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Bolieiro defende “reconhecimento justo” da agricultura açoriana no panorama nacional

© MIGUEL MACHADO

O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, presidiu à sessão comemorativa do Dia Nacional da Agricultura, promovida pela Associação Agrícola de São Miguel, no recinto da Feira de Santana, em Rabo de Peixe, destacando o papel central da agricultura na identidade, na economia e no futuro da região.

O líder do executivo açoriano saudou e sublinhou o seu caráter pedagógico e mobilizador ao envolver milhares de crianças e dezenas de escolas da ilha de São Miguel numa celebração dedicada ao contacto direto com o setor agrícola.

José Manuel Bolieiro realçou que os Açores acolhem “a maior celebração nacional do Dia Nacional da Agricultura”, enaltecendo a capacidade de organização da região, que considerou das mais relevantes do país e da União Europeia.

“O contacto das crianças e dos jovens com a agricultura é uma experiência de conhecimento e de valorização daquilo que é nosso. É também uma forma de cultivar nas novas gerações a paixão pelas suas ilhas, pela região e pelo valor estratégico da agricultura”, afirmou.

O presidente do governo dos Açores reforçou ainda a importância da agricultura para a autonomia alimentar e para a criação de riqueza regional, defendendo que o setor continua a ser fundamental para o desenvolvimento sustentável dos Açores.

Durante a intervenção, José Manuel Bolieiro manifestou solidariedade para com os produtores açorianos perante o aumento dos custos de produção, nomeadamente ao nível dos transportes e dos fertilizantes, considerando injusto que medidas nacionais de apoio ao setor agrícola não contemplem os Açores.

“O Governo da República não pode prescindir da responsabilidade de olhar para todo o país de forma justa. As medidas nacionais devem abranger igualmente a agricultura açoriana e os agricultores das nossas ilhas”, declarou.

O governante açoriano acrescentou que a Associação Agrícola de São Miguel e a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) compreendem plenamente a dimensão e a relevância nacional da agricultura açoriana, defendendo a necessidade de corrigir situações de exclusão da Região em apoios de âmbito nacional.

A iniciativa do Dia Nacional da Agricultura reuniu milhares de crianças em atividades educativas, interativas e de sensibilização para o setor, promovendo o conhecimento sobre a produção agrícola e o papel dos agricultores na sociedade.

Associação Agrícola de São Miguel assinala Dia Nacional da Agricultura com mais de 3000 crianças

Iniciativa vai reunir, na próxima quarta-feira, alunos de diversas escolas da ilha de São Miguel para um dia de atividades pedagógicas e contacto direto com o setor agropecuário

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A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) vai assinalar, no próximo dia 27 de maio, o Dia Nacional da Agricultura com uma iniciativa de grande escala inteiramente dedicada às crianças. De acordo com a nota de imprensa enviada pela organização, o evento vai reunir mais de 3.000 alunos de diversas escolas da ilha de São Miguel, proporcionando-lhes uma experiência enriquecedora de aproximação ao mundo rural fora do contexto tradicional da sala de aula.

Esta ação é promovida em parceria com o Governo dos Açores e com a Confederação dos Agricultores de Portugal. O evento conta ainda com a colaboração de várias entidades públicas, privadas e cooperativas da região, unidas no propósito de sensibilizar os mais novos para a relevância estratégica do setor primário.

O principal objetivo da iniciativa é dar a conhecer às novas gerações a importância crucial que a atividade agrícola desempenha na economia regional dos Açores, bem como o seu papel determinante na sustentabilidade e na preservação do território e da paisagem açoriana. Ao longo de todo o dia, os milhares de alunos do ensino básico terão a oportunidade de participar em diversas atividades educativas, interativas e lúdicas, concebidas especificamente para a sua faixa etária, que incluem ainda o contacto direto com animais da quinta.

