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Torneio Interfreguesias da Lagoa regressa em julho

Prova decorre de 2 a 30 de julho, sendo disputada em cinco jornadas, cada uma a realizar-se numa das cinco freguesias lagoenses

© CM LAGOA

O auditório do edifício dos Paços do Concelho, na cidade da Lagoa, recebeu esta segunda-feira, 22 de junho, a apresentação do Torneio Interfreguesias em futsal. O torneio volta, assim, a dinamizar desportivamente o concelho com a sua quarta edição que inicia no dia 2 de julho.

O Torneio Interfreguesias irá decorrer de 2 a 30 de julho, sendo que a prova será, à semelhança do ano transato, disputada em cinco jornadas, cada uma a decorrer numa das cinco freguesias lagoenses, com dois jogos, o primeiro a acontecer às 20h00 e o segundo às 21h30, sendo este último com a equipa da casa.

Segundo a autarquia lagoense, a prova tem animado os diversos polidesportivos municipais, com a mobilização da comunidade em torno da modalidade desportiva. E tal como nas edições anteriores, estará assegurada a presença de um massagista e de um Desfibrilhador Automático Externo (DAE), em cada uma das cinco jornadas.

Em colaboração com a Associação de Futebol de Ponta Delgada e com a parceria das cinco juntas de freguesia do concelho, o torneio é homologado pela Federação Portuguesa de Futebol, no cumprimento da legislação vigente, sendo que esta iniciativa, promovida desde 2022 pela Câmara Municipal de Lagoa.

© CM LAGOA

A apresentação serviu ainda para a assinatura de um compromisso de conduta e fair-play entre responsáveis das equipas, presidentes de junta ou seus representantes, Câmara Municipal de Lagoa, Associação de Futebol de Ponta Delgada e arbitragem.

Todas as informações referentes ao Torneio Interfreguesias poderão ser acedidas na página do Portal da Câmara Municipal de Lagoa.

Durante a apresentação foi sorteado o calendário

1ª jornada – 2 de julho, Polidesportivo do Rosário
20:00 – Santa Cruz x Cabouco
21:30 – Rosário x Água de Pau
Folga: Ribeira Chã

2ª jornada – 9 de julho, Polidesportivo de Água de Pau
20:00 – Cabouco x Rosário
21:30 – Água de Pau x Ribeira Chã
Folga: Santa Cruz

3ª jornada – 16 de julho, Polidesportivo de Santa Cruz
20:00 – Ribeira Chã x Cabouco
21:30 – Santa Cruz x Rosário
Folga: Água de Pau

4ª jornada – 23 de julho, Polidesportivo do Cabouco
20:00 – Santa Cruz x Ribeira Chã
21:30 – Cabouco x Água de Pau
Folga: Rosário

5ª jornada – 30 de julho, Polidesportivo da Ribeira Chã
20:00 – Água de Pau x Santa Cruz
21:30 – Ribeira Chã x Rosário
Folga: Cabouco

Futsal feminino renasce no Atalhada Futebol Clube

O Atalhada FC volta a contar com uma equipa sénior feminina de futsal após mais de uma década de ausência. O clube viu esse projeto ser interrompido por falta de apoios. Com a determinação das atletas e direção, o regresso é uma realidade que promete fazer a diferença na comunidade desportiva da Lagoa

Equipa feminina do Atalhada FC renasceu com a mesma paixão que a viu nascer há mais de 20 anos © MARIANA ROVOREDO/DL

Fundado em 2002 por Altino Pereira, o Atalhada Futebol Clube, localizado no concelho da Lagoa, surgiu com equipa feminina. No entanto, por volta de 2013, o clube teve de terminar a equipa feminina sénior, por falta de recursos e apoio para a manter. O Atalhada FC manteve-se com os escalões de formação e a equipa sénior masculina. No entanto, na época 2024/25, e com muita procura, foi possível reativar a equipa feminina, que conta neste momento com 12 jogadoras, dos 20 aos 29 anos.

A presidente do Atalhada FC, Sónia Câmara, explica a iniciativa e destaca a importância da retoma deste grupo. “Voltamos a abrir a equipa feminina porque sentíamos essa falta aqui na Lagoa. O Atalhada FC foi pioneiro no futsal feminino e a sua ausência deixava uma lacuna. Quando surgiu a oportunidade e algumas jogadoras me abordaram, achei que seria interessante. Propusemos o projeto à Câmara Municipal, que nos apoiou de imediato. Para eles, também era essencial dar espaço ao futsal feminino”, diz.

