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Suspeitas sobre a Capital da Cultura ameaçam apoio privado ao projeto em Ponta Delgada

Alerta foi deixado pela comissária Katia Guerreiro durante a Assembleia Municipal, revelando que uma empresa pondera recuar no patrocínio. Pedro Nascimento Cabral apela à responsabilidade do tecido empresarial

© CM PONTA DELGADA
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As dúvidas e suspeitas levantadas publicamente em torno da gestão da Ponta Delgada – Capital Portuguesa da Cultura 2026 estão a colocar em risco a angariação de financiamento privado para o evento. O alerta foi transmitido durante a reunião desta semana da Assembleia Municipal pela comissária do projeto, Katia Guerreiro, numa intervenção citada em nota de imprensa da Câmara de Ponta Delgada.

Segundo revelou Katia Guerreiro aos deputados municipais, contactos recentes efetuados com empresas que haviam assinado cartas de intenção de patrocínio indicam que pelo menos um dos potenciais financiadores privados «está em vias de sair devido às polémicas e às dúvidas que foram levantadas» relativamente a alegadas ilegalidades no processo. A responsável ressalvou que a associação de marcas privadas a projetos públicos envolve preocupações reputacionais e avisou que, caso o aditamento ao contrato-programa não venha a cumprir a meta de receitas privadas, tal ficará a dever-se ao impacto destas acusações.

Na mesma sessão, a comissária reafirmou a total disponibilidade da equipa organizadora para prestar esclarecimentos sobre «o processo de gestão, organização e planeamento», assim como sobre os procedimentos, a programação e o modelo financeiro adotado.

Confrontado com esta revelação, o presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, expressou preocupação perante o eventual recuo de investidores num evento de dimensão nacional. Embora considerando legítimo o escrutínio e o pedido de informações, o autarca defendeu que a discussão deve assentar em factos concretos, alertando que a formulação de suspeitas sem fundamentação gera prejuízos reais para a projeção cultural do concelho e dos Açores.

Nesse contexto, Pedro Nascimento Cabral lançou um apelo direto ao tecido empresarial e às instituições parceiras para que «mantenham o seu compromisso com o projeto», sublinhando a importância da união e da responsabilidade coletiva para assegurar a concretização plena da Capital Portuguesa da Cultura.

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