Com a organização deste dia festivo e pedagógico, a AASM refere em comunicado que reitera o seu compromisso na promoção e valorização da agricultura junto dos cidadãos do futuro. A associação sublinha ainda que este evento pretende não só quebrar barreiras entre o meio urbano e o meio rural, mas também incentivar uma maior proximidade e empatia entre a comunidade escolar e o quotidiano dos produtores agrícolas da região.

Jorge Rita: “o leite de «vacas felizes» é pago quase ao preço do leite normal, o que não é apetecível para o produtor”

Sobre a produção leiteira, o presidente da Federação Agrícola dos Açores denuncia o “paradoxo” entre o aumento dos custos de produção e a queda no preço pago ao produtor. Perante a falta de medidas governamentais e do peso da grande distribuição, Jorge Rita defende a criação de fundos de compensação

Jorge Rita afirma a resiliência e resistência dos agricultores açorianos © DL

DL: Relativamente à questão do preço do leite pago ao produtor, estamos aqui com uma espécie de impasse, não é?
Sim. A questão do preço do leite para nós é sempre preocupante, principalmente quando vivemos das receitas e despesas residuais. Qualquer descida no preço é complicada para o rendimento e para a economia agrícola. O que vemos é um contraciclo mundial: tudo sobe, inclusive para o consumidor, mas o preço pago ao produtor baixa. Nas hortícolas, frutas e carne, os rendimentos sobem mesmo com o aumento dos custos. No leite, passa-se o contrário: os custos aumentam e o preço baixa, gerando perda clara de rendimento.

DL: Como é que se resolve isso?
É uma situação difícil de compreender. Houve baixas internacionais, mas as subidas lá fora são muito mais acentuadas do que na região. Esperamos que a situação se inverta, pois o que se avizinha é difícil devido ao impacto brutal dos combustíveis, que afeta fertilizantes, sementes e cereais. Se o preço do leite não subir no inverno, passaremos por grandes dificuldades. Não vejo medidas dos Governos regional, nacional ou da União Europeia para minimizar este impacto. A Espanha, por exemplo, é um bom exemplo de política proativa com ajudas diretas no combustível, algo que não assistimos aqui.

DL: E o que é que acha dessa falta de medidas?
Acho que a Europa ignora um setor vital. Estão focados na guerra e na defesa, mas não se pode investir na defesa e desinvestir na agricultura. Isso torna a Europa mais pobre, dependente de terceiros e fragilizada na sua autossuficiência alimentar. O setor leiteiro precisava de fundos de compensação para crises, algo que nunca foi criado e nem parece estar projetado. Devia haver um fundo para situações anormais.

DL: Na prática, o que impede a criação de um mecanismo regional que garanta que o aumento do preço no supermercado chegue diretamente ao produtor?
Há muita fiscalização em algumas áreas e pouca em outras. O mercado passa pela livre concorrência, mas devia haver um instituto nacional ou europeu — como em França, que comunica bem ao consumidor que pagar mais pelo produto reflete-se na produção. Nós assistimos a descidas no preço pago ao produtor, mas o consumidor não vê descidas nos laticínios. A grande distribuição deveria dividir melhor as margens em toda a fileira; nós somos sempre os mais prejudicados.

DL: É utópico pensar que os Açores podem um dia produzir os seus próprios alimentos para o gado, ou estamos condenados a ser “reféns” dos mercados externos?
Estamos condenados a depender de fatores externos porque a nossa superfície agrícola é limitada. Nunca fomos autossuficientes em cereais. Para sermos menos dependentes, teríamos de baixar drasticamente a produção de leite e carne, o que não é viável. Aumentamos a produção de milho forrageiro, o que ajuda, mas a dependência de cereais externos é impensável de inverter agora. O que precisamos é de transportes marítimos competitivos. Defendo indemnizações compensatórias para o transporte marítimo, tal como existem para o aéreo, pois a economia dos Açores faz-se pelo mar.

