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Açores representados na COP 30 no Brasil

© SRAAC

Os Açores estiveram representados pelo secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, na COP 30, a maior conferência sobre alterações climáticas do mundo, promovida pela Convenção-Quadro das Nações Unidas, que decorre em Belém do Pará, no Brasil.

“É muito relevante que os Açores estejam representados na COP 30, desde logo, porque nos permite dar visibilidade internacional ao trabalho que tem sido realizado em matéria de ação climática nos Açores, uma Região que é um autêntico laboratório para a implementação de soluções inovadoras, que podem ser replicadas em outros territórios com desafios semelhantes”, sublinha o governante.

“Mas, sobretudo, esta participação é importante porque nos dá uma oportunidade única de estar no centro das discussões, na presença de líderes, cientistas e especialistas, com os quais podemos aprender, bem como de estabelecer parcerias e ter contacto com soluções em implementação um pouco por todo o mundo, e com as respetivas fontes de financiamento, que, com as devidas adaptações, podem ser implementadas na Região, contribuindo para reforçar a nossa adaptação e resiliência às alterações climáticas”, acrescentou.

O recretário regional recordou que “os Açores são muito mais vítimas das alterações climáticas do que responsáveis por este fenómeno”.

E prosseguiu: “o nosso contributo para as emissões globais de gases com efeito de estufa e para o aquecimento do planeta é residual. No entanto, não significa que não possamos ser severamente afetados pelos efeitos das alterações climáticas”.

“Aliás, em resultado das alterações climáticas, os Açores têm vindo a ser afetados cada vez com maior frequência e intensidade por fenómenos meteorológicos extremos, que colocam em causa a segurança de pessoas e bens e que provocam enormes prejuízos materiais e financeiros, para além de outras ameaças, como a subida do nível da água do mar, a erosão costeira, a intrusão salina nos aquíferos, a perda de biodiversidade marinha e terrestre ou a acidificação dos oceanos, que impactam diretamente setores estratégicos para o desenvolvimento social e económico dos Açores, como a agricultura, as pescas ou o turismo”, disse ainda o responsável.

Alonso Miguel frisou que importa contribuir, de forma solidária e responsável, para a mitigação das alterações climáticas, mas, sobretudo, importa definir estratégias e medidas concretas para garantir uma adequada adaptação da Região aos efeitos deste fenómeno e a esta nova realidade.

“Para esse efeito, na Região têm sido desenvolvidos diversos instrumentos de ação climática, alguns dos quais tivemos a oportunidade de apresentar e partilhar aqui na COP30, no Brasil”, adiantou.

Alonso Miguel destacou que no Pavilhão de Portugal foram apresentados projetos de grande relevância para a Região, “como o Roteiro para a Neutralidade Carbónica dos Açores,  o Projeto Life IP Climaz, um instrumento fundamental para a implementação do Programa Regional para as Alterações Climáticas dos Açores, a Agenda para a Economia Circular Regional e, ainda, projetos inovadores, como o Implacost e Planclimac2, desenvolvidos no âmbito do Programa INTERREG MAC, que, no seu conjunto, contribuem de forma decisiva para reforçar a nossa resiliência e capacidade de adaptação climática”.

O secretário regional salientou ainda que, a convite do Pavilhão do Brasil na COP 30, teve a oportunidade de representar o Governo Regional dos Açores na abertura de uma sessão sobre a importância das áreas marinhas protegidas para as estratégias de planeamento e sustentabilidade dos oceanos, no âmbito da qual destacou “a importância da criação da Rede de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores, a maior rede de áreas marinhas protegidas do Atlântico Norte, que protege 30% do mar dos Açores”.

“Este é um facto que nos distingue e prestigia enquanto Região que lidera pelo exemplo, e que nos coloca num patamar de excelência, a nível mundial, em matéria de ação climática e de proteção dos ecossistemas marinhos”, vincou.

Alonso Miguel realçou ainda que “todos estes projetos e políticas traduzem o compromisso firme dos Açores para com a ação climática, com o objetivo de assegurar a mitigação e adaptação da Região aos efeitos das alterações climáticas, contribuindo para a segurança e bem-estar das populações, para a proteção de infraestruturas e bens e para a preservação dos ecossistemas naturais”.

O responsável revelou a expetativa de que “a COP 30 possa ser uma conferência de concretizações, que permitam acelerar a descarbonização e a transição energética e ecológica, com a devida calendarização e financiamento, aspetos cada vez mais fundamentais perante a emergência climática mundial”.

 

 

Curador e autor português reuniu no Brasil nomes de peso para discutir o futuro do jornalismo cultural

Encontro reuniu jornalistas, críticos e escritores para refletirem sobre os rumos do jornalismo cultural perante as tensões da era digital © CAIXA CULTURAL SÃO PAULO

A liberdade de imprensa e o papel dos jornalistas, pontos essenciais para o fortalecimento da democracia, estiveram no centro das atenções durante dois dias de intenso debate na CAIXA Cultural São Paulo, no Brasil. Num momento em que se discute globalmente a força da palavra e as consequências de falar sobre jornalismo no presente, a maior cidade da América Latina acolheu, dias 14 e 15 de agosto, o ciclo “Crónica de Uma Morte Anunciada: O Jornalismo Cultural Está Morrendo?”. O encontro reuniu jornalistas, críticos e escritores para refletirem sobre os rumos do jornalismo cultural perante as tensões da era digital.

As quatro mesas de discussão disponíveis na programação abordaram a crise da crítica especializada, a diversidade de vozes, o impacto das plataformas digitais e o papel do jornalismo diante das fake news. Entre as questões debatidas esteve a dificuldade em manter o ineditismo num fluxo de informação veloz, a fidelização de nichos de leitores, a sustentabilidade económica e a função de curadoria do jornalista cultural. Eliane Trindade e Walter Porto, do jornal brasileiro “Folha de S. Paulo”, sublinharam a necessidade de “coragem, independência e adaptação às novas linguagens digitais sem perder a credibilidade”. A crítica Giselle Vitória reforçou que “um bom texto continua a ser fundamental para o leitor”, embora o desafio maior seja a “monetização”.

O jornalismo cultural continua a cumprir a sua função essencial”

O curador do ciclo, o português José Manuel Diogo, que mantém ligações profissionais ao Brasil, lembrou que a “morte anunciada” do jornalismo cultural tradicional representava também uma metamorfose, marcada pela emergência de experiências digitais, podcasts, newsletters e coletivos independentes.

“A provocação era inevitável e útil: será o jornalismo cultural apenas a crónica de uma morte anunciada? A minha posição foi clara: não. O jornalismo cultural, como todos os jornalismos do nosso tempo, não morre: renasce todos os dias. Precisa de morrer para poder voltar a nascer. Essa é a sua condição contemporânea, num mundo atravessado pela inteligência artificial, pela hiperconectividade e pela velocidade da informação. Mas, ao contrário de outros géneros jornalísticos, o cultural tem um papel ainda mais delicado: lembrar que a cultura não é adorno, mas, sim, fundamento da vida coletiva”, defendeu este responsável, que explicou a importância desta iniciativa.

