
O Bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, inicia esta terça-feira, 6 de outubro, uma visita pastoral de quase duas semanas à ouvidoria de Fenais de Vera Cruz, na ilha de São Miguel, que se prolonga até ao dia 17. A iniciativa, divulgada pelo portal Igreja Açores e pela Diocese de Angra, visa promover o contacto direto com as populações de uma das zonas mais dispersas e menos povoadas do território micaelense, composta por cinco paróquias e cinco curatos acompanhados por apenas três sacerdotes.
O itinerário inclui passagens pelas localidades de São Brás, Lomba da Maia, Ribeira Funda, Salga, Fenais da Ajuda, Lomba de São Pedro, Porto Formoso, Maia e Lombinha da Maia. Durante a permanência nas freguesias, o responsável diocesano cumpre uma agenda que integra encontros com autarcas, estabelecimentos de ensino, instituições de solidariedade social, associações locais, clubes desportivos, irmandades do Espírito Santo e estruturas paroquiais, além de visitas a doentes nas suas habitações, momentos de atendimento pessoal e celebrações eucarísticas com a administração do sacramento da Santa Unção.
Numa carta enviada às comunidades locais, o prelado explicita os objetivos da deslocação ao salientar que não se desloca para fiscalizar, mas como pastor entre os seus, visando conhecer e confirmar na fé as populações e recolher as suas preocupações. O responsável católico aponta também a necessidade de abordar a redução do número de sacerdotes na diocese, defendendo o reforço da colaboração interparoquial e o desenvolvimento de novos ministérios laicais. Segundo a mesma missiva, é preciso refletir sobre as mudanças necessárias na organização eclesial da região.
A vertente socioeconómica e cultural da ouvidoria consta igualmente do roteiro traçado. D. Armando Esteves Domingues visitará a Fábrica de Chá e participará numa procissão no Porto Formoso, deslocando-se também à Santa Casa da Misericórdia, ao lar de idosos, à escola local e à Fábrica de Chá Gorreana, na freguesia da Maia. O encerramento do itinerário está agendado para 17 de outubro, nos Fenais da Ajuda, com um encontro com crismandos e a reunião final do Conselho Pastoral da Ouvidoria, estrutura que definirá os compromissos para o futuro das paróquias.
O responsável pela Ouvidoria de Fenais de Vera Cruz, padre Hélio Soares, manifestou que a visita do bispo diocesano é um momento impactante e marcante na vida de qualquer comunidade paroquial. O sacerdote, que assegura a assistência pastoral na região juntamente com os padres Fábio Carvalho e Leonardo Baganha, assinala que a preparação tem decorrido com serenidade e em ritmo próprio em cada localidade. Hélio Soares destaca que se nota uma mobilização e preocupação em acolher o prelado, assim como a vontade dos paroquianos em expor as suas preocupações particulares e de convergência regional.
No âmbito do presente ano pastoral, a Diocese de Angra confirma que D. Armando Esteves Domingues realizará igualmente visitas pastorais às ouvidorias das Capelas, Lagoa e Ribeira Grande.

A iniciativa, organizada pelo Clube Motard de São Roque – Sempre Livres em colaboração com a Associação Bênção dos Capacetes, marcou a estreia deste evento na ilha de São Miguel, integrando uma mobilização que decorreu em simultâneo no Funchal e no Santuário de Fátima. Perante os fiéis reunidos no Campo de São Francisco, o prelado açoriano usou a metáfora da condução para abordar a missão cristã no quotidiano, frisando aos participantes que “temos nas nossas mãos um veículo veloz que nos pode levar rapidamente a Cristo ou empapar-nos na lama da vida”.
Aprofundando a mensagem de evangelização e presença ativa na sociedade, D. Armando Esteves Domingues exortou os motociclistas a levarem os valores da fé para as vias de circulação, avisando que “quem não leva o Evangelho sobre rodas não espere que haja frutos”. Num apelo à superação do individualismo e do conforto, o bispo de Angra sublinhou que a atitude cristã exige movimento e decisão, referindo que “basta a tua decisão de arrancar, pôr o motor a trabalhar, sair do remanso, do conforto. O Senhor quer-nos a bulir”.
