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Importância estratégica dos Açores destacada no arranque das comemorações do Dia de Portugal na Terceira

José Manuel Bolieiro recebeu o Presidente da República, António José Seguro, no Palácio dos Capitães Generais, sublinhando o papel do arquipélago no contexto nacional e atlântico

© GOVERNO DOS AÇORES

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, recebeu esta terça-feira, 9 de junho, o Presidente da República, António José Seguro, no Palácio dos Capitães Generais, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

Segundo uma nota de imprensa enviada pela Presidência do Governo Regional, a audiência serviu para a apresentação de cumprimentos institucionais e antecedeu o início do programa oficial das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que este ano têm como palco o arquipélago açoriano.

Após o encontro, decorreu a cerimónia do hastear da Bandeira Nacional, assinalando o arranque formal das celebrações. O momento contou também com a presença da Representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Susana Goulart Costa.

Durante a audiência, o Chefe de Estado assinou ainda o Livro de Honra da Presidência do Governo dos Açores, imortalizando a sua passagem pela Região neste dia festivo.

Na ocasião, o líder do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro, saudou a escolha dos Açores para acolher as comemorações de 2026, considerando que a decisão representa um reconhecimento claro da importância estratégica das ilhas no contexto nacional e atlântico.

O governante fez questão de destacar a posição geográfica singular da Região e a sua vocação histórica de ligação entre continentes e culturas. “Os Açores são um território de paz, de cosmopolitismo e de ligação ao mundo”, referiu.

Sublinhando que a região encara esta responsabilidade com entusiasmo e sentido de missão, Bolieiro reforçou o orgulho açoriano em ser o centro das atenções do país e das comunidades da diáspora. “Estamos de braços abertos para acolher uma celebração de sucesso”, garantiu.

O programa oficial do 10 de Junho prossegue esta quarta-feira na ilha Terceira, tendo como um dos momentos centrais a tradicional cerimónia militar no Cerrado do Bailão, em Angra do Heroísmo.

Assembleia Legislativa inicia ciclo de visitas a instituições com meio século de história

Luís Garcia marcou o arranque da iniciativa em Angra do Heroísmo, no Grupo de Teatro Alpendre, no âmbito das comemorações dos 50 anos da autonomia

© ALRAA

O presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), Luís Garcia, anunciou na tarde desta quinta-feira, 12 de março, em Angra do Heroísmo, o início de um roteiro de visitas institucionais dedicado a entidades que celebram 50 anos de atividade em 2026. Segundo uma nota enviada pelo gabinete da presidência do parlamento açoriano, esta iniciativa surge num momento de particular simbolismo, coincidindo com o cinquentenário da autonomia regional, e visa reconhecer publicamente o percurso e o contributo destas organizações para o desenvolvimento social e cultural do arquipélago. O ciclo de visitas teve o seu ponto de partida na ilha Terceira, com uma deslocação ao Grupo de Teatro Alpendre, associação que completa o seu meio século de existência no próximo dia 27 de dezembro. Durante o encontro, Luís Garcia teve a oportunidade de conhecer de perto o trabalho contínuo da instituição, que é hoje um pilar na dinamização das artes no contexto regional.

Na ocasião, o presidente do parlamento açoriano sublinhou a importância fundamental das associações para a coesão das comunidades locais, afirmando que o percurso do Grupo de Teatro Alpendre “é um exemplo do papel essencial que o movimento associativo desempenha na promoção da cultura e na dinamização das comunidades das nossas ilhas”. Para o representante máximo da ALRAA, a sobrevivência e o sucesso destas instituições ao longo de cinco décadas não são obra do acaso, mas resultam diretamente “da dedicação, da generosidade e do espírito de missão de pessoas que colocam o seu tempo e talento ao serviço da comunidade”. Ao longo da visita, Luís Garcia lembrou os desafios que o setor cultural enfrenta, elogiando a resiliência demonstrada por aqueles que mantêm vivos projetos desta envergadura, destacando que “a longevidade destas instituições demonstra a vitalidade da sociedade açoriana e o valor do trabalho desenvolvido por dirigentes, associados e simpatizantes que, com persistência e dedicação, mantêm vivos projetos culturais de grande importância para as nossas comunidades”.