“O que vimos no Brasil foi uma nova geração de jornalistas e criadores a assumir esse desafio. Não se resignam ao epitáfio, querem reinventar o jornalismo cultural com novas linguagens, cruzando crítica e reportagem, memória e criação. E isso é vital, porque numa era em que a verdade parece diluir-se na ausência de critérios éticos quotidianos, o jornalismo cultural continua a cumprir a sua função essencial: ser filtro, validação, consciência crítica. O ponto alto do encontro foi perceber esse sopro de futuro: não estamos a assistir a uma morte, mas a uma reinvenção. O resultado mais evidente foi o compromisso tácito de todos nós em afirmar que o jornalismo cultural, longe de estar condenado, continua a ser uma das frentes mais nobres de defesa da democracia”, disse em entrevista ao Diário da Lagoa.

O jornalista não é apenas quem noticia”

Para além dos debates, o público pôde participar numa visita guiada com a fotojornalista Mônica Maia, que propôs novas leituras sobre a imagem e a cultura. O evento contou com a presença de nomes como Julio Maria, Daniella Zupo, Tom Farias, Naief Haddad, Guilherme Werneck e Fernando Mattar. Realizado pela LOGOS QUARTZ, com patrocínio da CAIXA e apoio do Governo Federal do Brasil, o ciclo mostrou que, mais do que um fim, o jornalismo cultural vive um processo de transformação em busca de novas formas de dialogar com a sociedade.

“Falar de jornalismo é falar da própria respiração da democracia. Durante séculos, o jornalismo foi visto como uma ponte entre factos e leitores, um espaço de mediação. Hoje, essa definição é insuficiente. Vivemos numa era em que a informação deixou de ser um recurso escasso para se tornar um excesso vertiginoso. E é precisamente nesse excesso que se escondem as maiores ameaças: a desinformação, a manipulação, a erosão da confiança coletiva. O jornalista não é apenas quem noticia, é quem organiza o caos, quem devolve à sociedade a possibilidade de distinguir entre realidade e ficção”, considerou José Manuel Diogo, que é também presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos e responsável pela Casa da Cidadania da Língua, ambas com sede em Coimbra.

“Ao contrário do que muitos pensam, o jornalismo não morreu com as redes sociais. Ele tornou-se ainda mais necessário. Num mundo onde todos emitem, mas poucos sabem editar, o papel do jornalista é ser filtro, intérprete, guardião de critérios éticos. A comunicação social é hoje a muralha frágil, mas essencial, que separa a democracia da barbárie. Por isso, quando falamos de jornalistas, falamos de cidadania, de direitos, de futuro” frisou.

O trabalho dos media em Língua Portuguesa”

José Manuel Diogo diz que o jornalismo cultural “precisa de morrer para voltar a nascer” © DL

Na opinião do curador do evento em São Paulo, são necessários esforços conjuntos para valorizar os media em Língua Portuguesa.

“A minha avaliação é inseparável de uma experiência pessoal: o Plataforma. Foi o primeiro projeto original pensado para unir Portugal e Brasil num espaço comum de informação, um jornal global em língua portuguesa. A ideia era visionária: dar expressão mediática a um universo de mais de 260 milhões de falantes espalhados por quatro continentes. Mas a experiência revelou uma falha estrutural: faltou o negócio, a sustentabilidade económica. E sem economia não há jornalismo. O Plataforma mostrou-nos uma evidência dura: todos os projetos, mesmo os mais nobres, precisam de um modelo económico robusto, caso contrário tornam-se reféns da sua própria sobrevivência e deixam de cumprir o propósito para o qual nasceram. É a partir desta lição que olho hoje para os média em língua portuguesa. Temos talento, temos relevância cultural, temos histórias extraordinárias para contar, mas ainda não temos a estrutura necessária para dar escala e continuidade a esse esforço. Continuamos demasiado presos às agendas nacionais, quando o que se exige é uma rede editorial transnacional, capaz de trabalhar a língua como território comum. Quando isso acontece, e há exemplos em áreas como o jornalismo cultural, a força da língua revela-se imensa. Mas precisamos de ousadia e de sustentabilidade: só assim construiremos uma narrativa lusófona global, à altura da nossa história e da nossa presença no mundo”, finalizou José Manuel Diogo, que um dos responsáveis pelo Festival Literário Internacional da Paraíba (FliParaíba), no nordeste do Brasil, liderou, este ano, a primeira edição da Virada Cultural Lusófona, na capital de São Paulo, além de ter apresentado, em agosto, no âmbito da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Brasil, o seu mais recente livro, “Uma Geografia Poética”, uma obra, que não se propõe como antologia nem estudo crítico, estabelece, antes, uma ponte criativa entre poetas de diferentes tempos e geografias.

Em “Uma Geografia Poética”, José Manuel Diogo constrói encontros literários imaginários entre figuras como Fernando Pessoa e Camões, Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, Adélia Prado e Maria Teresa Horta, Almada Negreiros e Vinícius de Moraes. O livro, editado pela Patuá, desenha diálogos que atravessam o Atlântico e revelam as inquietações, os exílios e os encantamentos que moldaram a língua portuguesa como instrumento de criação, memória e resistência.

“Acordo Mercosul-UE: oportunidade histórica para Portugal e Brasil atuarem lado a lado”

Higor Ferro Esteves
e-mail: higoresteves@cecplp.org

O Acordo de Associação entre a União Europeia e o Mercosul, cuja negociação se arrasta há mais de vinte anos, representa uma das maiores iniciativas de política comercial da história recente. Estamos a falar de um entendimento que, se plenamente ratificado, abrangerá mais de 780 milhões de pessoas e cerca de 25% do PIB mundial.

Pela sua escala e impacto, não é exagero afirmar que estamos diante de um marco geopolítico para o espaço atlântico.

Para Portugal, porém, o valor deste acordo não se resume a estatísticas de comércio. Trata-se de uma questão de posicionamento estratégico: ou o país se afirma como ator ativo e relevante no diálogo transatlântico, ou arrisca se limitar a ser mero observador de decisões tomadas por outros.

Nesse processo, o Brasil surge como pilar incontornável. É a maior economia do Mercosul, representa mais de dois terços do PIB do bloco e possui laços históricos, culturais e linguísticos profundos com Portugal. A articulação política e empresarial entre Lisboa e Brasília será determinante para que as oportunidades abertas pelo acordo se transformem em resultados concretos.

