
Escolho iniciar esta minha opinião pública com uma citação, de Francisco Sá Carneiro, que devia servir de peça basilar para qualquer cidadão: “O que não posso, porque não tenho esse direito, é calar-me, seja sob que pretexto for.”. Foi com base nesta ideia que assumi o projeto de liderar uma equipa muito competente de jovens que constituem a Concelhia de Lagoa da Juventude Social Democrata. É por isto também que hoje venho falar sobre a Juventude, sobre os jovens lagoenses e sobre o que podia ser feito de diferente, na minha perspetiva.
É de enaltecer medidas como o Orçamento Participativo Jovem, contudo peca por defeito e é uma medida usual autárquica – não é nenhuma inovação. Cada caso é um caso e a nossa autarquia precisa de medidas únicas. A Juventude urge em medidas, é alarmante a necessidade que há em encaminhar os nossos jovens para hábitos e rotinas saudáveis, não dependentes.
A nossa juventude vê-se privada da prática desportiva volitiva, não federativa. Vemos os polidesportivos das nossas freguesias a serem melhorados (e muito bem!), mas depois não os vemos à disposição da população, da juventude: estão de porta fechada.
Pecamos pelo fraco incentivo camarário à habitação jovem ou à literacia não superior; não temos que ser todos doutores.
Precisamos de jovens empresários agrícolas, jovens agricultores, pescadores, carpinteiros e pedreiros. E nem sempre estes jovens têm rentabilidade no plano de estudos que está estandardizado para Portugal, seja por que razão for. Temos que pensar em adaptar e criar soluções de ofertas formativas para estes jovens que têm estas atividades como sua escolha para atividade laboral. A promoção de formações para áreas chave como a situação tributária, noções básicas de informática ou até mesmo auxílio no processo de aquisição de licença para conduzir são alguns exemplos.
Devemos focar-nos em rentabilizar todos os espaços que temos, como o parque da Macela, a Baía de Santa Cruz, o Porto dos Carneiros, a zona do Cruzeiro na Atalhada ou a Caloura em Água de Pau. Estes são espaços ideais para atividades ao ar livre ou torneios desportivos, por exemplo. Podem também ser locais para a dinamização de oficinas de escrita, de ateliers de artes plásticas ou pinturas manuais.
Podemos promover o Dia do Jovem Pescador onde a população é convidada a ir ao seu encontro, podendo aprender curiosidades sobre como a pesca é feita ou como o processo acontece, com uma envolvência da comunidade.
No ensino superior, há novamente um fraco incentivo camarário em comparação com outras autarquias: não são atribuídas bolsas de estudo – última vez foi em 2019/2020, apenas 3. E o maior problema é o de termos jovens lagoenses com dificuldades e alguns nem chegam a ingressar por falta de recursos financeiros. O regulamento estipulado não serve, é obsoleto.
Temos que ter em atenção o Desempenho Ocupacional da nossa Juventude. Uma Juventude sem um círculo ocupacional definido ou preenchido é uma juventude sem soluções, sem encaminhamento, perde-se em tentações. Temos que ser ouvidos e ter um papel ativo neste processo decisivo ou de escolha. Não chega o Conselho Municipal de Juventude se não o compusemos na sua essência por jovens; não chega ter juventudes partidárias se as pessoas estão formatadas para aderirem a estas entidades com o objetivo de chegar a cargos públicos. As Juventudes Partidárias têm que se focar nos problemas eminentes que os apresentam e, com isto, defendê-los e representá-los, independentemente da filiação política – sim, porque é isto que é ser membro ativo na política, estar para servir e não para se servir.
É urgente agir, não reagir; alguém tem que olhar por nós, jovens.
Artigo de opinião publicado na edição imprensa de junho de 2021
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