A intervenção abordou também as divisões e exclusões da sociedade contemporânea, onde “facilmente queremos calar as pessoas, quem tem mais direitos, quem merece o nosso alimento e quem não merece”. Em contrapartida, o representante da Igreja Católica nos Açores apontou o exemplo de Jesus Cristo, que “convida sobretudo os que não têm voz, os proscritos e vai à procura deles”, recordando que “os pequenos passos têm tanto significado. Nós não merecemos, mas temos que dar os passos”.
Na vertente da prevenção e da cidadania, o bispo elogiou a ação pedagógica desenvolvida em prol da segurança no trânsito, recordando que a proteção da vida humana “passa pela mão de cada um como trava e acelera”. D. Armando Esteves Domingues encerrou a homilia exortando os motociclistas a atuarem como “veículos de unidade”, promovendo a segurança, o respeito mútuo e a difusão do “Evangelho da alegria e do convívio”.
A Missa campal em Ponta Delgada foi concelebrada pelo reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, cónego Manuel Carlos Alves, e pelo capelão do Clube Motard de São Roque – Sempre Livres, padre André Resendes. A vertente nacional da peregrinação juntou 170 mil pessoas na Cova da Iria, sob a presidência do Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, que advertiu que “um capacete abençoado sobre uma condução irresponsável seria uma contradição”. O clube micaelense integrará a comissão organizadora nacional no próximo ano, estando assegurada a continuidade do evento no arquipélago.

O Campo de São Francisco, em Ponta Delgada, acolhe no próximo dia 20 de setembro a primeira cerimónia de bênção de capacetes realizada no arquipélago. A iniciativa insere-se na 11.ª Peregrinação da Bênção dos Capacetes ao Santuário de Fátima e decorre este ano, pela primeira vez, em simultâneo nos Açores e na Madeira.
A missa campal em São Miguel está marcada para as 10h00 e será presidida pelo Bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, contando com a colaboração direta do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres. A organização local está a cargo do Grupo Motard Sempre Livre, clube sediado na freguesia de São Roque que junta cerca de uma centena de associados desde a sua fundação, em 2007.
Na Cova da Iria, a celebração nacional será presidida pelo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, esperando-se uma mobilização em linha com as edições anteriores, depois de em 2025 o recinto do Santuário de Fátima ter acolhido cerca de 180 mil motociclistas. Ao longo das cerimónias, os próprios motards asseguram tarefas de acolhimento aos peregrinos, a recitação do Rosário, o transporte do andor e a leitura dos textos litúrgicos.
Em declarações citadas na nota transmitida pela organização, o presidente do Grupo Motard Sempre Livre, José Pereira, destaca a dimensão simbólica do momento para os praticantes do motociclismo na Região. “Para nós é um orgulho enorme sermos os pioneiros na organização desta celebração que representa um momento histórico para todo o motociclismo português promovendo os valores da amizade, da solidariedade, da fé e da segurança rodoviária entre todos os motociclistas”, sublinhou.
O responsável lembra ainda que o evento ultrapassa o meio motard e convida a população a juntar-se no Campo de São Francisco. “Esperamos que todos possam participar. O evento é organizado por um clube motard mas é aberto a toda a população, porque todos precisamos de bênçãos, todos precisamos de ser responsáveis”, concluiu o dirigente.

A Igreja Matriz da Horta, no Faial, acolheu a Eucaristia de ação de graças pelos 50 anos da consagração da autonomia político-administrativa dos Açores. Perante o presidente da República e os titulares dos órgãos de governo próprio da Região Autónoma dos Açores, o Bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, defendeu uma Autonomia assente na solidariedade, na coesão territorial e na interdependência entre todas as ilhas do arquipélago, segundo notícia publicada no sítio Igreja Açores.
Inspirando-se no relato evangélico da pesca milagrosa, o prelado diocesano comparou o percurso autonómico a um “fazer-se ao largo” e sublinhou a necessidade de cooperação mútua. “A Autonomia não se constrói no isolamento das pessoas ou de uma ilha contra a outra, mas na interdependência dos barcos”, afirmou o bispo de Angra durante a homilia, acrescentando que “quando uma ilha apanha peixe, a outra tem de vir ajudar a puxar a rede” e que “o futuro da Autonomia exige a solidariedade dos dois barcos, partilhando o peso do mar e a alegria do peixe”.