Portugal tem condições objetivas para desempenhar um papel de ponte entre os dois blocos. A sua localização atlântica, os portos de águas profundas como Sines e Leixões e a rede logística moderna permitem ao país posicionar-se como plataforma natural para a entrada de produtos e investimentos brasileiros na Europa. Ao mesmo tempo, a afinidade cultural e linguística com o Brasil confere-lhe uma vantagem diplomática que nenhum outro Estado-membro da União Europeia possui.

Mas é importante sublinhar que esta vantagem, por si só, não garante protagonismo: será necessário reforçar a diplomacia económica, construir alianças estratégicas e garantir coordenação entre setor público e setor privado.

As oportunidades são amplas. O setor energético, em particular o das energias renováveis, é um terreno fértil para projetos conjuntos, numa altura em que tanto Portugal quanto o Brasil assumem compromissos de transição energética. O setor tecnológico e digital, em rápida expansão, pode ser igualmente explorado como espaço de cooperação.

A agroindústria e as infraestruturas oferecem complementaridades claras: enquanto o Brasil detém escala e recursos, Portugal pode oferecer conhecimento especializado, inovação e acesso privilegiado ao mercado europeu. Também no turismo e nos serviços financeiros existem janelas de oportunidade para uma cooperação mais estreita.

Ao mesmo tempo, o acordo pode ajudar a internacionalizar pequenas e médias empresas portuguesas, que, ao encontrarem parceiros no Brasil, ganham escala para competir não apenas no Mercosul, mas também em mercados terceiros. Da mesma forma, grandes grupos brasileiros podem utilizar Portugal como plataforma de entrada e consolidação na União Europeia, tirando partido de um ambiente regulatório estável, de incentivos ao investimento e de uma rede de acordos dentro do espaço comunitário.

No entanto, os desafios são significativos. O primeiro é a concorrência no setor agrícola europeu. A entrada de produtos agroalimentares do Mercosul — especialmente do Brasil — a preços altamente competitivos, poderá pressionar agricultores e produtores portugueses, muitos deles com estruturas de pequena escala. Esse fator já gera resistências políticas em vários Estados-membros, o que pode atrasar ou mesmo inviabilizar a ratificação do acordo em certos parlamentos nacionais.

Outro desafio incontornável é o ambiental. O Brasil encontra-se no centro do debate global sobre sustentabilidade e proteção da Amazónia.

Portugal pode desempenhar um papel importante no debate do Conselho Europeu e ajudando a construir confiança nos parlamentos nacionais.

Em última análise, o Acordo Mercosul–União Europeia representa para Portugal muito mais do que a abertura de um mercado adicional. Representa a possibilidade de afirmar-se como protagonista na relação transatlântica, reforçando a sua centralidade atlântica e transformando afinidades históricas em ativos estratégicos.

Mas para que isso aconteça, é indispensável reconhecer que o Brasil é o eixo estruturante dessa equação.

A cooperação estreita entre Portugal e Brasil é, portanto, condição necessária para o sucesso deste acordo. Cabe a ambos os países definir se pretendem estar alinhados e liderar este processo, transformando-o num instrumento de desenvolvimento mútuo, ou se deixarão que outros assumam esse protagonismo.

A história aproxima-nos; a economia pode consolidar essa ligação. A escolha está, agora, nas mãos dos dois lados do Atlântico.

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Higor Ferro Esteves é Vice-presidente da Comissão Executiva da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP)

Brasil e Portugal debatem saúde renal em conferência no Rio de Janeiro

Hospital Ilha do Governador © DIREITOS RESERVADOS

Fontes indicam que, no Brasil, mais de 184 mil pessoas utilizam terapia renal substitutiva, sendo a maior parte tratada por hemodiálise. Em Portugal, esse número é de cerca de 21.300 pessoas. Um cenário que reforça a necessidade urgente de discutir cuidados renais e ampliar a capacitação dos profissionais da área.

Com esse objetivo, o Rio de Janeiro recebe a segunda edição da Conferência Luso-Brasileira de Gestão em Diálise, nos dias 28 e 29 de agosto, no Novotel, na Barra da Tijuca, zona Oeste da cidade. O evento reunirá especialistas para “analisar os desafios e as soluções para melhorar a gestão e a qualidade dos serviços de diálise”.

“A segundo Conferência Luso-Brasileira representa uma oportunidade singular para trocar experiências e debater estratégias que possam garantir a sustentabilidade e a qualidade da terapia renal no Brasil”, afirma o médico nefrologista e presidente da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplantes (ABCDT), Yussif Ali Mere Junior.

Voltado a profissionais da linha de frente no atendimento a pacientes renais, o evento reunirá nefrologistas, gestores de clínicas de diálise, lideranças políticas e tomadores de decisão dos setores público e privado do Brasil e de Portugal.

Programação que valoriza o conhecimento

A programação está dividida em cinco temas principais: qualidade no cuidado ao paciente renal, capacitação profissional, inovação tecnológica, networking estratégico e análise de tendências futuras da nefrologia.

A organização fica a cargo da ABCDT, que conta com o apoio institucional da Federação Brasileira de Hospitais (FBH) e comemora 35 anos de atuação. Entre os especialistas confirmados está o nefrologista Serafim Guimarães, doutor em Ciências e Tecnologias da Saúde pela Universidade do Porto, em Portugal.

Sinergias entre os países lusófonos

Na primeira edição, realizada em 2023, houve uma aproximação importante com a Associação Nacional dos Centros de Diálise de Portugal (Anadial). Nesta nova etapa, o foco é “fortalecer a construção de uma agenda conjunta entre os países lusófonos, reforçando a cooperação internacional para aprimorar os serviços de saúde renal”.

A conferência ocorre num contexto de crescente demanda por tratamentos dialíticos — procedimento artificial usado para eliminar resíduos e excesso de líquidos quando os rins falham. Segundo o censo 2023 da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), o número de pacientes em diálise no Brasil cresceu 43% na última década. Esse aumento está ligado, segundo dados, ao envelhecimento da população, ao avanço das doenças crónicas, como diabetes e hipertensão, além da expansão da rede de atendimento em saúde.

Dados da International Society of Nephrology apontam que, no mundo, cerca de 3,9 milhões de pessoas fazem diálise regularmente. Porém, estima-se que mais de dois milhões de pacientes que necessitam desse tratamento ainda não têm acesso.

Brasil: Emigração portuguesa para o país nos “mínimos desde a pandemia”

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A emigração de cidadãos portugueses para o Brasil registou em 2024 o valor mais baixo desde o período crítico da pandemia da covid-19. Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública brasileiro, divulgados pelo Observatório da Emigração de Portugal, entraram no país 476 portugueses, o que representa apenas 1,3% do total de 37.302 entradas de estrangeiros registadas ao longo do ano.

