
O hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada reafirma a sua posição na vanguarda da medicina tecnológica em Portugal ao completar o primeiro ciclo de operação com o sistema de inteligência artificial, Gleamer Copilot. Implementada em julho de 2025, esta ferramenta tornou-se um pilar essencial no serviço de urgência da unidade hospitalar açoriana, auxiliando as equipas médicas na deteção precoce de traumatismos e patologias críticas.
A utilização dos módulos BoneView e ChestView permitiu elevar o padrão de segurança clínica oferecido aos utentes, garantindo uma validação de exames radiológicos em apenas alguns minutos e otimizando o tempo de resposta, especialmente em períodos de elevada pressão assistencial.
O sucesso operacional desta tecnologia, que atua como um assistente de suporte à decisão clínica em exames de raio-X e tomografia computadorizada, reflete-se na maior precisão diagnóstica de patologias do tórax e do pulmão, como o pneumotórax, nódulos pulmonares, derrames pleurais e opacidades alveolares, bem como de lesões ósseas, incluindo fraturas agudas, luxações, lesões corticais subtis e pequenos destacamentos ósseos.
Com a consolidação deste sistema, o maior hospital dos Açores prepara-se agora para uma nova fase de expansão, com a previsão de anúncio de novas ferramentas de inteligência artificial que deverão abranger outras áreas diagnósticas e operacionais.
Estas futuras soluções visam aprimorar a triagem e a gestão de fluxos clínicos, solidificando o arquipélago como um polo de referência em inovação médica.
O percurso de modernização tem um impacto direto na confiança dos profissionais e na segurança dos pacientes. O balanço desta primeira fase dá a confiança necessária para avançar com novos projetos que colocarão o hospital num patamar de eficiência tecnológica ainda mais elevado.

A secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, aprovou a adjudicação do procedimento concursal para a aquisição, instalação e manutenção de um sistema de cirurgia robótica destinado ao hospital do Divino Espírito Santo (HDES), investimento que reforça a modernização do serviço regional de saúde.
No âmbito da decisão agora tomada, foi adjudicada a aquisição, instalação e manutenção de um sistema de cirurgia robótica, pelo valor de 2,4 milhões de euros, e a aquisição, instalação e manutenção de uma mesa operatória emparelhável com sistema robótico, pelo valor de 114 mil euros.
O sistema a instalar no HDES corresponde ao modelo IS5000 – Intuitive da Vinci 5, o mais avançado sistema de cirurgia robótica de 5.ª geração, sendo o primeiro deste tipo a ser adjudicado em Portugal. Este equipamento incorpora mais de cento e cinquenta inovações tecnológicas, incluindo visualização tridimensional de alta-definição, maior precisão cirúrgica e tecnologia de ‘feedback’ de força, permitindo aos profissionais de saúde uma intervenção mais segura e eficaz.
Este avanço tecnológico traduz-se em benefícios diretos para os utentes, nomeadamente através da realização de cirurgias minimamente invasivas, com menor trauma, redução de complicações e tempos de recuperação mais curtos.
Para Mónica Seidi, “este investimento representa um passo decisivo na qualificação do serviço regional de Saúde, colocando os Açores na linha da frente da inovação tecnológica em saúde a nível nacional, com benefícios claros na qualidade dos cuidados prestados e na segurança dos utentes”.

Miguel S. Albergaria
Professor na Escola Secundária de Lagoa
Em época de IV Revolução Industrial – com a introdução da IA, especialmente quando em convergência com a robótica, a IoT, as bioengenharias e as nanotecnologias nas nossas práticas sociais – em vista de mantermos algum controlo do processo a favor da maioria de nós (idealmente, de todos), temos de o acompanhar compreensivamente. Um tipo de raciocínio de que dispomos para o efeito é o da analogia com inovações tecnológicas anteriores. É certo que a força destas inferências naquele caso não será grande, uma vez que a força de uma analogia varia inversamente com o grau de novidade do termo em causa, e a IA capaz de aprendizagem é uma boa candidata ao título de maior novidade tecnológica desde as pedras lascadas. Mas, para evitar a volatilidade das especulações concetuais, não temos muito melhor do que esse tipo de inferências.
