
Tudo começou com a paixão que Sofia Borrego tem pelos animais. Formou-se em medicina veterinária e decidiu criar um parque rural de entretenimento educativo, ou seja, uma quinta pedagógica na Lagoa, ilha de São Miguel. “Ia muitas vezes com as minhas filhas a quintas pedagógicas no continente. Achei que faltava um espaço desses cá e decidi criar um. Visitei muitas quintas pedagógicas em Portugal continental, no Reino Unido, no Canadá e noutros países. Sempre que ia de férias visitava parques temáticos com animais. Inspirei-me nesses parques que vi fora”, explica a proprietária. E foi assim que em 2019 nasceu a Quinta da Paródia, um espaço com mais de duzentos animais. “As pessoas encontram aqui muitas espécies de animais de quinta com quem podem interagir: ovelhas, cabras, porcos, coelhos, porquinhos da Índia, patos, perús, gansos, galinhas, póneis, um burro e uma vaca. “Não queremos que seja um espaço só para observação. As pessoas interagem mesmo, queremos que haja mesmo um contato próximo entre as pessoas e os animais”, diz Sofia Borrego. Foi isso mesmo que vimos durante a visita do Notícias que contam ao espaço. Madalena, de 6 anos, conta que o que mais gostou da quinta foi de “andar de pónei” e “dar carinho aos animais”. A mãe, Sofia Medeiros, diz que é a segunda vez que vem: “Estou a gostar imenso. Gosto muito de vir aqui e ter o contacto com os animais. O que gostava mesmo era que pudéssemos fazer voluntariado na quinta. Penso que na parte da saúde mental seria muito bom para a sociedade em geral. Mas, fora isso, gosto muito que a Madalena, a minha filha, venha cá porque ela adora animais e penso que o contacto dos animais com as crianças é muito positivo no desenvolvimento das crianças”.
Catarina Martins veio com a mãe e a filha: “A minha filha adora animais, adora essa parte do ambiente da quinta, de dar comida aos animais, também de poder interagir com os animais, pegar neles”. E Alice confirma: “gosto mais de dar comida aos animais. Dei comida às cabrinhas e aos porcos”.
Para além dos animais, as crianças podem também usufruir de diferentes espaços de lazer com uma cozinha de lama, trampolins, baloiços, escorregas, pequenos tratores a pedais, um modelo de vaca para ordenhar e outros brinquedos relacionados com a agricultura. “As visitas ocorrem de duas formas, temos duas modalidades. As visitas guiadas, que são as que estão disponíveis durante todo o ano. A pessoa tem que marcar a visita e pode escolher entre a visita de uma hora, a visita de duas horas ou passeio de pónei pela quinta e pela mata. Essas atividades são por marcação e têm uma duração determinada. E depois, nos meses de verão e em datas especiais que vamos anunciando ao longo do ano, abrimos ao público, como estamos abertos hoje. Nestes dias as pessoas podem aparecer sem marcação prévia, adquirindo o bilhete à entrada e podendo ficar o tempo que quiserem durante o horário de abertura. As atividades são as mesmas, só que em vez de serem acompanhadas por um guia, vão encontrando vários monitores ao longo do espaço que vão promovendo as atividades de interação e as voltinhas de pónei”, explica Sofia Borrego.
A responsável faz questão de sublinhar que a Quinta da Paródia pôde erguer-se graças ao programa ProRural+. “Começamos por ser exploração agropecuária que, entretanto, concorreu a esse apoio para diversificar a sua atividade criando esta infraestrutura para poder receber os visitantes e promover atividades de diversão, recreativas e pedagógicas”, diz a proprietária.
A Quinta da Paródia promove também festas de aniversário e outro tipo de celebrações, sendo estas uma importante fonte de rendimento para o negócio. Falamos com Cátia Leite, que trabalha na quinta a tempo inteiro há quase três anos. “É fantástico trabalhar aqui. Gosto muito do que faço porque trabalhar com os animais é muito gratificante e com as crianças também. Há sempre tanta coisa diferente para fazer, não é todos os dias a mesma coisa”, diz Cátia Leite. A colaboradora explica que demora cerca de uma hora e meia a duas horas para alimentar os animais de manhã e ao final da tarde. Isto sem contar com a preparação das festas e outras atividades, a limpeza dos espaços ou pequenas reparações necessárias. Ainda assim, vale a pena o esforço, diz: “ é muito giro trabalhar aqui. Nós não conseguimos dar nome a todos os animais, mas muitos têm nome e reconhecem quando chamamos”, diz referindo-se aos animais da quinta.
Na Quinta da Paródia, os animais estão em praticamente tudo o que acontece por aqui. Até no yoga. “Temos realizado aulas de yoga ao ar livre, no nosso pomar, com as cabrinhas, normalmente as mais novinhas. A Neuza Duarte tem sido a instrutora destas aulas e as cabrinhas andam ali à vontade. Quando querem aproximam-se, pulam para cima das pessoas, e no final, normalmente, há um momento reservado para pegar nelas ao colo e dar biberon às mais pequeninas. É uma atividade muito engraçada”, conta Sofia Borrego.
Aqui, os animais são mesmo as estrelas da companhia, numa família que está sempre a crescer e promete encantar quem por cá passa.
Os leitores são a força do jornalismo livre.
Subscreva e apoie. Ao valorizar o nosso trabalho, viabiliza um jornalismo independente e de proximidade. Só assim levamos até si as notícias que contam.
Deixe uma resposta