A queda face a 2023 foi de 13%, acentuando a tendência de retração que já se vinha a verificar nesse ano, a diminuição tinha sido de 2,7%. Em contraste, em 2013, foram registadas 2.904 entradas de portugueses no Brasil, representando então 4,7% do total de migrantes. Desde então, a presença portuguesa perdeu peso relativo, atingindo agora valores “historicamente baixos”.

De acordo com dados do Observatório da Emigração portuguesa, os fluxos migratórios entre Portugal e Brasil mudaram substancialmente na última década. Entre os principais fatores estão a melhoria das condições económicas em Portugal, a crescente atratividade de outros destinos europeus para emigrantes qualificados, e as dificuldades económicas e administrativas encontradas por estrangeiros para se estabelecerem no Brasil.

Apesar do recuo nos números, a presença lusa no Brasil continua significativa em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde comunidades históricas mantêm viva a ligação cultural e empresarial entre os dois países. Muitos dos portugueses residentes no Brasil atualmente são empresários, profissionais liberais ou reformados.

Os dados analisados indicam ainda uma alteração no perfil dos emigrantes: a maioria tem mais de 40 anos, revelando o envelhecimento da comunidade e a escassez de novos fluxos migratórios de jovens portugueses para o Brasil. Iniciativas como o Estatuto de Igualdade de Direitos e Deveres, que facilita a integração de portugueses em território brasileiro, continuam em vigor, mas não têm sido suficientes para reverter o decréscimo de entradas.

Especialistas apontam ainda que a recente diversificação de destinos da diáspora portuguesa, incluindo países como o Canadá, Estados Unidos, Reino Unido e Angola, mostram uma reconfiguração das preferências migratórias, com o Brasil a perder protagonismo neste contexto.

Atualmente, não existem dados atualizados sobre o número de portugueses a viverem no Brasil. O último censo foi realizado em 2010 e indicou que residiam no país cerca de 138 mil pessoas nascidas em Portugal.

Brasil: Nova Casa dos Açores de Minas Gerais vai apostar nas relações económicas com o arquipélago

Novo espaço vai ser inaugurado em Belo Horizonte para resgatar a esquecida e profunda influência açoriana na formação mineira desde o século XVIII

José Andrade, diretor regional das Comunidades, e Claudio Motta, presidente da Casa dos Açores de Minas Gerais © DIREITOS RESERVADOS

No próximo dia 26 de julho, mais um estado brasileiro vai celebrar a abertura de um novo espaço dedicado à cultura açoriana no país. O lançamento oficial da entidade acontecerá em solenidade no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. No dia seguinte, 27, será realizado o VIII Encontro Açores Brasil, reunindo em Belo Horizonte os presidentes das oito Casas dos Açores do Brasil. A Casa dos Açores de Minas Gerais terá a sua sede na capital mineira, Belo Horizonte, coração cultural e económico do Estado. O espaço contará com uma galeria cultural, sala de conferências, biblioteca temática, além de um centro de apoio a projetos sociais e empresariais. Já estão previstas, segundo os seus responsáveis, exposições, ciclos de palestras, festivais gastronómicos e semanas culturais dedicadas aos Açores.

Segundo apurámos, a nova casa açoriana em Minas será estruturada sobre quatro pilares principais: cultura e memória, com ações de preservação da história e tradições açorianas; arte e educação, por meio de exposições, oficinas, cursos e intercâmbios culturais; projetos sociais, voltados à inclusão e fortalecimento das comunidades locais, inspirados nos valores de solidariedade da diáspora açoriana; e promoção empresarial, criando pontes para o desenvolvimento de negócios entre Minas Gerais e os Açores, com apoio a empreendedores, eventos e missões económicas.

“Será um espaço vivo, pulsante, onde a história e o presente dialogam constantemente”, é o que garante Claudio Luciano Valença Motta, 67 anos, cidadão luso-brasileiro, que será o presidente da entidade. Ele atua como advogado e empresário tanto no Brasil como Portugal, reside em Belo Horizonte e também em território português. É ainda jornalista e escritor, com publicações voltadas principalmente para temas relacionados às relações entre Brasil e Portugal, ocupando, atualmente, cargos como diretor e presidente do Conselho Empresarial de Relações Internacionais da Associação Comercial e Empresarial de Minas Gerais (ACMinas), diretor regional da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (FUNCEX) e diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (ABRAJET Nacional), sendo também vice-presidente e presidente do Conselho Superior da ABRAJET em Minas Gerais.

Claudio explica que a sua ligação a Portugal hoje é “tanto afetiva quanto institucional”. Especificamente em relação aos Açores, o “vínculo foi se aprofundando ao longo dos anos, especialmente com as pesquisas genealógicas e históricas que realizei em Minas Gerais”.

“Tenho promovido a cultura açoriana e portuguesa através de eventos, missões empresariais, publicações jornalísticas e ações voltadas ao fortalecimento dos laços culturais e económicos entre os dois países, sempre com ênfase na valorização da identidade luso-brasileira”, disse este responsável, que revelou o que o levou a “visualizar” a criação de uma Casa dos Açores no estado mineiro.

“A ideia nasceu da constatação, a partir de pesquisas aprofundadas, da presença histórica e significativa dos açorianos em Minas Gerais desde 1723 — um dado muitas vezes negligenciado ou desconhecido. Ao reunir informações documentais e genealógicas, percebi a necessidade de criar um espaço institucional que pudesse resgatar, preservar e promover essa herança. A Casa dos Açores de Minas Gerais nasce, assim, do compromisso com a memória e com o futuro, como um elo cultural e estratégico entre os Açores e Minas Gerais”, confirmou Claudio, que, nesse processo, destaca ter havido “descobertas surpreendentes e emocionantes”, como quando constatou registos documentais que comprovam a chegada de famílias açorianas em diversas regiões mineiras desde o século XVIII.

“Esses colonos influenciaram não apenas a demografia, mas também aspetos culturais, religiosos e até linguísticos da sociedade mineira. Identifiquei sobrenomes, trajetórias e comunidades com raízes diretas nas ilhas, o que reforça o papel dos Açores na formação do povo mineiro”, adiantou, sublinhando ter conseguido estabelecer elos que nem mesmo o Governo dos Açores tinha conhecimento.

“Parte significativa das informações foi fruto de investigações nos cartórios (notários), arquivos e igrejas de Minas Gerais, muitas vezes em documentos manuscritos e pouco acessíveis. Descobri, por exemplo, registos de batismo e casamento de açorianos em vilas mineiras do século XVIII, que até então não constavam nos bancos de dados institucionais dos Açores. Esses dados foram sistematizados e serão compartilhados em publicações e exposições promovidas pela Casa, ampliando a compreensão do fluxo migratório luso-brasileiro”, confirmou Claudio.

