
O Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, no Brasil, entrou numa nova fase sob a liderança de Luiz Nilton Corrêa, antropólogo e historiador com percurso académico entre os Açores e Salamanca, assumindo a presidência com a meta de consolidar a instituição no cenário digital e global. Aos 130 anos de existência, o IHGSC mantém-se como referência na construção da identidade catarinense, num Estado marcado por sucessivas matrizes migratórias e por um processo histórico de afirmação territorial e cultural. A nova gestão tem como eixo estruturante a digitalização e democratização do acervo, que inclui milhares de fotografias históricas, mapas, manuscritos e periódicos, ampliando o acesso público e académico à memória documental do Estado.
No plano institucional, a presidência de Luiz Nilton reforça a dimensão internacional do Instituto, destacando a relação entre a entidade e a Região Autónoma dos Açores, descrita como marcada por uma proximidade singular, materializada em projetos conjuntos, intercâmbios científicos e na consolidação da Biblioteca Açoriana Machado Pires como centro de referência no Sul do Brasil.
Para assinalar os 130 anos, o Instituto organiza o seu primeiro Congresso Internacional, dedicado ao tema da identidade em construção, iniciativa que pretende projetar Santa Catarina no debate académico global e reafirmar o papel histórico da entidade na articulação entre memória, ciência e futuro.
Em entrevista à nossa reportagem, Luiz Nilton Corrêa, 48 anos, antropólogo, historiador e presidente do Instituto, falou sobre os novos projetos e as ações previstas, além da ligação aos Açores.
DL: Ao assumir a presidência do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, quais foram as prioridades de gestão definidas e que mudanças estruturais procurou implementar na entidade?
Assumir a presidência de uma instituição como o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (IHGSC), com seus 130 anos de protagonismo na formação da identidade catarinense, é aceitar uma responsabilidade de magnitude singular. Santa Catarina é, por definição, um mosaico cultural. Com uma população que se aproxima dos oito milhões de habitantes, o estado abriga uma herança plural: estima-se a presença de três milhões de descendentes de italianos, dois milhões de alemães e 1,5 milhão de açorianos. Essa base se entrelaça com matrizes africanas e correntes migratórias austríacas, polonesas, ucranianas, holandesas, húngaras e japonesas, consolidando uma diversidade rara. A construção de uma identidade coesa nesse cenário exigiu o esforço contínuo de identificar heróis e ícones que nos unissem, como o poeta Cruz e Sousa, a heroína Anita Garibaldi e o mestre Victor Meirelles. O IHGSC foi o arquiteto desse processo, promovendo marcos como o Congresso Internacional de História de 1948, que foi o divisor de águas na afirmação da identidade açoriana no litoral. A nossa missão remonta às origens do Estado. A primeira grande tarefa do Instituto foi a consolidação do território catarinense durante a Questão do Contestado; missão que levou os nossos pesquisadores até os arquivos de Lisboa em busca dos fundamentos jurídicos que garantiram nossas fronteiras. O IHGSC não apenas ajudou a definir o mapa de Santa Catarina, mas também a alma de seu povo.
DL: O Instituto tem desempenhado um papel central na preservação da memória catarinense. Como avalia hoje o impacto do trabalho desenvolvido pela instituição na produção e difusão do conhecimento histórico e geográfico do Estado?
Com 130 anos de trajetória, o IHGSC consolidou-se, durante décadas, como a única instituição dedicada à salvaguarda da memória catarinense. É imperativo notar que as primeiras universidades do Estado surgiram apenas sete décadas após a fundação do Instituto: a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 1960 e a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) em 1965. Até esse marco, o IHGSC não apenas preservava, mas exercia um papel ativo na construção e modulação da memória e da identidade regional, protagonismo que mantém até hoje através de rigorosa produção científica e eventos acadêmicos que influenciam a historiografia do Estado. Um exemplo contemporâneo dessa atuação decisiva ocorreu em 2015, quando o Instituto apresentou o estudo que redefiniu a data de fundação de Florianópolis. O marco inicial, anteriormente fixado em 1723, foi retificado para 1673, comprovando que o povoamento iniciou-se com a chegada de Francisco Dias Velho. Tal descoberta não apenas alterou a idade da capital, mas reafirmou o compromisso do IHGSC em atuar, de forma viva e técnica, na revisão e no fortalecimento da nossa história.
