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Bolieiro e o Divórcio com Hora Marcada: Ver para Crer

Venicio da Costa Ponte
Vice-coordenador da Iniciativa Liberal Açores

Há manhãs em que a leitura da imprensa regional nos devolve uma dose de entretenimento que nenhum algoritmo de Inteligência Artificial conseguiria replicar. Estava eu, no meu habitual périplo pelas notícias das nossas nove ilhas, quando me deparo com uma declaração de José Manuel Bolieiro que merece figurar no panteão do otimismo antropológico: em 2028, o PSD concorrerá sozinho.

Tal como o apóstolo São Tomé, confesso que a minha natureza é a da dúvida metódica. “Só vendo”, pensei eu, enquanto tentava processar a ideia de um partido que governa em coligação tripartida — e que ainda assim precisa de equilibrar pratos com o Chega, a IL e o PAN para não deixar cair o orçamento — anunciar, com dois anos de antecedência, que afinal já não precisa de companhia para ir ao baile.

O sarcasmo é inevitável. Bolieiro garante que “não há risco de melindres” entre os parceiros CDS e PPM. É uma forma elegante de dizer que o divórcio está assinado antes mesmo da renovação dos votos, mas que, até lá, todos continuam a partilhar o mesmo teto institucional com um sorriso diplomático. É a política do “estamos bem”, embora a perceção pública, como a própria entrevista sugere, insinue por vezes que o vice-presidente manda mais do que o presidente. Bolieiro desmente, claro. Mas na política, como na física, quando se gasta tanta energia a desmentir quem manda, é porque a autoridade está a ser exercida por osmose.

Para um liberal, esta súbita vontade de “solidão” do PSD Açores levanta questões interessantes. Se o PSD quer concorrer sozinho para “não se anular”, por que razão não aproveita essa clareza de liderança agora? Por que razão continuamos a ver uma governação que, nas Lajes, admite a ingenuidade do otimismo e, na SATA, navega entre a ausência de pessimismos e a falta de soluções concretas para a saída da Ryanair?

A visão de futuro que os Açores exigem não passa por saber se o PSD vai sozinho ou acompanhado ao altar das urnas em 2028. Passa por saber se teremos a coragem de transformar a Região num polo de competitividade real, livre da “dependência crónica das transferências do Estado” que o próprio Bolieiro critica ao apontar o dedo à Lei das Finanças Regionais. Culpar o centralismo de Lisboa é o desporto nacional preferido de qualquer governo regional, mas a verdadeira autonomia conquista-se com reformas, com o tal “choque fiscal” que atraia investimento.

Em 2028, veremos se o PSD vai sozinho. Até lá, ficamos com a promessa da “palavra dada”. Prefiro focar-me nos resultados dados. Porque, no fim do dia, o que interessa ao pagador de impostos açoriano não é a composição da lista eleitoral, mas sim se o governo — seja ele de que cor for — tem a coragem de tirar a mão do seu bolso e deixar a economia respirar. Veremos.

Bolieiro sublinha “importância de Abril” para a autonomia dos Açores

© MIGUEL MACHADO/GRA

O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, participou na sessão solene comemorativa do 52.º aniversário do 25 de Abril de 1974, realizada na Assembleia da República, em Lisboa.

A cerimónia voltou a assinalar uma das datas mais marcantes da história de Portugal, evocando o fim de décadas de ditadura e o início de um caminho sustentado na liberdade, na democracia e na participação dos cidadãos na vida pública.

As comemorações deste ano decorrem num contexto simbólico, ao coincidirem com os 50 anos da Constituição da República Portuguesa e da autonomia regional, dois marcos que resultam diretamente do processo democrático iniciado com a Revolução dos Cravos.

José Manuel Bolieiro tem sublinhado que o 25 de Abril “abriu um novo horizonte histórico”, ao restabelecer a liberdade e criar condições para que a autonomia dos Açores pudesse ser afirmada em democracia. Neste âmbito, destaca a Constituição de 1976 como “um momento fundador”, por reconhecer “com clareza e densidade” a autonomia político-administrativa do arquipélago.

Segundo o governante, esse enquadramento permitiu dotar a região “de órgãos de governo próprio e de um espaço institucional legítimo” para afirmar as suas especificidades e defender os seus interesses.

