja possível”.

Jovem micaelense Pedro Câmara Jr. estreia Opel Corsa Rally4 em São Jorge

Piloto prepara-se para o primeiro contacto competitivo com a categoria Rally4 no Rali Capital do Queijo e das Fajãs, servindo de rampa de lançamento para uma exigente temporada nacional e ibérica

© DIREITOS RESERVADOS

O automobilismo açoriano assiste este fim de semana a um momento de viragem na carreira de Pedro Câmara Jr., pois o jovem piloto micaelense, de apenas 19 anos, estreia-se ao volante de um Opel Corsa Rally4 durante a segunda edição do Rali Capital do Queijo e das Fajãs, na ilha de São Jorge. A prova não marca apenas o seu arranque no Campeonato Regional de Ralis 2026, mas representa também o primeiro teste real num carro de referência da categoria de duas rodas motrizes, um desafio que o próprio descreve como a “concretização de um sonho de infância”.

A ascensão de Pedro Câmara Jr. ganha novo fôlego após a recente conquista da FPAK Júnior Team, um resultado de prestígio que abriu as portas para um projeto desportivo ambicioso este ano. O calendário de 2026 será particularmente intenso para o piloto, que se divide entre o Campeonato de Portugal de Ralis (2 Rodas Motrizes), a Peugeot Rally Cup Portugal, a Peugeot Rally Cup Ibérica e, naturalmente, o Campeonato Regional dos Açores. “Estou a viver um sonho. Poder, aos 19 anos, participar nestes campeonatos deixa-me extremamente feliz”, confessa o piloto, sublinhando que o seu foco atual é a aprendizagem e a evolução gradual.

Para a prova em São Jorge, a estratégia de Pedro Câmara Jr. é de cautela e rigor técnico. O objetivo passa por completar a totalidade dos quilómetros do rali sem riscos desnecessários, utilizando a prova como uma etapa de preparação crucial para o início do Campeonato de Portugal. “Será tudo novo para mim. Vou competir unicamente contra mim próprio, sem pensar em mais nada que possa interferir com o meu objetivo de manter o foco e a disciplina a médio e longo prazo”, afirma.

O projeto, que exigiu um esforço logístico e financeiro considerável, conta com o apoio de diversos parceiros e patrocinadores que acreditam no potencial do jovem micaelense. Pedro Câmara Jr. faz questão de agradecer a todos os envolvidos, destacando que a reunião de parceiros com a mesma ambição é o que torna possível a sua afirmação no panorama do automobilismo nacional e regional.

Lagoenses prestam homenagem ao piloto Joaquim Santos

© CLIFE BOTELHO

O piloto, natural de Penafiel, nascido em 1952 e que faleceu em 2024, ficou na história como uma das maiores referências do automobilismo de competição em Portugal. Na Lagoa, deixou admiradores e amigos que o acompanhavam, por exemplo, nos treinos que fazia no troço dos Remédios da Lagoa e nas provas. Agora, por iniciativa do lagoense Augusto Ponte e um grupo de amigos, em parceria com a Junta de Freguesia de Santa Cruz, prestaram a sua homenagem na presença do filho do piloto, também de nome Joaquim Santos. Segundo Augusto Ponte o troço dos Remédios era um dos preferidos de Joaquim Santos.

Neste domingo, 9 de novembro, foi descerrada uma placa em sua memória no Lugar dos Remédios, freguesia de Santa Cruz, na Lagoa.

Os pilotos e equipas lagoenses para o Azores Rallye aproveitaram a ocasião também para marcar presença, bem como o presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Frederico Sousa, e o presidente da Junta de Freguesia de Santa Cruz, Sérgio Costa.

Joaquim Santos conquistou quatro títulos de Campeão Nacional de Ralis e detém o recorde de vitórias, com 47 ralis conquistados no campeonato nacional. Foi também tetracampeão nacional absoluto.

Campeonato dos Açores de Ralis de regresso a São Miguel

© PEDRO FIGUEIREDO/CRIATIVITY ISLAND

A ilha de São Miguel recebe já no próximo fim de semana a primeira edição Rallye de Ponta Delgada, prova pontuável para o Campeonato dos Açores de Ralis. A prova marca o regresso da competição às estradas de terra na maior ilha do arquipélago açoriano.