Inauguração reunirá nomes de vulto

Quando a Casa dos Açores de Minas Gerais for inaugurada, os organizadores do evento esperam contar com “presenças ilustres”, como José Andrade, Secretário Regional das Comunidades dos Açores, além de representantes da comunidade portuguesa, bem como os presidentes das Casas dos Açores do Brasil e autoridades estaduais e municipais de Minas Gerais, lideranças empresariais e consulares e muitas outras.

“A presença dessas personalidades reforça a importância simbólica e diplomática da Casa, e representa para mim a concretização de um sonho coletivo, que valoriza as nossas raízes e projeta novas possibilidades de cooperação”, afiançou Claudio.

Em declarações à nossa reportagem, José Andrade, diretor regional das Comunidades do Governo dos Açores, avaliou que “a criação da Casa dos Açores de Minas Gerais é importante por duas razões. Desde logo, porque reconhece e valoriza o contributo dos açorianos para o povoamento e desenvolvimento deste importante Estado brasileiro desde há mais de 300 anos. E também porque alarga e reforça a rede brasileira de Casas dos Açores, que começou no Rio de Janeiro (1952) e prosseguiu em São Paulo (1980), Bahia (1980), Santa Catarina (1999), Rio Grande do Sul (2003), Maranhão (2019) e Espírito Santo (2022)”.

raízes no passado, condições no presente e razões para o futuro”

O diretor regional das Comunidades sublinha que a sua presença no lançamento oficial da Casa dos Açores de Minas Gerais “significa um ponto de chegada e, sobretudo, um ponto de partida”, já que “chega ao fim um processo iniciado em 2024, de incentivo e acompanhamento da criação de uma associação promotora das relações estratégicas entre o Estado de Minas Gerais e a Região Autónoma dos Açores, que nasceu com a visita do Dr. Cláudio Motta a Ponta Delgada, em maio, e se consolidou com a minha deslocação a Belo Horizonte, em setembro”.

“Ao mesmo tempo, começa também uma nova era desse relacionamento transatlântico, que tem raízes no passado, condições no presente e razões para o futuro. A Casa dos Açores de Minas Gerais será apoiada pelo Governo dos Açores, como as suas congéneres do Brasil e do mundo, através de um protocolo anual de cooperação financeira, mas também de apoio logístico na sua fase atual de afirmação estadual e internacional: ainda em julho, por ocasião da sua oficialização, promoveremos o VIII Encontro Açores Brasil, em Belo Horizonte, com a participação das demais associações açoriano-brasileiras; e já em outubro, ela participará, como convidada observadora, na assembleia geral do Conselho Mundial das Casas dos Açores, que reunirá este ano na costa leste dos Estados Unidos da América”, disse Andrade, que elucida que “uma marca concreta e consequente da presença açoriana em Minas Gerais ficou para a nossa história comum, há 300 anos, com as chamadas “Três Ilhoas”. As Três Ilhoas foram três irmãs açorianas que emigraram para o Brasil, onde aportaram por volta de 1723, fixando residência em Minas Gerais e tornando-se troncos de antigas, tradicionais e importantes famílias. Elas eram naturais da freguesia de Nossa Senhora das Angústias, na então vila da Horta, na ilha do Faial, no arquipélago dos Açores. Uma era Antónia da Graça, nascida em 1687, que foi para São João del Rei e teve quatro filhos, dando origem, entre outros, aos Junqueiras e aos Meireles. A segunda era Júlia Maria da Caridade, nascida em 1707, que foi também para São João del Rei e aqui teve 14 filhos. Deu origem, entre outros, aos Garcias, Carvalhos, Nogueiras, Vilelas, Monteiros, Reis e Figueiredos. A terceira era Helena Maria de Jesus, nascida em 1710, que se estabeleceu em Prados, teve 15 filhos e deu origem aos Resendes. Aqui está como é comum o sangue que corre nas veias de açorianos e mineiros. Muitas das famílias de Belo Horizonte e, em geral, de Minas Gerais, terão essa origem açoriana de três séculos. É importante fazermos esse resgate – não apenas por causa do passado, mas também, e principalmente, por causa do futuro”.

Atividades e diversidade cultural e empresarial

Claudio Motta pretende que o local tenha uma programação ativa e com conexões locais e também fora de portas.

“Pretendemos atuar como um verdadeiro polo de conexão. Culturalmente, com parcerias institucionais, eventos e intercâmbios escolares e universitários. No campo económico, com apoio a missões empresariais, feiras, promoção de produtos e serviços dos Açores em Minas e vice-versa. Além disso, a Casa servirá como um centro de apoio para empresas e investidores interessados em explorar oportunidades bilaterais, com o suporte das nossas redes institucionais”, referiu este futuro presidente da entidade, que não esconde o orgulho em liderar o projeto.

“A fundação da Casa dos Açores de Minas Gerais é um convite à redescoberta das nossas raízes e ao fortalecimento dos laços que unem o povo açoriano à identidade brasileira. Convido todos — descendentes, estudiosos, simpatizantes — a se engajarem neste projeto. Esta é uma Casa de todos, construída com memória, amor e visão de futuro. Juntos, vamos fazer com que a presença açoriana em Minas Gerais seja celebrada, conhecida e multiplicada”, finalizou Claudio Motta.

Dinamismo” valida liderança

Sobre a “aposta” em Claudio Motta como presidente da entidade, José Andrade salienta ser uma pessoa “dinâmica”, além de estar “integrado numa família de comprovada ascendência açoriana”.

“Foi ele quem abraçou o desafio de lançar a Casa dos Açores de Minas Gerais e é ele que está congregando, motivando e dinamizando um grupo crescente de açordescendentes e amigos dos Açores em benefício concreto e consequente dessa nossa causa comum. Com ele, vamos vencer essa distância identitária de três séculos que nos separa nos dois lados do Atlântico”, vincou.

Preservar as “caraterísticas históricas”

Hoje, o Brasil conta com sete Casas dos Açores já existentes, que “desempenham por igual uma missão importante e prosseguem cada qual uma vocação decorrente das caraterísticas históricas das comunidades que servem”.

“Por um lado, nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, residem açorianos ainda nascidos nos Açores, pelo que as suas Casas dos Açores estão mais direcionadas para a preservação da identidade em convívios tradicionais. Por outro lado, nos Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Maranhão ou Espírito Santo, os açordescendentes rondam já a décima geração, no âmbito de um povoamento/colonização que remonta a 200, 300 ou 400 anos, pelo que as respetivas Casas dos Açores se encontram aqui mais vocacionadas para o resgate da identidade cultural e a valorização da ancestralidade açoriana”, comentou Andrade.