José Manuel Bolieiro tem igualmente defendido que o 25 de Abril representa “uma conquista democrática em Portugal e nos Açores”, cuja memória deve continuar a mobilizar a sociedade para a defesa da liberdade, da participação cívica e do aprofundamento da autonomia.

José Manuel Bolieiro inaugura Presépio e Árvore de Natal da Presidência em cerimónia intergeracional

© MIGUEL MACHADO/GRA

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, inaugurou na passada sexta-feira, 12 de dezembro, o Presépio e a Árvore de Natal da Presidência do Governo, numa cerimónia que decorreu no Palácio de Sant’Ana, em Ponta Delgada, e que se destacou pela proximidade e pelo convívio entre diferentes gerações.

O líder do executivo regional, acompanhado pela secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, recebeu cerca de 45 elementos da Casa do Povo de Arrifes. O grupo incluía crianças do Centro Intergeracional e utentes das valências de Centro de Dia e Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI), cumprindo a tradição natalícia de abrir o Palácio à comunidade.

Nos jardins da residência oficial, junto ao Presépio, Bolieiro dirigiu uma mensagem a todos os açorianos, nas nove ilhas e na diáspora, sublinhando o significado da quadra como um tempo de amor e esperança.

“Estamos num período natalício que nos convoca para o melhor espírito que o nascimento do Menino Jesus nos coloca à flor da pele: o amor e a esperança”, afirmou o presidente do Governo regional.

Referindo-se à importância de abrir o Palácio à comunidade, o governante destacou o simbolismo do encontro entre crianças e idosos, valorizando o calor humano e a partilha intergeracional. “É com enorme agrado que, cumprindo a tradição da árvore de Natal na Presidência do Governo, recebemos crianças e idosos para celebrar, para os receber com calor e carinho, neste Palácio de Sant’Ana”, acrescentou.

Num contexto internacional de instabilidade, José Manuel Bolieiro apelou ainda à paz, ao bom convívio e à união, defendendo que o respeito, o carinho e o amor ao próximo são essenciais para a superação de problemas.

A cerimónia contou também com a presença da presidente da Direção da Casa do Povo de Arrifes, Lurdes Massa, do presidente da Junta de Freguesia de Arrifes, Miguel Sousa, e dos funcionários do Palácio de Sant’Ana.

Bolieiro afirma que a região é um “Centro de Gravidade” no Atlântico e pede maior responsabilidade europeia na defesa

© MIGUEL MACHADO/GRA

O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, defendeu esta quarta-feira, 10 de dezembro, em Ponta Delgada, que o arquipélago assume uma posição geoestratégica determinante para a segurança global, devendo ser reconhecido como um “centro de gravidade entre a Europa, a América e África” e não uma periferia.

O líder do executivo açoriano sublinhou a necessidade de uma maior articulação entre as políticas de segurança, defesa e coesão territorial, alertando que “o Atlântico volta a ser um eixo estratégico decisivo” e instando a União Europeia a fortalecer a sua capacidade de ação no panorama transatlântico.

A intervenção de José Manuel Bolieiro ocorreu na sessão solene de abertura do nono Curso Intensivo de Segurança e Defesa (CISEDE), promovido pelo Instituto da Defesa Nacional, que regressa à Região, um facto que o governante não considera uma coincidência, refletindo a importância estratégica dos Açores.

O líder do executivo regional enquadrou o curso num momento de profundas mudanças geopolíticas, onde o Atlântico Norte concentra rotas essenciais, infraestruturas críticas e dinâmicas de projeção de forças, sendo também um espaço de crescente competição entre grandes potências. Bolieiro classificou o mar como, simultaneamente, “fronteira de risco e reserva de futuro”, defendendo que a abordagem à segurança deve ir além da dimensão estritamente militar e integrar áreas como portos, aeroportos, comunicações, ciência, tecnologia e investigação.

O Presidente do Governo regional salientou que, embora os Estados Unidos continuem a ser o “pilar central da defesa coletiva ocidental”, é fundamental que a Europa assuma maior responsabilidade pela sua própria segurança. “A NATO continua indispensável, mas a União Europeia tem de fortalecer a sua capacidade de ação”, declarou.

Bolieiro destacou ainda o papel da Base das Lajes, afirmando que é “muito mais do que uma infraestrutura militar”, constituindo um ativo central em cenários de apoio logístico, patrulhamento marítimo e resposta a crises no Atlântico.