O regresso dos ralis ao maciço das Sete Cidades é um dos grandes destaques da prova, com as provas especiais Remédios/Cumeeira e Vista do Rei/Feteiras, a disputar no dia de sábado, 21 de junho, a comporem parte significativa do traçado a cumprir. A estas duas, junta-se a prova especial Lagoa, a disputar entre os concelhos da Ribeira Grande e da Lagoa, ainda no dia de sábado. No dia anterior, sexta-feira, 20 de junho, disputa-se uma super-especial a percorrer nas imediações do Parque Urbano de Ponta Delgada.

Os atuais líderes do Campeonato dos Açores de Ralis marcam presença na prova. Luís Miguel Rego/José Janela, em Skoda Fabia RS Rally2, em absolutos, e Rafael Botelho/Rui Raimundo, em Peugeot 208 Rally4, nas duas rodas motrizes, serão os primeiros dois concorrentes a ir para a estrada.

Destaque ainda para a presença de Rui Borges, em Citroen C3 N5, de Pedro Câmara Jr., o recente vencedor do Rali de Castelo Branco e Vila Velha de Rodão, na competição do FPAK Júnior Team, do terceirense Ricardo Silva, em Citroen Saxo, mas também a ausência de Rui Torres.

Ao todo, serão 19 as formações a alinhar à partida do I Rallye de Ponta Delgada, que possui 54,29 km de extensão em provas especiais, num rali a disputar maioritariamente no concelho de Ponta Delgada.

Miguel Sousa Azevedo: entre o rali e a comunicação social

Em entrevista ao Diário da Lagoa, Miguel Sousa Azevedo conversa sobre a sua vida ativa e pelo gosto que tem por todas as “atividades” em que está “envolvido”. Demonstra o seu orgulho em ser açoriano e fala sobre a sua paixão pela comunicação social e pelo rali

Miguel Sousa Azevedo (navegador) no Rali Casinos do Algarve em 2016, com o piloto Marcelo Ávila © PAULO SANTOS 

Miguel Sousa Azevedo, nascido em Lisboa, mas “completamente terceirense” e “ligado às tradições” da sua terra, escolhe iniciar desta forma a sua apresentação ao nosso jornal. É, para além de “jornalista e assessor de imprensa”, “navegador de ralis”, paixão que surge aos “30 anos”; vice-presidente do Terceira Automóvel Clube (TAC) e do Rádio Club de Angra e alguém com um gosto enorme pela escrita. Explica ao Diário da Lagoa (DL) que a sua envolvência em várias frentes faz-lhe ter uma vida “agitada e complexa”. Partilha, ainda, a sua opinião sobre o estado atual do rali e da comunicação social.

DL: Como surgiu o gosto pela rádio?
O gosto pela rádio sempre existiu, mas não tinha noção do que era até começar a fazê-la à pressão. A rádio continua a ser, para mim, o veículo de transmissão mais puro, pela simples razão de que, quem consegue transmitir alguma coisa em rádio, tem de ter a capacidade de, apenas por palavras e pela forma como as diz, transmitir as imagens que as pessoas não estão a ver. Essa é a grande magia que a rádio continua a ter.
Trabalhei na Rádio Club de Angra como aprendiz de jornalista durante dois anos, saí e voltei.  A verdade é que eu nunca parei de fazer rádio nem jornalismo. Fiz jornalismo desportivo, continuamente, desde 1997.

DL: Escreve para o Diário Insular, tem um blogue. Onde é que surge esse gosto pela escrita?
Vem de família, porque eu tinha pessoas de família que tinham ligações à escrita. Tive um tio-avô que foi um poeta famoso na primeira metade do século XX [António de Sousa]. A minha primeira relação com a escrita, foi ao escrever uma crónica e a partir daí as coisas começaram a acontecer. Fui convidado para ser assessor de imprensa de um partido político, continuando a fazer jornalismo sob outra forma, porque a produção é a mesma, embora as intenções sejam diferentes. Eu gosto muito de escrever e isso tornou-se uma ferramenta diária. Esteve sempre presente. Pelo meio comecei a fazer uma crónica, mais ou menos regular, no jornal A União, que já fechou há alguns anos. Passei-a depois para o Diário Insular. Tenho todas as crónicas guardadas e estão sempre a perguntar-me quando é que eu as vou publicar. 

DL: O seu pai, Jorge Azevedo, um dos fundadores do Terceira Automóvel Clube, antigo piloto de rali, influenciou-o no gosto pelo rali?
Não e eu nunca tive aquele despertar para o fazer. Quando isso aconteceu, já estava ligado à escrita e eu aproveitei a ocasião para fazer uma reportagem por dentro de uma prova e isso depois aconteceu várias vezes. As coisas cruzam-se de uma forma não muito pacífica. 