De acordo com o gabinete da presidência da ALRAA, este conjunto de visitas, que se prolongará ao longo do ano por diversas ilhas, pretende não só homenagear o passado, mas também valorizar o papel que as instituições locais continuam a desempenhar na construção da identidade açoriana contemporânea. Ao focar-se em entidades que nasceram em moldes contemporâneos ao processo autonómico, o parlamento procura reforçar o vínculo entre a governação e a sociedade civil, reconhecendo o contributo inestimável de gerações de cidadãos que têm assegurado a continuidade de iniciativas que enriquecem a vida coletiva da Região Autónoma dos Açores.

Açores promoveram conversa com Diniz Borges, escritor da diáspora

Iniciativa integrada no ciclo ‘Escritores da Diáspora’ explorou a experiência da emigração e a preservação da identidade açoriana nos Estados Unidos

© DIREITOS RESERVADOS

A Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, promoveu, no passado dia 3 de março, uma conversa com o escritor açoriano Diniz Borges, integrada no ciclo “Escritores da Diáspora”.

O encontro decorreu no auditório da instituição e reuniu participantes interessados em refletir sobre a experiência da emigração e o papel cultural das comunidades açorianas no estrangeiro.

Natural da Praia da Vitória, na ilha Terceira, Diniz Borges reside nos Estados Unidos desde os 10 anos. Ao longo da sua carreira, dedicou-se à docência da Língua e da Cultura Portuguesas junto de alunos do ensino secundário, desenvolvendo também diversos projetos pedagógicos destinados a valorizar a presença e os valores das comunidades açorianas na sociedade americana.

Durante a conversa, o autor abordou temas presentes na sua produção literária e ensaística, nomeadamente a experiência da emigração, a diversidade cultural dos Estados Unidos e a herança cultural açoriana preservada pelas comunidades emigrantes.

A sessão permitiu ainda refletir sobre o papel da diáspora na preservação da identidade cultural açoriana e no reforço das ligações entre as ilhas e as comunidades espalhadas pelo mundo.

Para além da sua atividade académica e literária, Diniz Borges tem também colaborado regularmente com a imprensa local e comunitária, contribuindo para ampliar o diálogo entre as comunidades da diáspora e os Açores.

A iniciativa integrou a programação cultural da Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro, que assinala 70 anos de atividade, promovendo eventos dedicados à literatura, à história e à reflexão sobre a identidade cultural açoriana e a presença das comunidades no exterior.

Iniciativa “Tratar o cancro por tu” chega a Angra do Heroísmo para debater fatores de risco

Especialista Manuel Sobrinho Simões é um dos protagonistas da sessão que terá lugar no Centro Cultural e de Congressos

© CM ANGRA DO HEROÍSMO

A iniciativa «Tratar o cancro por tu» desloca-se a Angra do Heroísmo no próximo dia 12 de março para uma sessão dedicada à literacia em saúde. Segundo comunicado enviado às redações, a temática central deste encontro na ilha Terceira será “Prevenção de cancro: principais fatores de risco”, contando com a participação de Manuel Sobrinho Simões, diretor do Ipatimup e considerado o mais influente patologista do mundo pela revista The Pathologist.

O evento, que terá lugar no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo às 18h30, contará ainda com as intervenções de José Carlos Machado, Nuno Marcos e João Sarmento, além da participação especial de Jorge Sequeira. De acordo com a nota de imprensa da organização, a moderação do debate estará a cargo dos jornalistas da Antena 1, Miguel Soares e Tiago Alves, sendo que cada sessão deste ciclo dará origem a um podcast disponível na RTP Play e plataformas de streaming.

Cinco anos após o arranque do projeto, o Ipatimup regressa à estrada para combater o aumento de novos casos de cancro na Europa. Elisabete Weiderpass, líder do IARC (ramo da Organização Mundial da Saúde dedicado à oncologia), sublinha a importância da clareza na comunicação: “Ao falarem diretamente com os cidadãos com clareza, empatia e verdade, [os cientistas] são essenciais para quebrar tabus e promover o acesso à informação”. Para a investigadora, o uso de linguagem acessível “permite que todos compreendam os riscos” e oferece ferramentas para que as pessoas possam “cuidar da sua saúde com autonomia”.