DL: O projeto de digitalização das imagens e acervos de Santa Catarina, conhecido nos últimos dias, representa um avanço importante na democratização do acesso à memória. Em que fase se encontra essa iniciativa e quais os principais desafios técnicos e financeiros enfrentados?
Este projeto marca o compromisso inicial de minha gestão: a digitalização e a democratização do acesso a um acervo de mais de oito mil fotografias históricas. São registros que retratam conflitos, momentos políticos decisivos, paisagens e marcos que moldaram o território catarinense nos últimos dois séculos. Este é apenas o passo inaugural. As imagens serão disponibilizadas no portal do IHGSC em alta resolução e sob licença de uso livre, mediante apenas o crédito à nossa instituição. O nosso horizonte, contudo, é ainda mais vasto. Guardamos mais de 350 mapas antigos, milhares de manuscritos e uma biblioteca que abriga obras raras e seculares. Destaco também a nossa coleção de periódicos, como a Revista do IHGSC, cujas edições iniciais remontam a 1902. Todo este tesouro documental será gradualmente transposto para o meio digital, fomentando a pesquisa e o desenvolvimento científico. É fundamental ressaltar que tais conquistas não decorrem de orçamentos cativos, mas de uma busca incansável por fomento. Cada iniciativa é fruto de projetos submetidos a editais e de um esforço contínuo de “bater às portas” em busca de recursos. Muitas vezes, o êxito não vem na primeira tentativa; elaborar o projeto é, talvez, a etapa mais célere diante do desafio persistente da viabilização financeira.
DL: De que forma a digitalização do acervo pode contribuir para investigadores, escolas, universidades e para a própria valorização da identidade catarinense no contexto nacional e internacional?
A democratização deste acervo não é apenas um ato administrativo, mas a abertura de um portal para novas possibilidades de pesquisa e compreensão da identidade catarinense e, por extensão, da brasileira. Cada estado do Brasil encerra uma realidade singular, com contextos e origens de difícil comparação. As imagens que estamos disponibilizando possuem o poder de transmutar a imaginação em formas concretas. Sejam paisagens, tipos humanos ou eventos decisivos, elas conferem materialidade ao que os textos narram, elevando a fotografia do papel de mera ilustração ao status de fonte primária de análise. Uma vez integradas à rede, essas fontes estarão acessíveis a pesquisadores em qualquer parte do globo, materializando a promessa original da internet: o acesso universal à informação de qualidade, chancelado pelo rigor de uma instituição centenária como o IHGSC.
DL: Ao completar 130 anos de existência, que significado institucional e simbólico atribui a esta marca histórica para o Instituto e para o Estado de Santa Catarina?
Sustento que o IHGSC preserva, com justiça, o título de principal instituição cultural do Estado. Essa primazia não decorre apenas da sua longevidade, mas de seu papel vital nas ciências humanas, materializado em inúmeras publicações anuais e na custódia de acervos singulares. O nosso corpo social é composto por mais de 300 pesquisadores, entre membros eméritos, efetivos e correspondentes, distribuídos globalmente. Contamos com personalidades da vida política do Brasil e de Portugal, diretores de renomadas instituições internacionais e acadêmicos laureados com vasta produção bibliográfica. São intelectuais de diversas gerações e áreas de atuação, todos conscientes da sua responsabilidade institucional na construção contínua da identidade catarinense. Para uma entidade sem fins lucrativos, movida pelo trabalho honorífico e pela vocação de serviço público, alcançar os 130 anos em plena vigência de suas atividades é um marco de profunda relevância simbólica.
DL: Estão previstas celebrações ou ações comemorativas pelos 130 anos? Que tipo de programação está a ser organizada e qual o público que pretendem alcançar?
Fundado em 7 de setembro de 1896, o IHGSC aproxima-se de um marco histórico extraordinário. Para celebrar este jubileu, planejamos uma agenda de eventos que culminará na realização do I Congresso Internacional do IHGSC. Nesta edição inaugural, o tema central será a “Identidade como elemento em constante construção”, um reflexo da própria essência desta Casa. Alinhado à tradição de rigor científico que norteia os congressos que organizo, em parceria com renomados pesquisadores e instituições, este certame pretende consolidar-se como uma atividade perene. Mais do que celebrar a longevidade do Instituto, este congresso internacional é o testemunho vivo de sua vitalidade, reafirmando nossa projeção acadêmica e nosso compromisso com o futuro de Santa Catarina.
DL: Olhando para o futuro, quais são os principais projetos estratégicos do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e como a entidade pretende manter-se relevante num cenário cada vez mais digital e globalizado?