DL: Nunca pensou em ser piloto de rali?
Não. Eu acho que posso ser um bom navegador e nunca seria um bom piloto. Isso requer um talento acima da média e eu sou um condutor normal. Mas, o papel do navegador é muito importante, independentemente de estarmos a pisar terreno conhecido ou não.

DL: As pessoas valorizam esse papel do navegador?
Com a abertura que a informação permite de as pessoas verem os vídeos das grandes estrelas mundiais, já se apercebe a importância dos navegadores. Um bom navegador marca o ritmo dentro do carro. 

DL: O Azores Rallye foi cancelado. O que pensa sobre isso?
Que é uma pena que não se realize o maior evento desportivo da região. Infelizmente houve muita má gestão financeira.

DL: Como é ser vice-presidente da Rádio Club de Angra?
Nos últimos tempos, ser vice-presidente do Terceira Automóvel Clube talvez tenha dado mais trabalho, porque a RCA é uma “embarcação que navega por si”, só que precisa de dinheiro todos os meses, que nem sempre aparece. Estamos, também, com uma carência de quem goste de fazer rádio.  

DL: A comunicação social atravessa uma crise e fala-se em apoios do Governo. Considera que é importante apoiar?
Sim. Não consigo apontar diretamente qual é a melhor forma, mas tem de haver uma coisa, que é justiça. Cada vez se dá menos valor a quem faz as coisas originalmente. (Vivemos uma) crise da propriedade intelectual.

DL: Pondera o lançamento de um livro?
Eu tenho uma “dívida de saudade” com a minha mãe, que é juntar os poemas dos dois e pô-los cá fora de qualquer forma. Também tenho cerca de 400 crónicas e, talvez, algumas delas dariam uma coletânea engraçada. Um livro de raiz, de certeza que não o vou escrever.

DL: Quando o voltaremos a ver na estrada?
Para o ano, certamente.

 

Rúben Rodrigues sagra-se bicampeão dos Açores

© FPAK

Rúben Rodrigues e António Costa, em Skoda Fabia RS Rally2, venceram o XIII Picowines Rali e sagraram-se os campeões regionais de 2024 de rali.

A Picowines foi a prova decisiva do Campeonato dos Açores de rali e em disputa estiveram os títulos de absoluto e das “duas rodas motrizes” (2RM), cujos protagonistas estavam separados por poucos pontos.

“Quatro ilhas deram palco a cinco ralis que viram Rúben Rodrigues vencer três, revalidando o título de Campeão dos Açores de Ralis absoluto e ‘oferecendo’ a António Costa o seu primeiro título regional”, segundo comunicado da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FKAK).

Foram os mais rápidos em cinco de 9 classificativas que compunham esta prova, “elevando o nome da Auto Açoreana Racing ao lugar mais alto do pódio, contabilizando neste rali 37:42.4. Rúben Rodrigues vence o campeonato pela terceira vez, a segunda consecutiva, e António Costa, no seu ano de estreia como co-piloto da Auto Açoreana Racing, soma ao seu vasto palmarés um título que ainda não detinha”, de acordo com a mesma nota da FKAK.

Rafael Botelho volta a ser campeão regional 2RM, sendo que tinha conquistado o mesmo titulo pela última vez em 2017. Rui Raimundo torna-se pela primeira vez campeão dos Açores 2RM, lê-se ainda.

Luís Rego e José Janela, sagraram-se vice-campeões de ralis dos Açores ao volante do Skoda Fabia Rally2 evo do Team Além Mar. A dupla passou para a frente da prova na PE07 Oficina 1, quando os principais “opositores ‘furaram’, mas acabaram por ver a vitória no rali e a consequente vitória no campeonato fugir-lhes já na última classificativa, quando foram vítimas de despiste, eles que tinham entrado para o troço com uma vantagem de 2.4 segundos”, lê-se, no comunicado.

Segundos classificados neste rali, terceiros classificados no Campeonato dos Açores de Ralis absoluto e campeões dos Açores de ralis 2RM, Rafael Botelho e Rui Raimundo, em Peugeot 208 Rally4 na época de estreia do Team Lotus, concluíram o rali em 42:19.6. Entraram neste sábado de rali mais fortes que os demais concorrentes nas 2RM. No entanto, ao longo do dia, perderam a vantagem para os principais opositores. 

