
O candidato do PSD/Açores a presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Rúben Cabral, apresentou publicamente a sua candidatura este sábado, 6 de setembro, no claustro do Convento de Santo António, em Santa Cruz.
De acordo com nota de imprensa enviada às redações, o cabeça-de-lista aos órgãos autárquicos às eleições de 12 outubro na Lagoa, reiterou que se apresenta “a mandatos completos para servir a Lagoa” e colocá-la “rumo ao desenvolvimento que se impõe a uma cidade”.
“Este momento marca o início de um novo ciclo, então automática e simultaneamente marca o fim de outro ciclo”, vincou, acrescentando tratar-se de uma “hora de apresentar um partido renovado, plural e assente nos pilares da social-democracia”.
“Não me lembro de ver uma lista candidata a este órgão tão plural, tão capaz tecnicamente, com toda a sensibilidade social, económica e ambiental e com uma garra e coragem ímpares na política local”, assegurou.
Segundo Rúben Cabral, o projeto que coloca em cima da mesa “é focado no único propósito para o qual foi criado: servir a democracia da Lagoa, servindo as suas pessoas para que todas possam atingir a sua plenitude pessoal e comunitária”.
“Não caímos na tentação de apresentar um manifesto típico de uma ‘check list’ de obras e medidas avulso e desconectadas entre si”, como faz o PS que apresenta um programa para 10 anos, “com o objetivo de fazer dois mandatos e meio, para que o próximo tenha mais facilidade em ganhar eleições”, sublinhou.
De entre os 13 eixos prioritários do programa, Rúben Cabral destaca seis, começando pela História, Identidade e Cultura, seguindo-se Saúde, Segurança e Proteção Civil, a Habitação, a Valorização da Orla Costeira, a Mobilidade Urbana, e por fim, a Economia Local.
Como lagoense nascido em Santa Cruz, morador no Rosário e casado em Água de Pau, o candidato à presidente da Câmara Municipal de Lagoa lamenta, a título de exemplo, que a primeira fábrica de Cerâmica Vieira, edifício com mais de 150 anos esteja à venda.
“Seria um presidente envergonhado se continuasse a ver à venda este edifício histórico”, observou, advertindo para a urgência de se proceder “à revisão do modelo de contratos programa com as coletividades local”, sendo hoje o terceiro município de São Miguel que menos investe em cultura e desporto, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística.
Rúben Cabral sublinhou ser “a única candidatura que defende que a Lagoa deve ter a sua própria corporação de bombeiros e respetivas instalações”, apontando que o concelho “não é uma sucursal dos outros municípios”.
O candidato comprometeu-se com “acesso igualitário à habitação condigna, pois garante um direito humano fundamental ao proporcionar segurança e bem-estar e ser alicerce para a saúde, para a educação e para a inclusão social”.
“Não compete à câmara excluir classes sociais no acesso à habitação social”, afirmou, assumindo o PSD como um “partido interclassista que, por um lado, rejeita a exclusão social e por outro lado, promove a inclusão social”.
O social-democrata quer ainda “a valorização da orla costeira através proteção ambiental, qualidade de vida local e o desenvolvimento económico”, desde a Rocha Quebrada à Caloura.
“Se queremos virar a Lagoa para o mar não podemos ser uma câmara que apresenta projetos discordantes do próprio Plano Diretor Municipal ou com projetos de jardinagem como já fizeram na Baia de Santa Cruz”, apontou.
Rúben Cabral considera igualmente que “uma boa mobilidade urbana é essencial para a qualidade de vida dos lagoenses, pois melhora o acesso a empregos, à educação e serviços, além de reduzir desigualdades sociais, tempo de deslocação e, até, a necessidade de levar transporte próprio para os centros urbanos”.
Defendendo a criação de uma rede de transporte público municipal melhor gestão do tráfego rodoviário, entende que “é inadmissível cobrar uma renda de 1900 euros por mês a uma grande superfície comercial no Tecnoparque e pagar cinco mil euros para um parque de estacionamento”, indicou.
Por último, defende ainda uma “economia local vital na criação de empregos e retenção da riqueza criada dentro da comunidade local, promotora do bem-estar social, potenciando ciclos económicos virtuosos”.