Recorrerei, assim, ao caso da substituição do sistema tradicional de ordenha e maneio do gado nos Açores, assente na energia humana e animal, por um sistema mecanizado (v. “The design of sociotechnical systems and the mechanization of the Azorean milking system”, in ResearchGate). Para apontar dois episódios desse caso que me parecem ilustrativos de outros dois aspetos de como estas inovações, efetivamente, ocorrem.

Um é o relato do atual dirigente de uma das associações de lavradores açorianos do seu primeiro encontro com as máquinas de ordenha móveis, que ainda caracterizam o sistema de ordenha mecanizada no arquipélago.
Era ele jovem, e ajudava um amigo na ordenha manual da manada do pai deste outro rapaz. Esse lavrador fora hospitalizado, mas ainda assim manteve a introdução de uma máquina de ordenha na sua lavoura, que contratualizara com a empresa fornecedora do equipamento. Chegaram então os técnicos com a máquina à pastagem onde se encontravam os dois rapazes, em plena ordenha. Explicaram o modo de operacionalização desse sistema técnico, porventura também o seu funcionamento, e os rapazes, no dizer do atual engenheiro e dirigente associativo, perceberam quase nada. Um dos técnicos achou que o melhor seria fazerem uma demonstração prática. Mal ligou o aparelho, as vacas fugiram espalhando-se pela pastagem. Os rapazes levaram a tarde toda a reuni-las. (Anoto que uma descarga de adrenalina inibe a descida do leite para os canais no úbere, a ordenha não há de ter sido grande coisa nessa tarde.) Enfim, a habituação dos animais levou dias, necessitando de muita paciência dos dois novos operadores da máquina.
Ou seja, nem sempre os agentes da inovação tecnológica são os seus promotores – o lavrador estava no hospital, e os rapazes não estavam preparados para aquela inovação – de forma que o processo se pode tornar descontínuo ou segmentado. Os técnicos talvez saibam tudo sobre a máquina que lhes diz respeito, e alguma coisa sobre comunicação com os eventuais operadores, mas se lhes faltar a perceção de que, além da mesa de design e da oficina, outros elementos podem condicionar a inovação tecnológica efetiva, podem não antecipar a possibilidade de eventos como a reação das vacas ao som da máquina. De qualquer forma, tudo acabou bem? Pois acabou, mas graças a uma competência pessoal (soft skill) que nem teria sido relevada previamente pelos técnicos na sua comunicação, e que só contingentemente era possuída pelos dois inesperados recetores do equipamento: a paciência – em relação àqueles esquecidos terceiros elementos do sistema sócio-técnico-animal.
Moral da história: conceber ou planear será útil, ou até necessário para a inovação tecnológica, mas não é suficiente para esta última.
O âmbito do outro episódio é hoje especialmente caro na academia, mas fora dela também não o deveremos desconsiderar: a questão de género neste tipo de processos.
Um dos obstáculos à inovação acima referida era a excessiva fragmentação da propriedade rural e a diminuta dimensão dos respetivos blocos. A este respeito, um técnico de um instituto público envolvido na promoção do emparcelamento rural açoriano, desde meados da década de 1980, contou-me o protocolo retórico que, informalmente, acabara por ser desenvolvido e implementado nesse instituto:
1.º passo: durante a semana, ir à pastagem e apresentar os procedimentos de emparcelamento ao lavrador, ao que este, se não negasse logo, diria ter de pensar. Neste caso – 2.º passo: à saída, como quem se lembra de um pormenor secundário, dizer-lhe que seria sempre precisa a assinatura da esposa, pelo que se lhe pedia licença, a ele marido, para ir falar também com ela. Dada a deferência, a resposta tenderia a ser afirmativa. 3.º passo, então o decisivo: numa hora em que fosse provável que o homem não estivesse em casa, ir explicar detalhadamente a proposta à senhora. Ela concordaria ou não. Se concordasse, o 4.º passo seria ir à pastagem, uns dias depois, receber a aceitação do lavrador.