DL: A diversificação para as fruteiras, flores ou agricultura biológica é um caminho real ou continua a ser um discurso secundário perante o peso dos laticínios?
Elas complementam-se. Podemos crescer em todas as áreas, e sou um grande defensor das produções locais. Quanto mais produzirmos, melhor para a balança comercial. O mercado de proximidade é um bom exemplo de venda direta que encurta a cadeia. No entanto, temos dois problemas graves: a falta de mão de obra, que condiciona tudo, e as condições climatéricas adversas.

DL: Acha que os produtores deviam pensar nos seguros?
Os agricultores pensam nisso, mas os governos e a Europa é que têm de pensar seriamente em criar seguros agrícolas fiáveis para intempéries. É muito mais barato para a região ter seguros do que ficar à espera de ajudas do Governo após cada tempestade. É preciso um trabalho de reflexão para dar segurança a quem quer produzir.

DL: As exigências de bem-estar animal estão a subir. Estão os produtores açorianos capacitados para responder a isso sem perderem competitividade?
Totalmente preparados não, mas estamos em evolução constante. A produção evoluiu muito mais que a indústria em termos genéticos e de pastagens. O conceito das “vacas felizes” foi o melhor marketing feito até hoje, mas a indústria não soube alimentar o projeto convenientemente. Hoje, o leite de “vacas felizes” é pago quase ao preço do leite normal, o que não é apetecível para o produtor. O marketing não se faz por um ano ou dois; alimenta-se.

DL: Que mensagem deixa em relação ao futuro?
Somos muito resistentes e resilientes. Trabalhamos 365 dias por ano. O meu desígnio é que não tenhamos a obsessão pela quantidade, mas sim pela qualidade e excelência. A produção tem feito a sua parte; esperamos que a indústria e o Governo continuem a investir em infraestruturas e apoios para valorizarmos em conjunto este produto de excelência que é o leite dos Açores.

Quando a fileira cresce, mas o produtor perde

Patrícia Miranda
Deputada pelo PS na ALRAA

Os números mais recentes do setor leiteiro açoriano merecem mais do que uma leitura superficial.

Segundo dados do Serviço Regional de Estatística dos Açores, no primeiro trimestre de 2026 a recolha direta de leite aumentou 1,1%, atingindo 153,28 milhões de litros, mais 1,7 milhões de litros face ao período homólogo.

À primeira vista, o dado parece positivo.

Mas quem conhece a fileira leiteira sabe que os mercados raramente se explicam por uma única variável.

No mesmo período, a produção de queijo nos Açores caiu 12,6%, passando de 8.633 para 7.541 toneladas.

E este dado muda completamente a leitura.

Porque o leite mede volume. Mas o queijo mede valor.

Nem todo litro de leite gera o mesmo retorno económico. Um litro destinado a leite UHT ou a produtos de menor diferenciação não cria o mesmo valor que um litro transformado em queijo, sobretudo quando falamos de produtos com identidade, marca, maturação e posicionamento premium.

Por isso, a verdadeira pergunta não é apenas se estamos a produzir mais.

A pergunta é: estamos a criar mais valor ou apenas mais volume?

E este ponto é decisivo.

Os Açores não ganharão uma competição assente apenas na quantidade. Somos uma região ultraperiférica, com custos logísticos elevados, forte dependência de fatores externos e limitações de escala.

A nossa competitividade só pode estar na diferenciação, na transformação e na capacidade de fazer com que cada litro de leite valha mais.

É por isso que a quebra do queijo merece atenção.

Pode haver explicações técnicas legítimas: ajustamento industrial, gestão de stocks, pressão comercial, necessidade de liquidez ou desvio para produtos com menor tempo de imobilização financeira.

Tudo isso faz parte da lógica dos mercados.

Mas há um dado adicional que não pode ser ignorado.

No início deste ano, produtores de algumas ilhas viram o preço pago ao leite diminuir cerca de 3 cêntimos por litro.