Na sua intervenção, D. Armando Esteves Domingues abordou também a figura de São Gregório Magno, cuja memória a Igreja celebrava no próprio dia, e a expressão “servo dos servos de Deus” para caracterizar a função dos decisores públicos. Para o prelado, as decisões políticas devem ter “o cheiro do povo” e priorizar as populações vulneráveis, utilizando a autoridade como ferramenta de justiça social e combatendo problemas como a pobreza, a exclusão social, os desafios demográficos e a integração de pessoas em risco.
O bispo recordou ainda o papel histórico da Diocese de Angra, criada em 1534, na construção da identidade e unidade arquipélagica antes da existência de um poder político centralizado na região. Apontando o contributo da rede paroquial, das misericórdias e das devoções populares, como o Culto do Divino Espírito Santo e o Senhor Santo Cristo dos Milagres, o responsável enfatizou a matriz cultural que sustentou o ideal autonómico e renovou o compromisso da Igreja Católica com o desenvolvimento integral dos Açores.
A celebração religiosa decorreu na véspera da sessão solene comemorativa dos 50 anos da Autonomia Político-Administrativa na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, na cidade da Horta.

O Campo de Lagos, na freguesia de Água d’Alto, concelho de Vila Franca do Campo, transformou-se no palco principal do XVI Jamboree Açoriano. A grande atividade regional, organizada sob o lema “Nove Rumos, Um Destino”, mobilizou cerca de 50 por cento do efetivo escutista açoriano e contou ainda com contingentes do Algarve, Santarém, Lisboa e Madeira, além de uma centena de caminheiros dedicados às operações de logística.
A concelebração eucarística de sábado à noite foi presidida pelo bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, seguida pelo tradicional Fogo de Conselho. Na homilia dirigida aos jovens exploradores e pioneiros, o prelado lembrou que “o escuteiro não tem medo de cair; deve ter medo de não se levantar”, acrescentando que “os vossos rumos são muitos, mas o vosso destino é um só: deixar o mundo um pouco melhor do que o encontraram”.
As dinâmicas no terreno decorreram sob a designação “Aventura do Corisco”, articulando jogos de campo, trilhos, peddy papers urbanos, atividades marítimas, limpeza de orla costeira, animação de idosos e ações de serviço à comunidade. Pela primeira vez no espaço do campo, seis sacerdotes garantiram a celebração diária da eucaristia e a exposição do Santíssimo Sacramento, como salientou o assistente da Junta de Núcleo de São Miguel, padre Norberto Brum.

A organização espacial dividiu os pioneiros pelas lagoas das Furnas, Sete Cidades e Fogo — cada qual com 150 elementos desdobrados em três lagoeiros —, enquanto os exploradores ocuparam setores dedicados às serras da ilha. O chefe regional do Corpo Nacional de Escutas (CNE), João Carlos Tavares, considerou que a iniciativa alcançou os seus objetivos, destacando o fortalecimento de laços num contexto insular e o facto de o escutismo açoriano assinalar cem anos de história ao serviço da formação dos jovens.
A vertente formativa sem recurso a tecnologias foi sublinhada pelos chefes nacionais presentes. Bento Lopes ressaltou a importância de proporcionar aos jovens vivências longe da dependência tecnológica, apontando em simultâneo a necessidade de captação de novos dirigentes. Joana Vasconcelos enfatizou que o movimento escutista consegue “colocar os jovens a dialogar, a trabalhar em equipa e a reinventar novas formas de estar sem as tecnologias”.
Ao nível do recinto, o chefe do Núcleo de São Miguel, Carlos Santos, explicou que a ausência de rede de telemóvel no Campo de Lagos impulsionou o relacionamento interpessoal: “Aqui não há rede de telemóvel e isso faz com que eles socializem mais. Olham-se nos olhos, fazem amigos e vivem experiências que dificilmente esquecerão”. O responsável apontou também as obras de beneficiação no local — como a construção de novos balneários, melhorias na rede de água e edificação de um palco —, intervenções estruturais que não ocorriam desde o jamboree de 2009.