O anfitrião da iniciativa, Manuel Sobrinho Simões, defende que estas sessões são fundamentais para inverter as estatísticas atuais através da mudança de comportamentos. “A aposta no conhecimento das pessoas com doença neoplásica passa pela mudança do comportamento no sentido da prevenção e do diagnóstico precoce, sem abandonar a importância da complexidade no contexto da medicina personalizada”, afirma o patologista. Além de Angra do Heroísmo, o ciclo de 2026 percorre cidades como Évora, Viana do Castelo e Guimarães, mantendo a parceria com a Antena 1, RTP e Jornal de Notícias.

Terceiro Fórum das Migrações promoveu debates e revelou dados sobre imigração no arquipélago

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O terceiro Fórum das Migrações dos Açores, promovido pela Direção Regional das Comunidades, do Governo dos Açores, reuniu autoridades públicas e empresariais, representantes de associações e membros da comunidade migrante para ouvir especialistas sobre migração, identidade e cooperação lusófona. O evento, realizado nos dias 19 e 20 de novembro, na Universidade dos Açores, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, teve transmissão online e destacou o crescimento da imigração no arquipélago.

O diretor regional das Comunidades, José Andrade, definiu o Fórum como “um espaço anual de partilha e reflexão entre poderes públicos e parceiros privados”. Segundo este responsável, o fenómeno migratório é um indicador de prosperidade e desenvolvimento para o arquipélago.

Durante o evento, foram apresentados dados que revelam a presença de oito mil imigrantes nos Açores, provenientes de 100 países. O Brasil lidera, com quase 20% desse total, seguido por Alemanha, Estados Unidos, Espanha, China, Cabo Verde, Itália e Reino Unido. Dados recentes também apontam a existência de 1.341 alunos estrangeiros nas escolas públicas, sendo 338 brasileiros. Entre os 197 formandos nas escolas profissionais, 98 são cabo-verdianos.

No encerramento, José Andrade entregou certificados do “Curso de Português para Falantes de Outras Línguas” a 18 formandos, com idades entre 19 e 77 anos, de várias nacionalidades, residentes nos concelhos de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória. As aulas foram realizadas na ilha Terceira, com organização da Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA). O projeto foi financiado pela Direção Regional das Comunidades.

Presente no evento, a presidente da Associação “Mais Lusofonia”, Sofia Lourenço, classificou o Fórum como “irrepreensível” e destacou os “testemunhos da comunidade que todos os dias trabalha e sente as migrações diretamente, promovendo e buscando o desenvolvimento para todos, das pessoas, independente do seu local de origem, raça ou credo”.

Festival Music Azores 2025 promove encontro entre as ilhas e a Suíça

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O festival Music Azores regressa entre 13 e 17 de novembro com uma edição dedicada ao diálogo entre a música renascentista e a contemporânea, em cooperação com o conjunto vocal austríaco Cantando Admont. Os concertos acontecem em três ilhas açorianas: dia 13, na Igreja de Nossa Senhora da Vitória, em Vila do Porto; dia 15, na Igreja da Misericórdia, em Angra do Heroísmo; e dia 17, na Igreja do Colégio dos Jesuítas, em Ponta Delgada.

A programação destaca nomes da cena musical suíça, como o compositor e maestro Beat Furrer, fundador do Klangforum Wien, o compositor Nadir Vassena, reconhecido pela versatilidade entre música de câmara e eletrónica, e a maestrina Cordula Bürgi, criadora do Cantando Admont.

Também participa Annette Schmucki, artista de Zurique que explora a linguagem como material musical. Desde 2013, o festival tem sido um espaço de experimentação e encontro entre tradições e sonoridades inovadoras no Atlântico.

Detido em Angra do Heroísmo suspeito de homicídio

Polícia Judiciária detém suspeito de homicídio após perícias de ADN na ilha Terceira

© DIREITOS RESERVADOS

A Polícia Judiciária (PJ) deteve um homem de 40 anos, residente em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, por fortes indícios da prática de um crime de homicídio que vitimou um sexagenário. A informação foi avançada pela PJ em nota de imprensa enviada na tarde desta quarta-feira.