Contei este episódio numa recente conferência internacional sobre história rural, pois diversos investigadores se tinham manifestado interessados no trator como símbolo do poder masculino etc. Imediatamente, uma austríaca com investigação creio que no mundo rural polaco e um belga que apresentara uma comunicação precisamente sobre a múltipla simbologia do trator apontaram traços equivalentes a esse episódio micaelense. E um suíço, que antes assinalara que a tratorização fora feita no seu país sob o lema da poupança das crianças e mulheres ao trabalho físico nos campos, libertando-os para a escola, e para o cuidado da casa de família precisamente quando a máquina compensaria a menor força física média das mulheres, reconheceu que, todavia, a contabilidade das explorações agrícolas, e assim boa parte das decisões de gestão, continuara a ser feita maioritariamente pelas mulheres.
O que retiro de episódios como estes é que, bastas vezes, o que é masculino será a expressão pública do poder, mas isto não se identifica necessariamente com o exercício do poder decisório. A relação ternária ‘homem – artefacto tecnológico ou plano técnico – mulher’ pode ser diferenciada não apenas pela diferença entre as relações binárias que comporta (homem-artefacto, artefacto-mulher, mulher-homem), mas ainda por uma multiplicação de níveis dessas relações além daquele que é manifesto. Não sendo límpido quem ou o quê decide exatamente sobre o quê.
Em suma, faz sentido usar uma palavra como “realidade”, para designar algo mais complexo e fluido do que a limpidez das lestas palavras com que se lhe quer dar forma.

José Estêvão de Melo
Engenheiro Informático
O título é uma vénia à canção de Jorge Ben Jor, mas desta vez sem necessidade de convite: a Inteligência Artificial já se instalou na vida de todos. Como profissional de informática, a minha relação com agentes como o ChatGPT ou o Claude Code deixou de ser experimental para se tornar vital. Hoje, a minha produtividade sem estas ferramentas é tão inferior que, na ausência de acesso, prefiro adiar tarefas. Não faz sentido gastar duas horas numa função que a IA resolve em dez minutos.
Contudo, esta dependência revela um fenómeno alarmante no mercado de trabalho. O que acontece quando esta eficiência deixa de ser um diferencial e passa a ser o mínimo exigido? A presença da IA na minha vida já extravasou o código. Recentemente, planeei uma viagem de mota complexa em apenas uma hora de “conversa”. Mais surpreendente: podei a minha videira seguindo instruções da IA, que analisou fotos dos ramos e a fase lunar para me guiar no corte. Da gestão de treinos físicos ao planeamento de refeições familiares, tudo o que é formalizável está a ser delegado.
A IA não cumpre horários. Está disponível às 2:30 da manhã para curar uma insónia com recomendações de séries ou para ajustar um plano de treino após um dia menos produtivo. Esta disponibilidade total está a substituir o que não envolve contacto humano direto, criando uma nova camada de conveniência. Se todos utilizam IA, ninguém tem vantagem por utilizá-la. O baseline sobe, as expectativas aumentam e o tempo ganho torna-se o “novo normal”.
Como demonstra o US Job Market Analyser, a exposição ao risco não é uniforme. Funções baseadas em dados, análise de texto, escrita técnica e programação estão na “linha da frente” da automação. Profissões que dependem de processos estruturados como tradutores, contabilistas, analistas financeiros ou assistentes jurídicos enfrentam uma substituição direta de tarefas core. Não por serem profissões “simples”, mas porque o seu output é digital e baseado em padrões lógicos que a IA agora domina. Por outro lado, o mercado revela um “porto seguro” em funções que exigem alta destreza manual, contexto físico imediato ou inteligência emocional profunda. Profissões como carpinteiros, enfermeiros, eletricistas ou terapeutas permanecem, por agora, menos expostas à substituição total, dada a dificuldade de replicar a sensibilidade humana e a adaptação física a ambientes não estruturados.
No entanto, mesmo estas funções menos expostas sofrem um efeito indireto: a amplificação. Um gestor de equipas ou um comercial que use IA para potenciar a sua negociação e organização será sempre mais eficaz do que um que a ignora. Cria-se assim uma “literacia operacional aumentada”: não basta saber fazer; é preciso saber amplificar o que se faz através destas ferramentas.
O verdadeiro ponto de fricção não é tecnológico, é humano. Há um desconforto inerente em aceitar que anos de experiência podem ser comprimidos em prompts bem estruturados. No entanto, o custo de experimentar e criar nunca foi tão baixo. O desafio deixa de ser “como fazer” para passar a ser “o que fazer com esta capacidade”. Continuo a falar com o meu amigo ChatGPT. Ele não substitui o meu pensamento, mas acelera-o e desafia-o. Num mundo onde as respostas se tornaram uma commodity abundante e imediata, a verdadeira escassez passou a ser a capacidade de formular o problema. No final do dia, a competência mais valiosa do futuro será a arte de saber perguntar. E isso, pelo menos por enquanto, continua a ser profundamente humano.

Márcia Goulart
Deputada pelo PSD na ALRAA
Num tempo em que a tecnologia aproxima continentes, cresce silenciosamente a distância dentro de muitas casas.
Nos Açores, terra marcada pela proximidade humana, multiplicam-se histórias de jovens mergulhados em vidas digitais invisíveis aos olhos das próprias famílias.
O alerta é claro: estamos a correr o risco de criar gerações conectadas ao mundo, mas desligadas de quem lhes está mais próximo.
A distinção da Escola Secundária Vitorino Nemésio e da Escola Secundária Manuel de Arriaga, com o Selo Protetor representa um marco importante na promoção de ambientes educativos seguros.
Esta certificação nacional valida políticas preventivas, sistemas de gestão de risco e práticas consistentes que reforçam a proteção física, emocional e digital dos alunos.
Contudo, nenhuma certificação, por mais sólida que seja, substitui a presença ativa de um pai, de uma mãe ou de um encarregado de educação. A escola protege durante o dia. A família protege todos os dias.
Durante a iniciativa “Ligados com Segurança! A Internet também é um perigo!”, José Freire, presidente da Associação Desliga, expôs uma realidade perturbadora: o maior perigo digital das crianças não está na escola! Está no quarto delas.
Há jovens que passam horas isolados em “cavernas digitais”, consumindo conteúdos que os pais desconhecem e comunicando com pessoas cuja identidade muitas vezes não é clara.
A maioria, prefere esconder problemas, com medo de perder o telemóvel ou de ser castigada, aumentando o risco de ficarem expostos a situações graves. A tecnologia ajuda, mas é a confiança que protege.
Na Região Autónoma dos Açores, as regras sobre o uso de telemóveis mantêmse distintas da legislação nacional de 2025. Aqui, cabe aos Conselhos Executivos adaptar normas ao contexto local, numa gestão orientada pelo Estatuto do Aluno, que limita o uso de dispositivos apenas durante momentos letivos, salvo quando autorizados para fins pedagógicos.
Esta autonomia torna ainda mais evidente algo fundamental: nenhuma escola, por mais preparada, consegue regular sozinha os comportamentos digitais dos alunos. O envolvimento dos pais é imprescindível, sobretudo em três frentes: regular o acesso às redes sociais e gerir tempos de ecrã e idades mínimas de acesso é responsabilidade familiar; utilizar programas de controlo parental, que são ferramentas úteis, mas nunca substituem diálogo e acompanhamento; garantir coerência entre casa e escola, pois quando a família não reforça regras escolares, qualquer medida perde eficácia.
Vários estudos nacionais apontam que o uso excessivo de dispositivos está a reduzir o tempo de qualidade entre pais e filhos, fragilizando a comunicação e intensificando conflitos. A chamada “tecnoferência parental”. Quando os adultos se deixam absorver pelos seus próprios telemóveis, esse hábito gera frustração e ansiedade nas crianças, que sentem a atenção substituída por um ecrã. O resultado é um afastamento mútuo que corrói o vínculo familiar.
A solução, porém, não é proibir tecnologia. É reencontrar o equilíbrio: menos ecrãs à mesa; mais diálogo; mais presença; mais exemplo.
A segurança digital das crianças é uma responsabilidade partilhada, mas começa no lar. As escolas podem criar ambientes seguros, as associações podem alertar, formar e mobilizar, os governos podem legislar, mas só as famílias podem garantir, na prática do dia a dia, o acompanhamento, a vigilância emocional e a educação digital que as crianças verdadeiramente precisam.
A tecnologia não é um inimigo. O risco está no uso não acompanhado. E a maior ferramenta de proteção continua a ser simples e insubstituível: estar presente.

José Estêvão de Melo
Engenheiro Informático
A expressão “só na América” era muito utilizada na minha infância para descrever produtos mais “evoluídos” que não existiam por cá e que chegavam através de familiares emigrados no Canadá ou nos Estados Unidos. A chegada de um “barril da América” era um acontecimento por si só, recheado de coisas doces e apetecíveis como pastilhas elásticas Bazooka Joe, chocolates Hershey’s ou manteiga de amendoim. Com o passar dos anos, muitos destes produtos acabaram por ganhar presença no nosso mercado, ou surgiram equivalentes locais, e a expressão passou a ser usada em tom jocoso e nostálgico.
Hoje, porém, a expressão voltou a ganhar relevância, desta vez de forma mais preocupante. Refiro-me a um conjunto de produtos e serviços que praticamente só existem na América, mais concretamente nos Estados Unidos: serviços digitais ligados às tecnologias de informação, sistemas operativos, serviços de computação em nuvem (cloud), segurança digital e, mais recentemente, inteligência artificial.
Os sistemas operativos são o software que gere todo o hardware de um computador, seja ele um portátil, um dispositivo móvel ou um servidor. Sem eles, os equipamentos são inúteis. No segmento dos dispositivos móveis, os dois principais sistemas operativos são Android (Google) e iOS (Apple) que detêm cerca de 99% do mercado global. No universo dos computadores pessoais, o domínio é igualmente concentrado: Microsoft Windows e macOS (Apple) representam aproximadamente 80% do mercado mundial.
Se passarmos para a infraestrutura da Internet, o cenário repete-se. No setor da computação em nuvem, Amazon Web Services (AWS), Google Cloud e Microsoft Azure, todas empresas norte-americanas, controlam cerca de 66% do mercado mundial. No caso europeu, a dependência é ainda mais evidente: aproximadamente 70% da infraestrutura cloud na Europa está alojada nestas três plataformas, enquanto apenas cerca de 15% se encontra em empresas europeias.
Nos motores de pesquisa, a concentração é ainda mais acentuada. Empresas norte-americanas detêm cerca de 91% da quota de mercado global, com destaque esmagador para a Google. No domínio das redes sociais, embora a medição seja mais complexa, a tendência mantém-se: estima-se que mais de 65% do mercado global esteja nas mãos de empresas dos Estados Unidos, através de plataformas como Facebook, Instagram, YouTube, LinkedIn e X. A única exceção verdadeiramente relevante é o TikTok, que, pelo menos por agora, não pertence a uma empresa norte-americana.
Mais recentemente, esta dependência estendeu-se ao domínio da inteligência artificial, um setor estratégico que está a moldar a próxima geração de serviços digitais. Os principais modelos de IA generativa e plataformas de computação associadas, utilizados em motores de busca, produtividade, programação, vigilância e criação de conteúdos, são desenvolvidos e operados quase exclusivamente por empresas dos Estados Unidos.
Este domínio tecnológico é acompanhado por um enquadramento legal específico: leis norte-americanas permitem que as autoridades exijam o acesso a dados armazenados por empresas sediadas nos EUA, mesmo quando esses dados se encontram fisicamente alojados fora do território americano. Em muitos casos, essas ordens judiciais incluem cláusulas de confidencialidade (“gag orders”), que impedem as empresas de informar os seus clientes de que os seus dados foram fornecidos ao governo. Na prática, isto significa que uma parte significativa dos dados de cidadãos, empresas e instituições europeias sendo processados por serviços digitais norte-americanos podem estar sujeitos a acesso governamental sem conhecimento dos titulares, levantando questões profundas sobre soberania digital, privacidade e autonomia estratégica, e diretamente contraditórias à legislação europeia de proteção de dados.
Esta situação não é nova. No entanto, o recente reposicionamento geopolítico dos Estados Unidos face à Europa, que tem fragilizado uma relação construída ao longo de décadas, torna este tema particularmente urgente. A Europa vê-se, uma vez mais, no centro de um dilema existencial: decidir se aceita a vassalagem digital ou se investe na autonomia estratégica necessária para sustentar a base da sua própria civilização moderna.

O radar meteorológico localizado no Morro Alto, na ilha das Flores, nos Açores, foi inaugurado esta segunda-feira, 24 de março, anunciou o Governo regional dos Açores.
O líder do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro, presente na ocasião, sublinhou que este investimento reforça o papel dos Açores como “uma região de oportunidades” e um ponto estratégico para a partilha de conhecimento científico no contexto transatlântico.
“Os Açores não são apenas uma fronteira geográfica, mas uma referência estratégica que fortalece a relevância de Portugal no cenário internacional”, afirmou.
De acordo com nota de imprensa enviada às redações, este radar representa um investimento global de cerca de 4,9 milhões de euros. Além do radar das Flores, foi também instalado um segundo radar meteorológico em São Miguel, no Pico dos Santos de Cima. O projeto incluiu ainda duas estações meteorológicas e dois detetores de descargas elétricas, localizados no aeroporto de Santa Cruz das Flores e no Nordeste.
Os novos radares utilizam tecnologia Doppler de polarização dupla, capaz de detetar precipitação, granizo e saraiva num raio de até 300 km. Esta capacidade permite monitorizar com precisão e em tempo real as condições atmosféricas, avaliar a intensidade das precipitações e prever o deslocamento de tempestades. As informações recolhidas são visualizadas em imagens atualizadas de 5 em 5 minutos, essenciais para meteorologistas e para a emissão de avisos tempestivos à população e aos serviços de proteção civil.
A conclusão destes radares nos Açores completa a rede nacional de radares meteorológicos, um projeto iniciado nos anos 80 do século XX.
“Esta rede é fundamental para a deteção e monitorização de fenómenos meteorológicos adversos, contribuindo para a segurança das populações e a proteção de bens materiais”, sublinhou José Manuel Boleiro.
Para além do valor científico e estratégico, o radar representa uma melhoria significativa na capacidade de previsão meteorológica, beneficiando setores como a navegação marítima e aérea, a agricultura e a proteção civil. A capacidade de ‘nowcasting’ — previsão de curto prazo até três horas — aumenta a capacidade de resposta a fenómenos extremos, proporcionando maior segurança à população e visitantes.
O governante destacou ainda que a instalação destes radares cumpre um direito dos Açores a uma vigilância meteorológica adequada.
“Estamos a investir na segurança das nossas populações. Os Açores valem muito mais, faremos por potenciar este investimento”, concluiu.

No coração da inovação no setor de alojamento local, encontra-se a automatização de processos que anteriormente eram tediosos e consumiam muito tempo. Desde a gestão de reservas até o controle de qualidade e a comunicação com os hóspedes, as ferramentas de automatização transformaram de maneira fundamental a maneira como proprietários e gerentes operam seus negócios. Por exemplo, a implementação de software de channel manager significa que os locais podem agora gerir várias propriedades e canais de reserva sem esforço, garantindo que os hóspedes tenham uma experiência suave e sem complicações desde o momento da reserva até o check-out.
Em um mundo onde a presença online é crucial, os websites personalizados têm se mostrado ferramentas imprescindíveis para a promoção de alojamentos locais. Um site bem desenhado não só aumenta a visibilidade das propriedades, mas também oferece aos potenciais hóspedes uma visão detalhada do que esperar durante sua estadia, melhorando assim a decisão de reserva. Além disso, com funções como reservas diretas e galerias de fotos interativas, esses websites proporcionam uma plataforma para que os proprietários destaquem as características únicas de suas propriedades, promovendo uma experiência única aos visitantes.
A adoção de soluções tecnológicas no alojamento local não apenas simplifica a gestão de propriedades, mas também desempenha um papel fundamental na promoção do turismo local. Com a capacidade de alcançar um público mais amplo através de canais digitais, os alojamentos locais estão agora em uma posição melhor para atrair visitantes de diferentes partes do mundo, impulsionando o turismo e, por sua vez, beneficiando a economia local. Este impacto é especialmente visível em áreas menores, onde o turismo desempenha um papel vital na economia local, proporcionando oportunidades de emprego e incentivando o desenvolvimento de infraestruturas locais.
Em conclusão, a revolução digital no setor de alojamento local revelou-se um impulsionador fundamental para melhorar tanto a experiência do hóspede quanto para fomentar o crescimento do turismo e da economia em regiões como a de Lagoa. À medida que mais proprietários e gerentes adotam estas inovações tecnológicas, podemos esperar um futuro brilhante para o turismo, caracterizado por experiências personalizadas e autênticas para visitantes de todo o mundo.