Rúben Cabral reclama “o crescimento da economia da Lagoa numa perspetiva de dentro para fora, criando mais atrativos turísticos, revendo a política fiscal e de licenças no âmbito da atividade económica”.
“Estou aqui, em nome do PSD a dizer que estamos preparados para liderar os destinos da Lagoa e que é hora de dizer não aos tiques e aos truques dos mesmos de sempre. É hora de dizer sim a um novo modelo de desenvolvimento para a nossa Lagoa”, assegurou.
Por último, anunciou os candidatos ao executivo municipal, nomeadamente Carmen Ventura para vice-presidente da Câmara da Lagoa, Vitor Sousa, Sónia Câmara, Ilda Magalhães, João Botelho, Acir Meireles, Jéssica Sousa, Paulo Jorge Amaral Borges e Jacinto Ferreira Raposo.
O presidente do PSD/Açores, José Manuel Bolieiro, marcou presença e saudou os lagoenses “com orgulho e admiração” pelos candidatos aos órgãos municipais por serem “os melhores para servirem o futuro do município e de cada uma das suas cinco freguesias”.
José Manuel Bolieiro elogiou “a qualidade da equipa” quem se propõe aos destinos dos lagoenses, sem esquecer o projeto estratégico que confrontará “mais de 35 anos do mesmo partido [PS], mantido numa continuidade morna, porque os mesmos se acomodaram achando que são donos da democracia na Lagoa”.
“É por isso que a mudança é um desafio e uma grande oportunidade para a Lagoa”, frisou.
“E não há uma mudança no escuro, no incerto. É uma mudança na confiança e na esperança que a credibilidade e a qualidade destes candidatos aqui bem demonstraram”, garantiu o líder social-democrata açoriano.
José Manuel Bolieiro disse, ainda, que Rúben Cabral apresenta “um programa de governo demonstrando maturidade intelectual, maturidade política para com uma visão holística e integral de um modelo de governação para o futuro da cidade e do concelho da Lagoa”.
“Ele ama a história do seu povo, ele ama a história da sua cidade, do seu município e das suas freguesias e quer elevar essa identidade através do património”, prosseguiu.
José Manuel Bolieiro elogiou “o trabalho quotidiano de Rúben Cabral junto às populações, nas comissões parlamentares, na pesquisa das necessidades do nosso povo, sendo deputado com uma responsabilidade regional, sempre a puxar pela Lagoa”.
“Como candidato a presidente da Câmara da cidade e do concelho da Lagoa, é corajoso em nome da democracia, em nome do seu amor aos lagoenses que se destaca pelo seu carácter”, disse o líder social-democrata açoriano.
“O carácter associado à personalidade das pessoas é a base do nosso fazer”, vincou José Manuel Bolieiro, considerando Rúben Cabral “um homem corajoso na política, na democracia e nos desafios”.

A apresentação pública das listas de candidatos do Partido Socialista (PS) para as eleições autárquicas na Lagoa, no dia 12 de outubro, realizou-se esta sexta-feira, 5 de setembro, no cineteatro lagoense Francisco d´Amaral Almeida, sob o lema “Lagoa com Futuro”.
De acordo com nota de imprensa enviada às redações pelo PS Lagoa, na sessão, o candidato à presidência da Câmara Municipal de Lagoa, Frederico Sousa, disse que a candidatura socialista “assenta em políticas públicas direcionadas para a habitação; emprego; juventude; captação de investimento; mobilidade urbana e intervenção social, que vão ao encontro das reais necessidades dos lagoenses e do desenvolvimento sustentável do concelho”.
A criação de uma rede de minibus intitulada “Urbana”, em articulação com os táxis; a ampliação do Tecnoparque para o desporto, a habitação e as empresas; a instalação dos Bombeiros na Lagoa; a construção de mais de 100 novas habitações a preços acessíveis; a criação da Polícia Municipal presente no terreno para o reforço da fiscalização e da segurança e a requalificação da Frente Marítima da cidade, foram alguns dos exemplos que o candidato do PS elencou das ações que pretende concretizar. Frederico Sousa apresentou, ainda, projetos que dependem da articulação com outras entidades, num espírito de cooperação, como é o caso da criação de um transporte de passageiros rápido entre a Lagoa, Ponta Delgada e a Ribeira Grande; a criação de mais uma creche na cidade; a reabilitação da Fábrica do Álcool; o reforço das respostas dedicadas aos idosos, nomeadamente na Vila de Água de Pau; uma rede de sistemas de radares para reforçar a segurança rodoviária e o alargamento da via Scut no troço de Santa Cruz.