O governante defendeu também a importância de investimentos com dupla utilização, militar e civil, apontando para a modernização dos portos, o reforço da vigilância marítima, o desenvolvimento de capacidades espaciais em Santa Maria e a expansão das comunicações seguras. “Cada euro investido nos Açores é também um investimento em segurança europeia e em coesão territorial,” afirmou, defendendo que o exercício do poder político deve respeitar o princípio da subsidiariedade e as competências próprias da Região Autónoma.

José Manuel Bolieiro sublinhou que a coesão territorial deve ser encarada como um pilar da segurança, alertando que territórios com fraca conectividade e poucas oportunidades económicas se tornam mais vulneráveis. “Uma estratégia de defesa que ignore as pessoas fragiliza-se a médio prazo,” advertiu. O presidente do Governo Regional concluiu que os Açores podem ser um exemplo de coerência no quadro europeu, lembrando a citação de Vitorino Nemésio sobre como “a geografia vale outro tanto como a história” no arquipélago, e reiterando que a segurança da Europa começa “muito para lá do seu continente”.

Aprovado orçamento dos Açores para 2026

© MIGUEL MACHADO/GRA

A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores aprovou esta quinta-feira, 27 de novembro, em votação final global, o Orçamento da região para 2026.

Em declarações no final da sessão, o presidente do Governo, José Manuel Bolieiro, manifestou “satisfação” com o resultado, afirmando que a decisão “salvaguarda os interesses dos açorianos e da Região Autónoma dos Açores” e garante a estabilidade política e orçamental necessária para um ano que descreve como “particularmente decisivo” para o arquipélago.

O líder do executivo açoriano deixou uma palavra de reconhecimento aos deputados que viabilizaram o documento, valorizando a responsabilidade demonstrada, e sublinhou que o processo parlamentar voltou a evidenciar “humildade democrática” e a força do diálogo político, uma vez que propostas de alteração provenientes de diferentes partidos foram aprovadas quando acrescentavam valor e mantinham a coerência do orçamento.

Para José Manuel Bolieiro, este método reforça a legitimidade de um documento construído “com visão, consistência e sentido de futuro”.

O presidente do Governo sublinhou que os Açores atravessam um momento que exige escolhas responsáveis, suportadas por recursos finitos mas orientados por prioridades claras.

O governante reafirmou que o executivo segue uma visão para a região assente na confiança dos cidadãos, na valorização das nove ilhas e no papel estratégico que o arquipélago assume no Atlântico.

Para José Manuel Bolieiro, a autonomia vive hoje um “tempo de oportunidade”, num contexto em que a relevância geoestratégica dos Açores para Portugal e para a Europa deve traduzir-se em investimentos concretos e retornos efetivos para a economia regional.

O presidente do Governo chamou a atenção para o peso excecional dos fundos comunitários, em especial do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), cuja execução considera complexa e exigente.

“Esta votação revela sentido de responsabilidade num ano que vai exigir muito de todos nós”, afirmou, acrescentando que preferia que todas as forças políticas encarassem este desafio com “boa interpretação do interesse dos Açores”.

O responsável adiantou ainda que os fundos europeus em curso são determinantes na modernização das infraestruturas, na criação de oportunidades económicas, na valorização das ilhas e no bem-estar das famílias.

“Fizemos sempre o possível, com enorme esforço e com a escassez de recursos que tínhamos”, referiu, argumentando que foram alcançados resultados concretos na economia, na sustentabilidade das empresas e na recuperação da saúde pública.

Medidas estruturantes, como a redução fiscal, os apoios sociais, o investimento em creches gratuitas ou os complementos de pensão, têm tido impacto direto na vida das pessoas e são expressão de um novo paradigma político, realçou.

O presidente do Governo dos Açores concluiu assumindo que quer “sempre mais e melhor” para os Açores, mas observou que o Governo tem o mérito de, na comparação com o passado, ter conseguido avanços relevantes em áreas centrais para a Região.

“Com tanto contexto e dificuldade, o que fizemos, fizemos porque nos esforçámos muito e fomos competentes”, afirmou, concluindo que, apesar do muito já alcançado, permanece o compromisso de continuar a fazer mais: “Tanto feito, tanto para fazer”.

José Manuel Bolieiro participa em homenagem no Hospital CUF Açores

© JF/GRA

Os profissionais do Hospital CUF Açores, na cidade da Lagoa, ilha de São Miguel, foram homenageados na segunda-feira, 23 de junho. Tratou-se de uma demonstração pública de reconhecimento pelo apoio prestado ao Serviço Regional de Saúde (SRS) após o incêndio que afetou gravemente o Hospital do Divino Espírito Santo.