A investigação, conduzida pelo Departamento de Investigação Criminal dos Açores da PJ, teve início no passado dia 3 de fevereiro, quando a vítima foi encontrada sem vida por um vizinho no interior da sua habitação. O sexagenário apresentava sinais de violência, tendo sido encontrado com as mãos atadas, olhos vendados e amordaçado. O crime terá ocorrido entre os dias 31 de janeiro e 3 de fevereiro.

As diligências da PJ no local do crime permitiram a recolha de vestígios biológicos. As perícias realizadas pelo Laboratório de Polícia Científica revelaram um perfil de ADN distinto do da vítima.

Foi através da recolha comparativa de amostras biológicas de pessoas ligadas à vítima que os investigadores conseguiram estabelecer a correspondência com o suspeito. O homem de 40 anos é residente em Angra do Heroísmo, mas, até ao momento, não foi apurada qualquer ligação entre o arguido e a vítima.

Face ao elevado valor probatório das análises de ADN, o Ministério Público do DIAP da Comarca dos Açores emitiu os mandados de detenção.

Após ser presente a um juiz de instrução criminal, foi aplicada ao detido a medida de coação de prisão preventiva.

Inaugurada reabilitação do Palácio Bettencourt em Angra do Heroísmo

Trata-se de um investimento total de cerca 1,5 milhões de euros. Edíficio passa a acolher os serviços da Secretaria Regional da Educação, Cultura e Desporto

© JF

A empreitada de adaptação do Palácio Bettencourt, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, foi inaugurada esta quarta-feira, 30 de julho, passando o edíficio a acolher os serviços da Secretaria Regional da Educação, Cultura e Desporto (SRECD), assim como da Direção Regional da Educação e Administração Educativa (DREAE).

A cerimónia foi presidida pelo presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro e ainda contou com a presença da secretária regional da Educação, Cultura e Desporto, Sofia Ribeiro, e da secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral.

De acordo com nota de imprensa enviada às redaçoes pelo executivo açoriano, trata-se de um investimento total de 1.459.245,49 euros. A intervenção “permitiu reabilitar um edifício de elevado valor patrimonial, até agora devoluto, e assegurar melhores condições de trabalho para os funcionários da SRECD e da DREAE, que operavam nos antigos Paços da Junta Geral, na Carreira dos Cavalos, um edifício com sinais evidentes de degradação e riscos para a segurança”, esclarece o Governo regional.

“Esta inauguração representa a concretização de uma ambição com décadas, num edifício que esteve em risco de ruína por abandono. Reabilitá-lo é dignificar Angra do Heroísmo, cidade Património Mundial, e valorizar o nosso património edificado”, afirmou José Manuel Bolieiro, destacando a importância da reabilitação urbana como vetor estratégico para os Açores.

O líder do executivo regional lançou também um apelo às instâncias europeias para que os apoios comunitários passem a incluir de forma mais expressiva a recuperação de património histórico.

“É preciso garantir que os financiamentos não se destinam apenas a novas construções, mas também à reabilitação do património cultural imóvel, que deve ser um desígnio de toda a Europa”, sublinhou.

O governante assegurou também que a recuperação do edifício atualmente ocupado pela Secretaria da Educação será igualmente uma prioridade.

“A primeira garantia está resolvida com este novo espaço. A próxima é recuperar o edifício onde ainda funcionam atualmente os serviços da Secretaria, também ele em situação difícil”, acrescentou.

O Governo regional conclui, no comunicado, que a reabertura do Palácio Bettencourt “representa não só a valorização do centro histórico de Angra do Heroísmo, mas também um passo firme na modernização dos serviços públicos regionais, através da preservação da memória coletiva e do património arquitetónico dos Açores.”