Na ocasião, foi salientado que os cerca de 200 candidatos das listas são todos lagoenses, a maioria independentes, “pessoas competentes, sérias e com origem em diversos sectores da nossa sociedade, tendo todos em comum o amor pela Lagoa”. Entre os nomes apresentados, o candidato à presidência da Assembleia Municipal, Ricardo Martins Mota foi elogiado por Frederico Sousa como uma “pessoa séria, idônea e comprometida com a comunidade lagoense”. No seu discurso, Ricardo Martins Mota referiu que aceitou a sua candidatura com “o sentido de responsabilidade e humildade, em compromisso e missão”.
Frederico Sousa apresentou, igualmente, a mandatária da Juventude, Natacha Candé, jovem promessa do atletismo português, sublinhando que “sendo este um projeto vencedor contamos com os melhores”. O candidato deixou também uma palavra de agradecimento a todos os que compõem a lista da Assembleia Municipal e aos candidatos para as assembleias de freguesias, adiantando que conta com “pessoas conhecidas e conhecedoras da realidade das suas freguesias”, reconhecendo, também, o trabalho, dedicação e ato de coragem dos cinco candidatos às juntas de freguesia do concelho.
Frederico Sousa endereçou, igualmente, palavras de reconhecimento à mandatária Cristina Calisto, tendo a mesma referido que Frederico Sousa, “representa uma nova geração de autarcas, mas que carrega consigo valores sólidos, como: a honestidade, a proximidade e a entrega total à causa pública”, acrescentando que a Lagoa “é hoje um dos concelhos mais dinâmicos dos Açores, reconhecido pela combinação de progresso económico e justiça social”.
O candidato recordou por fim que o PS Lagoa apresentou, em 2021, cerca de 90 ações para 10 anos, afirmando que conseguiu concretizar “cerca de 80%, em apenas quatro anos”.
Frederico Sousa encerrou a sua intervenção reafirmando a sua total disponibilidade para ouvir e representar todos os lagoenses: “estou e estarei ao serviço da minha terra e da minha comunidade e conto convosco para que, possamos caminhar unidos, com coragem e determinação, rumo a uma Lagoa Com Futuro”.

Orlando Guerreiro é o candidato do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara Municipal da Lagoa e Luís Borges será o primeiro candidato à Assembleia Municipal.
Em nota de imprensa, o BE refere que o combate às desigualdades, a atuação urgente sobre a crise na habitação, os transportes e educação são as prioridades que a candidatura defende.
Orlando Guerreiro considera que o concelho da Lagoa tem futuro se tiver políticas que resolvam os grandes obstáculos que as e os Lagoenses sentem no dia a dia. Defende, por isso, uma atuação urgente sobre a crise na habitação, através da mobilização de edifícios públicos devolutos ou sem utilização para habitação a custos controlados, assim como a definição de metas municipais para o aumento da habitação pública. Para além disso, defende a construção pública de novos alojamentos destinados ao arrendamento social e para classes médias, integrados na malha urbana e a criação de regulamentação local para o alojamento turístico temporário.
A candidatura pretende também mais e melhores transportes, através da criação de uma rede de transportes coletivos públicos urbanos gratuitos municipais, recorrendo a mini-autocarros elétricos e a introdução da modalidade de “transporte a pedido” como forma de satisfação de necessidades nas freguesias mais distantes do centro. A criação de ciclovias na rede viária municipal é outra das propostas.
Como forma de valorizar os produtos e economia locais, Orlando Guerreiro defende a criação de um mercado municipal para comercialização dos produtos locais, que estimule e apoie a produção local e a prática da agricultura biológica.
A candidatura do Bloco à Câmara Municipal da Lagoa pretende criar um programa de combate ao abandono escolar precoce, fomentando o prosseguimento de estudos superiores e técnicos, assim como quer garantir atividades extracurriculares — culturais e desportivas — a todos os jovens do concelho. Para além disso, considera essencial criar e dinamizar ATLs e creches municipais que abranjam as crianças desde o pré-escolar ao 2º Ciclo.