“A Casa dos Açores de Minas Gerais parece mais apostada em prosseguir um caminho de promoção das relações económicas entre o estado mineiro e as ilhas açorianas. Sem menosprezar as afinidades históricas e as cumplicidades genealógicas, ela quer afirmar-se como parceiro estratégico no âmbito da cooperação bilateral, seja promovendo o destino turístico, seja incentivando o investimento empresarial. Nesta medida, será certamente uma mais-valia para a aproximação de Minas Gerais aos Açores no quadro das relações entre Brasil e Portugal. (…) A afirmação dos Açores no Brasil e no mundo é um trabalho sempre inacabado que convoca a participação de todos em toda a parte. Há ainda outros estados brasileiros com antecedentes históricos e condições estratégicas que justificam igualmente uma presença institucional dos Açores, da mesma forma que existem outras geografias do continente americano e outros países de outros continentes com razões e condições para integrarem a rede mundial das Casas dos Açores. Mas esse desígnio não é uma obrigação imposta dos Açores para as Comunidades; é uma vontade sentida das Comunidades para os Açores”, finalizou o diretor regional das Comunidades do Governo dos Açores.

Professor da Secundária da Lagoa integra comitiva açoriana em simpósio sobre o espaço no Brasil

Luís Filipe Machado é professor de matemática na Escola Secundária da Lagoa e integrou a comitiva açoriana no Science Days Space Symposium, em São Paulo, no Brasil. Para além das aprendizagens, espera trazer para a região a organização deste evento

Participantes açorianos no evento Science Days 2025 © DIREITOS RESERVADOS

Os Açores estiveram representados nos Science Days (Dias da Ciência), em São Paulo, que este ano foram dedicados ao espaço. Este mega evento reúne especialistas das STEAM, na sigla inglesa, que significa Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática. Da região, partiu rumo ao Brasil uma comitiva que incluía profissionais da estação RAEGE de Santa Maria e professores de escolas açorianas, entre as quais a Escola Secundária da Lagoa, que foi representada por Luís Filipe Machado.

Para lá, levaram entusiasmo e algum material, como vídeos, fotografias e posters que ilustram as atividades desenvolvidas. Para cá, esperam trazer aprendizagens valiosas, incluindo como organizar um evento daquela dimensão. A região tem a intenção de, no próximo ano, receber este simpósio.

“Aquilo é uma grande maluquice, com atividades voltadas para o espaço, de engenharia, de física, de matemática”, conta o professor ao Diário da Lagoa. Foram três dias intensos, onde a intenção era partilhar experiências e aprendizagens. Este grande evento, que reúne mais de meia centena de agentes ligados ao espaço de todo o mundo, é uma mostra do que melhor se faz. Este ano, mais de 80 instituições confirmaram a sua presença na mostra Interativa, sendo um dos eventos mais importantes na área de ciências e tecnologias a nível mundial que tem como objetivo através da educação chegar a um vasto público académico, ao mesmo tempo que promove a indústria aeroespacial e o seu impacto na economia, além de destacar os benefícios que a ciência e a tecnologia trazem para o presente e o futuro da humanidade.

O projeto foi promovido pelo Instituto Alpha Lumen em parceria com a Michaelis Foundation for Global Education dos Estados Unidos da América.

E é aí, na área do Espaço, que entra a Escola Secundária da Lagoa, onde o Clube de Astronomia tem vindo a ganhar destaque. Exemplo disso é a semana dos asteroides, que se realizou durante o mês de março, e que transformou a escola num microcosmos, com uma exposição de astro fotografia e uma estreia: trabalhos que aliaram o espaço e a arte. Sob o tema “Miró e as constelações”, três turmas do 8.º ano exploraram a ligação do pintor espanhol com os astros. A mostra fotográfica contou com imagens captadas pelo telescópio do clube, e com a coleção do astrónomo João Porto, cedida pelo Observatório Astronómico de Santana, Açores (OASA).

A escola recebeu ainda o astrofísico Pedro Machado, o açoriano que tem um asteroide com o seu nome, e promoveu, no OASA, uma conferência sobre a vida no universo. Um evento dificultado pela greve dos assistentes operacionais, mas que mesmo assim foi um grande sucesso, considerou Luís Filipe Machado.

Brasil: Casa dos Açores do Espírito Santo celebrou os 212 anos da chegada dos açorianos em Santo Agostinho

Casa dos Açores do Espírito Santo foi inaugurada no dia 25 de julho de 2022 © DIREITOS RESERVADOS

Os 212 anos da chegada dos imigrantes açorianos no povoamento de Santo Agostinho, no município de Viana, no Estado brasileiro do Espírito Santo, foram celebrados, no último dia 19 de fevereiro, pela Casa dos Açores do Espírito Santo (CAES). Uma iniciativa que contou com diversas atividades e ações, além de homenagens a nomes que valorizam a cultura do arquipélago nesse estado brasileiro, como Francisco Borba Gonçalves, açoriano da ilha Terceira do concelho da Ribeirinha, que interpretou a música Ilhas de Bruma; o açordescendente José Antônio Borges Alvarenga; e a açordescendente Fabiene Passamani Mariano, guardiã da memória açoriana no Estado do Espírito Santo.

Viana inaugurou o ciclo da imigração europeia para o Espírito Santo oficialmente em fevereiro de 1813. Vieram imigrantes alemães e italianos. Para reduzir a escassez de mão-de-obra agrícola e ajudar a povoar as margens da primeira estrada que ligaria Vitória, capital do Estado, a Minas Gerais, foram chamados também os açorianos, que deixaram marcas profundas na sociedade atual, sobretudo nos aspetos culturais e das tradições.

A Casa dos Açores do Espírito Santo foi inaugurada no dia 25 de julho de 2022, sendo uma instituição Associativa Cultural, que visa “promover a preservação e divulgação da memória cultural, religiosa e histórica da imigração açoriana no Estado do Espírito Santo”. Esta instituição tem sede no município de Apiacá, Espírito Santo, mas reúne os municípios limítrofes do Vale do Itabapoana que tiveram influência açoriana no norte do Rio de Janeiro, como Bom Jesus do Itabapoana (RJ), Bom Jesus do Norte (ES), São José do Calçado (ES), e o município de Viana (ES), na Grande Vitória (ES). Esta é a sétima Casa dos Açores do Brasil, juntando-se às outras 16 Casas dos Açores já existentes também no Canadá, EUA, Bermuda, Uruguai e Portugal continental. A sede da nova casa está a seis quilómetros da divisa com o Estado do Rio de Janeiro, para abranger, institucionalmente, todo o Estado do Espírito Santo, incluindo, especialmente, o Município de Viana, de profunda relação açoriana.

Para explicar os contornos da influência açoriana no Espírito Santo entrevistamos Nino Moreira Seródio, presidente da Casa dos Açores do Espírito Santo, que falou também sobre o evento e a importância de se valorizar e promover a cultura e as tradições dos Açores no Brasil.

Nino Moreira Seródio é presidente da Casa dos Açores do Espírito Santo © DIREITOS RESERVADOS

DL: Como avalia o evento?
Foi um evento para resgatar as memórias e celebrar a história. Uma noite de emoção. Superou todas as expetativas.