No plano local e operacional, o chefe do Agrupamento 796 de Água d’Alto, Idalécio Faial, observou que a desconnexão digital facilitou a criação de amizades, enquanto Ricardo Costa, chefe do Agrupamento de Ponta Garça — estrutura que comemora 40 anos de existência —, enquadrou a iniciativa como um investimento no desenvolvimento dos jovens.
Entre os participantes, o balanço registou relatos convergentes sobre a aprendizagem e o convívio. Filipa Moniz definiu a vivência escutista como “uma segunda família”, partilhando a ideia de ter encontrado no campo “uma casa”. Outros participantes sublinharam a variedade das atividades, a superação de exigências físicas e a oportunidade de contactar com escuteiros de diferentes ilhas e regiões do país.
O XVI Jamboree Açoriano encerra formalmente esta segunda-feira. O programa do último dia incluiu uma sessão solene e abertura do campo a visitas exteriores, assinalando o encerramento oficial das comemorações do centenário do escutismo na Região Autónoma dos Açores. O calendário futuro do CNE prevê a eleição da Junta Regional em janeiro próximo e a realização do Acaral para os lobitos, estando a próxima edição do ACANUC em São Miguel agendada para 2028.

A Diocese de Angra vai dar início a um novo ciclo de reorganização e renovação pastoral, marcado por alterações de relevo em várias comunidades e estruturas da Igreja nos Açores. O Bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, acaba de publicar o decreto que determina novas nomeações pastorais, abrangendo paróquias em quatro ilhas do arquipélago, a equipa reitora do Seminário Episcopal e a criação formal de uma nova estrutura formativa. De acordo com a notícia avançada pela agência Igreja Açores, o processo decorreu “após ouvir o Conselho Episcopal, os Ouvidores e os próprios sacerdotes envolvidos”, assentando na necessidade de distribuir os recursos humanos de forma equilibrada.
O principal propósito desta reestruturação, conforme sublinha o decreto assinado pelo prelado açoriano, passa por assegurar um acompanhamento de proximidade a todas as comunidades locais. O Bispo Diocesano destaca que as nomeações visam garantir que as paróquias sejam guiadas por pastores capazes de, em espírito sinodal, agregar outros colaboradores ao cuidado pastoral, promovendo a unidade com as respetivas Ouvidorias e fortalecendo a comunhão eclesial em toda a região.
Na comunicação das novas nomeações, a Diocese faz questão de expressar um agradecimento especial aos sacerdotes abrangidos. O texto destaca a “extrema generosidade e disponibilidade” demonstradas pelos párocos durante este processo de reorganização dos ofícios canónicos, enaltecendo o espírito presbiteral com que acolheram as mudanças. Em simultâneo, é dirigida uma palavra de reconhecimento e apreço às comunidades locais que agora se despedem dos seus antigos sacerdotes e àquelas que se preparam para acolher os novos párocos.
Entre as principais alterações estruturais destaca-se a nova Equipa Reitora do Seminário Episcopal de Angra, que passará a ser liderada pelo Padre Emanuel Valadão Vaz, no cargo de reitor. A equipa fica completa com o Padre Nelson Filipe Brasil Pereira, que assume as funções de vice-reitor, e com o Padre Nélson Filipe Ferreira Vieira, nomeado diretor espiritual da instituição.
Outra grande novidade do decreto episcopal é a criação e nomeação da Escola Diocesana de Formação. Esta nova estrutura terá como diretor o Padre Dr. Nelson Filipe Brasil Pereira, que será acompanhado na direção pelo Padre Doutor Hélder Miranda Alexandre, pelo Padre Doutor José Júlio Mendes Rocha e pelos doutores João Manuel Avelar e Maria da Glória Santos Cunha Reis. A secretaria do novo organismo será coordenada pela Dra. Maria da Glória Santos Cunha Reis, contando ainda com Gonçalo Filipe Avelar Jesus, Dra. Andreia Marisa Costa Rocha e Lúcio Miguel Borges de Sousa.
