Por vezes, ouço dizer que os jovens não querem saber da Igreja, o que não é verdade. Alguns jovens, apesar de batizados e crismados, afastaram-se da Igreja, mas o mesmo acontece noutras faixas etárias. Outras vezes ouvimos que a Igreja é só de seniores, o que também não é verdade, porque a maioria deles vivem igualmente afastados da Igreja, apesar de se dizerem muito religiosos. A minha dúvida será outra: existem pessoas que querem ser Igreja?
Na verdade, hoje tudo o que exige compromisso não está na moda, e isto verifica-se em todas as esferas da vida. Todos manifestamos muita dificuldade em nos comprometer com alguém ou com alguma causa. Vivemos mundo que nos quer apressados, a viver apenas o momento, o que nos leva por vezes ao vazio ou á nulidade de um sentido para simplesmente existirmos e incapazes de nos comprometer com os outros para além da compra de um postal da Unicef pelo Natal, ou de tantos outros gestos, belos e verdadeiros, mas isolados num mar demasiadamente ondulado pelo relativismo.
Para mim e para muitos, a vida é feita de compromissos, de escolhas concretas que nos torne aventureiros no meio da ondulação dos dias. Mesmo sabendo que nunca alcançamos uma coerência total entre os ideias e as escolhas que vamos fazendo ao longo da vida, eu escolho ser Igreja e sei que não estou só nesta escolha que pretende continuar a missão confiada por Jesus.
Há pessoas que querem ser Igreja. Apesar de sermos cada vez menos, ainda existimos e de todas as idades. E não queremos ser sozinhos, porque aquilo que vivenciamos de bom, nas nossas vidas, queremos que também outros o vivam, sobretudo os que nos estão mais próximos.
Com efeito, várias crianças, jovens e adultos, dos que são e querem ser mais e melhor igreja, decidiram Zarpar através da arte, falando a todos da sua fé n’Aquele que quis e quer a Igreja como principal parceira na sua missão salvífica. Durante três dias vamos procurar viver e celebrar a vida e a fé num Multi Festival (Zarpar) porque é preciso zarparmos, isto é, sairmos da nossa zona de conformo (como se diz hoje) e arriscarmos em (re)descobrir através de novos métodos e linguagens Aquele que está para além do horizonte do óbvio da nossa existência.
Se és Igreja ou alguém de boa vontade, não fiques no cais (em casa) e zarpa para o Convento dos Franciscanos das 18h00 às 24h00 nos dias 10,11 e 12 de Julho. Não tenhas medo, porque a barca é do Mestre e é Ele que vai ao leme.
Por Pe. Nuno Maiato
Deixe uma resposta