E aqui a leitura torna-se mais exigente.

Porque passamos a ter três sinais simultâneos: mais leite; menos queijo; menos preço pago ao produtor.

Ou seja: mais esforço produtivo, sem garantia de melhor remuneração.

Quem trabalha no setor sabe o que representam três cêntimos por litro.

Numa exploração com 500 mil litros anuais, falamos de menos 15 mil euros por ano.

Numa exploração com um milhão de litros, menos 30 mil euros.

Não estamos a falar de um detalhe estatístico.

Estamos a falar de rendimento, tesouraria, investimento, previsibilidade e, muitas vezes, da diferença entre continuar ou desistir.

Há ainda um paradoxo que quem conhece a produção leiteira compreende bem.

Quando o preço pago ao produtor desce, a reação económica imediata raramente é produzir menos.

Pelo contrário.

Numa exploração leiteira, os custos fixos mantêm-se: salários, energia, maquinaria, financiamentos, manutenção, rendas.

A estrutura continua lá.

E quando o litro vale menos, a reação de sobrevivência tende a ser simples: produzir mais para tentar compensar o que se perdeu.

Mas é precisamente aqui que reside um dos maiores riscos do setor.

Aquilo que faz sentido à escala individual de uma exploração pode, quando replicado em larga escala, agravar o problema: mais oferta, maior pressão sobre o mercado, novo aperto no preço.

Perante esta realidade, uma das respostas que o Governo tem vindo a assumir passa pela reconversão de explorações leiteiras para produção de carne.

A medida pode fazer sentido em determinados contextos e em determinadas ilhas.

Mas levanta uma questão essencial: qual é afinal a visão para a fileira do leite e dos lacticínios nos Açores?

Porque há uma diferença entre gerir ajustamentos conjunturais e aceitar, como resposta estrutural, a redução da própria capacidade produtiva.

Se perante a pressão sobre o preço a solução passa por reduzir produção, corremos o risco de responder a uma dificuldade de mercado com retração produtiva, em vez de enfrentar a verdadeira questão: a criação e distribuição de valor ao longo da cadeia.

E é precisamente aqui que entra a política.

Não para contrariar artificialmente o mercado.

Mas para garantir visão estratégica sobre a forma como a fileira se organiza, valoriza e distribui riqueza.

Porque se a fileira cresce em volume, mas quem produz perde rendimento, então há uma pergunta inevitável: quem está, afinal, a ficar com o valor gerado ao longo da cadeia?

Os Açores não podem resignar-se a um modelo em que a resposta às oscilações do mercado passa por produzir mais, transformar menos em valor acrescentado e ajustar o equilíbrio financeiro sempre à custa do elo mais vulnerável.

Porque no fim, os números sobem e descem.

A fileira ajusta-se. A indústria reorganiza-se. O mercado oscila. A distribuição protege as suas margens. Mas quem absorve a pancada continua a ser quem acorda às cinco da manhã para fazer a ordenha.

Isto não é sustentável.

Porque sem produtores não há leite.

Sem leite não há indústria.

Sem indústria não há fileira.

Mas há uma verdade mais profunda do que qualquer indicador económico: nenhuma fileira resiste quando quem trabalha todos os dias deixa de sentir que o esforço compensa.

Quando a esperança se vai tornando mais curta do que os dias de trabalho.

Quando acordar às cinco da manhã deixa de ser sinal de compromisso e passa a ser apenas resistência.

E quando se perde um produtor, não se perde apenas produção.

Perde-se conhecimento.

Perde-se território.

Perde-se economia local.

Perde-se identidade.

Perde-se futuro.

Governo regional anuncia apoios ao setor agrícola na abertura do Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia

O certame, que decorre no Parque de Exposições de São Miguel, serviu de palco para o anúncio de novas medidas de apoio aos agricultores açorianos, incluindo a amortização do gasóleo agrícola e fundos para a autonomia alimentar animal

© MIGUEL MACHADO

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, presidiu à cerimónia de abertura do XXII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia, um evento central para a lavoura micaelense que decorre no Parque de Exposições de São Miguel, na Associação Agrícola em Santana.