O Instituto precisa ocupar o seu espaço neste cenário de transformações disruptivas. A tecnologia hoje atua como uma ferramenta de produção intelectual que potencializa a missão do IHGSC. Através da Inteligência Artificial e da digitalização, as nossas ações ganham escala, mas o que impulsiona esse crescimento é, essencialmente, a necessidade humana de preservação identitária.
Atravessamos uma transição de paradigma que rivaliza com a Revolução Industrial, marcada por uma celeridade que desafia as adaptações sociais. Nesse contexto, a cultura e a história tornam-se os principais ativos de estabilidade e sentido. Se o autoconhecimento é a chave para navegar o futuro, ele passa, obrigatoriamente, pela decifração do nosso passado. O IHGSC, portanto, reafirma a sua relevância como o guardião da base necessária para essa nova etapa da experiência humana.
DL: Qual o papel dos açorianos na formação de Florianópolis e de Santa Catarina no geral?
À semelhança do restante das Américas, o território que hoje compreende Santa Catarina já era densamente habitado quando da chegada dos primeiros europeus. O cenário era o prolongamento do contexto vivido na Europa: o fim da Idade Média e o desfecho das Guerras de Reconquista na Península Ibérica, cujas táticas e mentalidades se estenderam ao Novo Mundo. Com o declínio drástico das populações originárias, surgiu a necessidade premente de povoamento para a consolidação da posse lusa sob o princípio do uti possidetis. Nesse panorama, os açorianos, que já haviam protagonizado levas migratórias em direção ao Grão-Pará e Maranhão no século anterior, aportaram em Santa Catarina em meados do século XVIII, a partir de 1748. A sua chegada marcou o início de um processo de urbanização singular: as comunidades eram semeadas em torno de pequenas praças centrais, presididas por capelas e igrejas, criando núcleos que deram origem às principais cidades do litoral catarinense e gaúcho. Esse pioneirismo conferiu aos açorianos o protagonismo na fundação das primeiras malhas urbanas do Estado, precedendo em um século a imigração germânica e italiana. Mais do que construções físicas, esse período gerou um amálgama cultural profundo: a herança açoriana absorveu e preservou saberes dos povos locais, o que se reflete ainda hoje na toponímia de nossas cidades. Lugares como Itajaí, Camboriú e Garopaba exibem essa dualidade fascinante: nomes de raiz indígena que guardam uma história de matriz açoriana.
DL: Que traços ainda hoje persistem? O Instituto tem projetos específicos sobre esta história comum entre Santa Catarina e os Açores?
O IHGSC mantém parcerias sólidas e históricas com instituições de prestígio, como a Universidade dos Açores e o Governo Regional dos Açores. O histórico marco de 1948 não foi apenas o despertar de uma identidade até então silenciada, mas o alicerce para décadas de cooperação científica. Exemplo disso foi o congresso de 2018, alusivo aos 270 anos da presença açoriana em Santa Catarina, que reuniu autoridades, pesquisadores e professores de ambos os lados do Atlântico sob a coordenação desta Casa. Esse esforço estendeu-se ao Maranhão, onde o IHGSC colaborou ativamente na fundação da Casa dos Açores do Maranhão durante o congresso dos 400 anos da presença açoriana naquele Estado. Para o futuro, a nossa meta é fortalecer este arco de cooperação transatlântica. Pretendemos não apenas ampliar o volume de publicações conjuntas, mas também estabelecer programas de formação e apoio para alunos brasileiros em instituições açorianas. São iniciativas exequíveis que reafirmam o papel do IHGSC como uma ponte entre o passado comum e o futuro compartilhado.
DL: Qual a relação do IHGSC com o governo açoriano?
A relação entre o IHGSC e a Região Autônoma dos Açores é marcada por uma proximidade singular, distinguindo-se das demais matrizes migratórias de Santa Catarina. Essa conexão transatlântica materializa-se de forma exemplar na Biblioteca Açoriana Machado Pires, sediada nas dependências do nosso Instituto. Fruto do projeto da professora Vilca Merízio, culminou com a doação da Direção Regional das Comunidades, de um acervo que reúne obras fundamentais de autores açorianos, servindo como um centro de referência para pesquisadores e interessados na cultura insular. Mais do que um repositório de livros, a Biblioteca Machado Pires é o símbolo vivo da cooperação técnico-científica e diplomática que une o IHGSC ao Governo dos Açores, consolidando o Instituto como o principal guardião dessa memória no Sul do Brasil.