A cerimónia decorreu nas instalações da CUF Açores, após uma reunião entre o presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieir e o CEO da CUF, Rui Diniz. Para além da homenagem aos profissionais envolvidos, o momento serviu também para assinalar os 80 anos da fundação da CUF.

“Quero deixar uma palavra de gratidão e reconhecimento. O que cada um fez, fez bem”, afirmou o presidente do Governo regional, dirigindo-se aos profissionais da CUF.

Segundo comunicado do Governo dos Açores, o incêndio no HDES “obrigou à evacuação total da unidade hospitalar, envolvendo centenas de doentes e profissionais. Graças à resposta rápida e eficaz das estruturas de saúde da região, em estreita articulação com o setor privado, foi possível assegurar a continuidade dos cuidados sem consequências graves para os utentes”.

José Manuel Bolieiro, salientou, assim, que o sucesso da operação foi fruto de uma ação coordenada, onde todos deram o melhor de si.

“Foi uma situação de calamidade. Mas correu bem porque houve esforço, entrega e profissionalismo”, sublinhou, acrescentando ainda que, “não houve facilitismos, houve virtude na forma como foi enfrentada a dificuldade”.

O líder do executivo açoriano destacou ainda a forma como a CUF acolheu os utentes, garantindo condições de dignidade e qualidade clínica.

O executivo sublinha, em comunicado, que a homenagem foi também ocasião para reforçar o compromisso do Governo dos Açores com uma estratégia de colaboração entre os setores público, privado e social da saúde. O governante defendeu um modelo de complementaridade que potencie recursos e capacidades, assegurando uma rede de resposta mais robusta e integrada.

“Queremos um SRS musculado, preparado para responder à essência, e a essência não se pode limitar ao mínimo”, referiu.

O presidente do Governo regional deixou, por fim, uma mensagem de estímulo: “Cada situação é uma oportunidade de aprendizagem. Continuaremos a trabalhar para uma saúde mais preparada, mais humana e mais próxima”.

Governo dos Açores reforça compromisso com agricultores e garante continuidade dos apoios

© MIGUEL MACHADO/GRA

O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, recebeu esta quinta-feira,  27 de março, em audiência os novos corpos sociais da Associação Agrícola de São Miguel (AASM) e da Cooperativa União Agrícola (CUA), liderados por Jorge Rita.

Em nota de imprensa, o líder do executivo açoriano destaca o papel estratégico destas instituições, enaltecendo o trabalho desenvolvido em prol da sustentabilidade e valorização da agricultura nos Açores.

“Deixo uma palavra de gratidão pela competência e o trabalho desenvolvido, que tem sido fundamental para a sustentabilidade dos nossos empresários agrícolas”, afirma, sublinhando ainda que “a afirmação da qualidade e da excelência da cadeia de valor resultante do produto agroalimentar tem a ver com a excelência do trabalho realizado”. 

José Manuel Bolieiro assegura que a agricultura vai continuar a ser uma prioridade no quadro orçamental do Governo dos Açores, garantindo que “os apoios são para manter” e que “não haverá novamente o regresso dos rateios” – uma referência às medidas adotadas por anteriores governos que levaram à redução dos subsídios agrícolas.

O governante reforça que a estabilidade e previsibilidade dos apoios financeiros são essenciais para garantir a continuidade e o desenvolvimento do setor. 

O executivo açoriano diz manter um diálogo permanente com a União Europeia para garantir o reforço dos fundos do POSEI, um programa de apoio à produção agrícola nas regiões ultraperiféricas.

“Estamos a trabalhar para que o POSEI disponha de meios suficientes para assegurar os apoios justos e devidos à economia produtiva regional”, explicou José Manuel Bolieiro, acrescentando que, para 2025, o Estado português assumirá um financiamento de aproximadamente 16 milhões de euros. 

No decorrer da reunião, ficou também estabelecido um compromisso para a realização de encontros regulares, de forma a garantir um acompanhamento próximo das necessidades do setor e a previsibilidade dos pagamentos dos apoios financeiros. 

Jorge Rita, que recentemente foi reeleito para o seu último mandato à frente da AASM e da CUA, considerou a reunião produtiva e mostrou-se satisfeito com as garantias dadas pelo Governo dos Açores.