O líder do executivo aproveitou o momento de proximidade com a comunidade rural para destacar a relevância deste certame, promovido pela Associação Agrícola de São Miguel, afirmando que o evento se tem afirmado “pela quantidade e pela qualidade”, conquistando ao longo dos anos “credibilidade, confiança e prestígio”.

Na sua intervenção, José Manuel Bolieiro defendeu a importância do trabalho conjunto entre agricultores, associações e instituições, sublinhando que “o sucesso não se faz a pedido, faz-se trabalhando” e através da procura de soluções “em parceria”. Na ocasião, o governante aproveitou também para elogiar o Comendador Jorge Rita, a quem se referiu como “uma referência” no setor agrícola regional pela sua experiência e capacidade de representação.

No plano dos apoios concretos ao setor, que enfrenta os impactos do atual contexto internacional e o consequente aumento dos custos de produção, o governante anunciou que a Comissão Europeia avançará com a reserva agrícola destinada a apoiar os agricultores face ao encarecimento dos fertilizantes, permitindo aos Estados-membros recorrer a fundos comunitários. “Cá estaremos nós vigilantes, reivindicativos e acompanhando esta solução”, garantiu o presidente do Governo.

Adicionalmente, foi revelado que estarão abertas as candidaturas para a reconversão de explorações de produção de leite para produção de carne nas ilhas de São Miguel, Terceira e Graciosa, seguindo-se o arranque das candidaturas para o apoio à compra de sementes de milho e sorgo. Esta última medida integra a estratégia regional de reforço da autonomia alimentar animal, sendo que os Açores já atingiram os 14.500 hectares dedicados a estas culturas.

O executivo açoriano anunciou também uma majoração de 30% nos apoios previstos para compensar os impactos das intempéries na produtividade e garantiu uma resposta direta à subida do gasóleo agrícola. “O Governo assume amortizar até 10 cêntimos a subida do preço do gasóleo”, anunciou Bolieiro.

O XXII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia conta este ano com a participação de 221 animais, integrando ainda no seu programa workshops técnicos, exposições e momentos de animação para toda a comunidade.

Santana recebe XXII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia com mais de 200 animais

O certame, que decorre de 15 a 17 de maio no Recinto da Feira, alia a excelência da pecuária açoriana à animação musical com João Pedro Pais, num evento de entrada livre que celebra a identidade agrícola da ilha

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O setor agrícola micaelense volta a centrar as atenções no Recinto da Feira, em Santana, com a realização do XXII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia entre os dias 15 e 17 de maio. Segundo a nota de imprensa enviada pela organização do evento, o certame assume-se como um dos principais pontos de encontro para criadores e produtores da região, prevendo-se a participação de um total de 221 animais. Destes, 182 pertencem à raça Holstein Frísia, provenientes de 50 explorações leiteiras distintas, aos quais se juntam 15 exemplares da raça autóctone Ramo Grande, 10 da raça Aberdeen Angus e sete juntas de bois.

A abertura oficial das portas está agendada para as 12h00 de sexta-feira, dia 15 de maio, marcando o arranque de um programa que privilegia o apuro genético e o trabalho dos produtores locais. Durante a tarde de sexta-feira, o foco incidirá sobre as vitelas e novilhas, no âmbito do XVIII Concurso Juvenil e da primeira fase do concurso sénior. Já no sábado, 16 de maio, o recinto de Santana recebe as vacas em lactação, num momento de particular relevância técnica, a par dos julgamentos dedicados às raças Ramo Grande e Aberdeen Angus.