Daniela Silveira: uma década de arte e gestão cultural

Natural da ilha Terceira, é dona de vários projetos no âmbito cultural, área à qual escolheu dedicar-se há mais de dez anos. Considera-se uma pessoa “resiliente” e cresceu num ambiente onde a cultura sempre teve grande importância

Daniela Silveira é gestora, produtora cultural e fundadora da associação Get Art © DIREITOS RESERVADOS


Daniela Silveira cresceu na freguesia da Conceição, em Angra do Heroísmo, filha de mãe natural de Santa Bárbara e de pai da Praia da Vitória, passou grande parte da sua juventude num ambiente citadino.
“A família do meu pai é muito diferente da da minha mãe”, conta. A forte ligação da sua família paterna à Base das Lajes fez Daniela crescer com uma forte influência americana. “A minha avó era empregada doméstica dos americanos e a minha tia era babysitter dos seus filhos. Quando eu ia a casa da minha avó, era tudo americano, desde os alimentos aos eletrodomésticos”, diz. O contacto com o jazz, que viria a ser o tema do seu primeiro projeto, começou, precisamente, nos bailes que frequentava na Base das Lajes.
Inicialmente,

Inicialmente, Daniela Silveira começou por se formar “na área de Direito”, frequentando uma licenciatura de quatro anos no Porto, mas enveredou pela área de gestão de empresas. Começa profissionalmente na área da cultura em 2012, dando asas àquele que viria a ser o seu primeiro projeto, o “+Jazz”, que, mais tarde, se torna num festival internacional. Rapidamente, Daniela percebeu que queria fazer da cultura a sua vida profissional.

O +Jazz nasce com o objetivo de dar palco aos músicos locais esquecidos dos festivais internacionais de jazz realizados na ilha Terceira. “Eu queria criar um palco onde estes artistas pudessem apresentar os seus trabalhos”, explica. Uma das suas grandes intenções era também a de levar este estilo musical aos “bares e restauração local”. Daniela refere que, inicialmente, os apoios ao +Jazz foram “residuais”, mas ainda assim suficientes para manter o projeto de pé. O festival ganha “outra visibilidade” quando se muda para Angra do Heroísmo, levando o capitão Pedro Horta a sugerir o “revivalismo” dos bailes de jazz da Base das Lajes, como os que Daniela frequentava em criança.

Com o surgimento do +Jazz, os “projetos locais relacionados” a esta área passaram a ser promovidos pelo festival que, ao longo do tempo, foi transportado a “outras ilhas”. Com uma duração de dez anos, o +Jazz encontra-se atualmente “adormecido”.

Durante os dez anos do +Jazz, Daniela envolvia-se, paralelamente, em outras atividades. Foi colaboradora de diversas entidades ligadas à cultura. Passou pelo Cine Clube da Ilha Terceira, pelo Museu de Angra do Heroísmo e fez parte da direção do Instituto Açoriano da Cultura, mas desenvolvia, ao mesmo tempo, os seus “próprios projetos”. Sentia que não se “revia no perfil de funcionária pública”, preferindo a liberdade de “diversificar”, trabalhar “com equipas e projetos diversos” e fazer o seu “próprio horário”.

Em 2019 nasce a associação “Get Art”, por iniciativa de Daniela Silveira, com o objetivo de agregar e promover festivais musicais, como o festival “Lava que surge, também em 2019, na ilha do Pico. “A Get Art é o amadurecimento de sete anos de trabalho, quando eu já começava a perceber a dinâmica de gerir uma associação cultural”, afirma Daniela.

Daniela reconhece que o mais difícil de ter uma associação é “mantê-la” a funcionar. Sem funcionários fixos, a Get Art funciona com profissionais em “regime de prestação de serviços e a gestora cultural confessa que, “durante muito tempo”, se sentia sobrecarregada por estar “em todas as frentes”. Hoje, o trabalho é dividido por uma “pequena comunidade”, fundamental para o desempenho da associação. Ao tornar-se mãe em 2019, surgiu a necessidade de adaptar o seu horário de trabalho, contudo com a maternidade surgiu também a exploração de novas perspetivas profissionais.

Um dos projetos mais queridos a Daniela Silveira é o “Atitude”. Criado em conjunto com colegas, o Atitude começa por ser desenhado para uma candidatura para a fundação “Calouste Gulbenkian” no âmbito do programa “Parties & Art for Change”, envolvendo “a arte direcionada a um público com deficiência física cognitiva”, diz. O projeto, apesar de finalista, não recebeu o financiamento, mas foi levado pela Get Art a nível regional. Aprovado pela Direção Regional para a Promoção da Igualdade e Inclusão Social, o Atitude arranca com “duas residências artísticas” na ilha Terceira, em colaboração com a Associação Cristã da Mocidade (ACM) e com o Centro de Apoio à Deficiência (CAD).