Terceiros mais rápidos neste rali, segundos classificados entre os concorrentes tripulantes de viaturas de tração não integral e vice-campeões dos Açores de ralis 2RM de 2024, Henrique Moniz e Jorge Diniz, recuperaram no sábado toda a desvantagem que tinham para Botelho e Raimundo, mas foram penalizados em 40 segundos já no final do rali que os deixou a 25.5 segundos do lugar mais alto do pódio. 

Filipe Marques e Edgar Silva, aos comandos do Peugeot 208 R2, depois de terem conquistado o título regional 2RM em 2023, precisaram de mais 1:17.0 para concluir este rali e com isso foram os terceiros melhores deste campeonato.

O XIII Picowines Rali começou na sexta-feira, 18 de outubro, com disputa da prova-especial no Largo Cardeal Costa Nunes-Areia Larga, percorrida nas principais artérias da Vila da Madalena.

No sábado, 19 de outubro, disputaram-se oito provas especiais, divididas em secções com duas passagens, de manhã, por Caminho da Fonte/Santa Luzia, neste rali denominada por Óptica Coutinho, e Farrobo/Quinta das Rosas, e à tarde por Alto Barreiro/Santa Luzia e Rosário/Calhau do Monte, neste rali denominado por A Oficina. A powerstage foi disputada na segunda passagem por A Oficina (PE9).

Campeonato dos Açores de Ralis decide-se na ilha montanha

Rúben Rodrigues parte para o Picowines Rali na liderança do campeonato, mas por apenas 2 pontos © CRIATIVITY ISLAND

Depois dos mais recentes desenvolvimentos em torno do cancelamento da edição de 2024 do Azores Rallye, passou o XIII Picowines Rali a ser a prova decisiva nas contas do Campeonato dos Açores de Ralis de 2024.

Está em disputa agora ambos os títulos, o absoluto e o das “duas rodas motrizes”, cujos protagonistas estão separados por escassos pontos e cujos fatores de desempate, colocam todos nas mesmas circunstâncias.

No que concerne ao título absoluto, Rúben Rodrigues leva vantagem de dois pontos sobre Luís Miguel Rego e tudo deixa antever que a luta pelas sinuosas e peculiares estradas da ilha do Pico vai fazer-se de forma aguerrida até ao último metro das provas especiais. A qualquer um destes, interessa vencer o maior número de provas especiais e a powerstage, para garantir vitória clara e obtenção do tão ambicionado ceptro absoluto de ralis de 2024.

Rafael Botelho e Henrique Moniz partem empatados na pontuação, para um exigente Rali do Pico © CRIATIVITY ISLAND

Já no que concerne às duas rodas motrizes, há empate absoluto entre Rafael Botelho e Henrique Moniz, sendo que ambos têm os mesmos resultados nas provas já disputadas. Aqui não há mesmo muito a esclarecer: quem quiser sagrar-se campeão dos Açores terá, forçosamente, que vencer o rali ou, na pior das hipóteses contar com azares alheios.

A lista de 28 equipas inscritas conta ainda com a presença de protagonistas de outras disputas pelos lugares seguintes da classificação absoluta e das duas rodas motrizes, pelo que não faltarão motivos de interesse para seguir a prova picoense: a presença de Filipe Marques, campeão em título das duas rodas motrizes, os marienses Max Salvador e André Oliveira e tantos outros. Destaque ainda para as ausências de Bruno Amaral (Team Além Mar) e de Bruno Tavares (Team Lotus).

O XIII Picowines Rali começa esta sexta-feira, 18 de outubro, com disputa da prova-especial Largo Cardeal Costa Nunes-Areia Larga, percorrida nas principais artérias da Vila da Madalena. No próximo sábado, 19 de outubro, disputam-se oito provas especiais, divididas em secções com duas passagens, de manhã, por Caminho da Fonte/Santa Luzia, neste rali denominada por Óptica Coutinho, e Farrobo/Quinta das Rosas, e à tarde por Alto Barreiro/Santa Luzia e Rosário/Calhau do Monte, neste rali denominado por A Oficina. A powerstage é disputada na segunda passagem por A Oficina (PE9).

A decisiva jornada do Campeonato dos Açores de Ralis acontece já este fim de semana na ilha do Pico com a realização do XIII Picowines Rali.