Para além da vertente competitiva e técnica, que inclui workshops direcionados para os profissionais do setor e exposições de bovinos, o evento foi desenhado para atrair o grande público e as famílias de toda a ilha de São Miguel. O recinto contará com animação infantil, uma zona gastronómica de “comes e bebes” e diversos momentos musicais. O grande destaque do cartaz de entretenimento é o concerto de João Pedro Pais, que subirá ao palco principal no sábado, às 22h30. Com esta iniciativa, a organização reforça o convite à comunidade para conhecer de perto a realidade agrícola regional, promovendo um evento de entrada livre que valoriza a herança rural e a vitalidade da pecuária açoriana.

“A cavalo é que vamos bem…”

Patrícia Miranda
Deputada pelo PS na ALRAA

Há momentos na política em que uma imagem diz tudo.

Um secretário regional, de fato e gravata, em cima de um cavalo, num cenário cuidadosamente preparado, perante uma plateia atenta. É uma imagem forte. Evoca tradição, identidade, ligação ao mundo rural.

Mas também expõe um contraste difícil de ignorar.

A coligação garante que a agricultura nunca esteve tão bem. Mostram gráficos. Dizem que “é só seguir a barra”. Uma posição confortável para quem defende o Governo e o seu partido, mas não defende o setor.

Porque enquanto a política se mostra montada, literal e simbolicamente, a agricultura vai ficando para trás, a suportar o peso de decisões que não chegam, de respostas que não aparecem e de custos que não param de subir, a cavalo é que vamos bem.

O gasóleo agrícola sobe de 1,27€ para 1,63€. Mais 36 cêntimos por litro. Um aumento abrupto, brutal, que atinge os agricultores no pior momento possível, quando estão no terreno, em plena época de sementeiras.

A Federação Agrícola dos Açores não teve dúvidas: é uma “subida escandalosa”.

E não está sozinha. Também a Associação de Jovens Agricultores Micaelenses veio a público alertar para o impacto devastador desta subida, sobretudo para quem está a começar.

Para muitos, isto não é apenas mais um aumento. É o ponto de rutura.

E tudo isto acontece num contexto já pressionado: fertilizantes caros, mercados instáveis, preço do leite ao produtor a descer.

E perante esta realidade, o que temos do Governo?

Justificações. Explicações. Transferência de responsabilidades. Bruxelas. A PAC. As regras europeias.

Mas nada disto é novo. É, aliás, o guião a que este Governo já nos habituou: quando os problemas apertam, este Governo não age, justifica-se.

E assim se vai governando à distância da realidade, e a cavalo é que vamos bem.

Durante os últimos anos, sempre que o preço do combustível subia, o PSD apressava-se a defender o Governo com dois argumentos: que, apesar de tudo, o gasóleo agrícola nos Açores continuava mais barato do que no continente (como se isso servisse de consolo quando a fatura chega) e que tinha sido eliminado o plafon, permitindo aos agricultores consumir sem limite.

Mas hoje, nenhuma destas “bandeiras” resiste à realidade.

O gasóleo agrícola é, pela primeira vez, mais caro do que no continente.

E o fim do plafon? De pouco serve quando o problema não é a quantidade que se pode usar, mas o preço que se tem de pagar.

E quando os argumentos desaparecem, mas os problemas ficam, a cavalo é que vamos bem.

Do lado da República, a resposta também não chega.

Devem aos agricultores dos Açores cerca de 23 milhões de euros de apoios que estavam previstos no âmbito da crise provocada pela guerra na Ucrânia, apoios que faziam falta ontem e fazem ainda mais falta hoje.

Diz o Ministro da Agricultura que esse apoio já veio. Que já foi pago.

Mas o que sabemos é que esse dinheiro não chegou aos agricultores como devia.

Ficou pelo caminho. Serviu para o Governo Regional tapar buracos, o mesmo Governo que desviou 14 milhões de euros da agricultura para outros setores da governação.

E, ao mesmo tempo, acumulam-se os problemas dentro de portas.