“O Governo continua a ser um parceiro essencial dos agricultores”, afirmou, realçando a importância do diálogo entre as entidades representativas do setor e o executivo açoriano. 

O encontro reforçou a relação de cooperação entre o Governo dos Açores e os agricultores açorianos, num momento em que a estabilidade e o fortalecimento do setor são fundamentais para a economia da Região.

José Manuel Bolieiro destaca “crescimento sustentável e qualidade” dos Açores

© MIGUEL MACHADO/GRA

A abertura da Better Tourism Lisboa (BTL) 2025 decorreu esta manhã, 13 de março, onde marcou presença o presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, acompanhado pela secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral.

O presidente do executivo açoriano, destacou o crescimento sustentado e qualitativo do turismo na Região Autónoma dos Açores.

“Os Açores têm muito potencial para crescer em termos de quantidade, mas temos tido um crescimento consistente e, sobretudo, qualitativo”, afirmou José Manuel Bolieiro, sublinhando que a região tem apostado na qualidade, na excelência e na certificação dos produtos e atividades turísticas, assegurando um maior valor acrescentado para os operadores.

O Governo regional, em nota de imprensa enviada às redações, salienta que os números de 2024 são “prova do sucesso do turismo nos Açores. Pela primeira vez, o arquipélago registou mais de 4,2 milhões de dormidas, representando um crescimento de 12,4% face a 2023 e de 27,6% face a 2022”.

“Os proveitos na hotelaria ultrapassaram os 187 milhões de euros, um aumento de 46% em relação a 2022, enquanto o Turismo em Espaço Rural superou os 18 milhões de euros. No total, os proveitos turísticos ultrapassaram os 200 milhões de euros, reforçando a notoriedade e competitividade da região a nível internacional”, lê-se na nota do governo açoriano.

O líder do Governo regional destacou igualmente a distinção dos Açores como o primeiro arquipélago do mundo a obter o Nível Ouro da certificação de “Destino Sustentável” pela Earth Check, alcançada em 2024. Nos últimos dois anos, a região também foi eleita como o “Melhor Destino de Turismo de Aventura do Mundo” e “da Europa” pelos World Travel Awards.

“Somos o primeiro arquipélago no mundo certificado como ‘Destino Sustentável’, já com o Nível Ouro”, frisou o governante.

José Manuel Bolieiro sublinhou ainda que a sustentabilidade está no centro do desenvolvimento turístico regional, beneficiando tanto residentes como visitantes.

“Defendemos que o turismo só é bom enquanto for bom para quem nos visita, mas, acima de tudo, enquanto for bom para quem cá vive”, destacou.

Durante a sua visita à BTL, o presidente do Governo dos Açores percorreu as quatro dezenas de stands das 37 empresas e agentes de turismo regionais presentes no evento, bem como os espaços representativos dos 19 municípios dos Açores, evidenciando a importância da colaboração entre o setor público e privado para o crescimento sustentado da atividade turística.

O ministro da Economia, Pedro Reis, também visitou o Stand dos Açores e destacou a região como um exemplo a seguir na estratégia do turismo nacional.

“Os Açores são uma potência em crescimento e um caso de sucesso na aposta num turismo de qualidade, sustentável e diferenciador. Este é um modelo que devemos valorizar e replicar”, afirmou Pedro Reis.

O presidente do Governo reforçou, por fim, que o crescimento dos proveitos tem superado o das dormidas, evidenciando a aposta na qualidade do destino.

“Estamos a crescer mais em qualidade do que em quantidade. Esse é um fator de enorme relevância para a sustentabilidade do destino e para nos prepararmos para um futuro cada vez mais competitivo”, finalizou.

Pedro Pauleta homenageado com nova designação de rua em São Roque

José Manuel Bolieiro realçou o gesto como um “justo reconhecimento” ao mérito do antigo futebolista que levou longe o nome dos Açores

© MIGUEL MACHADO/GRA

Na freguesia de São Roque, concelho de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, decorreu este sábado, 8 de março, a cerimónia de alteração da toponímia da Variante de São Roque, que passa agora a chamar-se Rua Pedro Pauleta.

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, acompanhado pela secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, presidiu à homenagem a Pedro Pauleta.

O líder do executivo açoriano destacou este gesto como um “justo reconhecimento” ao mérito do antigo futebolista açoriano, cuja carreira levou longe o nome dos Açores.

José Manuel Bolieiro sublinhou a importância de homenagear figuras que, com o seu talento e caráter, contribuem para o prestígio da região.

“Pedro Pauleta é um ilustre açoriano que muito honra a freguesia, o seu povo e os Açores inteiros”, afirmou José Manuel Bolieiro, enquanto confessou ser “fã do desportista e do cidadão Pedro Pauleta, uma pessoa que engrandece os Açores no mundo”.

O governante destacou a humildade, atitude positiva e contributo do ex-jogador para a sociedade.

Pedro Pauleta agradeceu a distinção, expressando a sua gratidão pela homenagem simbólica na terra que o viu nascer.

“É um orgulho enorme ver o meu nome nesta rua, aqui em São Roque, onde cresci e onde tenho as minhas raízes”, afirmou.

O ex-jogador recordou com carinho a sua infância na freguesia e salientou que, apesar da projeção internacional da sua carreira, os Açores foram sempre o seu ponto de referência.

“Os Açores fazem parte de mim e estarão sempre no meu coração”, disse, comovido.

Segundo nota de imprensa enviada às redações peço governo açoriano, a homenagem agora concretizada “cumpre o compromisso assumido pelo Governo regional aquando da inauguração da variante, em fevereiro de 2022, e reforça a ligação de Pedro Pauleta à sua terra natal, perpetuando o seu nome num espaço público da freguesia”.

Ao longo da sua carreira, Pauleta destacou-se em clubes como o Bordéus e o Paris Saint-Germain, onde se tornou um ícone, e foi durante anos o melhor marcador da Seleção Nacional, sendo ainda hoje o segundo melhor de sempre.

Na cerimónia estiveram também presentes o vice-presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Furtado; o diretor regional das Obras Públicas, Pedro Azevedo; a presidente da Junta de Freguesia de São Roque, Lúcia Rego; o ex-presidente da Junta de Freguesia de São Roque, Pedro Moura; assim como o próprio Pedro Pauleta, acompanhado por familiares e amigos.

Presidente do Governo regional acredita que é possível transformar os Açores “numa região de oportunidades”

José Manuel Bolieiro recebeu o Diário da Lagoa no Palácio de Sant´Ana para uma longa e descontraída entrevista. Durante uma hora, falou do seu percurso e dos desafios que a região enfrentou e enfrenta atualmente

Presidente do Governo dos Açores recebeu o Diário da Lagoa no Palácio de Sant´Ana © MARIANA ROVOREDO/DL

Foi na Lomba do Loução, Nossa Senhora dos Remédios, concelho da Povoação, que cresceu até aos 14 anos. Teve “uma infância num meio rural muito distante, periférico”, aponta, enquanto assegura nunca lhe ter faltado o “calor” e o “amor” da família onde nasceu a 23 de junho de 1965. Aos 14 anos, rumou a Ponta Delgada para prosseguir os estudos na Escola Secundária Antero de Quental. Foi na casa de uma das suas irmãs, na Calheta, que ficou até concluir o 12º ano, em 1983 Como bolseiro, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. “Consegui bolsa, foi a primeira vez que andei de avião na minha vida, a primeira vez que andei de comboio”, recorda José Manuel Bolieiro. “Felizmente encarei esse desafio com grande vontade” e “gostei muito”, acrescenta.

Finalizou, depois, o curso de Direito em 1988, onde procurou ser um estudante que queria “saber e compreender”, até que decidiu regressar aos Açores onde começou a trabalhar na presidência do Governo dos Açores, como consultor jurídico.

Na política diz que se iniciou com o incentivo de amigos, destacando a influência de Vítor Cruz. Começou primeiro como independente, passando depois a militante da Juventude Social Democrata e depois no PSD. Inicialmente na terra que o viu crescer, na Povoação, mais tarde já na presidência da Câmara Municipal de Ponta Delgada até chegar a presidente do Governo dos Açores.

Ao nosso jornal confessa que atualmente não lhe sobra muito tempo livre mas gosta de andar de mota. Atualmente ocupa praticamente todo o seu tempo “à causa pública”, porém, realça que o que conta é a “consciência” de estar a dedicar-se, no melhor que sabe, “para servir bem os açorianos”.

