
Duas derrocadas recentes de grandes dimensões no porto de Santa Iria colocaram em sobressalto a população da freguesia da Ribeirinha, concelho da Ribeira Grande, que, há cerca de duas décadas, reclama e espera por uma intervenção de fundo nos taludes tendo em vista o reforço da segurança de pessoas e bens.
Desde o ano de 2004 que a Junta de Freguesia da Ribeirinha tem alertado os sucessivos governos regionais dos Açores para a necessidade de intervir no local. À contínua degradação por conta da erosão marítima juntou-se a instabilidade dos taludes que nos últimos dias cederam aos elementos.
O atual presidente da Junta de Freguesia da Ribeirinha, Marco Furtado, acérrimo defensor da reabilitação do local, não calou a revolta perante os recentes acontecimentos.
“Estamos a falar de duas grandes derrocadas e parte do caminho ruiu. Nada que não tenhamos alertado as entidades competentes a seu tempo e por várias vezes”, disse, consciente de que “tudo o que a Junta de Freguesia da Ribeirinha podia ter feito foi feito ao longo de quase vinte anos”.
Marco Furtado, com a voz embargada pela tristeza do sucedido e pelo amor que tem à freguesia, lamentou que o porto de Santa Iria tenha chegado a este ponto, mas manifestou esperança de que este seja um “abre olhos a quem de direito para que a obra comece o mais depressa possível”.
O presidente desabafou que “já começa a ser violento para as pessoas que estão a lutar pela salvaguarda do porto de Santa Iria verem que nada tem sido feito”, confidenciando-se “cansado pelo acumular de alertas ao longo dos anos e sem resultados palpáveis à vista”.
O autarca lembrou que existe “um longo caminho burocrático a percorrer” após a adjudicação da obra à empresa vencedora do concurso público, apelando à “celeridade de procedimentos para que seja possível salvar o porto de Santa Iria”.

Marco Furtado tomou posse como presidente da Casa do Povo da Ribeirinha para o próximo quadriénio depois de ter ganho as eleições realizadas no final de dezembro passado. O novo presidente sucede no cargo a Hirta Tavares, fazendo-se acompanhar de uma lista de renovação e de continuidade, pois alguns elementos do anterior elenco diretivo transitam para o atual.
No ato de tomada de posse, Marco Furtado foi claro na mensagem aos sócios: “Tivemos 42 sócios que acreditaram no nosso projeto mas, agora, respondemos por mais de 300 sócios e é com esses que vamos trabalhar. Todos contam e todos têm um lugar especial nesta Casa do Povo. Não estamos aqui para criticar nem para prejudicar ninguém”, disse.
O presidente eleito realçou a democracia dos resultados. “A democracia foi o aspeto mais importante que se verificou, na medida em que a existência de duas listas foi o melhor que podia ter acontecido porque há instituições que querem pessoas e não têm”, vincou.
Entre as prioridades da nova Direção está a “revisão dos estatutos de acordo com aquilo que o ISSA recomenda”, garantindo Marco Furtado que este “é um assunto que vai ser tratado no momento certo pelas pessoas certas”.
Acrescentou que “a valorização dos sócios com mais de 65 anos de idade é outro dos nossos propósitos. Ir para a reforma não é um fim de linha. A idade é um número e queremos os jovens de 75 anos a contribuir para o engrandecimento da instituição”, fazendo notar que “as portas estão abertas a todos os sócios”.
Marco Furtado deixou duas notas no final do discurso de tomada de posse: “compromisso e transparência”. “Estaremos sempre de portas abertas, mas existem regras que têm de ser cumpridas para que não se fuja ao controlo do que fazemos. Trabalhar com as instituições é fundamental. Não podemos trabalhar pela Ribeirinha só quando a freguesia nos dá interesse. Os problemas são para se resolver e vamos colaborar com todos os que nos quiserem abrir as portas”.
A concluir, agradeceu às “anteriores direções, sem exceção, pelo trabalho que desenvolveram, bem como aos colaboradores que são a alma da Casa do Povo da Ribeirinha”.

Fortes chuvas abateram-se sobre o concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel esta segunda-feira, 3 de maio. O fenómeno meteorológico conhecido por “tromba de água” fez as ribeiras transbordarem e causou estragos em casas e viaturas.
Segundo declarações do presidente da Câmara Municipal, Alexandre Gaudêncio, há 20 famílias desalojadas e dezenas de carros arrastados pela força das águas. Maioria das famílias foram realojadas em casa de familiares.
Em nota de imprensa enviada às redações, o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores avança que foram registadas 43 ocorrências, todas no concelho da costa norte da ilha de São Miguel. As freguesias da Matriz e Ribeirinha foram as mais afetadas.
A autarquia ribeiragrandense, em comunicado na sua página de Facebook, refere também que as “enormes e anormais quantidades de pluviosidade” percorreram as “duas linhas de água das ribeiras da Ribeira Grande e da Ribeirinha, cujos detritos aí existentes provocaram a sua obstrução e transbordo dos mesmos para a via pública arrastando, causando danos materiais em viaturas e moradias”. Não há registo de vítimas.
O Diário da Lagoa esteve no local e registou algumas imagens. Veja aqui.