Atrasos no pagamento dos apoios regionais.

Prazos que não são cumpridos.

Milhões de euros por aprovar e executar no PEPAC.

Dinheiro que existe no papel e nos discursos, mas não chega aos agricultores.

Mas a cavalo é que vamos bem.

Entretanto, a inflação enche os cofres públicos.

Mais 25 a 30 milhões de euros em receita fiscal adicional.

E a pergunta impõe-se: vai o Governo continuar a arrecadar à custa da crise ou vai devolver esse esforço a quem produz?

Há dinheiro da inflação, mas não há decisão. Há discurso, mas não há resposta. Há presença, mas não há ação.

E voltamos ao início.

O cavalo. O fato. O cenário.

Sem dizer uma palavra, a imagem explica tudo: é o retrato de um momento.

Um setor em crise.

E quem governa… a cavalo.

Parque de Santana acolhe desfile final do maior curso de sempre de preparadores de animais

O 18.º Curso de Preparadores e Manejadores de Animais para Concursos encerra esta quinta-feira com provas práticas em pista, reunindo um número recorde de 80 participantes que asseguram o futuro da raça Holstein-Frísia em São Miguel

© AASM

O Parque de Exposições de São Miguel, em Santana, na Ribeira Grande, será o palco, esta quinta-feira, 2 de abril, da sessão de encerramento do 18.º Curso de Preparadores e Manejadores de Animais para Concursos. Entre as 11h00 e as 13h00, os formandos serão submetidos a provas de avaliação onde demonstrarão os conhecimentos adquiridos através de um desfile de animais em pista, culminando com a cerimónia de entrega de prémios. Segundo a nota enviada pela organização, a cargo da Cooperativa União Agrícola e da Associação Agrícola de São Miguel, a edição deste ano destaca-se pelo sucesso histórico de adesão, contando com 80 participantes — o número mais elevado de sempre registado nesta formação.

Dedicado à raça Holstein-Frísia, o curso decorre desde o passado dia 30 de março, abrangendo uma faixa etária alargada que vai dos quatro aos 45 anos. A iniciativa tem-se consolidado como uma referência regional na capacitação para concursos pecuários, oferecendo aos alunos, ao longo de quatro dias, uma aprendizagem completa que inclui desde a lavagem e tosquia até à alimentação e apresentação estética dos animais. Sob a orientação técnica de Pedro Campos Silva, formador com vasta experiência em certames nacionais e internacionais, os participantes têm a oportunidade de aprender com um dos nomes mais reconhecidos do setor.

A organização sublinha que a forte afluência de crianças e jovens é o principal motor desta aposta contínua. O curso tem atraído não só descendentes de famílias ligadas à lavoura, mas também participantes sem qualquer ligação prévia ao setor primário, funcionando como uma ponte de proximidade com o mundo agropecuário. O impacto da formação ultrapassa as fronteiras da ilha, contando este ano com um formando vindo de Portugal continental e com a participação ativa de alunos da Escola Profissional da Ribeira Grande, reforçando o espírito de convívio, a partilha de experiências e o respeito pelo bem-estar animal.

Governo regional aprova requalificação da Escola Antero de Quental e apoios para Água de Pau

O Conselho do Governo deu luz verde a um investimento de sete milhões de euros na infraestrutura escolar e validou treze candidaturas para perdas e danos resultantes do mau tempo na Lagoa

© DIÁRIO DA LAGOA

O Governo regional dos Açores anunciou esta segunda-feira, 30 de março, um pacote de medidas de relevo para a coesão social e o investimento público na região. Entre as decisões mais significativas tomadas no Conselho do Governo de 30 de março, destaca-se a aprovação da empreitada de conceção-construção para a ampliação e requalificação da Escola Secundária Antero de Quental, em Ponta Delgada. O projeto tem um preço base de sete milhões de euros e um prazo de execução fixado em 540 dias, sendo o concurso lançado com publicidade no Jornal Oficial da União Europeia.

