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Presidente da Associação dos Emigrantes Açorianos defende “acolhimento humanizado”para emigrantes que pretendam regressar aos Açores

Andrea Moniz-DeSouza, presidente da Associação dos Emigrantes Açorianos (AEA), com sede nos Açores, sublinhou a importância de encontros como o Fórum das Migrações para a compreensão das realidades migratórias e para a construção de respostas mais eficazes às necessidades das comunidades

Andrea Moniz-DeSouza, presidente da Associação dos Emigrantes Açorianos © AGÊNCIA INCOMPARÁVEIS

A presidente da AEA falou à nossa reportagem à margem do 4.º Fórum das Migrações, realizado entre 8 e 10 de abril sob a organização da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades do governo açoriano, sob tutela de Paulo Estêvão. O fórum, que teve lugar no Corvo e nas Flores, focou-se nas oportunidades e dificuldades que a imigração traz aos Açores, contando com a participação de académicos, autoridades e residentes imigrantes.

A responsável começou por destacar o papel do fórum enquanto espaço de reflexão e aprendizagem coletiva, afirmando que “o Fórum é uma causa muito importante para promover as migrações e dar a entender as lutas que os imigrantes e os emigrantes têm passado e com estes fóruns vamos aprendendo sobre essas experiências e também nos ajuda a saber de que forma podemos ajudar a melhorar estas lidas de migração”.

No que diz respeito ao trabalho da associação, Andrea Moniz-DeSouza explicou que a Associação dos Emigrantes Açorianos atua em duas frentes principais: o acompanhamento da diáspora e o apoio aos emigrantes que regressam aos Açores. Segundo referiu, “temos aquela parte de trabalhar com a diáspora lá fora e também temos aquela parte de trabalhar com os emigrantes que estão a regressar”.

A presidente da associação detalhou que esse regresso ocorre por diferentes motivos, incluindo escolhas pessoais e situações de vulnerabilidade.

“Temos uma mistura que está a regressar por decidir que está naquele tempo de vida que quer a vida mais calma e quer voltar para a terra natal e tem alguns que têm que vir de razões como de deportações e outros casos de mais vulnerabilidade”, explicou.

Nesse contexto, esta dirigente sublinhou a importância do acompanhamento social e humano destes processos, afirmando que “nós estamos aqui para apoiar nesse aspeto e porque é muito importante quando a pessoa regressa também sentir-se que a parte da terra às vezes precisa de acolhimento e apoio”.

Além do trabalho de integração, a responsável destacou ainda a dimensão internacional da atuação da associação, que procura manter vivos os laços com as comunidades emigrantes espalhadas pelo mundo.

“Também para nós é muito importante continuar a promover os nossos Açores na diáspora e sempre ficar naquela ponte e dar mais força aos laços entre os nossos imigrantes que estão na diáspora e os Açores”, afirmou Andrea Moniz-DeSouza, reforçando que a missão da organização passa precisamente por essa ligação contínua entre comunidades.

“A nossa associação tem esse papel de trabalhar com a diáspora cá fora e também apoiar os nossos emigrantes que estão a regressar”, concluiu.

Presidente da Associação dos Imigrantes nos Açores propõe “estratégia regional” para imigração e alerta para “envelhecimento acelerado” nos Açores

Leoter Viegas defendeu a criação de uma estratégia regional para as migrações e alertou para o envelhecimento acelerado da população açoriana, sublinhando que a imigração pode desempenhar um papel decisivo na mitigação deste fenómeno

© DL

Em declarações ao Diário da Lagoa, no âmbito do 4.º Fórum das Migrações, realizado entre 8 e 10 de abril nas ilhas do Corvo e das Flores, Leoter Viegas considerou este Fórum uma “oportunidade essencial” para debater políticas migratórias de forma alargada e entre diferentes entidades, sublinhando que a sua participação teve como objetivo “apresentar uma proposta concreta de planeamento estratégico para o futuro das migrações na Região”.

O presidente da AIPA começou por enquadrar o papel da associação que lidera, destacando a sua missão centrada no apoio aos cidadãos estrangeiros que escolheram os Açores para viver.

“A AIPA é uma instituição representativa dos imigrantes nos Açores. Ela tem como objetivo a missão fundamental de contribuir para o acolhimento e integração dos imigrantes que escolheram os Açores para viver”, afirmou.

No contexto do Fórum das Migrações, este responsável salientou a importância do encontro enquanto espaço de debate entre diferentes intervenientes ligados ao fenómeno migratório.

“Este Fórum, que já vai na quarta edição, é importante porque é uma ocasião para vários atores que intervêm nas áreas das migrações, e não só, debaterem as questões relacionadas com as migrações em Portugal e particularmente nos Açores”, referiu.

Leoter Viegas revelou também que a intervenção da AIPA nesta edição teve um carácter propositivo, centrado na necessidade de construção de uma estratégia regional de longo prazo para as migrações, envolvendo o governo regional e os parceiros institucionais.

“A nossa intervenção neste quarto Fórum foi, acima de tudo, deixar aqui uma proposta em jeito de desafio ao governo dos Açores, no sentido de nós, juntos e em parceria, criarmos uma estratégia regional para as migrações”, declarou, explicando que essa estratégia deverá permitir definir uma visão estruturada para o futuro da sociedade açoriana.

“Temos o objetivo fundamental de apresentarmos um documento a médio e longo prazo para aquilo que nós efetivamente queremos para as migrações e como é que nós vemos a sociedade açoriana a médio e longo prazo”, acrescentou Leoter Viegas.

O dirigente alertou ainda para os dados demográficos recentes que evidenciam um envelhecimento significativo da população na Região. Segundo referiu, a população jovem tem vindo a diminuir de forma acentuada, enquanto a população idosa continua a aumentar.

“Os Açores perderam a população com menos de 14 anos em 25%. E a população com idade superior a 65 anos aumentou 33%”, afirmou Leoter Viegas, que acrescentou ainda que as projeções apontam para uma tendência de agravamento nas próximas décadas.
“Em 2060, a população maior de 65 anos aumentará cerca de 76%”, referiu, sublinhando a dimensão do desafio demográfico que a Região enfrenta.

Perante este cenário, defendeu a necessidade de políticas públicas estruturadas que permitam responder a estas transformações, destacando a imigração como uma solução relevante para o equilíbrio populacional. Na sua perspetiva, a integração de novos residentes pode contribuir de forma decisiva para a sustentabilidade da sociedade açoriana.

“A nossa opinião é que uma das formas de mitigar esse fenómeno de envelhecimento da população tem que ver exatamente com uma estratégia de acolhimento, de integração dos imigrantes que vieram viver para os Açores”, concluiu Leoter Viegas.