Sónia Câmara reforça a necessidade de mais investimento na modalidade: “ainda existe discriminação e menos apoios para o futsal feminino. Há raparigas que gostariam de jogar, mas acabam por desistir devido ao preconceito. Se houvesse mais equipas a modalidade evoluiria muito mais”.

O sonho da presidente é claro: “gostava de ver mais adeptos a apoiar a equipa e um pavilhão cheio num jogo de futsal feminino, vamos crescer devagar, mas com firmeza.”

A visão da treinadora com um longo percurso no Atalhada FC

Natércia Pereira, treinadora da equipa e filha do fundador do clube, Altino Pereira, carrega no coração o amor pelo Atalhada FC. Com um percurso de mais de 30 anos no futsal, primeiro como jogadora e agora como treinadora, acredita no potencial da nova equipa. “Joguei dos 14 aos 38 anos sempre no Atalhada. Depois jogava e treinava as camadas jovens do Atalhada”, diz ao Diário da Lagoa (DL).

Apesar de a equipa ser recente, Natércia tem uma visão positiva: “elas têm muita capacidade. Estamos no bom caminho, mesmo sendo a equipa feminina mais recente de São Miguel”.

Sobre as dificuldades do futsal feminino, a treinadora lamenta: “a diferença para o masculino ainda se sente. Os apoios são poucos, e a mentalidade de que as mulheres não sabem jogar ainda persiste. É difícil conseguir patrocinadores para o feminino”.

“O Atalhada FC nasceu com a equipa feminina. O meu pai fundou o clube em 2002, inicialmente só com futsal feminino. Mas, por volta de 2013, tiveram de encerrar a equipa devido à falta de apoio e à aposta no escalão masculino que estava na terceira divisão e com expectativa de subir”, recorda a treinadora.

A motivação das jogadoras

Maria Amaral, capitã da equipa, iniciou a sua jornada no futsal em 2021, incentivada por amigas. Hoje, vê a modalidade como uma paixão e um desanuviar do dia a dia.

“O maior desafio no desporto feminino continua a ser o número reduzido de atletas e de equipas em competição. Enfrentamos sempre os mesmos adversários o que torna os campeonatos menos interessantes”, conta ao DL.

Ainda assim, a capitã valoriza a união do grupo: “o espírito de amizade e sacrifício é algo único nesta equipa. Mesmo quando os resultados não são os esperados, na semana de trabalho seguinte estão sempre lá todas dispostas a melhorar”.

Para a jogadora, o objetivo da equipa é claro: “queremos evoluir, não só como atletas, mas também como pessoas e tentar que mais raparigas adiram a este desporto que nos é tão querido”.

Com a dedicação da direção, da equipa técnica e das jogadoras, o Atalhada FC renasce com a mesma paixão que o viu nascer há mais de 20 anos. O futuro promete ser de luta, mas também de conquistas.

Benjamins da A.D.C de Santa Cruz conquistam Taça de Honra da Liga de Prata

A equipa de benjamins da Associação Desportiva e Cultural de Santa Cruz da Lagoa garantiu o primeiro título. Fundada há apenas um ano, a associação já colhe os frutos do seu trabalho

Associação tem vindo a crescer, contando atualmente com três escalões: benjamins, infantis e traquinas © DIREITOS RESERVADOS

A vitória representa uma enorme conquista para o clube, que nasceu com a missão de oferecer oportunidades desportivas a crianças que, de outra forma, não teriam acesso ao desporto federado. Segundo Mário Pereira, presidente da A.D.C de Santa Cruz, este feito “confirma o empenho e a dedicação ao longo da época”, destacando que muitos dos atletas nunca tinham praticado futsal antes de entrarem na equipa.

A associação, que iniciou as suas atividades no ano passado, tem vindo a crescer, contando atualmente com três escalões – benjamins, infantis e traquinas – com cerca de 12 jogadores por equipa e já planeia expandir-se ainda mais no futuro. O foco principal tem sido o futsal e o futebol, mas há também a intenção de abranger outras vertentes culturais, com um grupo de música.

