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Hospital CUF Açores com novo equipamento para combate ao cancro da mama

© CUF

O Hospital CUF Açores passou a dispor de um aparelho para realização de biópsias do gânglio sentinela, um exame fundamental para definir os passos a seguir no tratamento do cancro da mama.

Este novo equipamento, aliado à experiência e diferenciação da equipa clínica, permite um acompanhamento mais completo e diferenciado aos doentes oncológicos.

De acordo com nota enviada pelo hospital, o gânglio sentinela é o primeiro gânglio linfático com maior probabilidade de receber células tumorais oriundas da lesão inicial na mama. Através da sua biópsia, é possível verificar a presença ou ausência de células malignas. Quando não são detetadas alterações nesse gânglio, é provável que os restantes também não estejam comprometidos.

Sendo o tumor mamário um dos mais prevalentes em Portugal, com cerca de 9 mil novos casos e perto de 2 mil mortes anuais, este equipamento possibilita a realização de uma biópsia essencial para o tratamento da doença, recorrendo a um procedimento minimamente invasivo que permite localizar com precisão o gânglio sentinela.

De acordo com o cirurgião geral Luís Bernardo, responsável por este procedimento no Hospital CUF Açores, este exame permite aceder diretamente ao ponto chave, “evitando a remoção de todos os gânglios para verificar se estão metastatizados e preservando as defesas da mama, da axila e do ombro”. 

Em vez de utilizar substâncias radioativas, como acontece na Medicina Nuclear, a biópsia do gânglio sentinela realizada com o equipamento agora adquirido pela CUF utiliza um composto especial, chamado imunofluorescência, que, ao ser injetado no corpo, incide diretamente no gânglio que os médicos querem observar.

O hospital refere que, “com recurso a este equipamento, os cirurgiões conseguem tomar decisões mais precisas e ajustadas à necessidade de cada doente, permitindo um acompanhamento personalizado a cada caso”.  

Cancro do Pulmão: 20% dos casos ocorrem em pessoas que nunca fumaram

Susana Simões
Pneumologista

O Dia Mundial do Cancro do Pulmão, principal causa de morte oncológica global e nacional, é celebrado anualmente a 1 de agosto desde 2021 para sensibilizar e educar a população sobre esta doença: cerca de 5000 pessoas morrem diariamente em todo o mundo e perto de 14 em Portugal. O principal fator de risco é o tabagismo ativo, responsável por quase 80% dos casos, o que estigmatiza e conduz a menor apoio político e social. No entanto, aproximadamente 20% dos casos ocorrem em pessoas que nunca fumaram ou fumaram menos de 100 cigarros na vida. Se o “cancro de pulmão em não fumadores” fosse por si só uma doença, ocuparia o quinto lugar em mortes por cancro em 2023. Nesta população, as causas incluem fatores de risco ambiental, como gás radão, exposição passiva ao fumo do cigarro, amianto e poluição atmosférica, mas ainda há muito a ser descoberto.

Em grande parte, a causa desta elevada mortalidade resulta do diagnóstico tardio da doença, geralmente em estado avançado, quando já não é possível um tratamento de intenção curativa. Desde logo, isso deve-se à frequente ausência de sintomas na fase inicial e/ou à desvalorização das queixas, atribuídas ao tabagismo especialmente entre fumadores e ex-fumadores. Este atraso na busca por cuidados médicos é ainda agravado pelo medo do diagnóstico. Fica aqui o alerta para procurar o médico assistente perante os seguintes sintomas: tosse persistente por mais de três semanas, alteração súbita de uma tosse antiga, perda de peso inexplicável, falta de ar, dor no tórax, sangue na expectoração e deformação das extremidades dos dedos das mãos.

Para combater o diagnóstico tardio e melhorar o prognóstico desta doença, é crucial empreender políticas de saúde pública que sensibilizem a população e os profissionais de saúde sobre o cancro do pulmão e reforcem a prevenção do tabagismo. Uma medida urgente é implementar o rastreio nacional para indivíduos de alto risco (pessoas entre os 50 e os 80 anos, fumadores ou ex-fumadores há menos de 15 anos, com histórico de consumo de um maço por dia em pelo menos 20 anos) que consiste na realização anual de uma tomografia axial computadorizada (TAC) de baixa dose anual e reduz em cerca de 20% o risco de morte. Aqueles que não se enquadram nesses critérios devem evitar fumar e procurar ajuda médica se tiverem sintomas persistentes e/ou história familiar de cancro do pulmão.

Por último, é importante combater o medo do diagnóstico desta doença. A sua identificação precoce possibilita uma intervenção curativa, e, mesmo nos casos avançados, os novos tratamentos estão a melhorar a sobrevida e a qualidade de vida dos doentes.

As férias são um momento de convívio e partilha com familiares e amigos. Juntos somos mais fortes! Por isso aproveite para compartilhar a informação que acabou de ler. Com isso, estará a contribuir para melhorar a qualidade de vida dos que estão em risco e a fortalecer a união na luta contra esta doença através do rastreio precoce, porque “o cancro de pulmão não tira férias”!