
Micaela Pimentel
Jurista
Escrever O Que Nunca Saberei foi, acima de tudo, um ato de coragem.
Houve momentos em que senti que esta história não me pertencia apenas a mim, mas a todas as pessoas que alguma vez amaram em silêncio, que carregaram arrependimentos no peito ou que tiveram de aprender a sobreviver às dores que a vida deixa sem aviso.
Este livro nasce do amor, mas também da dor. Nasce das palavras que ficaram por dizer, das feridas que o tempo não apaga completamente e da necessidade urgente de falarmos sobre aquilo que sentimos sem vergonha, sem medo e sem máscaras.
É um romance contemporâneo que acompanha a história de duas mulheres marcadas pelas suas vivências, pelas perdas, pelos medos e pela constante luta entre fugir do passado ou encontrar coragem para enfrentá-lo.
Mais do que uma história de amor entre duas mulheres, O Que Nunca Saberei é uma história sobre humanidade. Sobre a necessidade de sermos vistos, compreendidos e aceites exatamente como somos. Ao escrever este romance, quis mostrar um amor verdadeiro, intenso e profundamente humano, longe de estereótipos ou superficialidades. Porque o amor, independentemente de quem o vive, continua a ser amor. Continua a carregar inseguranças, entrega, medo, saudade e esperança.
Ao longo da narrativa, abordo também temas ligados à saúde mental, à ansiedade emocional, à solidão e ao impacto que os traumas podem ter na forma como nos relacionamos connosco próprios e com os outros.
Vivemos numa sociedade onde ainda existe demasiado silêncio à volta da saúde mental. Ainda se romantiza o sofrimento calado. Ainda se espera que as pessoas “aguentem” tudo sozinhas enquanto sorriem para o mundo.
E talvez uma das maiores mensagens deste livro seja precisamente essa: ninguém deveria sentir-se obrigado a sobreviver em silêncio.
As personagens deste romance carregam dores reais, conflitos internos, inseguranças e cicatrizes emocionais que muitas pessoas reconhecerão em si próprias. São personagens imperfeitas, vulneráveis e humanas. Pessoas que tentam amar enquanto aprendem também a curar-se. Porque, por vezes, o mais difícil não é amar alguém. É acreditar que merecemos ser amados depois de tudo aquilo que vivemos.
Acredito profundamente que os livros têm o poder de transformar pessoas. Não porque mudam a realidade, mas porque nos ajudam a olhar para ela de outra forma. E se O Que Nunca Saberei conseguir tocar nem que seja uma única pessoa, fazê-la sentir-se compreendida ou lembrá-la de que nunca é tarde para recomeçar, então terá cumprido o seu propósito.
E talvez seja isso que eu mais desejo que os leitores levem deste livro: a certeza de que sentir nunca será uma fraqueza. Sentir é aquilo que nos mantém humanos.
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