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Melodiosa é a saudade que embala o coração emigrante

© ACÁCIO MATEUS
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No Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a Associação dos Emigrantes Açorianos prestou homenagem aos 70 anos da emigração açoriana para o Canadá. A Praça do Emigrante, na Ribeira Grande, acolheu uma cerimónia simples, mas carregada de saudade, à qual não faltaram os sons musicais da terra que nos embalam na saudade, ao som da melodiosa voz de Marina Pimentel.

A melodia que hoje encanta quem ouve foi, outrora, outra música. Há setenta anos, emigrar era embarcar rumo ao desconhecido, sem certezas de um dia voltar. Francisco Andrade, natural de Rabo de Peixe, emigrou em 1968, um quarto de século depois do seu pai ter tentado a sua sorte, sem o sucesso pretendido, regressando a casa oito meses depois.

Francisco Andrade emigrou na busca de um sonho e foi com saudade que recordou tempos idos. “Saí daqui em 1968 e trabalhei num sítio que não costumo falar: trabalhei dezasseis meses no Ártico, onde seis meses é de dia e os outros seis é de noite e com uma temperatura tão fria que nem dá frio, dá dores no corpo. Trabalhei as primeiras duas semanas a lavar louça e depois fui trabalhar como pintor”, recorda.

Os anos passam, mas as recordações ficam para a vida. “Há sempre uma dificuldade muito grande na adaptação porque não era algo muito divulgado, havia poucos portugueses a emigrar, mas foi uma convivência de duas línguas diferentes que sempre se deram bem. Sempre me senti bem recebido e apesar de não nos compreendermos no início sempre nos demos bem”, recorda.

Hoje, já reformado, reparte o tempo entre o Canadá e Rabo de Peixe. Mas no Dia de Portugal, o saudosismo vem ao de cima. Então, o que significa o Dia de Portugal para um emigrante? “Significa a lembrança daquilo que se passou. Das procissões em que aparecia apenas meia dúzia de pessoas, mas foram esses guerreiros que permitiram manter lá fora as nossas tradições”, recorda, com orgulho e a certeza de que “hoje faria tudo igual”.

Acácio Mateus

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