Orlando Guerreiro tem 48 anos, é professor e reside no concelho da Lagoa.

O Chega Açores apresentou esta quarta-feira, 13 de agosto, no Tribunal de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, a sua lista para a Câmara Municipal de Lagoa, para as próximas eleições autárquicas que se realizam a 12 de outubro.
De acordo com nota de imprensa enviada às redações, Olivéria Santos, natural da Vila de Água de Pau e deputada pelo Chega na Assembleia Legislativa açoriana, encabeça a lista à Câmara Municipal de Lagoa. António Medeiros é o candidato à Assembleia Municipal.
A candidata manifestou-se nas redes sociais afirmando que tomou a decisão porque acredita “neste concelho, nas suas potencialidades” e porque considera que “é possível fazer mais e melhor” pela Lagoa.
“Eu e a minha equipa estamos prontos para lutar, batalhar e sermos a voz de todos os lagoenses”, garantiu Olivéria Santos.
O Chega Açores apresentou também uma lista à Assembleia de Freguesia de Água de Pau, liderada por José Oliveira.

O Partido Socialista (PS) da Lagoa, na ilha de São Miguel, apresentou esta segunda-feira, 11 de agosto, pelas mãos da mandatária Cristina Calisto, no Tribunal de Ponta Delgada, as suas listas para as próximas eleições autárquicas que irão decorrer no dia 12 de outubro.
O PS Lagoa apresentou listas à Câmara e Assembleia Municipal e às cinco assembleias de freguesia, envolvendo a participação de cerca de 200 candidatos.
De acordo com nota de imprensa enviada às redações pelos socialistas, a candidatura do PS, sob o slogan «Lagoa com Futuro», apresenta como cabeça de lista, Frederico Sousa, atual presidente da Câmara Municipal de Lagoa, sendo Ricardo Martins Mota, o candidato à Assembleia Municipal.
Paula Pacheco Ferraz é candidata à Junta de Freguesia da Ribeira Chã; Mário Miguel à Junta de Freguesia do Cabouco; Sérgio Costa à Junta de Freguesia de Santa Cruz; Lucrécia Rego à Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Rosário e Vanessa Silva à Junta de Freguesia da Vila de Água de Pau.
No que diz respeito à Câmara Municipal de Lagoa, dos 14 candidatos apresentados, o partido destaca que “43% são independentes e 57% são do sexo feminino”.
Já para a Assembleia Municipal de Lagoa, “cerca de 80% são independentes e 54% são do sexo feminino”.
Quanto às listas para as Juntas de Freguesia, o PS diz ainda que “todas cumprem com a paridade, incluindo 40%, ou mais, de mulheres”.
Segundo o comunicado, o candidato à presidência da Câmara Municipal de Lagoa, Frederico Sousa, salienta que “as listas apresentadas são sinónimo de disponibilidade, experiência e bons resultados alcançados em prol dos Lagoenses e do desenvolvimento da Lagoa e materializam um projeto político de continuidade”.
As principais apostas elencadas pelos socialistas lagoenses são: habitação; emprego; juventude; captação de investimento, mobilidade urbana e intervenção social, assente num trabalho sério, transparente e dedicado às causas públicas.
O PS Lagoa aponta por fim para “o pressuposto de garantir o bem-estar e a qualidade de vida dos Lagoenses e o contínuo desenvolvimento económico e social, de forma integrada, em todo o concelho”, enquanto conclui que o propósito da candidatura socialista “é trabalhar para se continuar a ter uma Lagoa com Futuro, contando com o apoio expressivo dos Lagoenses.”

DL: É candidato à Câmara Municipal de Lagoa nas próximas autárquicas, porquê?
Sou candidato, mas sou o primeiro de um vasto conjunto de lagoenses, filiados e independentes, de provas dadas em termos profissionais e de cidadania, que estão organizados comigo e estão focados em preparar o futuro da Lagoa com os olhos postos, em primeiro lugar, na melhoria da qualidade de vida dos que cá vivem ou trabalham.
DL: Quais as preocupações do PSD Lagoa a nível do concelho?
Vivemos numa época em que a informação é transmitida a uma velocidade alucinante e as pessoas — e os agentes políticos também — instintivamente tendem a copiar modelos e iniciativas já existentes noutras paragens. Convém acautelar que nem tudo nos interessa e nem tudo pode ser implementado da mesma maneira.
