
Natural da freguesia do Rosário, na Lagoa, Frederico Pires, 33 anos, conta ao Diário da Lagoa (DL) que sempre apreciou animais, especialmente aves. “Com 11 anos já tinha cerca de 100 aves, mas agora é que levo isto mais a sério”, refere ao nosso jornal e explica que cresceu neste ambiente com pais e um avô que partilhavam, igualmente, da grande paixão pelos pássaros. “Vem de família, sempre fui habituado assim e foi uma coisa que sempre fez parte de mim”, acrescenta.
Há precisamente dez anos Frederico Pires decidiu fazer da criação de aves de gaiola mais do que um passatempo e, desde então, faz parte da Associação de Avicultores de São Miguel que tem sede nos Arrifes e é é filiada da Federação Ornitológica Portuguesa. Já quanto ao “mundial”, que este ano se realizou em Santa Maria da Feira, foi organizado pela FONP – Federação Ornitológica Nacional Portuguesa juntamente com a COM – Confederação Ornitológica Mundial.

Atualmente, cria “agapórnis roseicollis” que, identificados com uma “anilha da federação oficial”, podem ser levados a concursos, onde as suas “caraterísticas” são avaliadas por um “júri”, que “dá uma pontuação à ave”. A dedicação de Frederico Pires na preparação das crias para os campeonatos é visível. Estudou, por si próprio, muito do que sabe sobre pássaros e descreve a importância de trabalhar os atributos da ave. A “plumagem”, a “cor” o “porte” e até as “unhas” e “postura” são fundamentais para uma boa pontuação e as melhores aves nascem de um estudo adequado da “genética”.
No final de janeiro, Frederico venceu, em Santa Maria da Feira, o primeiro lugar no Campeonato Mundial de Ornitologia, juntamente com a “ave fêmea” que afirma ter-lhe “saltado à vista desde que era bebé”, pelas suas “caraterísticas muito boas”. A sua ave obteve quase pontuação máxima, com um resultado de 93 pontos em 95 possíveis.
Frederico afirma que “viver no meio do Atlântico” traz algumas dificuldades aos criadores de aves, principalmente devido aos custos de transporte do animal. A “insularidade” torna mais difícil levar as aves às grandes exposições. O criador, no entanto, demonstra fazer tudo para que seja possível levar as suas criações a outros lugares e o orgulho que sente, por ter sido declarado campeão mundial, é mais do que evidente. “Já comecei há dez anos e isso foi a cereja no topo do bolo”, diz ao DL.
Futuramente, Frederico Pires deseja levar outras aves à “Bélgica”, onde se realiza aquilo que é a “liga dos campeões” para os criadores de “agapórnis roseicollis”. Atualmente já iniciou, igualmente, a criação de papagaios, mas dedicar-se às catatuas, araras e aves de grande porte é, também, um dos seus sonhos.


O “Azores Birdwatching Arts Festival” acontece nas Lajes do Pico, de 16 a 24 de novembro, para promover a prática da observação de aves e fomentá-la, de forma educativa, através da dinâmica criada por intermédio das artes.
A MiratecArts, em parceria com o Município das Lajes do Pico apresenta uma programação que chega às escolas do concelho e incentiva o público em geral a participar em saídas de campo e eventos culturais.
O programa artístico inclui uma extensa exposição de fotografia, em formato de bandeiras pelas ruas da vila baleeira, com o trabalho fotográfico de aves avistadas na ilha do Pico por André Vieira, Bruno Pereira, João Quaresma, Nuno Bicudo, Nuno Gonçalves, Olivier Coucelos, Pedro Madruga, Pedro Silva e Valter Medeiros.
A exposição de arte na Biblioteca Municipal Dias de Melo inclui os trabalhos de Jason Wheatley, Joana Castro, Márcia Ávila, Tran Nguyễn. Dois filmes fazem parte do programa: o vencedor do Óscar 2024, “O Rapaz e a Garça” do grande mestre japonês Miyazaki, e a animação para toda a família, “PATOS”, que encerra o programa em matiné, no domingo 24 de novembro, no Auditório Municipal das Lajes do Pico. Workshops de fotografia, escrita criativa e narração oral estão abertas a registo do público.
Programas em parceria com a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves – SPEA, Asas do Mar – IOMA, Clube de Observação de Aves do Triângulo e a EBS das Lajes do Pico incentivam à observação e cuidado da natureza.
Na vertente de observação de aves, além de programa diário no Moinho do Juncal nas Lajes do Pico, os eventos acontecem nas ilhas Terceira, São Miguel e Faial, com equipamento providenciado pela ZEISS e a Loja Sniper Outdoor.

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA Açores) vai promover, no próximo dia 25 de maio, uma visita guiada à Mata dos Bispos, na Povoação, zona que está a ser alvo de restauro ecológico.
Segundo comunicado da SPEA Açores, a iniciativa está inserida na atividade “Restaurar a Laurissilva” para comemorar o Dia Europeu da Rede Natura 2000 e o Dia Internacional da Biodiversidade.
A visita conta com transporte gratuito de Ponta Delgada até à Mata dos Bispos, localizada na costa sul de São Miguel, na Povoação. A atividade é gratuita, mas é obrigatório efetuar a inscrição, no website do Centro Ambiental do Priolo.
Os participantes vão ter a oportunidade de caminhar no interior de uma mancha de floresta Laurissilva restaurada, onde também lhes será explicado como é desenvolvido um projeto de conservação da natureza, os seus desafios e benefícios.
Como explica a mesma nota, a Mata dos Bispos, a exemplo de outras áreas intervencionadas pela SPEA, tem sido objeto de estudos e restauro ecológico de diferentes habitats da floresta Laurissilva (floresta nativa dos Açores e habitat prioritário para o Priolo), no âmbito dos projetos LIFE Laurissilva (2009-2013), LIFE Terras do Priolo (2014 a 2019) e, mais recentemente, LIFE IP Azores Natura (2019-2027).
“Os mais de 10 anos de trabalho nesta área fazem dela um excelente laboratório para observar diferentes técnicas e resultados do restauro ecológico levadas a cabo, como por exemplo, técnicas de engenharia natural. É a melhor forma de demonstrar que a conservação de áreas com estas características é possível”, afirma Rui Botelho, coordenador da SPEA nos Açores, citado no comunicado.
O ponto de encontro da atividade está marcado para as 8h45 na Escola Secundária Domingos Rebelo e o transporte acontece de autocarro até ao local da atividade. Na zona da Mata dos Bispos, será realizada uma caminhada de aproximadamente seis quilómetros para observar as diferentes áreas restauradas.
Devido à sua localização e caraterísticas, a Mata dos Bispos é fundamental para o abastecimento de água da Povoação, sendo o restauro dos habitats existentes nesta área importantes também para garantir a disponibilidade de água e a regulação hídrica evitando enchentes durante períodos de chuva torrencial.