© MARIANA ROVOREDO/DL

DL: Como é que tomou a decisão de se candidatar a líder do PSD/Açores em 2019?
Foi difícil porque eu era presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, estava focado no meu desempenho como autarca. Mas, por outro lado, sentia que podia dar o meu contributo face a tantos incentivos. Foram as circunstâncias e era o meu dever, perante o apelo e a oportunidade de devolver uma certa unidade ao PSD. Tive que, assim, dedicar-me a um trabalho difícil de projetar o partido para se afirmar como alternativa de governação.
Eu senti que era importante e possível, e fruto também das minhas convicções ideológicas.
Um partido que tinha acabado de sofrer uma crise de liderança, que estava relativamente desagregado, que há 24 anos estava na oposição, cria reservas de confiança. E agregar as pessoas com a convicção e alguma coragem para exporem a sua diferença e a afirmação da nossa alternativa coletiva, foi difícil. Mas foi-se conquistando aos poucos.

DL: Houve quem duvidasse da sua capacidade em manter o Governo. Qual tem sido o segredo?
Muita paciência democrática, humildade e capacidade de aceitar as diferenças, logo que elas não sejam deturpadas da matriz principal do nosso percurso e possam ser absorvidas. É o tal espírito de que nós não estamos aqui num eleitoralismo, pois tendo a responsabilidade do essencial da sua doutrina, da sua mensagem, do seu projeto que deve ser cumprido, pode e deve-se ter flexibilidade para, num quadro de denominadores comuns, introduzir outras ideias. Nem sempre são ideias novas, mas ângulos de visão relativamente diferentes e mais catalizadores e, num caso ou outro, até disruptivos. Eu quando falo na capacidade de envolver as pessoas, não é apenas do lado do decisor, é o lado do decisor e do destinatário das decisões. Ao serem envolvidos, a decisão tem mais capacidade de ter sucesso e eficácia.

DL: Considera-se um presidente de consensos?
Eu procuro fazer isso. E eu direi que sim, eu gosto dos consensos.
Os consensos são, para mim, a melhor maneira de um decisor encontrar realização no destinatário da decisão. Portanto, eu quando falo no consenso, ou na capacidade de ideologia de envolver as pessoas, não é apenas do lado do decisor, é o lado do decisor e do destinatário das decisões. Porque sem terem envolvidos com isso, a decisão tem mais capacidade de ter sucesso e eficácia do que propriamente ter um exercício autoritário e depois bater na parede por resistência e até repúdio dos destinatários das decisões.

DL: Como encontra tempo para si e o que é que faz nos tempos livres?
Infelizmente, tenho dedicado muito do meu tempo à missão. Gosto de andar de mota. Obviamente gosto da minha família, mas para que saibam, estou divorciado, tenho duas filhas adultas, e portanto vivo sozinho. E isso tem-me permitido ter mais dedicação à causa pública. Eu não tenho vícios. Gosto de andar de mota mas passeio muito pouco. E não tenho tirado férias de longa duração, são muito poucas, e portanto tenho tido pouco descanso.
Mas o que me conta é o meu estado de alma e a minha consciência. Por isso, tenho tido pouco tempo para mim, mas também tenho a minha consciência de que neste espírito de missão tenho feito e dedicado o meu melhor para fazer e servir bem aos Açores e aos açorianos.

DL: Neste tempo de governação, qual foi o momento mais difícil?
Foram vários. Tivemos que ser inovadores, pioneiros neste processo democrático de pluralidade partidária na governação. No início havia o medo, a proibição, o condicionamento da vivência das pessoas, tendo em conta um controle epidemiológico. Quase simultaneamente, o risco de fechar as portas da SATA, que é uma empresa decisiva para a mobilidade dos açorianos. Também as dificuldades financeiras, toda a despesa com a pandemia. Ter que salvaguardar empregos, a sustentabilidade e segurança das empresas, tudo isto foi muito penoso. E muitos achavam que o Governo não ia durar seis meses, mas fomos, paulatinamente, construindo soluções. Também a situação com a crise sismovulcânica em São Jorge, na qual tivemos uma boa gestão. Aí ficou claro que a linguagem tinha que ser igualmente verdadeira e científica. Depois, o chumbo orçamental, os seis meses sem orçamento, as novas eleições em que penso que houve uma dose de irresponsabilidade, pois não posso negar a evidência de que o Partido Socialista (PS) achava que com novas eleições voltaria ao poder. A coligação foi testada, ganhamos novamente. Aliás, mais do que isso, o PS voltou a perder as eleições.