Para além do sucesso desportivo, a Associação Desportiva e Cultural de Santa Cruz tem enfrentado desafios logísticos, especialmente no transporte dos atletas para os treinos e competições. A autarquia e a Junta de Freguesia têm sido fundamentais nesse apoio, facilitando deslocações.
Outro grande desafio tem sido a formação de treinadores e dirigentes. O clube começou com apenas o treinador Sérgio Pacheco mas tem vindo a trabalhar para formar mais profissionais qualificados. O presidente destaca o papel crucial do voluntariado e a necessidade de apoio financeiro para as formações.

Quanto ao futuro, os objetivos são claros: continuar a crescer, atrair mais crianças para a prática desportiva e conquistar novos títulos. “Queremos tirar o máximo de miúdos da rua, dar-lhes uma oportunidade de jogar e sentir que pertencem a uma equipa”, afirma Mário Pereira.
Com esta primeira taça conquistada, a Associação Desportiva e Cultural de Santa Cruz dá um passo sólido no seu trajeto, provando que o trabalho comunitário e a dedicação podem transformar vidas através do desporto.

“A minha maior alegria é ver as crianças a correr atrás de uma bola”

Abriu uma escola de futebol na ilha de São Miguel que já conta com 400 atletas. Pedro Resendes, mais conhecido como Pauleta, aposta na formação dos mais novos há quase duas décadas. Em entrevista ao Diário da Lagoa, falou do seu longo e importante percurso no mundo do futebol, nacional e europeu e do que espera para o futuro

Pedro Resendes tem 50 anos e nasceu na freguesia de S. Roque, na ilha de S. Miguel © ACÁCIO MATEUS

DL: Como começou o seu percurso no futebol, recorda-se?
Perfeitamente. Ainda há coisa de um mês ou dois estive aqui com a pessoa com quem tudo começou, o senhor João Bosco, foi na comunidade de jovens de São Pedro quando eu tinha nove anos. Eu jogava futebol na rua com os meus amigos, como toda a gente. Através de um amigo fomos experimentar a comunidade de jovens de São Pedro. Lá o senhor João Bosco era o treinador, o presidente, o roupeiro, fazia tudo, levava-nos no carro dele, num Citroen de dois cavalos. Nessa altura era aos nove anos que se começava.

DL: Quando ainda jogava nos Açores, sonhava em jogar num clube da primeira liga?
Sempre tive a ambição de ser jogador de futebol. A partir do momento em que saio do F.C. Porto e venho para cá, pensei que isso não fosse possível. O segundo objetivo era aquele que todos os açorianos tinham naquela altura, que era jogar num clube da terceira divisão e trabalhar durante o dia. Trabalhava numa empresa de distribuição e à noite jogava no Santa Clara, joguei no Operário, no Angrense, União Micaelense, seis meses cada um, até que apareceu a oportunidade de ir para o Estoril através de um amigo meu.

DL: Como foi a sua passagem pelo Operário?
Foi muito importante. O Operário é um clube pelo qual eu tenho um carinho muito especial. Foram dois anos maravilhosos em todos os aspetos. Conheci colegas maravilhosos com quem fiz amizades fantásticas, jogávamos um futebol que não sei se o Operário voltou a jogar, fazíamos muitos golos, o estádio na Lagoa estava sempre cheio. 

DL: Como foi a experiência na primeira liga de Espanha no Salamanca?
Na minha carreira foi sempre tudo muito rápido. Eu era um miúdo que dois anos antes estava a trabalhar nos Açores a acartar caixas, jogava futebol em campos rolados e dois anos depois estava na primeira divisão do campeonato espanhol, como melhor marcador e a subir de divisão da liga espanhola. 

DL: Depois de Espanha, segue-se a França com o Bordéus. Como foi essa transição?
Foi uma opção de conhecer outro campeonato. Eu tinha acabado de ser campeão pela Corunha, que tinha comprado mais dois avançados. Aparece o Bordéus depois de um jogo que eu faço na Letónia, com a seleção. A proposta e as condições eram muito melhores do que as que eu tinha, era uma oportunidade de experimentar outro campeonato e foi uma opção.

DL: A sua ligação ao Paris Saint Germain ainda se mantém?
Sim, trabalho com eles várias vezes no ano, sou embaixador do clube, faço várias ações. Já se passaram 15 anos mas essa ligação ficou bastante forte, foi o clube onde passei mais anos, tenho um carinho por eles bastante especial e felizmente essa ligação continua.