DL: O que pode o Instituto fazer pelo Estado e vice-versa?
A continuidade das atividades do IHGSC é vital para Santa Catarina, transcendendo o valor de seu acervo histórico e documental. Partimos do princípio de que a identidade é um sistema mutável, um organismo vivo em constante construção. Hoje, novas dinâmicas migratórias, que incluem haitianos, venezuelanos, russos e diversos outros povos, somam-se às matrizes tradicionais para reconfigurar a demografia e a cultura catarinense. O papel do Instituto, portanto, não é estático; ele se renova ao decodificar essas novas camadas da nossa formação humana. Em contrapartida, o Estado encontra no IHGSC a base técnica e científica para compreender sua própria evolução. É uma relação de mútua necessidade: enquanto o Instituto oferece o lastro histórico e a análise crítica, o Estado fornece o dinamismo social que mantém nossa missão em constante desenvolvimento e atualização.
DL: Por fim, quem é Luiz Niton?
Luiz Nilton Corrêa é um pesquisador cuja trajetória pessoal e acadêmica reflete o próprio movimento transatlântico que estuda. Catarinense, iniciou sua imersão na identidade açoriana em 2001, influenciado pelo Grupo Arcos. Esse despertar levou-o a um percurso de quase duas décadas na Europa, onde conciliou o trabalho para a subsistência com a vida acadêmica e a participação ativa no folclore da Relva, nos Açores. Licenciado em História e Mestre em História Insular e Atlântica pela Universidade dos Açores, dedicou o seu mestrado à migração de açorianos micaelenses para a República Dominicana em 1940, obra publicada em Portugal e pela Academia Dominicana de História. Doutor em Antropologia pela Universidade de Salamanca, com foco nas Festas do Divino Espírito Santo, Luiz Nilton hoje preside o IHGSC, onde coordena o programa de pós-doutorado e mantém sua atuação como professor convidado em instituições na Espanha e em Portugal, unindo a experiência do emigrante ao olhar do cientista social.

O Governo regional dos Açores, através da secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, confirmou que 450 estudantes residentes no arquipélago já receberam o pagamento da bolsa de estudo referente ao ano letivo 2025/2026. Em nota enviada pelo Governo regional, detalha-se que este apoio, inserido no Programa de Atribuição de Bolsas de Estudo a Estudantes no Ensino Superior, é destinado a alunos em situação de carência económica e residentes na região há pelo menos três anos, consistindo numa bolsa anual de 2.750 euros paga em quatro prestações trimestrais.
No presente ciclo letivo, registaram-se 998 candidaturas, das quais 653 foram aprovadas, resultando até ao momento no apoio efetivo a 450 beneficiários, divididos entre financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (150 bolsas) e do Orçamento da Região (300 bolsas). Mónica Seidi destacou que este investimento reflete o compromisso do executivo com a igualdade de oportunidades e a valorização das qualificações dos jovens açorianos.
“Desde 2021, já foram atribuídas 1.800 bolsas de estudo, representando um investimento global de 4,950 milhões de euros, um esforço significativo que demonstra a prioridade que este Governo atribui ao apoio social aos estudantes e às suas famílias”, sublinhou a governante na mesma nota.
Através deste programa, que articula verbas regionais e fundos europeus, o Governo dos Açores sublinha que está a apostar em políticas que promovam o sucesso académico e a coesão social, procurando mitigar as desigualdades no acesso ao ensino superior.

Um protocolo tripartido de colaboração foi assinado neste mês pelo presidente do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas, Flávio Martins; pelo diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores, José Andrade; e pelo diretor Regional das Comunidades e Cooperação Externa do Governo da Madeira, Sancho Gomes.
Segundo apurámos, com a assinatura, os dirigentes estabeleceram, “além de reuniões regulares e um relatório anual público de verificação do progresso, elos de cooperação para a valorização da diáspora portuguesa no mundo, o fortalecimento dos laços entre as comunidades, com o Estado português e as regiões autónomas dos Açores e da Madeira”.
O acordo também prevê iniciativas em áreas como a juventude lusodescendente e a participação cívica, além de outras ações estratégicas conjuntas.
Estão sobre a mesa ainda ações como a “participação de representantes dos departamentos e conselhos em eventos promovidos pelos signatários, o fortalecimento da comunicação externa por meio da divulgação coordenada de iniciativas institucionais, a articulação conjunta de plataformas de comunicação e a promoção da marca e da imagem institucional de cada entidade junto às comunidades, autoridades locais e ao público”.