Ganhando maior proporção, o projeto expandiu-se para São Miguel, com o apoio da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), bem como para a ilha do Pico. Com a elevada procura e a dificuldade em atender a toda esta, surge o Guia de Boas Práticas de Inclusão Através da Arte, com toda a “metodologia necessária para a organização de um projeto de inclusão social”. “Eu desenho um projeto, mas depois disso,  ele deixa de ser só meu. A ideia só se vai desenvolver com outras pessoas”, acrescenta Daniela.

Daniela Silveira finaliza a entrevista ao nosso jornal com a partilha de um dos projetos no qual tem vindo a trabalhar há alguns anos, mas de que nunca desistiu. Preocupada com o “desaparecimento de algumas estruturas”, a gestora cultural começa a desenvolver um mapeamento sobre os “Coretos dos Açores” em 2019, que só viu aprovada a sua candidatura em 2024. O objetivo final é salvaguardar este património cultural, através da recolha de informação com uma “forte componente científica”, diz.

A sua resiliência, otimismo e a vontade de se enquadrar em novas e diversas experiências, acompanham Daniela na sua vida profissional que é, há mais de dez anos, marcada pela dedicação à cultura.

Apresentado Guia de Boas Práticas de Inclusão através da Arte em Angra do Heroísmo

Objetivo passa por utilizar a arte para combater a exclusão social, o estigma, a discriminação e o preconceito social contra pessoas com alguma deficiência

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Teve lugar, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, esta quarta-feira, 12 de março, a apresentação de um Guia cujo objetivo é a utilização da arte como metodologia inovadora para combater a exclusão social, o estigma, a discriminação e o preconceito social contra pessoas com alguma deficiência.

O Guia é resultado do projeto ATITUDE, desenvolvido pela GetArt, com autoria de Daniela Silveira. A autora do Guia, começou por enaltecer o papel da Cultura para a transformação social, referindo que “a arte é uma poderosa ferramenta de mudança. Ela dá voz aos que muitas vezes são silenciados, cria espaços de expressão para aqueles que enfrentam barreiras e fomenta um sentimento de comunidade e pertencimento”, reconhecendo que “a inclusão social através da arte não é um desafio pequeno. Requer dedicação, estratégia e, sobretudo, investimento. A cultura não pode ser vista como um luxo ou um complemento.”.

Daniela Silveira, aproveitou o momento para alertar para a necessidade de “mais financiamento para que projetos como este possam crescer, alcançar mais pessoas e gerar um impacto real e duradouro.”, mencionando ter noção de que este não é um caminho fácil, mas terminou afirmando que “juntos, com ATITUDE estamos a mudar paradigmas e a construir um futuro onde a arte é um direito, não um privilégio. Um futuro onde cada pessoa, independentemente da sua origem ou condição, possa encontrar na cultura um caminho para a inclusão e para a dignidade. Não somos máquinas, somos pessoas”.

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Rodrigo Ramos deu o seu testemunho, referindo que o projeto “é bom, faz me sentir especial, mexe com a pessoa, mas é muito bom. O projeto Atitude tem feito muito bem. Gostei muito da ida ao Pico, da atuação e do reconhecimento de mais de 300 pessoas.”

Ingrid Bettencourt, diretora da Associação Cristã de Mocidade (ACM), também presente, enalteceu o projeto ATITUDE e “a importância da promoção de projetos como este, não só para o público-alvo, trabalhando a sua individualidade e as suas diferenças como mecanismo para agregar, como para toda a sociedade, pois esta é uma oportunidade da comunidade perceber a importância e o contributo de pessoas com deficiência”.

A diretora da ACM, referiu, ainda, que o empoderamento conseguido para estas pessoas deve ser “um trabalho contínuo, com financiamento por parte das entidades governamentais, de forma que as instituições de cariz educacional e social possam implementar projetos como este, afirmando a o presente guia desconstroi estigmas e ajuda todas as instituições a fomentar as artes performativas como ferramenta para a inclusão social”.

O Guia de Boas Práticas de Inclusão através da Arte encontra-se disponível e será distribuído pelas Escolas Públicas e Instituições Particulares de Solidariedade Social.