Olhando para a distribuição geográfica nas ilhas, a Ouvidoria das Flores passa a contar com o Padre Fábio Silveira como pároco in solidum de todas as paróquias daquela ouvidoria, registando-se a dispensa do Padre Sérgio Durval Melo Mendonça do cargo de vigário paroquial para a realização de um ano sabático. Já no grupo central, na Graciosa, o Padre André Andrade Furtado assume as funções de pároco in solidum da Ouvidoria, enquanto o Padre Rúben Filipe Sousa Pacheco é dispensado para gozar o seu ano sabático.
Na ilha Terceira, a Ouvidoria de Angra concentra um número significativo de alterações. Os padres Emanuel Valadão Vaz e João Carlos de Freitas da Costa passam a paroquiar in solidum a Conceição (sendo o Padre Emanuel Vaz o moderador). O Padre Miguel Silva Tavares assume a paróquia de S. Bento e a vigararia de Santa Luzia, ao passo que o Padre Pedro Silveira Lima é nomeado vigário paroquial do Posto Santo, mantendo-se em Santa Luzia. O Padre Marco Paulo Bettencourt Gomes assume o Posto Santo, o Padre Jaime Luís Fagundes da Silveira ruma à Terra-Chã e o Padre Ricardo António Henriques assume a Ribeirinha. A paróquia de S. Bartolomeu passa para a responsabilidade do Padre José Júlio Mendes Rocha.
Na ilha de São Miguel, as novidades estendem-se a três Ouvidorias. Na Ouvidoria de Ponta Delgada, o Padre Francisco Dâmaso Zanon assume as paróquias de Saúde, Milagres e a Capelania da Piedade, nos Arrifes, deixando as Furnas e a Ribeira Quente. Para a Ouvidoria da Povoação, o Padre Silvano António Cabral Vasconcelos é nomeado pároco de Água Retorta e Remédios, enquanto o Padre Teodoro Manuel Sousa Medeiros assume as Furnas e a Ribeira Quente, sendo dispensado da Terra-Chã e de S. Bartolomeu, em Angra. Por fim, na Ouvidoria da Lagoa, o Padre Valter José Pacheco Correia assume o cargo de pároco da Atalhada.

O Bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, defendeu esta manhã a urgência de uma comunicação ética e profundamente humanizada. O alerta surge num contexto de crescente preocupação com os perigos da desinformação e o uso descontrolado da inteligência artificial no espaço público.
Num encontro com profissionais da comunicação social, realizado no Centro Pastoral Pio XII e partilhado em nota de imprensa pela Diocese de Angra, o prelado assinalou antecipadamente o 60.º Dia Mundial das Comunicações Sociais. A efeméride celebra-se no próximo domingo, 17 de maio, sob o mote “Preservar vozes e rostos humanos”.
Durante a sua intervenção, o bispo diocesano destacou que, num tempo de incerteza, a responsabilidade dos profissionais do setor é fundamental para a promoção da dignidade humana. “Os jornalistas são fundamentais porque fazem uma interpretação autêntica da realidade”, afirmou D. Armando Esteves Domingues.
O prelado reiterou que o papel do jornalismo é, hoje mais do que nunca, um serviço público de literacia mediática. Esta missão torna-se crucial perante a crescente dificuldade que os cidadãos enfrentam em distinguir a verdade nos canais digitais e nas redes sociais.
Demonstrando preocupação com o aumento dos discursos de ódio e a polarização, o Bispo de Angra lamentou a falta de “protagonistas responsáveis” que atuem como descodificadores da verdade. Para D. Armando, a sociedade atual parece ainda incapaz de concretizar valores essenciais como a fraternidade.

Para o prelado, a tecnologia não deve ser absolutizada nem substituir o discernimento humano. “Não se pode confundir o homem com as ferramentas, nem permitir que estas o substituam”, sublinhou, apelando a que a comunicação promova o encontro e a esperança em vez de ser usada para condenar.
D. Armando apontou ainda o modelo cristão da encarnação como o exemplo máximo de uma mensagem que se faz proximidade e pessoa. O bispo desafiou os presentes a combaterem a velocidade impessoal da informação através do rigor e da valorização da presença humana.
O evento contou também com o contributo do jornalista Osvaldo Cabral, antigo diretor da RTP Açores. O profissional traçou um percurso histórico sobre a visão dos últimos seis pontificados acerca do progresso tecnológico e o seu impacto na sociedade.
Osvaldo Cabral recordou o conceito de Internet como o “Novo Areópago”, cunhado por João Paulo II em 2002. Contrastou esta visão com os alertas recentes do Papa Leão XIV sobre as “bolhas digitais” e a dependência de algoritmos que moldam relações artificiais e isoladas.
Segundo a análise do jornalista, a Igreja tem procurado humanizar as invenções técnicas, vendo os meios de comunicação como espaços estratégicos de diálogo. Esta visão converge com os objetivos do jornalismo de proximidade, focado na clareza e no compromisso com os mais frágeis.

A ilha de São Miguel prepara-se para acolher, a partir de amanhã, 18 de abril, a primeira visita pastoral de D. Armando Esteves Domingues desde o início do seu episcopado. O périplo arranca na ouvidoria de Vila Franca do Campo e prolonga-se até ao dia 26 de abril, marcando um momento que a Igreja local classifica como histórico. Sob o lema “Bendito o que vem em nome do Senhor”, a iniciativa pretende ser, acima de tudo, um espaço de comunhão e renovação espiritual para a comunidade cristã vilafranquense. Segundo nota de imprensa enviada pela Ouvidoria de Vila Franca do Campo, a agenda do bispo de Angra será intensa e descentralizada, com passagens previstas pelas paróquias de Água d’Alto, São Pedro, Ponta Garça e Matriz, incluindo contactos diretos com escolas, associações, movimentos de leigos e visitas a doentes.
O padre José Borges, ouvidor local, destaca a importância deste encontro que rompe com o protocolo institucional para se focar nas pessoas. “Não é apenas uma formalidade do calendário; é, acima de tudo, um encontro de família”, sublinha o sacerdote, descrevendo D. Armando Esteves Domingues como “um pastor com cheiro a ovelhas”, cuja presença reforça o sentimento de que a comunidade não caminha isolada. Para o responsável, a visita é uma oportunidade para o prelado conhecer de perto a realidade de uma ouvidoria que já trabalha há vários anos numa dinâmica de cooperação entre paróquias, facilitando a implementação das orientações diocesanas e o caminho sinodal proposto pelo Papa Francisco.
Contudo, a visita pastoral será também um momento de reflexão sobre as fragilidades que afetam a prática religiosa na região. Entre os temas que a ouvidoria pretende levar ao diálogo com o bispo figuram a diminuição da participação ativa dos fiéis e a premente escassez de vocações sacerdotais. O padre José Borges alerta ainda para a crescente sobrecarga do clero, notando que “hoje, um padre assume várias paróquias, com as mesmas exigências de sempre”, o que obriga a um olhar mais atento sobre a saúde e o bem-estar dos sacerdotes. Apesar destes desafios, a estrutura pastoral de Vila Franca do Campo mantém o otimismo, sustentando que a fé da população permanece viva, ainda que confrontada com as exigências de uma vida quotidiana mais complexa.
A preparação deste evento mobilizou conselhos pastorais e equipas de formação, culminando numa assembleia eclesial que reforçou o papel dos leigos na Igreja. O programa inclui momentos de particular simbolismo, como encontros com jovens e escuteiros, a celebração de crismas e a denominada “Festa da Fé”. O encerramento oficial da visita pastoral terá lugar no dia 26 de abril, na Igreja Matriz de Vila Franca do Campo, com uma celebração eucarística que deverá reunir representantes de todas as comunidades da ouvidoria. Conforme sintetiza o padre José Borges, o objetivo final desta passagem de D. Armando Esteves Domingues pela localidade é claro: “Queremos construir juntos um caminho de fraternidade e futuro”.

O bispo de Angra afirmou, na alocução que fez na Celebração da Paixão do Senhor, na Sé de Angra, que qualquer instrumentalização de Deus para justificar a guerra ou a violência é um “ultraje” e uma “traição blasfema”, recuperando uma ideia repetida pelo Papa Francisco.
Na celebração, também conhecida como Hora Santa por marcar a hora da morte de Jesus, D. Armando Esteves Domingues afirmou que a verdadeira “grandeza e autoridade” residem em servir e proteger a vida, e não em dominar ou destruir.
