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Produtos dos Açores

Rui Menezes cronicas Jornal Diario da LAaoa

O desenvolvimento de produtos locais, são uma excelente forma de fomentar a economia de qualquer região ou país, promovendo o emprego e contribuindo para uma melhoria do PIB dessa área geográfica.
Os Açores, não são exceção e têm nos seus bens e serviços, uma enorme fonte de rendimento, que merece ser potenciada, dado que, cada vez mais, esta região é reconhecida como um local de natureza pura.

Falando apenas dos produtos dos açores, no sentido de bens e não de serviços, os produtos dos açores, têm sido apoiados e bem, pelos sucessivos governos regionais, quer ao nível da embalagem, do transporte e da própria promoção no exterior, nomeadamente com participação em feiras e outros eventos nacionais e internacionais.

Nos últimos anos, foi criada legislação no sentido de apoiar financeiramente os estabelecimentos comerciais que adquiram produtos dos Açores, bem como são co-financiadas algumas feiras de produtos açorianos, levadas a cabo pelas grandes superfícies.

Mais recentemente foi criada a marca Açores, sendo um dos objetivos estratégicos da marca Açores o que abaixo se transcreve, conforme se pode ler na estratégia de operacionalização:

“A Marca Açores pretende, concomitantemente, assegurar que o local de origem dos produtos e serviços é a Região Autónoma dos Açores, estimulando a preferência já existente no consumo de produtos açorianos e contribuindo, desta forma, para o crescimento da sua produção, assegurando as condições estruturantes para que as empresas regionais progridam na cadeia de valor, aumentem a sua competitividade e promovam a criação de emprego e de riqueza.”

Pelo que atrás foi escrito, podemos concluir que os produtos dos Açores têm um conjunto de apoios vasto, que vai desde a sua conceção, à sua comercialização.

Ora, este leque de apoios, poderá certamente levar a que muitas empresas desviem a sua produção, para produtos genuínos açorianos, mas também levará certamente a que algumas empresas e empresários, aptem pelo caminho mais fácil, que é o de utilizar produtos de outras origens, aplicando uma marca com notoriedade nos Açores.

Se assim for, a região não só não atinge os seus objetivos, ao nível do desenvolvimento económico, mas também poderá levar a que se crie um descrédito sobre a origem dos nossos produtos.

Em relação aos produtos dos Açores existentes atualmente, podemos considerá-los como sendo de vários níveis, se levarmos em linha de conta a percentagem de incorporação matérias-primas regionais, produtos acabados regionais e até prestações de serviços de embalamento e outros regionais.

Obviamente que não vamos aqui referir qualquer marca ou tipo de produto, por razões óbvias, pois compete ao governo e à entidade responsável por essa gestão, fazer essa classificação ou seleção.

Num primeiro nível, podemos dizer, que existem uns “produtos dos Açores”, que dos Açores, pouco ou nada têm. São produtos que têm origem em matérias-primas adquiridas no exterior, elaborados e embalados no exterior da região.

Estes produtos, só por terem uma marca regional ou serem comercializados por empresas regionais, não faz sentido que usufruem do mesmo tipo de apoios que os restantes.

Outro nível de produtos regionais são aqueles que, não utilizam matéria-prima dos açores, não são transformados nos Açores, mas, no entanto são embalados na região.

Este tipo de produto, embora com um contributo maior para o desenvolvimento local, do que os referidos anteriormente, não pode ter o mesmo nível de apoio que um produto genuíno dos açores, pois na prática o que se faz, é apenas o serviço de embalamento e muitas das vezes, com elementos de embalagens vindos do exterior, quando estes estão disponíveis localmente em industrias, que se deve igualmente pretender desenvolver.

Depois, há outro nível de produtos que efetivamente são dos Açores. São os produtos produzidos e embalados na região.

Dentro destes, existem ainda aqueles que utilizam as matérias-primas locais e os que utilizam matérias-primas importadas. Os primeiros têm de ser mais apoiados que os restantes, pois têm um contributo maior para a economia local.

É nesse último nível de produtos, que tem de ser direcionado todo o apoio do Governo Regional, fomentando sempre que possível a produção de matérias-primas para as nossas indústrias.

Para nós, não faz qualquer sentido que todos os produtos sejam apoiados da mesma forma, quando uns têm um contributo muito maior para o desenvolvimento local do que os restantes.

A Região tem de obter o retorno deste investimento que está a fazer nos seus produtos. Esse retorno, não pode ser outra coisa que não seja o desenvolvimento económico e social dos Açores.

Por Rui Meneses
Crónica na edição Impressa de abril de 2016

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