André Silveira
Num tempo em que a transparência e a boa governação deveriam ser princípios inquestionáveis da gestão pública e empresarial, a situação da SATA assume contornos inadmissíveis. Estamos em plena reta final do primeiro semestre de 2025 e, enquanto as principais companhias aéreas europeias apresentam já os resultados do primeiro trimestre deste ano, a SATA continua sem publicar as contas relativas a 2024. Na TAP, por exemplo, o ex-CEO da SATA já apresentou mais um trimestre de prejuízos. Esta omissão não é apenas um detalhe administrativo ou um ligeiro atraso burocrático. É uma afronta direta a todos os Açorianos, verdadeiros acionistas desta companhia.
A SATA, sendo uma empresa pública, pertence ao povo Açoriano. É com o dinheiro de todos nós que, durante décadas, se têm coberto prejuízos, suportado recapitalizações e financiado operações muitas vezes conduzidas com uma leveza irresponsável, como serão as gerações futuras a pagar a astronómica dívida deixada. A prestação de contas atempada não é um favor, mas uma obrigação elementar de quem gere recursos públicos. O silêncio da administração, como do governo, é, portanto, inaceitável e revelador de uma cultura de opacidade que deve ser definitivamente repudiada e erradicada.
Pior do que o atraso é a suspeição que este alimenta. A ausência de contas publicadas leva inevitavelmente a questionar se a razão para este silêncio reside na gravidade dos resultados ou, mais grave ainda, se deve-se ao facto de as contas estarem a ser discutidas nos bastidores entre intervenientes que não representam diretamente o interesse público. Seria inaceitável e escandaloso que o consórcio interessado na privatização da Azores Airlines já tivesse tido acesso às contas de 2024 ou, pior ainda, estivesse a participar no processo de fecho das mesmas, enquanto os verdadeiros acionistas, os cidadãos Açorianos, permanecem na ignorância.
Se tal se confirmar, não estaremos apenas perante um grave problema de governação, mas também perante uma violação ética inqualificável dos princípios mais básicos de gestão pública. Uma administração que age nas sombras, que oculta informação e que despreza a prestação de contas aos seus legítimos proprietários não é apenas incompetente, é desrespeitosa.
A responsabilidade última por esta situação é partilhada pelo Conselho de Administração da SATA e pelo próprio Governo Regional dos Açores, que estão a incorrer numa falha grosseira das suas obrigações estatutárias, éticas e morais. A sua função primeira deveria ser a de servir os interesses dos acionistas, assegurando uma gestão transparente, responsável e aberta. Ao protelar a publicação das contas e ao alimentar a perceção de que há algo a esconder, estão a comprometer não apenas a credibilidade da empresa, mas a confiança dos Açorianos nas suas instituições.
No caso particular da SATA, o imperativo de transparência e rigor na prestação de contas deveria ser absoluto, não apenas pela sua natureza pública, mas também pelo histórico carregado de decisões erradas, erros estratégicos e resultados financeiros desastrosos. Os Açorianos, que há décadas são chamados a cobrir os prejuízos da companhia, merecem e exigem saber, sem subterfúgios, o real estado financeiro da empresa. Mais do que nunca, era esperado deste governo, que prometeu fazer diferente, romper com a cultura de opacidade que tantas vezes protegeu interesses particulares em detrimento do interesse coletivo. A omissão prolongada das contas de 2024 não é apenas uma falha administrativa: é o reflexo de um sistema que insiste em não prestar contas aos seus legítimos proprietários? Onde anda o governo da transparência prometido por José Manuel Bolieiro.
Este é apenas mais um episódio de desrespeito institucional para com os Açorianos e um sinal inequívoco de incompetência a vários níveis. Não podemos aceitar que, em pleno século XXI e num contexto de escrutínio crescente sobre a gestão pública, continue a ser admissível este tipo de comportamento. Os Açorianos merecem saber a verdade sobre a SATA. Os Açores merecem mais e melhor.

O presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), Luís Garcia, considerou esta quinta-feira, 20 de março, que o grande desafio no relacionamento com a diáspora é dar a conhecer às novas gerações de açordescendentes o que a região oferece, defendendo que “devemos estimulá-los a investir e, quiçá, viver aqui”, apelando à criação de oportunidades para os jovens açorianos residentes e descendentes de emigrantes.