Na cruz, Cristo entra “na solidão dos inocentes e transforma o desespero em oração”, afirmou destacando que este é “o critério ético maior daqueles a quem se confia a autoridade e o poder nas decisões que têm a ver com todos”.
A instrumentalização de Deus para justificar a guerra, a violência ou a imposição “é uma negação radical e definitiva da sua lição”.
“Não existe Deus da guerra e qualquer violência em nome Dele é um ultraje contra Deus, é uma traição blasfema a Deus”, enfatizou numa alocução muito centrada na necessidade da paz.
“Rezemos pela paz e por quem decide. Façamo-lo unidos ao clamor dos povos feridos, dos jovens enviados para matar e morrer, das mães e pais que enterram filhos, das crianças mortas e feridas”, pediu o bispo de Angra.
O prelado recordou que “mesmo entre ruínas e lágrimas, há sinais de Ressurreição: gestos de proteção, corredores humanitários, voluntários, padres, médicos, famílias que acolhem, comunidades que partilham, pessoas que arriscam a paz, homens e mulheres que escolhem salvar em vez de destruir”.
Sublinhou, por isso, que a hora da crucificação de Jesus é também a hora central da história da humanidade e da nossa própria história.
“É a hora em que, sofrendo livremente na cruz uma morte cruel, Jesus nos diz duas coisas: em primeiro lugar, diz-nos quem é Deus, o Pai, disposto a seguir o filho até ali, até ao alto da cruz, para demonstrar que Ele é todo e só amor e perdão; em segundo lugar, diz que o segredo da justiça, da paz e da fraternidade é dar a vida”, explicou.
“A cruz de Jesus não nos autoriza a colocar Deus no banco dos réus e a perguntar diante do sofrimento: ‘Onde está Deus?’. Ela convida-nos antes a perguntar: onde estamos nós diante do sofrimento, nosso e dos inocentes, e o que fazemos para não acrescentar mais sofrimento e mais morte à morte?” acrescentou, terminando com um apelo à oração pela paz.
No contexto do Ano Jubilar Franciscano, pelos 800 anos da morte de São Francisco, D. Armando Esteves Domingues recordou a oração do santo, pedindo que cada um se torne instrumento de paz, levando amor onde há ódio, perdão onde há ofensa, esperança onde há desespero e luz onde há trevas.
Na sexta feira a coleta da celebração reverteu a favor da Terra Santa. Num contexto de guerra persistente no Médio Oriente, o Dicastério para as Igrejas Orientais renovou o apelo anual à ajuda, convidando à oração intensa pela paz, especialmente após incidentes que ameaçaram a celebração pascal na região.
“As armas continuam a disparar, as pessoas continuam a morrer”, recordou o cardeal Claudio Gugerotti, destacando o sofrimento silencioso das populações locais e o impacto na presença cristã, ameaçada pela instabilidade e pelo radicalismo religioso.
Os fundos recolhidos destinam-se a apoiar projetos em Israel, Palestina, Jordânia, Síria, Líbano e Egito, incluindo distribuição de alimentos, medicamentos, manutenção de escolas, bolsas de estudo e habitação social.

“O serviço aos pobres é o maior desafio colocado aos discípulos.” A afirmação do bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, abriu um encontro promovido pelo Serviço Diocesano da Pastoral Social “Dilexi te- o amor para com os pobres” onde o apelo à urgência da ação dos cristãos foi uma constante. Sublinhando a necessidade de disponibilidade total, o prelado deixou um apelo claro para que ninguém falte na assistência ao irmão, sobretudo na resposta às necessidades concretas dos mais vulneráveis.
Num retrato detalhado da situação nos Açores, a presidente do Conselho Ecomómico e Social dos Açores, Piedade Lalanda, rejeitou uma leitura fatalista da pobreza lembrando que “se trata de um problema estrutural” que deve ser “atacado nas causas” de forma a inverter a tendência dos anos em que “poucos alimentaram a pobreza de muitos”.
A socióloga, que já foi responsável por este serviço da Igreja, destacou indicadores preocupantes, relativos aos Açores.