Quando a Vila da Lagoa foi elevada a cidade foi-nos vendida a ideia de que os autarcas teriam acesso a todo um novo conjunto de parcerias e interconexões próprias das cidades. Eu próprio, confesso que fiquei entusiasmado. Agora, passados estes anos, tenho um sentimento de desilusão. Uma câmara não é uma empresa, mas por vezes os autarcas comportam-se como se fosse. Tentam importar modelos de fora, como se estivessem em concorrência ou num campeonato com os autarcas vizinhos, e por vezes a velocidade desse processo é tanta que se esquecem que o essencial é a inclusão de todos os lagoenses. A Lagoa do futuro deve ser estruturada para os mais novos e para os mais idosos, onde os pais encontrem, a par da saúde e segurança, serviços para educar, exercitar e entreter os seus filhos e serviços que garantam o conforto para os seus pais em idade de reforma. Neste momento, a procura por serviços de CATL e creche são superiores à oferta, tal como o facto de que a Lagoa está entre os três municípios dos Açores com mais casos de dependências e criminalidade associada. E a Lagoa é dos concelhos mais jovens dos Açores e até do país, por isso é necessário garantir mais educação, mais desporto, mais segurança, mais emprego e sobretudo, aquilo que deve ser um dos principais focos do executivo camarário, mais habitação compatível com os rendimentos e estilos de vida. Habitação em regime de autoconstrução, por exemplo. E mais que uma smart city, a Lagoa precisa ser uma cidade verde, reforçando a relação entre os lagoenses e a sua natureza de terra e de mar. Mas, infelizmente, a Lagoa é dos municípios dos Açores que menos investe na recolha de resíduos e na proteção da biodiversidade, enquanto praticamente não tem políticas para o meio rural e agrícola, e isto é algo que o PSD quer inverter o quanto antes.
DL: Defende que o Tecnoparque precisa de empresas de “cultura lagoense”. Quer explicar?
O Tecnoparque, na sua raiz, não foi criado para ser um ninho ou incubadora de empresas lagoenses. Era um projeto autónomo ao programa de desenvolvimento do concelho com vista a atrair investimento e cujo concelho pudesse vir a ser beneficiário como “inquilino” e “mentor”. Este plano já foi tema de muitas campanhas. As coisas não correram como foram pensadas. O próprio executivo PS tem vindo a afastar-se de muitas ideias iniciais do projeto.
Mas estou convicto que os espaços e os recursos que podem advir do Tecnoparque podiam, podem e devem ser melhor direcionados para o apoio a projetos que tenham maior ligação à Lagoa. Temos de ser honestos e de admitir que o que vemos nessa zona não espelha a realidade do que se passa em todo o concelho. É preocupante os recursos que consome e que podiam ser direcionados para outras zonas do concelho.
DL: É público que defende a criação de uma associação de bombeiros. Porquê?
A responsabilidade pela proteção civil da Lagoa é da Câmara da Lagoa e a maioria dos lagoenses já percebeu que a Lagoa precisa de melhorar a resposta no socorro urgente e que isso implica investimento em infraestruturas e recursos materiais e humanos. A Lagoa deve ter a sua corporação de bombeiros com instalações e recursos próprios, pois, se a Proteção Civil tem como primeiro tutor a Câmara Municipal, significa que cabe a cada concelho encontrar as suas soluções e cuidar e proteger da sua população, desde logo garantindo a prestação, atempada, de socorro.
É por isso que nos Açores existem apenas dois concelhos sem a sua própria corporação de bombeiros: Lajes das Flores e Lagoa. Sabemos que este será um processo demorado e que requer investimento e articulação com muitas outras entidades, mas algum dia tem de se começar e nós vamos começar.
DL: Considera que se fez progressos quanto ao futuro da Fábrica do Álcool?
Absolutamente. Foi algo que sempre defendi: democracia participativa.
A área e as infraestruturas da Fábrica são propriedade do Governo Regional, mas estão na Lagoa, fazem parte da história da Lagoa e nada fará mais sentido do que colocar a sociedade civil lagoense a refletir sobre o que ali fazer, pois é, principalmente, aos lagoenses, que deve servir o que ali se perspetivar. Estou confiante nas boas decisões e quero garantir aos lagoenses que comigo na Câmara da Lagoa haverá sempre uma voz a lembrar que as instalações não são meras ruínas, mas um testemunho da nossa história coletiva.