“Os Açores de hoje são, felizmente, muito diferentes daqueles que viram partir muitas das suas gentes. Hoje somos uma terra de oportunidades. Em muitos domínios somos “califórnias de abundância”, sublinhou o presidente da Assembleia Legislativa na abertura do colóquio “Pensar a Diáspora”, que teve lugar no Coliseu Micaelense, destacando áreas como a Agricultura, o Mar, o Turismo e o Espaço.
Defender uma maior representação da diáspora no parlamento açoriano foi outro ponto destacado por Luís Garcia, que reiterou a necessidade de revisão da Lei Eleitoral para a Assembleia Legislativa dos Açores. “Se o país lhes garante esse direito a nível nacional, não há razão para que se continue a fazer da distância física um entrave à participação na vida da sua região ou da sua ilha”, afirmou, reforçando a importância de assegurar direitos de representatividade para os açorianos que vivem além-fronteiras.
Destacando a importância da “união de esforços”, o presidente da ALRAA aproveitou a ocasião para apelar à colaboração de todos, mas em especial da Cônsul dos Estados Unidos nos Açores para enfrentar os desafios decorrentes de um possível aumento de emigrantes açorianos deportados dos EUA, para que, “com diálogo e diplomacia, contribua para ultrapassar este momento”.

Mais de 17.000 açorianos participaram ativamente na votação dos projetos concorrentes à sexta edição do Orçamento Participativo dos Açores, anunciou esta sexta-feira, 6 de dezembro, a Secretaria Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública.
Segundo nota de imprensa enviada às redações pelo Governo Regional dos Açores, trata-se de “um número de votantes significativamente superior ao das anteriores edições”.
Das 49 ideias submetidas a votação a esta iniciativa do Governo Regional dos Açores, implementada através da Estrutura de Missão de Modernização e Reforma da Administração Pública da Secretaria Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, 18 foram anunciadas como vencedoras, divididas pelas áreas da Educação, Juventude, Ambiente, Cultura e Mar e Pescas.
As propostas dividem-se geograficamente, sendo que quatro são em São Miguel, três nas ilhas Terceira e Corvo, duas na ilha de São Jorge, uma nas ilhas de Santa Maria, Graciosa, Pico, Faial e Flores e uma de âmbito regional. As ideias vencedoras podem ser consultadas, aqui.
“Todas as propostas serão agora executadas pelo Governo Regional dos Açores”, assegura o executivo açoriano em comunicado.

Os formandos das escolas profissionais dos Açores conquistaram 16 medalhas no 46.º Campeonato Nacional – Skills Portugal, anunciou esta segunda-feira, 18 de novembro, a Secretaria Regional da Juventude, Habitação e Emprego (SRJHE). A cerimónia de encerramento do maior evento nacional de educação e formação decorreu no passado sábado, no Europarque, em Santa Maria da Feira.
Em nota de imprensa publicada no portal do Governo dos Açores, a SRJHE avança que das 16 medalhas, sete correspondem a medalhas de ouro, cinco a prata, três a bronze, uma de melhor formando da região e ainda duas distinções de excelência.
A secretária regional da Qualificação Profissional, Maria João Carreiro, que acompanhou a partida dos participantes de Ponta Delgada rumo ao Porto, em comunicado, faz um balanço “extremamente positivo” da participação açoriana.
“Expresso, em nome do Governo dos Açores, o profundo reconhecimento e admiração por estes jovens que decidiram colocar à prova as suas competências numa competição exigente e onde alcançaram excelentes resultados, fruto da preparação que fizeram com os seus formadores e as suas escolas profissionais”, valoriza a secretária regional.
A titular da pasta da Qualificação Profissional enaltece ainda o “orgulho que é poder ter nos Açores os melhores nas mais diferentes áreas profissionais”, entre os quais sete campeões nacionais.
Participaram no maior evento nacional de educação e formação 20 formandos açorianos, da EPROSEC, da MEP – Escola Profissional da Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada, da Escola Profissional da Praia da Vitória, da ENTA – Escola de Novas Tecnologias dos Açores e do CQA – Centro de Qualificação dos Açores.
Integraram também a comitiva açoriana no Campeonato Nacional das Profissões 12 formadores/jurados, além do team leader, António José Paquete, formador do CQA.
Medalhas de Ouro
Medalhas de Prata
Medalhas de Bronze
Distinções de Excelência
Medalha Melhor da Região: