
O presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, foi distinguido com o prestigiado prémio internacional “Peter Benchley Ocean Awards”, na categoria “Excellence in National Leadership”, um reconhecimento que coloca o arquipélago na vanguarda mundial da conservação marinha.
Considerados os “Óscares do Oceano”, estes galardões foram criados por Wendy Benchley e David Helvarg para destacar personalidades e instituições que contribuem de forma exemplar para a proteção e recuperação do meio marinho. A distinção agora atribuída a José Manuel Bolieiro surge num momento em que a Região Autónoma dos Açores, através do programa Blue Azores, consolidou a criação da maior Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Atlântico Norte, abrangendo já 30% do mar açoriano.
Este modelo destaca-se por um quadro de cogovernação que envolve cientistas, pescadores e comunidades locais, servindo agora de exemplo global para a gestão sustentável dos recursos marítimos. Para o júri, a implementação de zonas de proteção total e elevada, cumprindo rigorosos critérios internacionais, demonstra uma liderança política ambiciosa com impacto direto na preservação da biodiversidade no coração do Atlântico.
A cerimónia oficial de entrega do prémio terá lugar no dia 7 de maio de 2026, no icónico Monterey Bay Aquarium, na Califórnia. Ao receber este galardão na categoria de Liderança Nacional, Bolieiro junta-se a um restrito grupo de figuras de referência que já foram distinguidas em edições anteriores, como o ex-secretário de Estado norte-americano John Kerry ou o príncipe Alberto II do Mónaco.
A escolha foi validada por um painel de jurados que integra alguns dos mais respeitados nomes da ciência e da conservação marinha, entre os quais a oceanógrafa Sylvia Earle, referência mundial na exploração dos fundos marinhos.

O Presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, anunciou ontem, na “Our Ocean Conference”, em Atenas, na Grécia, que o quadro jurídico para a implementação das Áreas Marinhas Protegidas (AMP) na Região está pronto e seguirá em breve para o Parlamento da Região, segundo comunicado do Governo dos Açores.
José Bolieiro disse na ocasião que “o Governo dos Açores comprometeu-se a proteger 30% do mar dos Açores neste momento, e não esperar por 2030. Metade desta área estará totalmente protegida. O quadro jurídico está pronto para aprovação do Governo e passará posteriormente para o Parlamento”, adiantou o governante.
“Uma vez concretizada, a nova rede de Áreas Marinhas Protegidas terá quase 300 mil quilómetros quadrados e será a maior do Atlântico Norte, proporcionando aos açorianos um oceano saudável e uma economia azul próspera – esta é a nossa visão, esta é o nosso compromisso”, assinalou também o presidente do Governo.
Numa conferência que juntou centenas de especialistas, o presidente do governo regional salientou que o mar que rodeia os Açores constitui mais de metade da zona económica exclusiva portuguesa, e inclui “alguns dos mais importantes ecossistemas marinhos do Atlântico Norte”, de acordo com o mesmo comunicado. José Bolieiro falou do programa Blue Azores, que “não deixa ninguém para trás na comunidade”, nomeadamente no campo piscatório.
Áreas Marinhas Protegidas (AMP) são áreas geograficamente definidas onde a atividade humana é limitada com vista a proteger importantes recursos naturais, ou culturais, por forma a preservá-los ao longo do tempo. As AMP são essenciais para salvaguardar a biodiversidade e a saúde dos ecossistemas marinhos. Funcionam como santuários que garantem sistemas marinhos intactos onde as espécies comerciais aumentam em número e tamanho, ajudando a restaurar populações saudáveis dentro e fora dos seus limites.
O programa Blue Azores tem como um dos principais objetivos a proteção de 30% do mar dos Açores, através da revisão da Rede de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores, cumprindo as metas definidas no Quadro Mundial de Biodiversidade Kunming-Montreal, na Estratégia Europeia para a Biodiversidade 2030, e na Estratégia Nacional para o Mar 2030.
Este ano, Grécia acolheu a 9.ª “Our Ocean Conference”, onde são abordados alguns desafios-chave relacionados com o oceano, como a perda de biodiversidade, as alterações climáticas, a pesca insustentável, a poluição marinha e o transporte marítimo insustentável. A conferência foca-se em seis áreas de ação: Áreas Marinhas Protegidas, Economia Azul, Relação Oceano-Clima, Segurança Marítima, Pescas Sustentáveis e Poluição Marinha.
A conferência proporciona uma oportunidade para os líderes e partes interessadas discutirem e identificarem os desafios que o oceano enfrenta e demonstrarem liderança na sua conservação, assumindo compromissos políticos, científicos, financeiros, de parceria e de colaboração que nos colocarão no caminho para um futuro sustentável.
Leia a reportagem do Diário da Lagoa sobre as Áreas Marinhas Protegidas aqui.