DL: E as críticas ao hospital modular? Acredita que é a melhor opção?
Sobre questões de grande especialidade técnica, prefiro ouvir quem sabe e não quem tem opinião sem conhecimento. Intuições, perspetivas de um determinado ângulo, são possíveis e até respeitáveis, mas outra coisa é a amplitude essencial da solução.
Relativamente a tudo que aqui já relatei, faltava o incêndio no HDES. É a verificação dos impactos, que não é de construção civil, é do sistema, dos equipamentos, das redundâncias, da certificação e de toda a logística que é necessária para tratar as pessoas, pois ter doentes com cuidados de grande sensibilidade com obras ao lado, é um absurdo. Estamos a falar de garantias de segurança, não é preciso ser cientista para perceber isso. A própria preocupação que eu senti nos testemunhos dos clínicos, entre os da direcção clínica, com o consenso maioritário, em que a prioridade era a segurança do doente. Não é o cêntimo, nem o milhão, mas sim a segurança. A estrutura clínica fez as suas avaliações e entendeu que esta é a melhor solução. O modular serve, porque tem garantia de qualidade e, por outro lado, pode ser deslocalizado e utilizado no futuro em outros lugares em São Miguel ou até em outras ilhas. Estou convencido que fizemos bem.

DL: O PS acusa-o muitas vezes de estar refém do Chega. Sente-se refém?
Eu habituei-me, infelizmente e em certa medida, a essas acusações. Mas, quem se afirmou disponível para viabilizar a estabilidade do mandato foi o Chega, e tem sido leal. Isto não quer dizer que se confunda com a governação, que pense como o governo pensa. Até discutem muitas diferenças, mais com o CDS e PPM. Torna-se difícil esse trabalho, mas tenho que reconhecer que o diálogo tem permitido a estabilidade governativa. Há algumas coisas em que são absolutamente diferentes, porque obviamente manifesta-se como um partido anti-regime. Não me sinto refém, porque tenho sentido a responsabilidade e a concretização de um esforço por parte do Chega, que é decisivo no apoio à estabilidade governativa, seja na aprovação ou na viabilização do programa de governo, na aprovação das orientações a médio prazo ou dos planos de orçamento anuais.

DL: Na Lagoa já temos um Centro de Saúde, recentemente levantou-se a questão da criação de uma associação de bombeiros. Vai ser este Governo a resolver esta lacuna?
Eu nunca vi uma grande reivindicação relativamente ao Centro de Saúde na Lagoa. Fui eu, pela minha convicção, numa ideia de mudanças de paradigmas, pois não faz sentido, na ilha de São Miguel, termos seis concelhos e um deles não ter um Centro de Saúde. Aproveitando as instalações e as capacidades instaladas no posto de saúde, apostamos numa remodelação do edifício e reconfiguração da gestão de recursos humanos técnicos diferenciados. Esta governação fez o que foi sempre recusado, pelos anteriores governos, em 24 anos de PS.
Relativamente à constituição, ou não, de uma associação de bombeiros, essa cabe ao domínio da iniciativa privada. Deve ter, na minha opinião, um forte financiamento do poder local para a sua sustentabilidade. Entendo, por isso, que é importante termos uma estratégia de protecção civil de proximidade, mas deixo isso no domínio do impulso cívico da população da Lagoa. O que posso garantir é que da parte do governo terá de existir apoio. Isso envolve muita despesa, o que me parece é que se pode otimizar as capacidades instaladas e até reforçá-las. Vejo com bons olhos se houver este impulso e a garantia da sustentabilidade. Se surgir, o governo estará cá para contribuir como tem feito com todas as outras associações de bombeiros.

DL: Como imagina os Açores daqui a quatro anos?
Com oportunidades devido à sua geografia, quer seja na modernização, na qualificação humana, na dimensão marítima e espacial, associada às novas tecnologias, à ciência, à investigação e ao digital, onde pode existir uma grande oportunidade para o país e para a Europa. A economia azul, a economia espacial, a economia da inovação e da investigação tecnológica, a exploração e o conhecimento do mar profundo e das oportunidades espaciais são fundamentais para os Açores. E, também, enquanto destino turístico e arquipélago de sustentabilidade. Isso permite-nos criar riqueza, porque é o consumidor que vem a ter connosco e consome o nosso produto de valor acrescentado. Trata-se de transformar os Açores numa região de oportunidades.