DL: Quer deixar uma mensagem aos lagoenses?
Prefiro conversar com os lagoenses no dia a dia, falar e ouvir, trocar ideias.
Desde que assumi a liderança do PSD Lagoa e, posteriormente, na Assembleia Legislativa Regional dos Açores, percebo que os receios quanto ao futuro são generalizados. E não posso deixar outra mensagem que não seja a de esperança.
A Lagoa não nasceu ontem, os lagoenses já superaram desafios maiores. Desde que estejamos unidos e com os pés assentes na nossa realidade iremos ultrapassar o que aí vem. As pessoas sabem quem sou e que lidero um grupo de gente, de carne e osso, que ama a sua terra, e que quer contribuir para o seu progresso, na construção de uma autarquia que tenha as pessoas no topo das suas prioridades e no centro da sua ação e, assim, construir uma Lagoa mais lagoense e para os lagoenses.

Carlos Caetano Martins
Dirigente Iniciativa Liberal Açores
Bem-vindo à campanha para as eleições autárquicas. De 4 em 4 anos, as autarquias portuguesas parecem descobrir o número do Euromilhões, ou encontrar ouro ou petróleo no seu território. Só isso pode explicar que os orçamentos municipais, em ano de autárquicas, sejam sempre “o maior de sempre”.
Em 14 dos 19 concelhos açorianos, teremos o maior orçamento de sempre, o que nos leva a questionar o motivo de tal fenómeno. Será devido à inflação? Poderia ser, mas, tendo em conta que a previsão é que a inflação de 2024 termine em cerca de 2%, isso não justifica aumentos que variam entre 4% e 73%. Será resultado de um superavit financeiro? Talvez, mas algumas destas autarquias encontram-se em plano de recuperação financeira. Será devido a uma maior disponibilidade para o trabalho? Então, o que andaram a fazer nos últimos 3 anos?
São muitas suposições, mas vamos aos factos, que estão facilmente disponíveis na internet.
Em São Miguel, o orçamento campeão é o de Ponta Delgada. Para termos uma noção: em 2021, o orçamento municipal era de 56.000.000€. Para 2025, o orçamento previsto é de 96.400.000€! Um aumento de 44,4 milhões de euros em apenas quatro anos! Em relação ao ano passado, registou-se um incremento de 20,8 milhões de euros, o que representa um acréscimo de 28%.
Quanto aos restantes municípios micaelenses, destacam-se ainda o Nordeste e Vila Franca do Campo, que aumentaram os seus orçamentos em 45% e 33%, respetivamente. Em relação ao arquipélago açoriano, relevo para a Praia da Vitória, com um aumento de 73%, e São Roque do Pico, com 47%. Em sentido inverso, menção honrosa para Velas, Santa Cruz da Graciosa e Lajes das Flores, que mantiveram ou reduziram os seus orçamentos.
Se tivermos em conta que, em média, a taxa de execução dos orçamentos municipais situa-se abaixo dos 90%, como é que estes autarcas aumentam o valor do orçamento de forma desproporcional e esperam manter uma taxa de execução aceitável? Será que vão contratar técnicos para este ano que se espera excecional? Ou será que, com os técnicos atuais, conseguirão duplicar o trabalho, numa prova evidente de que estão sobredimensionados em pessoal para as necessidades habituais da autarquia?
Mesmo que recorram à subcontratação de empresas, não há empresas nem técnicos suficientes para fiscalizar as obras, e não é em escassos meses que se vão formar esses profissionais.
Além disso, há uma grave escassez de empresas de construção civil no mercado. Para executar esses planos megalómanos, seria necessário absorver praticamente toda a indústria da construção civil, deixando o mercado dos particulares em apuros, sem técnicos disponíveis para atender às suas necessidades.
Estamos perante uma época de completo desvario, sem condições reais para executar tais planos, e mais uma vez as autarquias demonstram estar a ser conduzidas por pessoas sem visão, cujo único objetivo é o populismo: mostrar obra apenas em época de eleições!
Nunca se esqueçam: cada euro gasto pelas autarquias é um euro que foi tirado do bolso dos contribuintes! Haja parcimónia na forma como ele é gasto!