DL: Depois vem a fase em que decide terminar a carreira no Desportivo de São Roque. Como é que se dá essa decisão?
O meu filho estava a jogar no Desportivo de São Roque quando veio para cá foi para os iniciados do clube e depois juvenis. O São Roque fazia a formação toda mas não tinha equipa sénior. Então eu disse ao Emanuel, o presidente da altura: “olha, vou-vos ajudar a fazer uma equipa sénior.” Para ajudar eu disse-lhe, “eu faço um jogo”. Depois faço três golos no primeiro jogo, entusiasmei-me um bocadinho, depois veio mais um jogo, quando dei por mim já ia para o terceiro jogo mas sabia que não era para continuar, era para dar aquele empurrão ao São Roque. Fomos três gerações: o meu pai, eu e o meu filho a jogar no clube da nossa terra.

Pauleta defedende que o “desporto e a educação têm de andar de mãos dadas” © ACÁCIO MATEUS

DL: Como é que surge a escola de futebol Pauleta?
Quando era miúdo, treinava no Relvão, em espaços muito reduzidos, as condições eram muito fracas na altura. À medida que fui atingindo certos patamares, sempre disse que gostava de abrir uma escola de futebol aqui. Falei com o Vítor Simas, que conheci no Operário e com que tenho uma amizade muito forte e disse-lhe: “olha vamos abrir uma escola, ficas tu responsável pela escola”. E foi esse o primeiro passo. Vamos fazer já 20 anos de existência em agosto de 2024.

DL: Está satisfeito, passados todos estes anos?
Sim, estou muito satisfeito. Olhamos para o projeto que vemos aqui e temos dois campos sintéticos, bancada, ginásio, salas, com todas as condições que acho que um miúdo tem que ter para fazer desporto. Felizmente nós temos essas condições e o sucesso está à vista. Para além das condições, tens de ter pessoas com capacidade para liderar essas crianças e aqui nunca fui atrás do verdadeiro treinador de futebol, mas da parte mais pedagógica, professores formados em educação física e desporto e isso tem sido muito importante. Temos tido um aumento de atletas, este ano chegámos às 400 inscrições. Nos Açores não há nenhum clube de futebol com esse número. Eu não estou aqui para formar jogadores nem para fazer novos ‘Pauletas’, como se dizia na altura, para mim isso é o menos importante. Se amanhã sair algum jogador da nossa escola, fico satisfeito. Depois daí juntamos a Fundação Pauleta a esse projeto, que era algo em que eu já fazia ações a nível individual. Com a Fundação, já fizemos ações nas ilhas todas, já fomos aos Estados Unidos, continente, e é uma forma de os miúdos verem o outro lado que é o solidário. 

DL: Não pensa criar uma equipa de futebol sénior?
Nunca devemos dizer nunca. Ainda não conseguimos abrir juniores. Traçamos um objetivo que passa por ter duas equipas de iniciados, duas equipas de juvenis para depois podermos abrir os juniores, porquê? Porque assim não vamos buscar ninguém a outros clubes. Quem quiser ficar, as nossas formações, continua. Mas sabemos que naquela idade dos 17/18 anos os miúdos vão praticamente todos para a universidade e só com uma equipa de juvenis, passando para juniores se consegue arranjar o número de jogadores suficientes para abrir o escalão acima. Em relação aos seniores, não me passa pela cabeça. A minha ideia é só mesmo a formação. 

DL: A minha geração e as anteriores cresceram a ver e a ouvir falar do Pauleta. Mas há muitas crianças de agora que não. Olhando para todo o seu percurso, que mensagem deixa aos mais novos?
A minha mensagem é sempre a mesma, é que eles se divirtam, que façam o que gostam, que estudem, que sejam bons alunos. As duas coisas — o desporto e a escola — podem-se conciliar. O desporto e a educação têm de andar de mãos dadas.

DL: Sente-se orgulhoso?
Sim, orgulhoso, de consciência tranquila e com o sentimento de dever cumprido. A minha maior alegria é ver as crianças a correr atrás de uma bola, saber quando têm de entrar em campo, quando é que têm de sair, a saber ouvir o treinador. Sinto um orgulho enorme em ver as crianças a fazer desporto porque são o futuro.