Grupo Desportivo Comercial disponível para organizar Além Mar Rali noutra ilha

© GDC

A direção do Grupo Desportivo Comercial (GDC), reunida ontem, 15 de outubro, na Lagoa, São Miguel, esteve a analisar as declarações do diretor da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (F.P.A.K.) para os Açores, Rúben Macedo, nomeadamente a entrevista concedida à Antena 1 Açores, segundo nota de imprensa do GDC.

Na entrevista, aponta o GDC, o diretor da F.P.A.K. para os Açores, deu conta que estaria à procura de apoios para realizar mais um rali numa outra ilha, não dando, dessa forma, como findo o Campeonato dos Açores de Ralis de 2024 com a realização do XIII Picowines Rali. Na mesma entrevista, Rúben Macedo afirma não concordar com a decisão de adiar para 2025 o Azores Rallye, alegando terem-se já realizado na ilha de São Miguel outros eventos com maior aglomeração de público, assim como com o timing para a comunicação que foi realizada na passada sexta-feira, em conferência de imprensa dando conta do parecer da Comissão de Catástrofe do Hospital do Divino Espírito Santo (H.D.E.S.).

Na reportagem da Antena 1 é igualmente afirmado que o diretor da F.P.A.K. nos Açores está a procurar angariar apoios para fazer realizar o rali numa de “duas ilhas onde não se realizam ralis”, citou o GDC, no mesmo comunicado.

Perante as declarações, o Grupo Desportivo Comercial renova a sua “disponibilidade para realizar a derradeira prova do Campeonato deste ano, nomeadamente o Além Mar Rali que estava agendado para meados do ano e que pode ser agora realizado em finais de novembro/principio de dezembro”, em qualquer ilha dos Açores a indicar por Rúben Macedo, com exceção de São Miguel e/ou de outra(s) que dependa(m) do H.D.E.S., devido ao parecer recebido e tornado público, ficando igualmente recetivos a receber o montante que o diretor da F.P.A.K. pretende angariar como patrocínio à prova, lê-se ainda.

Por último , esclarece-se o GDC, “a não aceitação do teor daquele parecer emanado pela Comissão de Catástrofe do H.D.E.S. leva a que, a realizar o rali apenas por capricho ou ignorância ao seu teor, faz com que incorram criminalmente os responsáveis pela prova, pela Comissão Organizadora e pelo Grupo Desportivo Comercial, uma consequência que se pretende evitar, em primeira análise, pelo bom nome de todos os envolvidos, mas também por respeito aos parceiros do evento, nomeadamente o Governo dos Açores”, conclui a nota.

Azores Rallye adiado para o próximo ano

© GDC

Este ano o arquipélago açoriano não será palco do Azores Rallye, tendo sido a 58.º edição adiada para o ano de 2025. O anúncio foi feito ontem, 11 de outubro, pela direção do Grupo Desportivo Comercial (GDC), em conferência de imprensa.

A organização vê-se impossibilitada de realizar a competição de rali “em virtude do parecer desfavorável para a realização da prova proferido pela Coordenação da Comissão de Crise do Hospital do Divino Espírito Santo”.

De acordo com comunicado do GDC, os motivos apresentados prendem-se com o esforço adicional a que têm estado sujeitos as várias equipas de médicos e enfermeiros afetos ao HDES, mas também a todos os centros de saúde da ilha de São Miguel, e ainda aos bombeiros e membros do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, assim como a reorganização que tem vindo sendo levada a cabo no Hospital de Ponta Delgada.

Não sendo possível garantir o atendimento e apoio conveniente e atempado em caso de acidente multivítima, um fator de risco enorme em provas automobilisticas, é do entendimento da Coordenação da Comissão de Crise do Hospital do Divino Espírito Santo que o rali apenas deverá ocorrer em 2025.

O Grupo Desportivo com sede na Lagoa, através da sua direção, “lamenta a situação, à qual é alheia na sua origem, mas que mantém a postura de pretender fazer parte da solução e não do problema, acatando por isso o parecer recebido e não realizando a prova nas datas originalmente anunciadas”, apontam os seus responsáveis.

Os dirigentes do GDC afirmaram, ainda, que agradecem “a todos os parceiros da prova, nomeadamente o Governo dos Açores e demais entidades públicas e privadas pelo apoio concedido à prova, esperando agora pelo anúncio dos calendários desportivos de 2025, para poderem materializar todo o trabalho de uma equipa que já preparou dois ralis e que, pelos motivos conhecidos, não consegue concretizar, em 2024, o seu trabalho”.