“Temos uma das mais elevadas taxas de baixa escolaridade do país”, associada à iliteracia e ao abandono escolar precoce. Apesar de medidas como a rede Valorizar, alertou que “mitiga o problema, mas estruturalmente não o resolve”, existindo ainda “um número de jovens que sai do sistema educativo sem a escolaridade obrigatória”.
A pobreza, disse, atinge de forma particularmente dura as famílias.
“Em 2024, incide sobretudo nas famílias monoparentais, com 87,3%”, referiu, acrescentando o paradoxo de os Açores serem uma região “católica” com “a taxa de divórcio mais alta do país”. Também as famílias com crianças enfrentam maior risco, num contexto agravado pela precariedade laboral: “Não se pode pedir a pessoas com instabilidade laboral que tenham filhos”.
Outro dado marcante é o número de trabalhadores pobres: “Temos mais de 11 mil trabalhadores cujos salários não suportam as dificuldades do dia a dia”. A isto juntam-se problemas de habitação, como a sobrelotação, que “pode ser um subproduto do turismo”, e desigualdades de género, com “as mulheres, sobretudo em idades mais avançadas, mais atingidas pela pobreza”.
Apesar de a taxa de risco de pobreza se situar nos 17,3%, Piedade Lalanda alertou: “Se não existissem apoios sociais, seria de 40%”, evidenciando a fragilidade estrutural da sociedade.

Num plano mais pastoral e teológico, o padre José Júlio Rocha aprofundou o significado da pobreza no cristianismo, distinguindo “a pobreza como escolha e modelo de vida” da “pobreza imposta”. A partir da enciclícia Dilexi Te, do papa leão XIV, recordou que “Jesus foi as duas coisas”, nascendo “numa manjedoura porque não havia lugar para ele”, foi migrante e refugiado e viveu sem “onde reclinar a cabeça”.
O sacerdote foi crítico em relação à evolução histórica da Igreja: “Com a ideia de poder, a Igreja deixou de dar testemunho e começou a impor a fé… e perdeu os pobres”. Defendeu que a instituição enfrenta hoje um desafio profundo: “A Igreja precisa de uma conversão estrutural e não está preparada para o fazer”.
Questionando diretamente os presentes, lançou um desafio incómodo: “Estaremos disponíveis para acolher o pobre que está no campo de São Francisco, que rouba para se drogar, e encontrar nele o altar sagrado? Não estamos”. Para o sacerdote, a mudança passa por recentrar prioridades: “A Igreja é toda pastoral social” e deve “debruçar-se sobre os pobres em vez de dar prioridade a outras pastorais, detidas em ritos”.
Também criticou uma visão assistencialista: “O pobre não pode ser objeto da minha esmola”, defendendo uma relação de igualdade e comunhão.
“Quando o pobre for o altar da Igreja e não o barroco ou o incenso, então estaremos no caminho”, afirmou depois de ter alertado para o perigo de um “cristianismo aburguesado” e “por vezes muito afastado das realidades mais duras e periféricas” da sociedade.
Já, no período de debate, Piedade Lalanda retomou esta ideia, reconhecendo que “a Igreja que dava primazia aos mais ricos existiu e continua a existir”, mas alertou: “Isso não combate a pobreza”. Defendeu uma mudança de atitude transversal: “Se um empresário, um professor, um enfermeiro agir de forma diferente, então podemos iluminar o presente”.
A necessidade de uma ação concreta e humanizada foi outro ponto forte, lembrando-se que a prática da compaixão deve ser uma prioridade na pastoral social da Igreja.
“O que dói na dor é não ter um ombro para chorar… a nossa indiferença carrega mais”, rematou o padre José Júlio Rocha.
Durante este encontro, Verónica Rego do Instituto de Segurança Social dos Açores, teve ainda tempo de elencar as linhas mestras da ação social desenvolvida pelo poder público.
No encerramento, Aldina Gamboa, diretora do Serviço Diocesano da Pastoral Social, deixou uma mensagem de esperança e compromisso coletivo: “A vossa presença é um sinal de primavera… que deste encontro brote uma vida nova para a pastoral social”. E concluiu com um apelo direto: “Saibamos estender a mão e abrir o coração… o mundo está a precisar de afeto, e ele não deve impedir-nos de intervir”.