DL: Como foi a homenagem a Francisco Gonçalves, José Borges Alvarenga e Fabiene Mariano?
O Francisco Amaro Gonçalves faz parte da nossa diretoria como diretor de Relações Institucionais. Conheceu o Vale do Itabapoana a convite de Antônio Borges, um açordescendente da família Borges, numa conversa que tiveram num evento na Casa dos Açores do Rio de Janeiro. Conheceu a nossa região e a história do Padre Açoriano Antônio Francisco de Mello que, por 48 anos, foi sacerdote da paróquia do Senhor Bom Jesus. Sempre que pode, está presente nos nossos eventos. É querido por todos. Hoje, é autor da melodia e letra do hino da Casa dos Açores. José Antônio Borges Alvarenga é um açordescendente da família Borges e nosso diretor Cultural e embaixador da CAES na capital do Estado, em Vitória. É apaixonado pela cultura açoriana e também talentoso na sua viagem musical, sempre presente nos nossos eventos. Faz um trabalho também numa reserva da Mata Atlântica, em Santa Tereza. A Professora Fabiene Passamani Mariano é atual secretária de Cultura de Viana e pesquisadora, com diversos trabalhos da Imigração Açoriana no Estado. Sem dúvida, é a maior guardiã da memória açoriana no Estado do Espírito Santo e também nossa diretora cultural, representando o Polo Viana. Todos as homenagens foram merecidas.

DL: Qual influência foi deixada pelos açorianos no Estado?
Os açorianos trouxeram as tradições, a cultura e a história que procuramos manter no Vale do Itabapoana e na Região de Viana, onde iniciou o povoamento das 53 famílias em fevereiro de 1813. Famílias essas vindas das Ilhas do Faial, Terceira e São Miguel.

DL: Como está a vitalidade da Casa dos Açores do Espírito Santo?
Fazemos os nossos eventos mensais e já temos uma programação até o final deste ano.

DL: Que ações têm desenvolvido?
Manter viva as tradições no Estado e trazer mais associados, além de divulgar o arquipélago dos Açores.

DL: Que projetos tem para o futuro?
Que a Casa dos Açores do Espírito Santo seja um ponto de apoio no Brasil para o Governo dos Açores e que possa acomodar os açorianos no futuro com intercâmbios para os jovens que queiram conhecer o Brasil e encontrar os seus ascendentes que para aqui vieram. Vamos criar o dia do Imigrante Açoriano no Vale do Itabapoana, data de 13 de agosto, e inaugurar o monumento ao Imigrante Açoriano.

DL: Como avalia a sua gestão?
Sou suspeito para falar, mas tenho procurado manter as nossas atividades com a nossa diretoria conversando, ouvindo e muitos planos para o futuro.

DL: Que ligação existe hoje entre a CAES e o governo dos Açores?
José Andrade, diretor regional das Comunidades, conhece todo o nosso trabalho em favor da causa açoriana e foi o maior incentivador para que pudéssemos fundar a sétima Casa dos Açores no Brasil. Ele acompanha todo o nosso trabalho junto da diretoria no resgate da nossa história.

DL: Por fim, na sua opinião, o que deve ser feito no sentido de se valorizar e promover cada vez mais a presença e memória açorianas no Espírito Santo?
Você sabe que a cultura hoje tem pouco interesse para a juventude. Mas um povo que não tem memória, não tem história e tem a sua própria identidade. Temos que divulgar as tradições e cultura para as prefeituras de cada município, com o intuito de que possam empenhar em manter viva a sua história e colonização. Estamos no caminho certo e somos otimistas. Os nossos antepassados chegaram aqui e fizeram história através dos seus trabalhos. Faço aqui uma homenagem aos meus bisavós, que imigraram para cá na esperança de sonhos e realizações com três filhos pequenos, sendo o meu avô o mais novo com apenas dois anos de idade. Na lavoura, prosperaram, criaram os filhos, educaram e passaram a ser uma família tradicional na região, os Vieira Seródio. Saíram do Concelho da Povoação, Lomba da Loução, Ilha de São Miguel e se instalaram no Vale do Itabapoana. Somos otimistas e os ventos vislumbram para o crescimento da nossa associação.

“Espero que seja um período de renovação e crescimento para a Casa”

Leonardo Soares foi reeleito para mais um mandato à frente da Casa dos Açores do Rio de Janeiro, no Brasil. Responsável promete apostar na atração de uma nova geração para participar ativamente na Casa, ampliar a visibilidade da entidade perante a sociedade carioca e buscar recursos para financiar as atividades e projetos

Cerimónia de apresentação da nova diretoria para o biénio 2025/2026 teve lugar no último dia 12 de janeiro © DIREITOS RESERVADOS

“Neste novo mandato, queremos fortalecer ainda mais os laços entre os açorianos e os seus descendentes no Rio de Janeiro”. É com esta convicção que Leonardo Soares, presidente reeleito da Casa dos Açores do Rio de Janeiro, pretende liderar mais dois anos de gestão à frente desta entidade açoriana, localizada no bairro da Tijuca, Zona Norte carioca, Brasil.

A cerimónia de apresentação da nova diretoria para o biénio 2025/2026 teve lugar no último dia 12 de janeiro, diante de um grande público na sede da instituição. À nossa reportagem, Leonardo garantiu que, “entre os projetos, estão a ampliação das atividades culturais, como gastronomia típica, a realização de eventos diversos que possam atingir todos os públicos de várias idades”.

Este responsável sublinha que, neste novo momento, “os desafios principais incluem atrair uma nova geração para participar ativamente na Casa, ampliar a nossa visibilidade perante a sociedade carioca e buscar recursos para financiar as atividades e projetos”, bem como “manter o diálogo com o governo dos Açores e outros órgãos internacionais”, o que considera “essencial para fortalecer as nossas iniciativas”.

“Pretendemos manter o compromisso com a promoção da cultura açoriana e o estreitamento das relações com os Açores. Contudo, queremos inovar na forma como nos comunicamos com o público, investindo em tecnologia e redes sociais para alcançar um público mais amplo e diversificado”, explicou Leonardo Soares, que afirmou que “a nova diretoria é composta por pessoas comprometidas com a valorização da cultura açoriana”.

“Temos uma equipe renovada, com destaque para jovens e veteranos que trazem experiência”, disse.

Casa dos Açores é um ponto de encontro cultural e de preservação da identidade açoriana © DIREITOS RESERVADOS

Atualmente, a Casa dos Açores é um ponto de encontro cultural e de preservação da identidade açoriana no Rio de Janeiro.

“Estamos num momento de revitalização e expansão, com grande potencial para crescer e inovar. A entidade está consolidada como referência na promoção das tradições açorianas, mas buscamos modernizar as nossas abordagens para atrair novos públicos”, frisou.