Com particular incidência no concelho da Lagoa, na ilha de São Miguel, o executivo aprovou a resolução que autoriza os apoios financeiros destinados a cobrir perdas e danos patrimoniais na Vila de Água de Pau. Estes apoios surgem ao abrigo do regime de emergência climática, na sequência de fenómenos meteorológicos extremos que afetaram a vila pauense. No total, foram aprovadas treze candidaturas, somando um montante global de 69.027,71 euros, visando dar resposta a situações de caráter “anormal e imprevisível” provocadas pela intempérie.

Na área social, o Governo aprovou o I Plano Regional para a Inclusão da Pessoa em Situação de Sem Abrigo (PRIPSSA 2026-2030), reforçando a estratégia de proteção dos cidadãos mais vulneráveis para os próximos quatro anos. Foi também autorizada a celebração de um contrato-programa com o IROA no valor de 4,04 milhões de euros para a execução do plano regional de 2026, bem como alterações ao PRR-Açores destinadas à reestruturação e transição digital de empresas do setor agrícola.

O Conselho decidiu ainda avançar com a construção da estação de tratamento de águas residuais do novo Matadouro de São Jorge, orçada em 705 mil euros, e com a abertura de concursos para a instalação de máquinas de venda automática em diversos centros ambientais e de interpretação nas ilhas do Pico, Graciosa, Terceira e São Miguel. Por último, foi aprovado um reforço financeiro à SATA Air Açores referente à operação do Cartão Interjovem de 2025.

Setor agrícola reune-se em Santana para debater o futuro do milho forrageiro

III Encontro Micaelense da Cultura do Milho Forrageiro juntou cerca de 400 profissionais no Parque de Exposições para discutir inovação, sustentabilidade e nutrição animal

© AASM

O Parque de Exposições de São Miguel, em Santana, na Ribeira Grande, foi esta segunda-feira, 23 de março, o palco de uma mobilização do setor primário regional, recebendo cerca de 400 participantes no III Encontro Micaelense da Cultura do Milho Forrageiro. A iniciativa, promovida pela Associação Agrícola de São Miguel (AASM) em parceria com a Cooperativa União Agrícola (CUA), revelou-se um espaço de partilha de conhecimento técnico e de convívio entre os lavradores da ilha.

De acordo com a nota de imprensa enviada pela organização ao Diário da Lagoa, o evento focou-se na apresentação de soluções práticas para otimizar a produção de milho, uma cultura estratégica para a sustentabilidade das explorações leiteiras nos Açores.

A sessão técnica foi marcada por uma abordagem multidisciplinar, começando pela importância nutricional desta cultura. O engenheiro zootécnico Filipe Martins detalhou o papel fundamental do milho na dieta dos bovinos leiteiros, sublinhando como a qualidade da forragem impacta diretamente a produtividade e a saúde do efetivo. A vertente ambiental e a eficiência da fertilização também estiveram no centro do debate, com os engenheiros agrónomos Filipe Afonso e Joana Fonseca a apresentarem as soluções de adubos estabilizados ENTEC, destacando a sua natureza “amiga do ambiente” na nutrição das plantas.

Numa fase em que os produtores preparam as decisões para a nova campanha, o encontro serviu ainda para a divulgação de novas variedades de sementes e estratégias de proteção das culturas. Esta componente técnica esteve a cargo dos engenheiros agrónomos José Luís Amaro, Manuel Ferreira e Sofia Ferreira, que apresentaram as soluções da Bayer adaptadas aos desafios fitossanitários atuais.

Segundo a AASM, o grande propósito deste fórum foi “incentivar a partilha de conhecimento e a troca de experiências entre os profissionais do setor agrícola”, objetivo que se cumpriu tanto no rigor das intervenções como no momento de convívio que encerrou a jornada, reforçando os laços da comunidade agrícola micaelense.