
A Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, através do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA), irá realizar, no próximo dia 4 de setembro, o exercício BASALTO 25.3, para treinar a capacidade de resposta de evacuação da freguesia dos Biscoitos, Praia da Vitória, na ilha Terceira.
Em nota de imprensa é explicado que durante o exercício, organizado em colaboração com a Câmara Municipal da Praia da Vitória e a Junta de Freguesia dos Biscoitos, será simulada uma erupção no Vulcão de Santa Bárbara, inserida na crise sismovulcânica da ilha Terceira, que levará à necessidade de retirar a população da freguesia.
À semelhança do exercício realizado em 2024, na freguesia das Cinco Ribeiras, o SRPCBA pretende treinar os procedimentos e meios necessários à evacuação com a participação voluntária da população local, a coordenação e resposta das diversas entidades e a receção na Zona de Concentração e Apoio à População (ZCAP), envolvendo, este ano, as estruturas e recursos do Concelho da Praia da Vitória.
O BASALTO 25.3 faz parte dos exercícios trimestrais que o SRPCBA promove ao longo do ano e será realizado na modalidade LIVEX (Live Exercise), com a movimentação de meios e operacionais no terreno.
Além do SRPCBA, da Câmara Municipal da Praia da Vitória e da Junta de Freguesia dos Biscoitos, o exercício contará com a participação de mais entidades, como a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, os Corpos de Bombeiros de Angra do Heroísmo e da Praia da Vitória, das Direções Regionais da Saúde, das Obras Públicas e da Educação e Administração Educativa, a Cruz Vermelha Portuguesa, a Polícia de Segurança Pública, a Guarda Nacional Republicana, a Autoridade Marítima Nacional e o Instituto de Segurança Social dos Açores.

José Estêvão de Melo
Engenheiro Informático
Recentemente, vi uma notícia sobre um estudo do CIVISA que indica que o Vulcão do Fogo emite aproximadamente 232 toneladas de CO2 por dia. Este valor pode parecer assustador, mas quando colocado em contexto, percebemos que não é um problema. Para demonstrar isso, vamos comparar esta emissão com outras fontes de CO2 e constatar que, na realidade, a nossa atenção deveria estar noutros locais. Falando em valores anuais para facilitar a análise, as 232 toneladas diárias equivalem a cerca de 84.360 toneladas por ano.
De acordo com dados da Agência Europeia para o Ambiente, a emissão média de CO2 dos carros novos vendidos em 2021 em Portugal foi de 105 g por quilómetro. Para acomodar a frota açoriana, que inclui veículos mais antigos, vamos considerar uma média de 130 g de CO2 por Km. O INE estima que a distância anual percorrida por um carro seja de cerca de 12.000 Km, o que nos dá uma emissão média de 1,5 toneladas de CO2 por ano por veículo. Considerando que nos Açores existem entre 150.000 a 200.000 carros, podemos estimar que a frota automóvel emite um total de 225.000 toneladas de CO2 por ano, quase o triplo das emissões do Vulcão do Fogo.
Mas vamos olhar para um setor que mais emite CO2 na região: a produção de energia elétrica. De acordo com o relatório anual da EDA, a emissão específica de CO2 na Região Autónoma dos Açores (RAA) foi de 454,5 g CO2/kWh em 2024. Com uma produção total de 861.226 MWh, o sistema elétrico da região emitiu cerca de 391.250 toneladas de CO2 em 2024, quase cinco vezes mais que o Vulcão do Fogo.
A produção de eletricidade na Madeira tem valores de emissão CO2 específicos muito semelhantes. Em comparação com Portugal Continental, as emissões são na ordem das 40 g CO2/kWh, cerca de 10 vezes menos do que em qualquer um dos arquipélagos. Mas há uma diferença crucial nas tendências. A percentagem de energia renovável no Continente tem aumentado de forma notável na última década. Em 2014, as renováveis representavam 27% da produção no Continente e 36% nos Açores. Em 2024, o Continente atingiu 71% de fontes renováveis, enquanto a percentagem nos Açores ficou em 34,3%, mostrando uma estagnação. Comparativamente ao arquipélago da Madeira, em 2014 a produção a partir de fontes renováveis estimava-se ser entre 25% e 30% e, em 2024, foi de 45%. Este aumento prova que a utilização de fontes renováveis em arquipélagos não é um problema intransponível nem único aos Açores.
Embora as ilhas mais pequenas enfrentem desafios na produção de energia renovável, elas representam uma fatia menor do consumo total. A ilha de São Miguel sozinha é responsável por cerca de 70% do consumo de toda a RAA. É aqui que reside a chave para a descarbonização. O problema não é o Vulcão do Fogo emitir 232 toneladas de CO2 por dia. O problema é que, apesar do seu potencial, em 2024 apenas 35,6% da energia produzida em São Miguel é de origem geotérmica.
A solução não passa por temer o vulcão, mas sim por aproveitar a sua energia.

O Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, na ilha do Faial, acolhe esta segunda-feira, 12 de maio, da sessão “Os Centros Ciência Viva: a diversidade nas suas multidimensões”, no âmbito do 25.º Encontro da Rede de Centros Ciência Viva.
O encontro, que decorre de até 13 de maio, tem como objetivo promover a reflexão sobre o impacto científico, social, cultural e económico da Rede Ciência Viva em Portugal, destacando a interseção entre ciência, inovação e sociedade como motor de inspiração e colaboração.
De acordo com o secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, presente no evento, “trata-se de um prestigiante evento de âmbito nacional, que se realiza pela segunda vez nos Açores, depois de em 2017 se ter realizado em São Miguel, no Expolab, e que tem um significado profundo para o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, para a ilha do Faial e para a Região Autónoma dos Açores”.
Alongo Miguel explica que “a Rede Centros de Ciência Viva configura um instrumento fundamental para a disseminação do conhecimento e da investigação científica e tecnológica em Portugal, funcionando como plataformas de interação e de aproximação dos cidadãos e das instituições à ciência”.
O secretário regional lembra igualmente que o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos foi integrado, muito recentemente, em novembro de 2024, na Rede de Centros de Ciência Viva, como membro associado, juntando-se ao Expolab, na ilha de São Miguel, como únicos representantes da região, num lote muito restrito, de apenas 21 Centros de Centros que integram esta rede, “prestigiando, assim, a região, em geral, e a ilha do Faial, em particular”.
Alonso Miguel destaca ainda que “esta é uma oportunidade única para garantir o desenvolvimento de projetos colaborativos de investigação e de educação ambiental que, com certeza, poderão permitir aprofundar o conhecimento científico sobre este ecossistema único, consolidando o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos como um espaço de excelência no domínio da literacia científica e ambiental”.
“O Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos acrescenta também valor e notoriedade à Rede de Centros Ciência Viva, contando a fascinante história da erupção que originou o terreno emerso mais recente de Portugal”, acrescenta o secretário regional do Ambiente.
A iniciativa conta com a presença da presidente da Rede e diretora do Pavilhão do Conhecimento, Rosalia Vargas, assim como representantes das equipas de direção dos 21 centros que integram a rede.