Ainda no ano passado, uma comitiva da Casa dos Açores carioca, liderada por Leonardo, esteve no arquipélago açoriano para dois importantes encontros: Conselho Mundial das Casas dos Açores e Encontro Açores-Brasil. Experiências que podem, agora, auxiliar na sua nova gestão.

“Os encontros foram cruciais para fortalecer as parcerias com as demais Casas dos Açores e abrir novos caminhos para colaborações futuras. A troca de experiências permitiu entender como podemos adaptar iniciativas de sucesso para a nossa realidade local”, defendeu.

Para 2025, há já um conjunto de ações pré-determinadas, como a celebração das festas religiosas (Divino Espírito Santo, Santo Cristo dos Milagres e Nossa Senhora dos Milagres), o Encontro Cultural Açoriano – com tema ainda a ser definido e diversos eventos de encontro social.

“Espero que seja um período de renovação e crescimento para a Casa. Quero consolidar o nosso papel como um pilar da comunidade açoriana no Rio e como um espaço de integração cultural que acolhe a todos”, finalizou Leonardo Soares, que caracteriza a comunidade açoriana no Rio atualmente como “diversa e resiliente, composta por pessoas que têm orgulho das suas raízes e se esforçam para manter vivas as tradições. Ao mesmo tempo, há um desejo crescente de integração e modernização, o que nos incentiva a pensar em formas inovadoras de promover essa herança”.

Folclore açoriano celebrou 70 anos de presença no Rio de Janeiro

Casa dos Açores mais antiga do Brasil comemorou 70 anos de fundação do Grupo Folclórico Padre Tomaz Borba. A festa reuniu um grande público na cidade maravilhosa, com direito à música, danças e boa gastronomia

Grupo Folclórico Padre Tomáz Borba tem como objetivo “manter viva as tradições açorianas em terras cariocas” © ÍGOR LOPES/DL

A Casa dos Açores do Rio de Janeiro, localizada no bairro da Tijuca, zona Norte desta cidade brasileira, celebrou, no passado dia 10 de novembro, os 70 anos de existência do Grupo Folclórico Padre Tomaz Borba. Para marcar esta data, a entidade realizou um almoço comemorativo que juntou um grande público, com direito a danças e cantares açorianos. A Banda Típicos da Beira Show e o cantor Carlos Rivera, diretamente de Portugal, animaram a festa. A apresentação do Grupo Folclórico Padre Tomaz Borba foi o ponto alto da festividade. Uma iniciática acompanhada de perto pela nossa reportagem.

Segundo os responsáveis pela entidade, foi uma “alegria imensa” celebrar os 70 anos do Grupo Folclórico Padre Tomáz Borba.

O evento ficou marcado pela presença de amigos, apoiadores e membros da comunidade açordescendente na cidade maravilhosa.

“Agradecemos de coração a todos que estiveram conosco para essa grande festa. A presença de associados, ex-membros, frequentadores e amigos fez desta uma tarde memorável, com casa lotada, música de qualidade e uma gastronomia de dar água na boca. Cada sorriso, cada dança, cada reencontro nos mostrou o quanto esse grupo é especial e cercado de amor. O nosso sincero obrigado a todos que fizeram parte desse momento tão importante na nossa história. Que venham muitos anos mais”, disseram estes mesmos responsáveis.

“Foi uma festa muito bonita. A Casa estava cheia. Valeu a pena todo o esforço que nós fizemos”, mencionou Leonardo Soares, presidente de entidade, que ressaltou a presença de antigos membros do grupo.

Guardião da memória e uma expressão viva dos açorianos no Rio de Janeiro”

Fundado em 20 de novembro de 1954, o Grupo Folclórico Padre Tomáz Borba tem como objetivo “manter viva as tradições açorianas em terras cariocas”.

Segundo apurámos, o grupo recebeu este nome em homenagem ao grande compositor açoriano natural de Angra do Heroísmo, que, no Conservatório de Música de Lisboa, foi um “influente e importante personagem”.

Os seus membros são, maioritariamente, descendentes de açorianos, além de alguns descendentes de portugueses continentais, brasileiros natos e açorianos.

A trajetória é longa. O Grupo Folclórico já se apresentou em todas as casas regionais portuguesas da cidade do Rio de Janeiro, em diversas cidades do interior do estado fluminense, em associações culturais, igrejas, clubes diversos e vários festivais de folclore. Já realizou apresentações nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Espírito Santo. Em 2012, fez a sua mais importante digressão. Esteve nos Açores, onde atuaram na Ilha do Pico e na Ilha Terceira. Em 2015, outra aventura internacional. O rancho atuou no Uruguai.

De acordo com a Casa dos Açores do Rio, o repertório do Grupo Folclórico é constituído de “uma importante particularidade: o grupo possui uma marcha de entrada, cuja letra foi escrita pelo poeta Francisco do Canto e Castro e uma marcha de saída. Além das suas marchas, que exaltam o Arquipélago e a Casa dos Açores, a apresentação é formada por modas das ilhas de Santa Maria, São Miguel, Terceira, Pico e Flores. Na parte musical o Grupo ainda apresenta músicas da sua fundação, mantendo a tradição das músicas feitas a mais de 50 anos no Arquipélago dos Açores. Hoje, possui modas novas para representar melhor todas as ilhas do Arquipélago”.

A tocata do rancho é formada apenas por instrumentos de cordas, como violino, violão, viola de doze cordas, bandolim e a viola da terra (15 cordas).

A ideia é que o Grupo Folclórico Padre Tomáz Borba busque, “através da sua dança, do seu folclore, da sua tocata, dos seus trajes e da sua alegria marcante, ser um guardião da memória e uma expressão viva dos açorianos no Rio de Janeiro”.

Interação mundial

A representatividade da Casa dos Açores do Rio extravasa fronteiras. Este ano, o presidente da Casa dos Açores carioca, Leonardo Soares, participou, entre 14 e 15 de outubro, no VII Encontro Açores-Brasil, realizado nas ilhas do Pico e do Faial. As sessões do Encontro aconteceram na Escola Secundária da Madalena, na Biblioteca Pública Municipal da Madalena, na Escola Secundária da Horta e na Biblioteca e Arquivo Público Regional da Horta.

O evento promoveu a troca de experiências e o fortalecimento das relações entre os Açores e o Brasil.

Dias antes, Leonardo Soares e a Primeira Dama Patrícia Soares participaram também na Assembleia Geral do Conselho Mundial das Casas dos Açores que foi realizada entre os dias 11 e 13 de outubro na ilha de São Jorge. Nesta oportunidade, também esteve presente a jovem Stephanie Ventura, que representou a Casa dos Açores no grupo jovem enviado por cada Casa dos Açores para o encontro, uma oportunidade para debater o futuro do movimento associativo açoriano no mundo diante das autoridades do governo açoriano.